Passagens sobre Pintores

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Frases sobre pintores, poemas sobre pintores e outras passagens sobre pintores para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Na verdade, o pintor pinta com a vista; a sua arte é a de ver tudo com regularidade e beleza.

O Êxito e a Felicidade

A raiz do mal reside no facto de se insistir demasiadamente que no êxito da competição está a principal fonte da felicidade. Não nego que o sentimento do triunfo torna a vida mais agradável. Um pintor, por exemplo, que viveu obscuramente na juventude, decerto se sentirá feliz se o seu talento acabar por ser reconhecido. Não nego também que o dinheiro, até um certo limite, é capaz de aumentar a felicidade; para lá desse limite, julgo que não. O que eu afirmo é que o êxito só pode ser um dos vários elementos da felicidade e que é demasiado o preço pelo qual se obtém se a ele se sacrificam todos os outros.

Amor é um Espírito Invisível

Dizem que fere amor com passadores
e que traz em matar o pensamento,
mas eu julgo que tem amor de vento
quem cuida haver no mundo tais amores.

Também dizem que o pintam os Pintores
menino, nu e cego: e t√£o sem tento,
que √© mais cego e mais nu d’entendimento,
quem cuida que em amores cabem tais cores.

Amor é um espírito invisível,
que entra por onde quer, e abranda o peito
sem cor, sem arco, aljava, ou seta dura:

Pode num peito humano o impossível,
recebe-se somente no conceito,
e tem no coração posse segura.

Este Retrato Vosso é o Sinal

Este retrato vosso é o sinal
ao longe do que sois, por desamparo
destes olhos de c√°, porque um t√£o claro
lume n√£o pode ser vista mortal.

Quem tirou nunca o sol por natural?
Nem viu, se nuvens n√£o fazem reparo,
em noite escura ao longe aceso um faro?
Agora se não vê, ora vê mal.

Para uns tais olhos, que ninguém espera
de face a face, gram remédio fora
acertar o pintor ver-vos sorrindo.

Mas inda assim n√£o sei que ele fizera,
que a graça em vós não dorme em nenhuma hora.
Falando que far√°? Que far√° rindo?

O Saber Ajuda em Todas as Actividades

O mero fil√≥sofo √© geralmente uma personalidade pouco admis¬≠s√≠vel no mundo, pois sup√Ķe-se que ele em nada contribui para o be¬≠nef√≠cio ou para o prazer da sociedade, porquanto vive distante de toda comunica√ß√£o com os homens e envolto em princ√≠pios e no√ß√Ķes igualmente distantes de sua compreens√£o. Por outro lado, o mero ig¬≠norante √© ainda mais desprezado, pois n√£o h√° sinal mais seguro de um esp√≠rito grosseiro, numa √©poca e uma na√ß√£o em que as ci√™ncias florescem, do que permanecer inteiramente destitu√≠do de toda esp√©cie de gosto por estes nobres entretenimentos. Sup√Ķe-se que o car√°cter mais perfeito se encontra entre estes dois extremos: conserva igual capacidade e gosto para os livros, para a sociedade e para os neg√≥cios; mant√©m na conversa√ß√£o discernimento e delicadeza que nascem da cultura liter√°ria; nos neg√≥cios, a probidade e a exatid√£o que resultam naturalmente de uma filosofia conveniente. Para difundir e cultivar um car√°cter t√£o aperfei√ßoado, nada pode ser mais √ļtil do que as com¬≠posi√ß√Ķes de estilo e modalidade f√°ceis, que n√£o se afastam em demasia da vida, que n√£o requerem, para ser compreendidas, profunda apli¬≠ca√ß√£o ou retraimento e que devolvem o estudante para o meio de homens plenos de nobres sentimentos e de s√°bios preceitos,

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Espontaneidade P√ļblica Inexistente

O p√ļblico n√£o √© cr√≠tico, n√£o pensa espontaneamente. Na escolha do que l√™, na pr√≥pria disposi√ß√£o do seu bom gosto, √© guiado por influ√™ncias externas. Este fen√≥meno v√™-se com particular clareza no caso das modas, mormente nas do vestu√°rio, em que determinadas casas de cria√ß√Ķes do g√©nero determinam o que h√° de ser de bom gosto, e efectivamente todo o p√ļblico segue o crit√©rio que lhe √© assim imposto. √Č frequente, anos mais tarde, o homem ou a mulher que se teve por vestindo com o melhor gosto em tal √©poca, pasmar, ante um seu retrato e vendo-o √† luz de novas modas e novos tipos de gosto, de como algum dia considerou de bom gosto ou de qualquer esp√©cie de eleg√Ęncia o desastrado fato ou vestido que relembra.
Temos, pois, que para o p√ļblico apreciar um pintor, um poeta, um m√ļsico, que n√£o seja banal, tem que haver quem chame a aten√ß√£o do p√ļblico para ele. O esp√≠rito humano espontaneamente aceita s√≥ o que j√° conhece; e como o valor, em qualquer sec√ß√£o da actividade humana superior, reside essencialmente na originalidade, resulta que n√£o h√° aceita√ß√£o espont√Ęnea, nem a pode haver, de um autor ou artista, que seja espontaneamente aceite pelo p√ļblico.

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O Amor é um Exagerador

As coisas boas, como o amor e a sabedoria, n√£o trazem a felicidade pela simples raz√£o que as coisas boas t√™m, para ser boas, de ser ¬ęboas por si mesmas¬Ľ. N√£o podem ser boas por aquilo que trazem. Pelo contr√°rio, t√™m um pre√ßo. O mais das vezes, o pre√ßo do amor e da sabedoria, ambos artigos finos, artigos de luxo, coisas boas, √© a infelicidade. Quando se ama, ou quando se estuda muito, fica-se sujeito √†s vontades e √†s verdades mais alheias. Nada depende quase nada de n√≥s. E sofre-se. Irritam as pessoas que esperam que o amor traga a felicidade. √Č como esperar que os morangos tragam as natas. O amor n√£o √© um meio para atingir um fim ‚ÄĒ n√£o √© atrav√©s do amor que se chega √† felicidade. O amor √© um exagerador ‚ÄĒ exagera os √™xtases e as agonias, torna tudo o que n√£o lhe diz respeito (o mundo inteiro) numa coisa pequenina. Assim como a arte tem de ser pela arte e a ci√™ncia pela ci√™ncia (seria um horror ouvir algu√©m dizer ¬ęEu quero ser pintor ou bi√≥logo para ganhar muito dinheiro e ir a muitas festas e ter duas carrinhas Volvo com galgos do Afeganist√£o l√° dentro¬Ľ),

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Reservando ao pintor a tarefa severa e controlável de começar os quadros, atribuímos ao espectador o papel vantajoso, cómodo e cómico de os acabar pela sua meditação ou pelo seu sonho.

O ser humano n√£o √© assim t√£o v√°rio; t√£o v√°rio como se pretende. Nota que os livros s√£o sempre os mesmos, infelizmente. Pintores, cineastas, m√ļsicos, escritores, poetas tratam sempre os mesmos assuntos, tentam analisar, sempre, as mesmas obsess√Ķes.

Conto de Fadas

Eu trago-te nas m√£os o esquecimento
Das horas m√°s que tens vivido, Amor!
E para as tuas chagas o unguento
Com que sarei a minha própria dor.

Os meus gestos s√£o ondas de Sorrento…
Trago no nome as letras de uma flor…
Foi dos meus olhos garços que um pintor
Tirou a luz para pintar o vento…

Dou-te o que tenho: o astro que dormita,
O manto dos crep√ļsculos da tarde,
O sol que √© d’oiro, a onda que palpita.

Dou-te comigo o mundo que Deus fez!
– Eu sou Aquela de quem tens saudade,
A Princesa do conto: ‚ÄúEra uma vez…‚ÄĚ

Escrita e Interpretação

Sócrates: Você sabe, Fedro, esta é a singularidade do escrever, que o torna verdadeiramente análogo ao pintar. As obras de um pintor mostram-se a nós como se estivessem vivas; mas, se as questionamos, elas mantêm o mais altivo silêncio. O mesmo se dá com as palavras escritas: parecem falar conosco como se fossem inteligentes, mas, se lhes perguntamos qualquer coisa com respeito ao que dizem, por desejarmos ser instruídos, elas continuam para sempre a nos dizer exactamente a mesma coisa. E, uma vez que algo foi escrito, a composição, seja qual for, espalha-se por toda a parte, caindo em mãos não só dos que a compreendem mas também dos que não têm relação alguma com ela; não sabe como se dirigir às pessoas certas e não se dirigir às erradas. E, quando é maltratada ou injustamente ultrajada, precisa sempre que o seu pai lhe venha em socorro, sendo incapaz de se defender ou de cuidar de si própria.

O País é Pequeno e a Gente que nele Vive também não é Grande

Em tempos disse que Portugal estava culturalmente morto. Talvez o tenha dito em determinado momento, mas tamb√©m o diria hoje porque Portugal n√£o tem ideias de futuro, nenhuma ideia do futuro portugu√™s, nem uma ideia que seja sua, e vai navegando ao sabor da corrente. A cultura, apesar de tudo, tem sobrevivido e √© aquilo que pode dar do pa√≠s uma imagem aberta e positiva em todos os aspectos, seja no cinema, na literatura ou na arte – temos grandes pintores que andam espalhados pelo mundo. Mas o Almeida Garrett definiu-nos de uma vez para sempre e de uma maneira que se tem de reconhecer que √© uma radiografia de corpo inteiro: ¬ęO pa√≠s √© pequeno e a gente que nele vive tamb√©m n√£o √© grande.¬Ľ √Č tremenda esta defini√ß√£o, mas se tivermos ocasi√£o de verificar, desde o tempo do Almeida Garrett e, projectando para tr√°s, efectivamente o pa√≠s √© pequeno (…), mas o que est√° em causa n√£o √© o tamanho f√≠sico do pa√≠s mas a dimens√£o espiritual e mental dos seus habitantes.

A Poesia

… Quantas obras de arte… J√° n√£o cabem no mundo… Temos de as pendurar fora dos quartos… Quantos livros… Quantos livrecos… Quem ser√° capaz de os ler?… Se fossem comest√≠veis… Se numa panela de grande calado os fiz√©ssemos em salada, os pic√°ssemos, os alinh√°ssemos… J√° n√£o se pode mais… Estamos at√© ao pesco√ßo… O mundo afoga-se na mar√©… Reverdy dizia-me: ¬ęAvisei o correio para que n√£o me trouxesse mais livros… N√£o poderia abri-los. N√£o tenho espa√ßo. Trepam pelas paredes, temi uma cat√°strofe, ruiriam em cima da minha cabe√ßa¬Ľ… Todos conhecem Eliot… Antes de ser pintor, de dirigir teatros, de escrever luminosas cr√≠ticas, lia os meus versos… Sentia-me lisonjeado… Ningu√©m os compreendia melhor… At√© que um dia come√ßou a ler-me os seus e eu, egoisticamente, corri a protestar: ¬ęN√£o mos leia, n√£o mos leia¬Ľ… Fechei-me no quarto de banho, mas Eliot, atrav√©s da porta, lia-mos… Fiquei muito triste… O poeta Frazer, da Esc√≥cia, estava presente… Increpou-me: ¬ęPorque tratas assim Eliot?¬Ľ… Respondi: ¬ęN√£o quero perder o meu leitor. Cultivei-o. Conhece at√© as rugas da minha poesia… Tem tanto talento… Pode fazer quadros… Pode escrever ensaios… Mas eu quero manter este leitor, conserv√°-lo, reg√°-lo como planta ex√≥tica… Compreendes-me, Frazer?¬Ľ… Porque a verdade, se isto continua,

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Os pintores e os poetas sempre gozaram da mesma forma do poder de ousarem o que quisessem.

Estou Habituado a que Recebam Mal os Meus Filmes

Estou habituado a que recebam mal os meus filmes e isso n√£o me altera, nem altera nada do que penso sobre o cinema. Eu reprovo o pr√©mio da competi√ß√£o. Os √ďscares, por exemplo, at√© porque s√£o dados a filmes de sucesso. Gosto mais dos pr√©mios que s√£o dados ao filme como coisa art√≠stica. Esse pr√©mio de competi√ß√£o est√° bem no futebol, que um mete mais golos que o outro. Mas j√° dizia o Rembrandt quando apresentou o seu quadro “A ronda da noite” √† sociedade ‚Äď fizeram muita tro√ßa, ele veio desconsolad√≠ssimo ‚Äď: “O militar conhece a sua gl√≥ria na vit√≥ria, o comerciante reconhece a sua gl√≥ria nos lucros do com√©rcio, mas o pintor, o artista, onde √© que ele a vai reconhecer?”. N√£o h√° nada que determine exactamente. A arte √© especial. H√° uma s√≥ lei: o tempo. O tempo √© o grande juiz, √© o grande juiz de tudo.