Passagens sobre Saber

1345 resultados
Frases sobre saber, poemas sobre saber e outras passagens sobre saber para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

N√£o Deixes Que Metam o Nariz na Tua Vida

Quando falas ou simulas falar de ti pr√≥prio e amalgamas passado, presente, futuro, h√° sempre os que perguntam se o que contaste √© verdade ou n√£o. Nunca indagam se vai ser verdade. O que lhes interessa √© saber, com a curiosidade dos intriguistas, se o que se passou (ou parece ter-se passado) se passou mesmo contigo. √Č um erro de gente vulgar. Parasit√°rios ou n√£o, qualquer inven√ß√£o ou patranha, qualquer ¬ęmentir verdadeiro¬Ľ √© acepipe biogr√°fico, √© pretexto para te enfileirarem na nulidade biogr√°fica que √© a deles pr√≥prios e tecerem incansavelmente hist√≥rias a teu respeito.
Não te deixes seduzir pelo gosto da conversa. Essa pequena gente não merece a mais pequena atenção, nem tu precisas de espectadores para o salutar exercício diário de falar por falar.
(…) N√£o deixes que metam o nariz na tua vida. Caso contr√°rio, vais ficar cheio de gente, com a sua vida escassamente interessante. O tombo da vida vulgar j√° foi feito por escritores como Camilo. E tenho a impress√£o de que, no essencial, a vida vulgar continua a mesma.
Desunha-te a escrever (olha que já tens pouco tempo!), mas fá-lo com a discrição e a reserva de quem não se dá às primeiras.

Continue lendo…

A Raiz do Ser Nunca se Altera

Pode acontecer que em certos per√≠odos da vida uma pessoa seja asperamente flagelada por circunst√£ncias p√ļblicas ou privadas. Mas o destino, na sua cegueira, quando se abate sobre as paveias de trigo maduro, destr√≥i apenas a palha, enquanto os gr√£os nem d√£o por isso e saltam alegremente sobre a eira sem se preocuparem em saber se v√£o ser levados ao moinho ou lan√ßados √† terra na pr√≥xima sementeira.

Não é com honras e riquezas que se contenta o coração de um pensador, mas sim apenas com o saber e a virtude.

N√£o iriam entender que vezenquando a gente fica triste sem motivo, ou pior ainda, sem saber sequer se est√° mesmo triste.

O Crédulo

A f√© pode ser definida em resumo como uma cren√ßa il√≥gica na ocorr√™ncia do improv√°vel. Ela cont√©m um saber patol√≥gico; extrapola o processo intelectual normal e atravessa o viscoso dom√≠nio da metaf√≠sica transcedental. O homem de f√© √© aquele que simplesmente perdeu (ou nunca teve) a capacidade para um pensamento claro e realista. N√£o que ele seja uma mula; √©, na realidade, um doente. Pior ainda, √© incur√°vel, porque o desapontamento, sendo essencialmente um fen√≥meno objetivo, n√£o consegue afectar a sua enfermidade subjectiva. A sua f√© apodera-se da virul√™ncia de uma infec√ß√£o cr√≥nica. O que ele diz, em suma, √©: ‚ÄúVamos confiar em Deus, Aquele que sempre nos enganou no passado‚ÄĚ.

Elegia da Lembrança Impossível

O que não daria eu pela memória
De uma rua de terra com baixos taipais
E de um alto ginete enchendo a alba
(Com o poncho grande e coçado)
Num dos dias da planície,
Num dia sem data.
O que não daria eu pela memória
Da minha m√£e a olhar a manh√£
Na fazenda de Santa Irene,
Sem saber que o seu nome ia ser Borges.
O que não daria eu pela memória
De ter lutado em Cepeda
E de ter visto Estanislao del Campo
Saudando a primeira bala
Com a alegria da coragem.
O que não daria eu pela memória
Dos barcos de Hengisto,
Zarpando do areal da Dinamarca
Para devastar uma ilha
Que ainda n√£o era a Inglaterra.
O que não daria eu pela memória
(Tive-a e j√° a perdi)
De uma tela de ouro de Turner,
T√£o vasta como a m√ļsica.
O que não daria eu pela memória
De ter sido um ouvinte daquele Sócrates
Que, na tarde da cicuta,
Examinou serenamente o problema
Da imortalidade,
Alternando os mitos e as raz√Ķes
Enquanto a morte azul ia subindo
Dos seus pés já tão frios.

Continue lendo…

O conhecimento é orgulhoso por ter aprendido tanto; a sabedoria é humilde por não saber mais. Saber o que é possível, é o começo da felicidade.

Preciso de Ti

Antes de come√ßar… Acabei de suplicar dez minutos para este bilhete… Terrivelmente, terrivelmente vivo, dorido, e sentindo absolutamente que preciso de ti. Permiti o sil√™ncio deliberadamente, sentindo uma grande necessidade de me retirar em mim mesmo, para escrever, e mil coisas prevalecendo.

Mudei para outra m√°quina, assustadora; a m√°quina francesa… maldita, e eu b√™bedo com o desejo de te escrever. Ouve, ligo-te de manh√£: esta noite ou escrevo ou rebento, mas tenho de te ver. Vejo-te brilhante e maravilhosa e ao mesmo tempo tenho estado a escrever √† June e todo dividido mas tu compreender√°s ‚ÄĒ tens de compreender. Vou atirar-me a uma pausa e fa√ßo uma chamada. Anais, apoia-me. N√£o deixes que os sil√™ncios te preocupem: est√°s toda √† minha volta como uma chama clara. Nada a n√£o ser dois pontos, n√£o encontro o ponto nem os ap√≥strofos. Nenhuma c√≥pia disto tamb√©m: √≥ptimo: b√™bedo… b√™bedo de vida… Anais, por Cristo: se tu soubesses o que estou a sentir agora.

Isto foi [escrito] ao chegar [ao escrit√≥rio]. Agora 3h20 da manh√£ no quarto do Fred… Toda a for√ßa desaparecida e destru√≠da por imagens. O Fred est√° na cama com a Gaby do chambre 48. Est√° deitada como um cad√°ver.

Continue lendo…

Amar Alguém

Amar é como o prazer de conseguir estar sozinho Рmas melhor. Amar é o prazer de descobrir continuamente que há alguém com quem se quer passar o tempo todo, incluindo o tempo que se quer passar juntos e o tempo que se quer passar sozinho.

Amar √© um casamento de solid√Ķes que, gozando o prazer da juntid√£o, mesmo assim n√£o prescinde dos prazeres de duas solid√Ķes juntas, estejam momentaneamente separadas ou reunidas.

Amar alguém é uma coisa egoísta que só nos faz bem. Mas só se a pessoa amada nos contra-ama também. Ser amado alivia muito a loucura de amar e de ser obrigatoriamente infeliz por causa disso.

Amar e ser amado √© a melhor sorte que se pode ter. N√£o s√£o milagres que aconte√ßam por acaso. √Č preciso trabalhar com leviandade – por muito cheio de amor que o cora√ß√£o esteja – para que esses milagres, fac√≠limos, comecem a habituar-se a acontecer regularmente.

Amar alguém é um alívio: é poder deixar de pensar que cada um de nós é marginalmente mais importante do que qualquer outra pessoa que nasceu nesta vida e neste planeta.

Amar alguém é um baluarte contra o mundo,

Continue lendo…

Deve-se ter o m√≠nimo de respeito pelo sofrimento e sofrer-se sozinho. Os portugueses n√£o s√£o capazes. Exibem as m√°s-disposi√ß√Ķes de uma maneira assustadora. Se andam de trombas, andam trombudos pela rua. N√£o disfar√ßam. Deviam disfar√ßar. Usar capote como o ¬ęElephant Man¬Ľ. Mesmo quando est√£o indispostos sem saber bem porqu√™, anunciam ¬ęN√£o sei o que tenho, mas n√£o tenho andado nada bem…¬Ľ.

O artista não precisa de filosofia e, se pensa como filósofo, entrega-se a um trabalho que está justamente em oposição à forma do saber próprio da arte.

As Saudades que Sinto de Ti

Meu Bebé, meu Bebezinho querido:

Sem saber quando te entregarei esta carta, estou escrevendo em casa, hoje, domingo, depois de acabar de arrumar as coisas para a mudan√ßa de amanh√£ de manh√£. Estou outra vez mal da garganta; est√° um dia de chuva; estou longe de ti ‚ÄĒ e √© isto tudo o que tenho para me entreter hoje, com a perspectiva da ma√ßada da mudan√ßa amanh√£, com chuva talvez e comigo doente, para uma casa onde n√£o est√° absolutamente ningu√©m. Naturalmente (a n√£o ser que esteja j√° inteiramente bom e arranje as coisas de qualquer modo, o que fa√ßo √© ir pedir guarida c√° na Baixa ao Marianno Sant‚ÄôAnna, que, al√©m de ma dar de bom grado, me trata da garganta com compet√™ncia, como fez no dia 19 deste m√™s quando eu tive a outra angina.

N√£o imaginas as saudades de ti que sinto nestas ocasi√Ķes de doen√ßa, de abatimento e de tristeza. O outro dia, quando falei contigo a prop√≥sito de eu estar doente, pareceu-me (e creio que com raz√£o) que o assunto te aborrecia, que pouco te importavas com isso. Eu compreendo bem que, estando tu de sa√ļde, pouco te rales com o que os outros sofrem,

Continue lendo…

Amei-te sem Saberes

No avesso das palavras
na contr√°ria face
da minha solid√£o
eu te amei
e acariciei
o teu imperceptível crescer
como carne da lua
nos nocturnos l√°bios entreabertos

E amei-te sem saberes
amei-te sem o saber
amando de te procurar
amando de te inventar

No contorno do fogo
desenhei o teu rosto
e para te reconhecer
mudei de corpo
troquei de noites
juntei crep√ļsculo e alvorada

Para me acostumar
à tua intermitente ausência
ensinei às timbilas
a espera do silêncio

Era como se Deus tivesse resolvido p√īr √† prova toda a capacidade de assombro e mantivesse os habitantes de Macondo num permanente vaiv√©m do alvoro√ßo ao desencanto, da d√ļvida √† revela√ß√£o, ao extremo de j√° ningu√©m poder saber com certeza onde estavam os limites da realidade.

Saber tudo de tudo. Ou tudo de algum saber. Decerto é impossível e mesmo indesejável. Mas que tu sintas que é bela a luz ou ouvir um pássaro cantar e terás sido absolutamente original. Porque ninguém pode sentir por ti.

LXXV

Como se moço e não bem velho eu fosse
Uma nova ilus√£o veio animar-me.
Na minh’alma floriu um novo carme,
O meu ser para o céu alcandorou-se.

Ouvi gritos em mim como um alarme.
E o meu olhar, outrora suave e doce,
Nas √Ęnsias de escalar o azul, tornou-se
Todo em raios que vinham desolar-me.

Vi-me no cimo eterno da montanha,
Tentando unir ao peito a luz dos círios
Que brilhavam na paz da noite estranha.

Acordei do √°ureo sonho em sobressalto:
Do céu tombei aos caos dos meus martírios,
Sem saber para que subi t√£o alto…