Cita√ß√Ķes sobre Suportes

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Frases sobre suportes, poemas sobre suportes e outras cita√ß√Ķes sobre suportes para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Dois Rumos

Mentir, eis o problema:
minto de vez em quando
ou sempre, por sistema?

Se mentir todo dia,
erguerei um castelo
em alta serrania

contra toda escalada,
e mais ninguém no mundo
me atira seta ervada?

Livre estarei, e dentro
de mim outra verdade
rebrilhar√° no centro?

Ou mentirei apenas
no varejo da vida,
sem alívio de penas,

sem suporte e armadura
ante o império dos grandes,
fr√°gil, fr√°gil criatura?

Pensarei ainda nisto.
Por enquanto n√£o sei
se me exponho ou resisto,

se componho um casulo
e nele me agasalho,
tornando o resto nulo,

ou adiro à suposta
verdade contingente
que, de verdade, mente.

Princípio

N√£o tenho deuses. Vivo
Desamparado.
Sonhei deuses outrora,
Mas acordei.
Agora
Os ac√ļleos s√£o versos,
E tacteiam apenas
A ilus√£o de um suporte.
Mas a inércia da morte,
O descanso da vide na ramada
A contar primaveras uma a uma,
Também me não diz nada.
A paz possível é não ter nenhuma.

A Educação da Fé

Sendo a f√© um dom, como pode ser motivo de educa√ß√£o? N√£o pode realmente ser ensinada, mas sim irradiada. Os que a possuem podem significar a estrela-guia, a perseveran√ßa num encontro dif√≠cil de suceder, mas cuja esperan√ßa comove todo o nosso ser. √Č poss√≠vel que a Igreja se volte para esse apostolado da f√© que foi extremamente importante no seu come√ßo. N√£o o velho sistema de grupos sect√°rios que s√£o o modelo dos processos pol√≠ticos e que, quando se afirma um movimento e este toma amplitude, se eliminam. N√£o √© isso. Trata-se de focos de comunica√ß√£o que dispensam a organiza√ß√£o premeditada e at√© a linguagem elaborada, o discurso piedoso e a erudi√ß√£o duma exegese. Um interessar a alma na f√© sem recorrer ao preconceito da santidade. Descobrir a imensa novidade da f√© num mundo em que o pr√≥prio crist√£o vive de maneira pag√£ e singularmente a coberto dos antigos textos que esqueceu ou que desconhece completamente.

A prova de que o cristão vive como um bárbaro é o sentido que tomou a arte religiosa. Não é raro encontrar nas salas de convívio burguesas, juntamente com a televisão, ou a mesa de jogo, ou a instalação estereofónica para o gira-disco,

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o suporte da m√ļsica

o suporte da m√ļsica pode ser a rela√ß√£o
entre um homem e uma mulher, a pauta
dos seus gestos tocando-se, ou dos seus
olhares encontrando-se, ou das suas

vogais adivinhando-se abertas e recíprocas,
ou dos seus obscuros sinais de entendimento,
crescendo como trepadeiras entre eles.
o suporte da m√ļsica pode ser uma apet√™ncia

dos seus ouvidos e do olfacto, de tudo o que se
ramifica entre os timbres, os perfumes,
mas é também um ritmo interior, uma parcela
do cosmos, e eles sabem-no, perpassando

por uns fr√°geis momentos, concentrado
num ponto min√ļsculo, intensamente luminoso,
que a m√ļsica, desvendando-se, desdobra,
entre conhecimento e c√ļmplice harmonia.

√Č t√£o necess√°rio o mist√©rio, o que fica por dizer, o segredo √© o suporte maior da felicidade mundial, soub√©ssemos todos o que todos sabem e o mundo n√£o duraria um dia.

Amor à Vista

Entras como um punhal
até à minha vida.
Rasgas de estrelas e de sal
a carne da ferida.

Instala-te nas minas.
Dinamita e devora.
Porque quem assassinas
é um monstro de lágrimas que adora.

D√°-me um beijo ou a morte.
Anda. Avança.
Deixa lá a esperança
para quem a suporte.

Mas o mar e os montes…
isso, sim.
N√£o te amedrontes.
Atira-os sobre mim.

Atira-os de espada.
Porque ficas vencida
ou desta minha vida
n√£o fica nada.

Mar e montes teus beijos, meu amor,
sobre os meus férreos dentes.
Mar e montes esperados com terror
de que te ausentes.

Mar e montes teus beijos, meu amor!…

A Vida é Absoluta Convicção

A vida √© primariamente encontrar-se, cada qual, submergido entre as coisas, e enquanto √© apenas isso consiste em sentir-se absolutamente perdido. A vida √© perdi√ß√£o. Mas por isso mesmo obriga, quer queiramos quer n√£o, a um esfor√ßo para se orientar no caos, para se salvar dessa perdi√ß√£o. Este esfor√ßo √© o conhecimento que extrai do caos um esquema de ordem, um cosmos. Este esquema do universo √© o sistema das nossas ideias ou convic√ß√Ķes vigentes. Quer queiramos quer n√£o, vivemos com convic√ß√Ķes e de convic√ß√Ķes. O mais teoreticamente c√©ptico existe apoiando-se num suporte de cren√ßas sobre o que as coisas s√£o. A vida √© absoluta convic√ß√£o. A d√ļvida intelectual mais extrema √© vitalmente uma absoluta convic√ß√£o de que tudo √© duvidoso. E algo ou tudo ser duvidoso n√£o √© uma cren√ßa num ser menor do que qualquer outra de aspecto mais positivo.

A Verdadeira Coragem Humana

Se est√°s disposto a nunca usar da viol√™ncia, e sempre resistindo, torna-te forte de corpo e de alma; √© a mais dif√≠cil de todas as atitudes; exige a constante vigil√Ęncia de todos os movimentos do esp√≠rito, o dom√≠nio completo de todos os impulsos dos nervos e dos m√ļsculos rebeldes; a agress√£o √© f√°cil contra o medo e tamb√©m a primeira solu√ß√£o; para que, em todos os instantes, a possas p√īr de lado e substitu√≠-la pela tranquila recusa, n√£o te deves fiar nos improvisos; a armadura de que te revestes nos momentos de crise √© forjada dia a dia e antes deles; faz-se de medita√ß√£o e de gin√°stica, de pensamento definido e preciso e de perfeitos comandos; quando menos se prev√™ surge o instante da decis√£o; r√°pida e firme, sem emo√ß√Ķes ou sufocando-as, tem que trabalhar a m√°quina formada.
Que trabalhar, sobretudo, humanamente; a visão do autómato é a pior de todas para os amigos do espírito; não serão teus elementos nem a secura, nem a estóica dureza, nem o ar superior, nem as cortantes palavras; requere-se no inabalável a humanidade, o sorriso afectuoso, a íntima bondade, a desportiva calma, amiga do adversário, de quem joga um bom jogo; sozinho guardarás as lutas interiores que tens de suportar,

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Se escolheres as pessoas certas e lhes deres a oportunidade de abrirem as suas asas e colocares compensa√ß√Ķes como suporte a isso, quase n√£o ter√°s que as gerir.

Dinheiro é poder, liberdade, um suporte, a raiz de todo o mal, a soma de todas as bênçãos.

Uma Mentira

Uma mentira, fina como um cabelo, perturba para sempre a ordem do mundo. Aquilo que sabemos tem muita import√Ęncia. Tomamos decis√Ķes, vamos por aqui ou por ali, consoante aquilo que sabemos. E tudo o que vir√° a seguir, o futuro at√© ao fim dos tempos, ser√° diferente se formos por um lado em vez de irmos por outro. Nascem pessoas devido a insignific√Ęncias, morrem pessoas pelo mesmo motivo. Uma pessoa √© uma m√°quina de coisas a acontecer, possibilidades multiplicadas por possibilidades em todos os instantes do seu tempo. Uma mentira, mesmo que transparente, perturba o entendimento que os outros t√™m da realidade, leva-os a acreditar que √© aquilo que n√£o √©. Essa polui√ß√£o vai turvar-lhes a l√≥gica do mundo. As conclus√Ķes a que forem capazes de chegar ser√£o calculadas a partir de um dado falso e, desse ponto em diante, todas as contas ser√£o multiplica√ß√Ķes de erros. Uma mentira baralha tudo aquilo em que toca, desequilibra o mundo. √Č por isso que uma mentira precisa sempre de mentiras novas para se suster. O mundo n√£o lhe d√° cobertura. Para alcan√ßar coer√™ncia, cada mentira requer a cria√ß√£o apressada de um mundo de mentira que a suporte. √Č assim que a mentira vai avan√ßando pela verdade adentro,

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O Homem pode suportar muitas coisas desde que ele suporte a si mesmo. Ele pode viver sem esperan√ßa, sem amigos, sem livros, at√© mesmo sem m√ļsica, desde que ele consiga escutar os pr√≥prios pensamentos.

Rimance

Onde é que dói na minha vida,
para que eu me sinta t√£o mal?
quem foi que me deixou ferida
de ferimento t√£o mortal?

Eu parei diante da paisagem:
e levava uma flor na m√£o.
Eu parei diante da paisagem
procurando um nome de imagem
para dar à minha canção.

Nunca existiu sonho t√£o puro
como o da minha timidez.
Nunca existiu sonho t√£o puro,
nem também destino tão duro
como o que para mim se fez.

Estou caída num vale aberto,
entre serras que não têm fim.
Estou caída num vale aberto:
nunca ninguém passará perto,
nem terá notícias de mim.

Eu sinto que n√£o tarda a morte,
e só há por mim esta flor;
eu sinto que n√£o tarda a morte
e não sei como é que suporte
tanta solid√£o sem pavor.

E sofro mais ouvindo um rio
que ao longe canta pelo ch√£o,
que deve ser límpido e frio,
mas sem dó nem recordação,
como a voz cujo murm√ļrio
morrer√° com o meu cora√ß√£o…

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A Moral Pura

A moral pura √© √ļnica e universal: n√£o sofreu altera√ß√Ķes ao longo dos tempos, nem altera√ß√Ķes nem melhorias. N√£o depende de factores hist√≥ricos, econ√≥micos, sociol√≥gicos ou culturais, ou seja, n√£o depende do que quer que seja. N√£o √© determin√°vel mas determinante. N√£o √© condicionada, √© condicionante. Para ser mais claro, √© um absoluto. Uma moral observ√°vel √© sempre, na pr√°tica, o resultado da mistura, em propor√ß√Ķes vari√°veis, de elementos de moral pura e elementos de origem mais obscura, quase sempre religiosa. Quanto maior √© a propor√ß√£o de elementos de moral pura, tanto mais longa e feliz ser√° a exist√™ncia de uma sociedade que suporte essa moral. Se fosse poss√≠vel imaginar uma sociedade que se regesse pelos princ√≠pios puros da moral universal, ent√£o essa sociedade duraria o que dura o mundo.