Cita√ß√Ķes sobre Perturba√ß√£o

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Frases sobre perturba√ß√£o, poemas sobre perturba√ß√£o e outras cita√ß√Ķes sobre perturba√ß√£o para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

A Ira é uma Loucura Breve

Alguns s√°bios afirmaram que a ira √© uma loucura breve; por n√£o se controlar a si mesma, perde a compostura, esquece as suas obriga√ß√Ķes, persegue os seus intentos de forma obstinada e ansiosa, recusa os conselhos da raz√£o, inquieta-se por causas v√£s, incapaz de discernir o que √© justo e verdadeiro, semelhante √†s ru√≠nas que se abatem sobre quem as derruba. Mas, para que percebas que est√£o loucos aqueles que est√£o possu√≠dos pela ira, observa o seu aspecto; na verdade, s√£o claros ind√≠cios de loucura a express√£o ardente e amea√ßadora, a fronte sombria, o semblante feroz, o passo apressado, as m√£os trementes, a mudan√ßa de cor, a respira√ß√£o forte e acelerada, ind√≠cios que est√£o tamb√©m presentes nos homens irados: os olhos incendiam-se e fulminam, a cara cobre-se totalmente de um rubor, por causa do sangue que a ela aflui do cora√ß√£o, os l√°bios tremem, os dentes comprimem-se, os cabelos arrepiam-se e eri√ßam-se, a respira√ß√£o √© ofegante e ruidosa, as articula√ß√Ķes retorcem-se e estalam, entre suspiros e gemidos, irrompem frases praticamente incompreens√≠veis, as m√£os entrechocam-se constantemente, os p√©s batem no ch√£o e todo o corpo se agita amea√ßador, a face fica inchada e deformada, horrenda e assutadora. Ficas sem saber se o que h√° de pior neste v√≠cio √© ele ser detest√°vel ou t√£o disforme.

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Uma Alma Grande e Corajosa

Um esp√≠rito corajoso e grande √© reconhecido principalmente devido a duas caracter√≠sticas: uma consiste no desprezo pelas coisas exteriores, na convic√ß√£o de que o homem, independentemente do que √© belo e conveniente, n√£o deve admirar, decidir ou escolher coisa alguma nem deixar-se abater por homem algum, por qualquer quest√£o espiritual ou simplesmente pela m√° fortuna. A outra consiste no facto – especialmente quando o esp√≠rito √© disciplinado na maneira acima referida – de se dever realizar feitos, n√£o s√≥ grandes e seguramente, bastante √ļteis, mas ainda em grande n√ļmero, √°rduos e cheios de trabalhos e perigos, tanto para a vida como para as muitas coisas que √† vida interessam.
Todo o esplendor, toda a dimensão (devo acrescentar ainda a utilidade), pertencem à segunda destas duas características; porém, a causa e o princípio eficiente, que os tornam homens grandes, à primeira.
Naquela est√°, com efeito, aquilo que torna os esp√≠ritos excelentes e desdenhosos das coisas humanas. Na verdade, pode isto ser reconhecido por duas condi√ß√Ķes: em primeiro lugar, se estimares alguma coisa como sendo boa unicamente porque √© honesta, em segundo lugar, se te encontrares livre de toda a perturba√ß√£o de esp√≠rito. Consequentemente, o facto de se ter em pouca conta aquelas coisas humanas e de se desprezar,

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Controle da Alma

Lembra o retiro que te oferece esse pequeno dom√≠nio que √©s tu mesmo; acima de tudo, n√£o te inquietes nem te oponhas, mas permanece livre e encara as coisas virilmente, como homem, como cidad√£o, como mortal. E, naquilo em que meditares mais frequentemente, estejam presentes estas duas verdades fundamentais: uma, que as coisas n√£o afectam a alma, mas permanecem im√≥veis, fora dela, e as nossas perturba√ß√Ķes resultam unicamente da opini√£o interior que a alma delas forma; outra, que tudo quanto contemplas mudar√° dentro de um instante e n√£o mais existir√°. Pensa em quantas mudan√ßas j√° assististe. O cosmos √© muta√ß√£o; a vida, opini√£o.
Se suprimires a tua opinião sobre aquilo que te parece causar sofrimento, alcançarás perfeita segurança. Tu, quem? A razão. Mas eu não sou apenas razão. Seja. Então, que a razão não se perturbe a si mesma. Mas se outra parte de ti sofrer, que ela opine sobre si própria.

Só Sente Ansiedade pelo Futuro aquele cujo Presente é Vazio

O principal defeito da vida √© ela estar sempre por completar, haver sempre algo a prolongar. Quem, todavia, quotidianamente der √† pr√≥pria vida “os √ļltimos retoques” nunca se queixar√° de falta de tempo; em contrapartida, √© da falta de tempo que prov√©m o temor e o desejo do futuro, o que s√≥ serve para corroer a alma. N√£o h√° mais miser√°vel situa√ß√£o do que vir a esta vida sem se saber qual o rumo a seguir nela; o esp√≠rito inquieto debate-se com o inelut√°vel receio de saber quanto e como ainda nos resta para viver. Qual o modo de escapar a uma tal ansiedade? H√° um apenas: que a nossa vida n√£o se projecte para o futuro, mas se concentre em si mesma. S√≥ sente ansiedade pelo futuro aquele cujo presente √© vazio. Quando eu tiver pago tudo quanto devo a mim mesmo, quando o meu esp√≠rito, em perfeito equil√≠brio, souber que me √© indiferente viver um dia ou viver um s√©culo, ent√£o poderei olhar sobranceiramente todos os dias, todos os acontecimentos que me sobrevierem e pensar sorridentemente na longa passagem do tempo! Que esp√©cie de perturba√ß√£o nos poder√° causar a variedade e instabilidade da vida humana se n√≥s estivermos firmes perante a instabilidade?

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O Saber Altera a Economia de um Ser

O que aprendemos por nós próprios, seja que conhecimento for extraído do nosso próprio fundo, é algo que teremos que expiar por um suplemento de desequilíbrio. Fruto de uma desordem íntima, de uma doença definida ou difusa, de uma perturbação na raiz da nossa existência, o saber altera a economia de um ser. Cada um de nós terá que pagar pelo mais pequeno golpe que vibra num universo criado para a indiferença e para a estagnação; cedo ou tarde, arrepender-se-á, arrepender-nos-emos, de o não ter, ou de o não termos, deixado intacto.
O que sendo verdade para o conhecimento é mais verdade ainda para a ambição, porque invadir o terreno de outrem acarreta consequências mais graves e mais imediatas do que invadir o terreno do mistério ou simplesmente da matéria.
Come√ßamos por fazer tremer os outros, mas os outros acabam por nos comunicar os seus terrores. √Č por isso que os tiranos, tamb√©m eles, vivem no pavor. O que o nosso futuro senhor h√°-de conhecer ser√° sem d√ļvida exacerbado por uma felicidade sinistra, como ningu√©m experimentou compar√°vel, √† medida do solit√°rio por excel√™ncia, erguido diante da humanidade toda, semelhante a um deus entronizado no medo, num p√Ęnico omnipotente,

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A Memória é Como o Ventre da Alma

Encerro também na memória os afectos da minha alma, não da maneira como os sente a própria alma, quando os experimenta, mas de outra muito diferente, segundo o exige a força da memória.
N√£o √© isto para admirar, tratando-se do corpo: porque o esp√≠rito √© uma coisa e o corpo √© outra. Por isso, se recordo, cheio de gozo, as dores passadas do corpo, n√£o √© de admirar. Aqui, por√©m, o esp√≠rito √© a mem√≥ria. Efectivamente, quando confiamos a algu√©m qualquer neg√≥cio, para que se lhe grave na mem√≥ra, dizemos-lhe: ¬ęv√™ l√°, grava-o bem no teu esp√≠rito¬Ľ. E quando nos esquecemos, exclamamos: ¬ęn√£o o conservei no esp√≠rito¬Ľ, ou ent√£o: ¬ęescapou-se-me do esp√≠rito¬Ľ; portanto, chamamos esp√≠rito √† pr√≥pria mem√≥ria.
Sendo assim, porque será que, ao evocar com alegria as minhas tristezas passadas, a alma contém a alegria e a memória a tristeza, de modo que a minha alma se regozija com a alegria que em si tem e a memória se não entristece com a tristeza que em si possui? Será porque não faz parte da alma? Quem se atreverá a afirmá-lo?
N√£o h√° d√ļvida que a mem√≥ria √© como o ventre da alma. A alegria, por√©m, e a tristeza s√£o o seu alimento,

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Uma Vida Simples e Modesta

N√£o depender sen√£o de si mesmo √©, em nossa opini√£o, um grande bem, mas da√≠ n√£o se segue que devamos sempre contentar-nos com pouco. Simplesmente, quando nos falte a abund√Ęncia, devemos poder contentar-nos com pouco, persuadidos de que gozam melhor a riqueza os que t√™m menor n√ļmero de cuidados, e de que tudo quanto seja natural se obt√©m facilmente, enquanto o que n√£o o √© s√≥ se consegue a custo. As iguarias mais simples proporcionam tanto prazer quanto a mesa mais ricamente servida, sempre que esteja ausente o sofrimento causado pela necessidade, e o p√£o e a √°gua ocasionam o mais vivo prazer quando s√£o saboreados ap√≥s longa priva√ß√£o.
O h√°bito de uma vida simples e modesta √©, pois, uma boa maneira de cuidar da sa√ļde e, ademais, torna o homem corajoso para suportar as tarefas que deve necessariamente cumprir na vida. Permite-lhe ainda apreciar melhor uma vida opulenta, quando se lhe enseje, e fortalece-o contra os reveses da fortuna. Por conseguinte, quando dizemos que o prazer √© o soberano bem, n√£o falamos dos prazeres dos devassos, nem dos gozos sensuais, como o pretendem alguns ignorantes que nos combatem e nos desfiguram o pensamento. Falamos da aus√™ncia de sofrimento f√≠sico e da aus√™ncia de perturba√ß√£o moral.

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O Entendimento das Almas

As almas t√™m um modo especial de se entenderem, de entrarem em intimidade, de se tratarem, at√©, por tu, enquanto as pessoas ainda se sentem embara√ßadas com o com√©rcio das palavras, na escravid√£o das exig√™ncias sociais. As almas t√™m necessidades pr√≥prias e aspira√ß√Ķes pr√≥prias, que o corpo finge n√£o reconhecer quando se v√™ impossibilitado de as satisfazer a de as traduzir em ac√ß√Ķes. E de todas as vezes que duas pessoas comunicam entre si desta maneira, apenas como almas, se encontram a s√≥s num qualquer lugar, experimentam uma perturba√ß√£o angustiosa e quase um rep√ļdio violento de todo e qualquer contacto material, um sofrimento que os afasta e que cessa de imediato logo que interv√©m uma terceira pessoa. Ent√£o, desvanecida a ang√ļstia, as duas almas aliviadas buscam-se reciprocamente e voltam a sorrir uma para a outra.

Ode Marítima

Sozinho, no cais deserto, a esta manh√£ de Ver√£o,
Olho pro lado da barra, olho pro Indefinido,
Olho e contenta-me ver,
Pequeno, negro e claro, um paquete entrando.
Vem muito longe, nítido, clássico à sua maneira.
Deixa no ar distante atr√°s de si a orla v√£ do seu fumo.
Vem entrando, e a manh√£ entra com ele, e no rio,
Aqui, acolá, acorda a vida marítima,
Erguem-se velas, avançam rebocadores,
Surgem barcos pequenos de tr√°s dos navios que est√£o no porto.
H√° uma vaga brisa.
Mas a minh’alma est√° com o que vejo menos,
Com o paquete que entra,
Porque ele est√° com a Dist√Ęncia, com a Manh√£,
Com o sentido marítimo desta Hora,
Com a doçura dolorosa que sobe em mim como uma náusea,
Como um começar a enjoar, mas no espírito.

Olho de longe o paquete, com uma grande independência de alma,
E dentro de mim um volante começa a girar, lentamente,

Os paquetes que entram de manh√£ na barra
Trazem aos meus olhos consigo
O mistério alegre e triste de quem chega e parte.

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Prudência é o Saber Acomodar

Espa√ßosa esfera √© a do entendimento para discorrer por todos os objectos, e contudo tem seus intervalos em que acha comodidades o corpo: n√£o descansa este no sil√™ncio da noite, sem que aquele se esconda no mais interior da alma. Ainda o discorrer demasiado, dando voltas ao entendimento, √© arriscar a que d√™ o entendimento uma volta; e como √© arriscado o discorrer sem termo, n√£o √© o menos perigoso o luzir sem pausa. Seus intervalos h√£o-de ter os luzimentos grandes, e nem por isso deixar√£o de ser l√ļcidos intervalos, quando o saber acomodar √© para melhor luzir; por isso o Sol √© o melhor dos planetas, porque sabe acomodar suas luzes √† dureza do diamante, como √† brandura da cera; e os mesmos raios que infundem a dureza no bronze, se acomodam aos melindres de uma flor. Prud√™ncia √© o saber acomodar, para melhor luzir e viver.
Brilhar com demasiado luzimento nas ac√ß√Ķes, mais estorva os aplausos do que os granjeia; porque, na opini√£o de S√©neca, n√£o sabem os homens aplaudir sen√£o aquilo que s√≥ podem imitar. Com ser a luz do Sol o mais agrad√°vel objecto √† vista, contudo, se √© grande o excesso de seus ardores,

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O Engano do Imediato

√Č preciso dominar a impress√£o produzida pelo que √© vis√≠vel e presente; tal impress√£o tem uma for√ßa extraordin√°ria se for confrontada com o que √© meramente pensado e sabido, n√£o em virtude de sua mat√©ria e seu conte√ļdo, frequentemente insignificantes, mas da sua forma, da clareza e do imediatismo por meio dos quais ela se imp√Ķe ao esp√≠rito, perturbando a sua paz ou at√© mesmo fazendo vacilar os seus prop√≥sitos. √Č assim que algo agrad√°vel, ao qual renunciamos depois de reflectir, nos estimula quando o temos diante dos olhos; assim nos magoa um julgamento cuja incompet√™ncia √© do nosso conhecimento, irrita-nos uma ofensa cujo car√°cter desprez√≠vel compreendemos; da mesma maneira, dez raz√Ķes contra a exist√™ncia de um perigo s√£o sobrepujadas pela falsa apar√™ncia da sua real presen√ßa etc.

(…) Quando todos os que nos circundam t√™m uma opini√£o diferente da nossa e se comportam em conformidade com ela, √© dif√≠cil n√£o ficarmos abalados, por mais que estejamos convencidos do erro dessas pessoas. Pois o que √© presente, o vis√≠vel, por estar facilmente ao alcance da vista, age sempre com toda a sua for√ßa; em contrapartida, pensamentos e causas requerem tempo e calma para serem analisados com cuidado, raz√£o pela qual n√£o podemos t√™-los presentes a todo o instante.

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Certamente √© bom que o mundo conhe√ßa apenas a obra bela e n√£o as suas origens nem as condi√ß√Ķes em que foi gerada; pois o conhecimento das fontes de onde prov√©m a inspira√ß√£o para o artista causaria frequentemente perturba√ß√£o e espanto, neutralizando assim os efeitos da excel√™ncia.

A Maior Felicidade

Eu n√£o consigo imaginar uma maior felicidade que aquela que sinto ao estar contigo durante todo o tempo, sem interrup√ß√£o, infinitamente, mesmo que sinta que aqui neste mundo n√£o existe nenhum lugar sem perturba√ß√Ķes para o nosso amor, tanto aqui na aldeia como em qualquer outro s√≠tio; e eu sonho com um t√ļmulo, profundo e estreito, onde podemos apertar-nos um ao outro com os nossos bra√ßos como se fossem ganchos, e eu esconderia o meu rosto em ti e tu esconderias o teu rosto em mim, e ningu√©m jamais nos iria ver nunca mais.

A paixão é uma perturbação, o amor é real, é absoluto, é uma coisa estranha. A paixão dá sempre força a um lado, ou é da mulher ou é do homem. O desejo é fazer dos dois, um.

O choro que vive na preguiça, esquece do trabalho, não é mais choro, é perturbação.

Amizade Sem Sinceridade

Acredita-se ter encontrado um meio de tornar a vida deliciosa atrav√©s da bajula√ß√£o. Um homem simples que apenas diz a verdade √© visto como o perturbador do prazer p√ļblico. Foge-se dele porque n√£o agrada a ningu√©m; foge-se da verdade que ele enuncia, porque √© amarga; foge-se da sinceridade que proclama porque apenas traz frutos selvagens; tem-se receio dela porque humilha, porque revolta o orgulho que √© a mais estimada das paix√Ķes, porque √© um pintor fiel que nos faz ver qu√£o disformes somos.
N√£o admira que seja t√£o rara: em toda a parte (a sinceridade) √© perseguida e proscrita. Coisa maravilhosa, ela encontra a custo um ref√ļgio no seio da amizade.
Sempre seduzidos pelo mesmo erro, só fazemos amigos para ter pessoas particularmente destinadas a nos agradarem: a nossa estima resume-se à sua complacência; o fim dos consentimentos acarreta o fim da amizade. E quais são esses consentimentos? O que é que mais nos agrada nos amigos? São os contínuos elogios que lhes cobramos como tributos.
A que se deve que j√° n√£o haja verdadeira amizade entre os homens? Que esse nome n√£o seja mais do que uma armadilha que empregam com vileza para seduzir? ¬ę√Č, diz um poeta (Ov√≠dio),

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Os Sentimentos em Perspectiva

A prop√≥sito de tudo o que te afecte os sentidos (ora de maneira agrad√°vel ou apraz√≠vel, ora pela sua utilidade, ora ainda por afei√ß√£o ou amizade), n√£o te esque√ßas de te interrogar sobre o que verdadeiramente √©, por mais insignificante que te possa parecer o objecto eleito. Se uma panela tu prezas, n√£o te co√≠bas de dizer para ti: ¬ę√Č uma panela que deveras me agrada¬Ľ. Porque, atrav√©s desta maneira de proceder, de maneira nenhuma ser√°s afectado caso ela um dia se parta. Se abra√ßas o teu filho ou a tua mulher, tem sempre em aten√ß√£o que mais n√£o abra√ßas do que seres humanos. Se um deles te morrer, e s√≥ assim, a perturba√ß√£o n√£o se apossar√° de ti.

Estudo, Criatividade, e Sabedoria Humilde

Descobrir√°s que n√£o √©s a primeira pessoa a quem o comportamento humano alguma vez perturbou, assustou ou mesmo enojou. N√£o est√°s de modo nenhum sozinho nesse ponto, e isso deve servir-te de incitamento e de est√≠mulo. Muitos, muitos homens se sentiram t√£o perturbados, moralmente e espiritualmente, como tu est√°s agora. Felizmente, alguns deles deixaram mem√≥rias dessa perturba√ß√£o. H√°s-de aprender com eles… se quiseres aprender. Tal como um dia, se tiveres alguma coisa para dar, algu√©m h√°-de aprender contigo. √Č um belo tratado de reciprocidade. E isto n√£o √© instru√ß√£o. √Č hist√≥ria. √Č poesia.
(…) N√£o estou a tentar dizer-te que s√≥ os homens instru√≠dos e com estudos est√£o preparados para dar alguma coisa ao mundo. N√£o √© verdade. Mas afirmo que os homens instru√≠dos e com estudos, se, para come√ßar, forem inteligentes e criativos, o que infelizmente, raramente acontece, tendem a deixar atr√°s deles mem√≥rias mais valiosas do que os homens simplesmente brilhantes e criativos. Tendem a exprimir-se mais claramente, e normalmente t√™m a paix√£o de seguir os seus pr√≥prios pensamentos at√© ao fim. E, o que √© mais importante, nove em cada dez vezes s√£o mais humildes do que os pensadores sem estudos.

J.D.

A Independência do Homem

Mal podemos acreditar no fil√≥sofo a quem tudo deixa indiferente; n√£o acreditamos na tranquilidade do est√≥ico, n√£o desejamos sequer a impavidez, porque a pr√≥pria condi√ß√£o humana nos lan√ßa na paix√£o e no medo, e s√£o as l√°grimas e o j√ļbilo que nos permitem conhecer o que √©. Eis por que somente o impulso ascendente nos liberta das perturba√ß√Ķes an√≠micas e n√£o √© pela supress√£o que nos encontramos.
Temos, pois, que nos arriscar a ser homens e, enquanto homens, fazermos o que pudermos para alcançar a independência conquistada. Sofreremos então sem queixume, desesperar-nos-emos sem nos afundarmos, abalados mas nunca completamente derrubados quando suspensos à íntima independência que em nós se gera.
A filosofia, porém, é a escola dessa independência, não a sua posse.

Os Elementos do Car√°cter

O car√°cter √© constitu√≠do por um agregado de elementos afectivos aos quais se sobrep√Ķem, mesclando-se muito pouco a eles, alguns elementos intelectuais. S√£o sempre os primeiros que d√£o ao indiv√≠duo a sua verdadeira personalidade. Sendo numerosos os elementos afectivos, a sua associa√ß√£o formar√° variados elementos: activos, contemplativos ap√°ticos, sensitivos, etc. Cada um deles actuar√° diferentemente sob a ac√ß√£o dos mesmos excitantes.
Os agregados constitutivos do car√°cter podem ser fortemente ou, ao contr√°rio, fracamente cimentados. Aos agregados s√≥lidos correspondem as individualidades fortes, que se mant√™m n√£o obstante as varia√ß√Ķes de meio e de circunst√Ęncias. Aos agregados mal cimentados correspondem as mentalidades moles, incertas e mut√°veis. Elas modificar-se-iam a cada instante sob as influ√™ncias mais insignificantes se certas necessidades da vida quotidiana n√£o as orientassem, como as margens de um rio canalizam o seu curso.
Por mais est√°vel que seja o car√°cter, permanece sempre ligado, no entanto, ao estado dos nossos √≥rg√£os. Uma nevralgia, um reumatismo, uma perturba√ß√£o intestinal, transformam o j√ļbilo em melancolia, a bondade em maldade, a vontade em indol√™ncia. Napole√£o, doente em Warteloo, j√° n√£o era Napole√£o. C√©sar, disp√©ptico, n√£o teria, sem d√ļvida, transposto o Rubicon.
As causas morais actuam também no carácter ou, pelo menos,

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