Cita√ß√Ķes sobre Quarenta

53 resultados
Frases sobre quarenta, poemas sobre quarenta e outras cita√ß√Ķes sobre quarenta para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Os Deuses Reclinados

… Por todos os lados as est√°tuas de Buda, de Lorde Buda… As severas, verticais, carcomidas est√°tuas, com um dourado de resplendor animal, com uma dissolu√ß√£o como se o ar as desgastasse… Crescem-lhes nas faces, nas pregas das t√ļnicas, nos cotovelos, nos umbigos, na boca e no sorriso pequenas m√°culas: fungos, porosidades, vest√≠gios excrement√≠cios da selva… Ou ent√£o as jacentes, as imensas jacentes, as est√°tuas de quarenta metros de pedra, de granito areento, p√°lidas, estendidas entre as sussurrantes frondes, inesperadas, surgindo de qualquer canto da selva, de qualquer plataforma circundante… Adormecidas ou n√£o adormecidas, est√£o ali h√° cem anos, mil anos, mil vezes mil anos… Mas s√£o suaves, com uma conhecida ambiguidade ultraterrena, aspirando a ficar e a ir-se embora… E aquele sorriso de suav√≠ssima pedra, aquela majestade imponder√°vel, mas feita de pedra dura, perp√©tua, para quem sorriem, para quem, sobre a terra sangrenta?… Passaram as camponesas que fugiam, os homens do inc√™ndio, os guerreiros mascarados, os falsos sacerdotes, os turistas devoradores…

E manteve-se no seu lugar a est√°tua, a imensa pedra com joelhos, com pregas na t√ļnica de pedra, com o olhar perdido e n√£o obstante existente, inteiramente inumana e de alguma forma tamb√©m humana, de alguma forma ou de alguma contradi√ß√£o estatu√°ria,

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Carta (a um Amigo que me Pediu Versos)

Como hei-de ser um Petrarca,
Cantar como um rouxinol,
Se o meu termómetro marca
Quarenta e dois graus ao sol!

Da lira b√°rbara e tosca
Nem saem trovas d’Alfama.
Enxota o Pégaso a mosca,
E eu durmo a sesta na cama.

A hipocondria maciça
Conduzo-a, não há remédio,
Na jumenta da preguiça
Pelas charnecas do tédio.

Eu trago a inspiração oca,
Ando abatido, ando mono;
Meus versos abrem a boca,
Como os porteiros com sono.

N√£o tenho a rima imprevista,
Os guizos d’oiro ou de opala,
Que à asa da estrofe o artista
Sublime prende ao larg√°-la.

P’ra lapidar √† vontade
Um belo verso radiante,
Falta-me a tenacidade,
Que é como o pó do diamante.

A musa foi-se-me embora;
Para onde foi nem me lembro;
Só a torno a ver agora
L√° para os fins de Setembro.

Anda talvez nas florestas
Fazendo orgias pag√£s,
Entre os aromas das giestas
E os braços dos Egipãs.

Deix√°-la andar l√° dois meses
Colhendo imagens e flores,

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Até aos quarenta anos, a mulher apenas tem no coração quarenta primaveras; mas, depois dos quarenta, tem quarenta invernos.

Amor e Intimidade

Toda a gente tem medo da intimidade ‚ÄĒ ter ou n√£o ter consci√™ncia desse medo √© outra hist√≥ria. A intimidade significa expor-se perante um estranho ‚ÄĒ e todos n√≥s somos estranhos; ningu√©m conhece ningu√©m. Somos mesmo estranhos a n√≥s pr√≥prios, porque n√£o sabemos quem somos.
A intimidade aproxima-o de um estranho. Tem de deixar cair todas as suas defesas; s√≥ assim a intimidade √© poss√≠vel. E o seu medo √© que se deixar cair todas as suas defesas, todas as suas m√°scaras, quem sabe o que o estranho lhe poder√° fazer. Todos n√≥s andamos a esconder mil e uma coisas, n√£o s√≥ dos outros mas de n√≥s pr√≥prios, porque fomos criados por uma humanidade doente com toda a esp√©cie de repress√Ķes, inibi√ß√Ķes e tabus. E o medo √© que, com algu√©m que seja um estranho ‚ÄĒ e n√£o importa se se viveu com a pessoa durante trinta ou quarenta anos; a estranheza nunca desaparece ‚ÄĒ, parece mais seguro manter uma ligeira defesa, uma pequena dist√Ęncia, porque algu√©m se poder√° aproveitar das suas fraquezas, da sua fragilidade, da sua vulnerabilidade.
Toda a gente tem medo da intimidade. O problema torna-se mais complicado porque toda a gente quer intimidade. Toda a gente quer intimidade porque,

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Retrato das Mulheres em Todas as Idades

Mulher, de quinze a vinte é fresca rosa;
De vinte, a vinte e cinco √© de exp’rimenta.
De vinte cinco a trinta, a graça aumenta:
Ditoso nesta idade quem a goza!

De trinta a trinta e cinco é mal gostosa
Porém, pode passar, com sal, pimenta,
Mas j√° dos trinta e cinco aos quarenta
Vai-se tornando assaz fastidiosa.

De quarenta e cinco ela é bachareleira,
Fala fanhoso e é já de pouco gabo.
De cinquenta cerrados é santeira!

Aos sessenta este seu retrato acabo:
Menina, moça, velha benzedeira,
Bruxa gogosa, ent√£o, leve-a o diabo!

Até aos quarenta anos o homem permanece louco; quando então começa a reconhecer a sua loucura, a vida já passou.

Quarenta anos √© a velhice dos jovens; cinq√ľenta anos √© a juventude dos velhos.

Corrupção Intemporal

N√£o existe rep√ļblica, qualquer que seja a maneira como √© governada, onde haja mais de quarenta a cinquenta cidad√£os que chegam a postos de comando. Ora, como √© um n√ļmero muito pequeno, √© f√°cil mant√™-los sob controle, seja tomando a decis√£o de suprimi-los, seja dando a cada um a parcela de honras e empregos que lhes conv√©m.

Ao Espelho

E de repente chegas aos
quarenta e tal anos

e palavras como colesterol
hipertens√£o astigmatismo

começam a invadir a tua
vida… Olhas para tr√°s e

o que vês? Uma pomba
com uma das asas ferida

condenada ao mais terrí-
vel pedestrianismo

Com muita sabedoria, estudando muito, pensando muito, procurando compreender tudo e todos, um homem consegue, depois de mais ou menos quarenta anos de vida, aprender a ficar calado.

Uma bolha no pr√≥prio pesco√ßo interessa uma pessoa mais que quarenta terremotos na √Āfrica.

Sonho Branco

N√£o pairas mais aqui. Sei que distante
Estás de mim, no grêmio de Maria
Desfrutando a inef√°vel alegria
Da alta contemplação edificante.

Mas foi aqui que ao sol do eterno dia
Tua alma, entre assustada e confiante,
Viu descender à paz purificante
Teu corpo, ainda cansado da agonia.

Senti-te as asas de anjo em mesto arranco
Voejar aqui, retidas pelo aceno
Do irm√£o, saudoso de teu riso franco.

Quarenta anos l√° v√£o. De teu moreno
Encanto hoje resta? O eco pequeno,
Pequeno de teu sonho – um sonho branco!

Quem n√£o for belo aos vinte anos, forte aos trinta, esperto aos quarenta e rico aos cinquenta, n√£o pode esperar ser tudo isso depois.

Porque é que os Homens não Compreendem as Mulheres

Tu est√°s convencida h√° v√°rios anos de que eu n√£o te compreendo. Esta √© sempre a teoria das mulheres, que n√£o s√£o compreendidas, que n√£o s√£o queridas, que n√£o s√£o adoradas, as queixas montanhas grandes, queixas enormes, sempre a justificar uma infelicidade que lhes vem l√° do fundo da cria√ß√£o do mundo, do √ļtero, da terra, as mulheres reflectem o √ļtero feminino da terra, um √ļtero cheio de afli√ß√Ķes, em conclus√£o, queixam-se de tudo ent√£o entre os quarenta e os cinquenta, esse √ļtero funciona nas alturas, √© um √ļtero c√≥smico que j√° n√£o √© parte de uma mulher, pertence √† mulher do mundo. H√° muita verdade no que dizes, o homem desinteressa-se facilmente, depois do acto do amor, depois logo sacode as penas, arrebita, passa √† frente, domina outro mundo, a mulher fica fechada, acanhada nesse encontro muito √≠ntimo, nesse seu mais fundo dos fundos, na identidade uterina com a ideia da cria√ß√£o, da reprodu√ß√£o da g√©nese, salta, salta, forma-se na mulher a vis√£o do caos a que s√≥ ela pelo amor pode dar uma nova regra, pelo dom√≠nio da paix√£o, pela companhia, para isso tem de ser compreendida, ela julga que √© compreendida, tem de justificar a sua infelicidade pela compreens√£o do amor,

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