Cita√ß√Ķes sobre Sessenta

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Frases sobre sessenta, poemas sobre sessenta e outras cita√ß√Ķes sobre sessenta para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

No Meu País

No meu país
dardejado de sol e da caca dos gaios
s√≥ h√° est√Ęncias
(de veraneio) na poesia.
Nossos l√°bios
a um metro e sessenta e tal
do ch√£o amarelecido
dos símbolos
abrem para fora
por dois gomos de frio.
Nossos l√°bios outonais, digo,
outonais doze meses.
No entanto
à flor da possível
geografia
um frémito cinde
as esta√ß√Ķes do ano.

O futuro é algo que cada um alcança a um ritmo de sessenta minutos por hora, haja o que haja, seja quem seja.

Breves S√£o os Anos

No breve n√ļmero de doze meses
O ano passa, e breves s√£o os anos,
Poucos a vida dura.
Que s√£o doze ou sessenta na floresta
Dos n√ļmeros, e quanto pouco falta
Para o fim do futuro!
Dois terços já, tão rápido, do curso
Que me é imposto correr descendo, passo.
Apresso, e breve acabo.
Dado em declive deixo, e invito apresso
O moribundo passo.

Retrato das Mulheres em Todas as Idades

Mulher, de quinze a vinte é fresca rosa;
De vinte, a vinte e cinco √© de exp’rimenta.
De vinte cinco a trinta, a graça aumenta:
Ditoso nesta idade quem a goza!

De trinta a trinta e cinco é mal gostosa
Porém, pode passar, com sal, pimenta,
Mas j√° dos trinta e cinco aos quarenta
Vai-se tornando assaz fastidiosa.

De quarenta e cinco ela é bachareleira,
Fala fanhoso e é já de pouco gabo.
De cinquenta cerrados é santeira!

Aos sessenta este seu retrato acabo:
Menina, moça, velha benzedeira,
Bruxa gogosa, ent√£o, leve-a o diabo!

Meu Deus

Meu Deus, me dê a coragem de viver trezentos e sessenta e cinco dias e noites, todos vazios de Tua presença. Me dê a coragem de considerar esse vazio como uma plenitude. Faça com que eu seja a Tua amante humilde, entrelaçada a Ti em êxtase. Faça com que eu possa falar com este vazio tremendo e receber como resposta o amor materno que nutre e embala. Faça com que eu tenha a coragem de Te amar, sem odiar as Tuas ofensas à minha alma e ao meu corpo. Faça com que a solidão não me destrua. Faça com que minha solidão me sirva de companhia. Faça com que eu tenha a coragem de me enfrentar. Faça com que eu saiba ficar com o nada e mesmo assim me sentir como se estivesse plena de tudo. Receba em teus braços meu pecado de pensar.

A Idade n√£o nos Torna mais S√°bios

As pessoas imaginam que precisamos de chegar a velhos para ficarmos sábios, mas, na verdade, à medida que os anos avançam, é difícil mantermo-nos tão sábios como éramos. De facto, o homem torna-se um ser distinto em diferentes etapas da vida. Mas ele não pode dizer que se tornou melhor, e, em alguns aspectos, é igualmente provável que ele esteja certo aos vinte ou aos sessenta. Vemos o mundo de um modo a partir da planície, de outro a partir do topo de uma escarpa, e de outro ainda dos flancos de uma cordilheira. De alguns desses pontos podemos ver uma porção maior do mundo que de outros, mas isso é tudo. Não se pode dizer que vemos de modo mais verdadeiro de um desses pontos que dos restantes.

Quem não é um liberal aos dezasseis anos é um insensível; quem não é um conservador aos sessenta é burro.

Quantas Loucuras h√° num Homem!

H√° tantos amores na vida de um homem! Aos quatro anos, ama-se os cavalos, o sol, as flores, as armas que brilham, os uniformes de soldado; aos dez, ama-se a menina que brinca connosco.; aos treze, ama-se uma mulher de colo t√ļrgido, porque me lembro de que o que os adolescentes amam loucamente √© um colo de mulher, branco e mate, e como diz Marot:

Tetin refaict plus blanc qu’un oeuf
Tetin de satin blanc tout neuf.

Quase me senti mal quando vi pela primeira vez os seis desnudados de uma mulher. Por fim, aos catorze ou quinze anos, ama-se uma jovem que vem a nossa casa, e que √© um pouco mais que uma irm√£, menos que uma amante; depois, aos dezasseis anos, ama-se uma outra mulher, at√© aos vinte e cinco; depois, talvez se ame a mulher com quem casamos. Cinco anos mais tarde, ama-se a dan√ßarina que faz saltar o seu vestido sobre as suas coxas carnudas; por fim, aos trinta e seis, ama-se a deputa√ß√£o, a especula√ß√£o, as honrarias; aos cinquenta, ama-se o jantar do ministro ou do presidente da c√Ęmara; aos sessenta, ama-se a prostituta que nos chama atrav√©s dos vidros e a quem se lan√ßa um olhar de impot√™ncia,

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Os Amantes

Amor, é falso o que dizes;
Teu bom rosto é contrafeito;
Busca novos infelizes
Que eu inda trago no peito
Mui frescas as cicatrizes;

O teu meu é mel azedo,
N√£o creio em teu gasalhado,
Mostras-me em v√£o rosto ledo;
J√° estou muito escaldado,
J√° d’√°guas frias hei medo.

Teus prémios são pranto e dor;
Choro os mal gastados anos
Em que servi tal senhor,
Mas tirei dos teus enganos
O sair bom pregador.

Fartei-te assaz a vontade;
Em v√£os suspiros e queixas
Me levaste a mocidade,
E nem ao menos me deixas
Os restos da curta idade?

√Čs como os c√£es esfaimados
Que, comendo os troncos quentes
Por destro negro esfolados,
Levam nos √°vidos dentes
Os ossos ensanguentados.

Bem vejo a aljava dourada
Os ombros nus adornar-te;
Amigo, muda de estrada,
P√Ķe a mira em outra parte
Que daqui n√£o tiras nada.

Busca algum fofo morgado
Que, solto j√° dos tutores,
Ao domingo penteado,
Vá dizendo à toa amores
Pelas pias encostado;

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O futuro é algo que todos nós atingimos à velocidade de sessenta minutos por hora.

Plano de Vida

Um plano geral para a vida deve implicar, antes de mais, alcan√ßar-se qualquer forma de estabilidade financeira. Marquei como limite para essa coisa humilde a que chamo estabilidade financeira cerca de sessenta d√≥lares‚ÄĒquarenta para o necess√°rio, e vinte para as coisas sup√©rfluas da vida. A forma de o alcan√ßar √© adicionar aos trinta e um d√≥lares dos dois escrit√≥rios (P & FF) vinte e nove d√≥lares de proveni√™ncia a determinar. Em rigor, para viver apenas, cinquenta d√≥lares bastariam, pois, tomando trinta e cinco como base necess√°ria, quinze j√° davam para o resto.

A coisa essencial que vem logo a seguir √© residir numa casa com bastante espa√ßo, espa√ßo quanto a divis√Ķes e divis√Ķes com os requisitos necess√°rios, para arrumar todos os meus pap√©is e livros na devida ordem; e tudo isto sem grande possibilidade de me mudar dentro de pouco tempo. Parece que o mais f√°cil seria alugar eu pr√≥prio uma casa ‚ÄĒ √† base de, suponhamos, oito ou, quando muito, nove d√≥lares ‚ÄĒ e viver l√° √† vontade, combinando que me levassem o jantar (e o pequeno-almo√ßo) todos os dias, ou coisa parecida. Mas seria este sistema absolutamente conveniente?

Substituir, no tocante à ordem dos papéis,

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O g√©nero humano assemelha-se a uma pir√Ęmide cujo v√©rtice – um homem, o primeiro homem – se esconde nas alturas quase inacess√≠veis de sessenta s√©culos sobrepostos uns aos outros, e cuja base, de mir√≠ades de indiv√≠duos, poisa no abismo incomensur√°vel de um futuro desconhecido.

Com vinte anos todos têm o rosto que Deus lhes deu; com quarenta, o rosto que lhes deu a vida; e com sessenta, o rosto que merecem.

No Amor Começa-se Sempre a Zero

Fazer um registo de propriedade √© chato e dif√≠cil mas fazer uma declara√ß√£o de amor ainda √© pior. Ningu√©m sabe como. N√£o h√° minuta. N√£o h√° sequer um despachante ao qual o premente assunto se possa entregar. As declara√ß√Ķes de amor t√™m de ser feitas pelo pr√≥prio. A experi√™ncia n√£o serve de nada ‚ÄĒ por muitas declara√ß√Ķes que j√° se tenham feito, cada uma √© completamente diferente das anteriores. No amor, ali√°s, a experi√™ncia s√≥ demonstra uma coisa: que n√£o tem nada que estar a demonstrar cois√≠ssima nenhuma. √Č verdade ‚ÄĒ come√ßa-se sempre do zero. Cada vez que uma pessoa se apaixona, regressa √† suprema inoc√™ncia, in√©pcia e barb√°rie da puberdade. Sobem-nos as bainhas das cal√ßas nas pernas e quando damos por n√≥s estamos de cal√ß√Ķes. A experi√™ncia n√£o serve de nada na luta contra o fogo do amor. Imaginem-se duas pessoas apanhadas no meio de um inc√™ndio, sem poderem fugir, e veja-se o sentido que faria uma delas virar-se para a outra e dizer: ¬ęOuve l√°, tu que tens experi√™ncia de queimaduras do primeiro grau…¬Ľ

Pode ter-se sessenta anos. Mas no dia em que o peito sacode com as aurículas a brincar aos carrinhos-de-choque com os ventrículos,

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√Čs Um HOMEM, Se…

Se és capaz de conservar o teu bom senso e a calma,
Quando os outros os perdem, e te acusam disso,

Se és capaz de confiar em ti, quando te ti duvidam
E, no entanto, perdoares que duvidem,

Se és capaz de esperar, sem perderes a esperança
E n√£o caluniares os que te caluniam,

Se és capaz de sonhar, sem que o sonho te domine,
E pensar, sem reduzir o pensamento a vício,

Se és capaz de enfrentar o Triunfo e o Desastre,
Sem fazer distinção entre estes dois impostores,

Se és capaz de ouvir a verdade que disseste,
Transformada por canalhas em armadilhas aos tolos,

Se és capaz de ver destruído o ideal da vida inteira
E construí-lo outra vez com ferramentas gastas,

Se és capaz de arriscar todos os teus haveres
Num lance corajoso, alheio ao resultado,
E perder e começar de novo o teu caminho,
Sem que ouça um suspiro quem seguir ao teu lado,

Se √©s capaz de for√ßar os teus m√ļsculos e nervos
E fazê-los servir se já quase não servem,

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Criar Banalidades, até Chegar ao Génio

Um pouco de trabalho, repetido trezentas e sessenta e cinco vezes, dá trezentas e sessenta e cinco vezes um pouco de dinheiro, isto é, uma soma enorme. Ao mesmo tempo, a glória está feita.
Do mesmo modo, uma por√ß√£o de pequenos gozos comp√Ķem a felicidade. Criar uma banalidade, √© o g√©nio. Devo criar uma banalidade.

Não há palavras adequadas para o sofrimento causado pela fome. Até ao dia de hoje sinto necessidade de mostrar à fome que escapei ao seu alcance. Desde que eu parei de ter fome, eu literalmente como a vida em si. E quando como, estou trancado dentro do gosto de comer. Durante sessenta anos, desde que voltei do acampamento, tenho comido contra a fome.

A Idade da Derrota Aceite

Tenho sessenta anos. N√£o te iludas: n√£o estou ainda bastante fraco para ceder √†s imagina√ß√Ķes do medo, quase t√£o absurdas como as da esperan√ßa e seguramente muito mais penosas. Se fosse preciso enganar-me a mim mesmo, preferia que fosse no sentido da confian√ßa; n√£o perderia mais com isso e sofreria menos. Este fim t√£o pr√≥ximo n√£o √© necessariamente imediato; deito-me ainda, todas as noites, com a esperan√ßa de chegar √† manh√£ seguinte. Adentro dos limites intranspon√≠veis de que te falei h√° pouco, posso defender a minha posi√ß√£o passo a passo e recuperar mesmo algumas polegadas do terreno perdido. N√£o deixo por isso de ter chegado √† idade em que a vida se torna, para cada homem, uma derrota aceite. Dizer que os meus dias est√£o contados n√£o significa nada; sempre assim foi; √© assim para todos n√≥s. Mas a incerteza do lugar, do tempo e do modo, que nos impede de distinguir bem o fim para o qual avan√ßamos sem cessar, diminui para mim √† medida que a minha doen√ßa mortal progride. Qualquer pessoa pode morrer de um momento para o outro, mas o doente sabe que passados dez anos j√° n√£o ser√° vivo.
A minha margem de hesitação já não se alonga em anos,

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