Cita√ß√Ķes sobre Continuidade

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Frases sobre continuidade, poemas sobre continuidade e outras cita√ß√Ķes sobre continuidade para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Eu n√£o tenho lealdade estil√≠stica. √Č por isso que as pessoas t√™m a percep√ß√£o de que estou sempre a mudar. Mas existe uma continuidade real da minha parte. Como um artista de artif√≠cios, acredito que tenho mais integridade que qualquer um dos meus contempor√Ęneos.

Narcisimo Passado e Futuro

Ninguém se trocaria por um dos seus semelhantes, mas todos se trocariam pelo seu sonho. Porque o homem quer conquistar, mas sem deixar de se possuir. Deseja a continuidade do eu e, juntamente, a sua metamorfose Рpretensão contraditória que constitui um dos episódios do eterno automatismo.
O homem ama-se e desama-se. Diante dos outros, mostra-se quase sempre satisfeito consigo – com medo de ser ultrapassado ou emulado -, mas quando est√° s√≥ com o seu eu, experimenta um t√©dio, uma repulsa, uma repugn√Ęncia, que em regra se transformam em desejo de transforma√ß√£o. Nem todos s√£o capazes de se contemplar sem adula√ß√£o at√© √†s √ļltimas ra√≠zes e reconhecer, ainda que no sigilo da alma, a sua mis√©ria, mas quase todos t√™m a sua sensa√ß√£o e, com frequ√™ncia, a certeza – o t√©dio de si pode notar-se mesmo sem as formas do ju√≠zo. E os outros instintos – soberba, gula do mais e do novo – ajudam a desejar a mudan√ßa. Existe com frequ√™ncia em n√≥s o narcisismo, mas o espelho √© sempre colocado no passado e no futuro – no presente, nunca.

O Amor Maior

O amor é preocupação. Ter o coração já previamente ocupado. Ter medo que alguma coisa de mal aconteça à pessoa amada. Sofrer mais por não poder aliviar o sofrimento da pessoa amada do que ela própria sofre.
O amor √© banal. √Č por isso que √© t√£o bonito. O que se quer da pessoa amada: antes que ela nos ame tamb√©m, √© que ela seja feliz, que seja saud√°vel, que tudo lhe corra bem. Embora se saiba que o mundo n√£o o permite, passa-se por cima da realidade, do racioc√≠nio do que √© poss√≠vel, e quer-se, e espera-se, que Deus abra, no caso dela, uma excep√ß√£o.

A paix√£o pode parecer mais interessante. Mas irrita-me que se compare com o amor. Como se pode comparar dois sentimentos que n√£o t√™m uma √ļnica semelhan√ßa? Se o amor e a paix√£o coincidem, √© como a cor do c√©u e do mar num dia de Ver√£o ‚ÄĒ √© uma alegria, mas nada nos diz acerca do que distingue o ar da √°gua.
Dizer que o amor pode começar como paixão é uma forma falaciosa de estabelecer uma continuidade entre uma e outra, geralmente pejorativa para o amor, que é entendido como um resíduo da paixão,

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A Vida é um Sonho um Pouco Menos Inconstante

Se sonhássemos todas as noites a mesma coisa, ela afectar-nos-ia tanto como os objectos que vemos todos os dias. E, se um artista estivesse seguro de sonhar todas as noites, durante doze horas, que é um rei, creio que seria quase tão feliz como um rei que sonhasse todas as noites, durante doze horas, que era um artista.
Se sonh√°ssemos todas as noites que somos perseguidos por inimigos, e agitados por esses fantasmas penosos, e se pass√°ssemos todos os dias em diversas ocupa√ß√Ķes, como quando se faz uma viagem, sofrer-se-ia quase tanto como se isso fosse verdadeiro, e apreender-se-ia o dormir como se apreende o despertar quando se teme entrar em semelhantes desgra√ßas realmente. E, com efeito, isto faria pouco mais ou menos o mesmo mal que a realidade.
Mas, porque os sonhos s√£o todos diferentes, e porque mesmo um se diversifica, o que se v√™ neles afecta bem menos que o que se v√™ acordado, por causa da continuidade, que n√£o √© contudo t√£o cont√≠nua e igual que n√£o mude tamb√©m, mas menos bruscamente, a n√£o ser raramente, como quando se viaja; e ent√£o diz-se: ¬ęParece-me que sonho¬Ľ; pois a vida √© um sonho um pouco menos inconstante.

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Mera mudança não é crescimento. Crescimento é a síntese de mudança e continuidade, e onde não há continuidade não há crescimento.

O Homem Irracional

Cubram-no de todos os bens terrenos, mergulhem-no na felicidade com a cabeça imersa de modo a só umas bolhas rebentarem à superfície; dêem-lhe uma prosperidade económica tal que não tenha mais nada que fazer senão dormir, comer doces e tratar da continuidade ininterrupta da história universal Рentão ele, o homem, mesmo assim, só por ingratidão, por maldade, far-vos-á uma pulhice qualquer. Arriscará até os doces e desejará propositadamente o mais prejudicial dos absurdos, o mais antieconómico disparate, unicamente para misturar com toda essa sensatez positiva o seu nocivo elemento fantástico. Desejará conservar precisamente os seus sonhos fantásticos, a sua estupidez mais ordinária, unicamente para confirmar a si mesmo (como se fosse assim tão indispensável) que as pessoas continuam a ser pessoas e não teclas de piano em que sejam as próprias leis da natureza a tocar, mas prometendo tocar a tal ponto que se tornará já impossível desejar qualquer coisa para além do calendário.
Mais ainda: mesmo que o homem se tornasse realmente uma tecla de piano, mesmo que tal facto lhe fosse provado por meio das ciências naturais e da matemática, não ganharia juízo, mas faria, de propósito, qualquer coisa contra, apenas por ingratidão; só para continuar na sua!

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O Regulador do Prazer e da Dor: o H√°bito

O h√°bito √© o grande regulador da sensibilidade; ele determina a continuidade dos nossos atos, embota o prazer e a dor e nos familiariza com as fadigas e com os mais penosos esfor√ßos. O mineiro habitua-se t√£o bem √† sua dura exist√™ncia que dela se recorda saudoso quando a idade o obriga a abandon√°-la e o condena a viver ao sol. O h√°bito, regulador da vida habitual, √© tamb√©m o verdadeiro sustent√°culo da vida social. Pode-se compar√°-lo √† in√©rcia, que se op√Ķe, em mec√Ęnica, √†s varia√ß√Ķes de movimento. A dificuldade para um povo consiste, primeiramente, em criar h√°bitos sociais, depois em n√£o permanecer muito tempo neles. Quando o jugo dos h√°bitos pesou muito tempo num povo, ele s√≥ se liberta desse jugo por meio de revolu√ß√Ķes violentas. O repouso na adapta√ß√£o, que o h√°bito consiste, n√£o se deve prolongar. Povos envelhecidos, civiliza√ß√Ķes adiantadas, indiv√≠duos idosos tendem a sofrer demasiado o jugo do costume, isto √©, do h√°bito.

Seria in√ļtil dissertar longamente sobre o seu papel, que mereceu a aten√ß√£o de todos os fil√≥sofos e se tornou um dogma da sabedoria popular.

‚ÄúQue s√£o os nossos princ√≠pios naturais‚ÄĚ, diz Pascal, ‚Äúsen√£o os nossos princ√≠pios acostumados. E nas crian√ßas,

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Génio, Talento e Celebridade

Pode-se supor que a presen√ßa no mesmo homem de mais de um elemento intelectual facilitaria a sua imediata celebridade. At√© certo limite √© assim, mas o √© at√© um limite menor do que se poderia conjecturar na ociosidade da hip√≥tese. Um homem dotado ao mesmo tempo de grande g√©nio e de grande intelig√™ncia (como Shakespeare), ou de grande g√©nio e grande talento (como Milton), n√£o acumula na sua √©poca ou na seguinte os resultados do g√©nio e os resultados de outra qualidade. √Č que estes diferentes elementos intelectuais est√£o misturados por coexistirem no homem, e derrama-se na subst√Ęncia da intelig√™ncia ou do talento o sagrado veneno do g√©nio; a bebida √© amarga, embora retenha algo do seu gosto comum. Os antigos misturavam mel com vinho e achavam isso gostoso; mas o n√©ctar n√£o pode fazer qualquer vinho gostoso ao paladar da gente comum.
Um homem que pudesse ter em si pr√≥prio, em certo grau, g√©nio, talento e intelig√™ncia, estaria preparado para produzir impacto no seu tempo pela sua intelig√™ncia, na sua √©poca pelo seu talento e na generalidade dos futuros tempos e √©pocas pelo seu g√©nio. Mas como o seu g√©nio afectaria o seu talento e o seu talento e o seu g√©nio a sua intelig√™ncia –

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O que faz subsistir nas sociedades? A tradição, a continuidade, a tendência para permanecer, isto é, para não viver.

Crescer ou Decrescer

Tudo o que n√£o cresce, decresce e arrisca-se a desaparecer. Este parece ser um princ√≠pio b√°sico da vida. N√£o h√° meio termo, ningu√©m fica de fora desta realidade. Se deixo de investir numa rela√ß√£o, ela n√£o se aguenta; se n√£o dou continuidade √† minha forma√ß√£o, deformo-me inevitavelmente, e por a√≠ fora… E quem n√£o continua a investir na f√© e no amor, corre o risco de perder ambas as coisas.

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A avers√£o pelo erro √© o mais grave dos erros. √Č t√£o vital errarmos como acertarmos. Devemos afastar o medo de errar. Devemos manter o gosto por experimentar, mesmo cometendo falhas. A natureza foi evoluindo gra√ßas ao erro b√°sico que √© a muta√ß√£o. Se os genes nunca falhassem n√£o haveria a diversidade necess√°ria para a continuidade da Vida.

A Dist√Ęncia Entre Gera√ß√Ķes

A solu√ß√£o de continuidade entre as gera√ß√Ķes depende da impossibilidade de transmitir a experi√™ncia, de fazer evitar aos outros os erros j√° cometidos por n√≥s. A verdadeira dist√Ęncia entre duas gera√ß√Ķes √© dada pelos elementos que t√™m em comum e que obrigam √† repeti√ß√£o c√≠clica das mesmas experi√™ncias, como nos comportamentos das esp√©cies animais transmitidos pela heran√ßa biol√≥gica; ao passo que os elementos da verdadeira diversidade existente entre n√≥s e eles s√£o, pelo contr√°rio, o resultado das modifica√ß√Ķes irrevers√≠veis que cada √©poca traz consigo, ou seja, dependem da heran√ßa hist√≥rica que n√≥s lhes transmitimos, a verdadeira heran√ßa de que somos respons√°veis, mesmo que por vezes o sejamos de forma inconsciente. Por isso n√£o temos nada a ensinar: sobre aquilo que mais se parece com a nossa experi√™ncia n√£o podemos influir; naquilo que traz o nosso cunho, n√£o sabemos reconhecer-nos.

Os Pseudo-S√°bios

Os verdadeiros s√°bios perguntam como se comporta dada coisa em si mesma e na sua rela√ß√£o com outras coisas, sem se preocuparem com a utilidade, ou seja, com a aplica√ß√£o no dom√≠nio do j√° conhecido ou no dom√≠nio daquilo que √© necess√°rio √† vida. H√° outros esp√≠ritos, gente bastante diferente, que, sendo mais agudos, mais virados para a vida, mais experimentados e familiarizados com a t√©cnica, tratam imediatamente de encontrar as aplica√ß√Ķes.
Os pseudo-s√°bios procuram apenas retirar t√£o depressa quanto poss√≠vel algum proveito pessoal das novas descobertas, tratando de obter uma gl√≥ria v√£, seja pela tentativa de dar continuidade ou alargamento √† descoberta em causa, seja pela introdu√ß√£o de correc√ß√Ķes, ou at√© por uma simples anexa√ß√£o pessoal, por exemplo, afectando grandes preocupa√ß√Ķes em rela√ß√£o ao assunto. O car√°cter sempre prematuro desses comportamentos prejudica a verdadeira ci√™ncia, traz-lhe maior incerteza e confus√£o, e atrofia-lhe manifestamente aquilo que ela pode produzir de mais belo, isto √©, o seu florescimento pr√°tico.

O homem √© o √≠mpeto, a mulher √© a continuidade que, na sua fraqueza, vence como a gota de √°gua: pela persist√™ncia. O homem investe arrebatadamente como √Ājax; a mulher insinua-se como Dalila. O homem apunhala; a mulher envenena. O homem √© impaciente, a mulher espera.

Português Sentimental e com Horror à Disciplina

Excessivamente sentimental, com horror √† disciplina, individualista sem dar por isso, falho de esp√≠rito de continuidade e de tenacidade na ac√ß√£o. A pr√≥pria facilidade de compreens√£o, diminuindo-lhe a necessidade de esfor√ßo, leva-o a estudar todos os assuntos pela rama, a confiar demasiado na espontaneidade e brilho da sua intelig√™ncia. Mas quando enquadrado, convenientemente dirigido, o portugu√™s d√° tudo quanto se quer…
O nosso grande problema √© o da forma√ß√£o das elites que eduquem e dirijam a Na√ß√£o. A sua fraqueza ou defici√™ncia √© a mais grave crise nacional. S√≥ as gera√ß√Ķes em marcha, se devidamente aproveitadas, nos fornecer√£o os dirigentes – governantes, t√©cnicos, professores, sacerdotes, chefes do trabalho, oper√°rios especializados – indispens√°veis √† nossa completa renova√ß√£o. Considero at√© mais urgente a constitui√ß√£o de vastas elites do que ensinar toda a gente a ler. √Č que os grandes problemas nacioanis t√™m de ser resolvidos, n√£o pelo povo, mas pelas elites enquadrando as massas.

A Sociedade é Baseada no Instinto Individual

A vida de uma sociedade √©, fundamentalmente, uma vida de ac√ß√£o. As rela√ß√Ķes dos indiv√≠duos adentro dela, s√£o, fundamentalmente, rela√ß√Ķes entre as actividades, entre as ac√ß√Ķes, deles. As rela√ß√Ķes dessa sociedade com outras sociedades – sejam essas rela√ß√Ķes de que esp√©cie forem – s√£o rela√ß√Ķes de qualquer esp√©cie de actividade, s√£o rela√ß√Ķes de ac√ß√£o. √Č, portanto, pelas faculdades que conduzem √† ac√ß√£o que o indiv√≠duo √© directamente social. Ora, como a ci√™ncia constata que s√£o os instintos, os h√°bitos, os sentimentos – tudo quanto em n√≥s constitui o inconsciente, ou o subconsciente – que levam √† ac√ß√£o, segue que √© pelos seus instintos, pelos seus h√°bitos, pelos seus sentimentos – e n√£o pela sua intelig√™ncia – que o indiv√≠duo √© directamente social.
Por que esp√©cie de instintos, por√©m, √© que o indiv√≠duo √© directamente social? Alguns dos seus instintos, como o instinto de conserva√ß√£o e o instinto sexual, s√£o sociais apenas indirectamente. Servindo-os, o indiv√≠duo serve, em √ļltimo resultado, a sociedade a que pertence, porque, mantendo a sua vida, mant√©m a vida de um elemento componente da sociedade a que pertence, e, propagando a esp√©cie, contribui para a continuidade de vida dessa sociedade; mas nem um, nem outro, desses instintos tem um fim directamente social.

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A Leitura é a Maior das Amizades

A amizade, a amizade que diz respeito aos indiv√≠duos, √© sem d√ļvida uma coisa fr√≠vola, e a leitura √© uma amizade. Mas pelo menos √© uma amizade sincera, e o facto de ela se dirigir a um morto, a uma pessoa ausente, confere-lhe algo de desinteressado, de quase tocante. E al√©m disso uma amizade liberta de tudo quanto constitui a fealdade dos outros. Como n√£o passamos todos, n√≥s os vivos, de mortos que ainda n√£o entraram em fun√ß√Ķes, todas essas delicadezas, todos esses cumprimentos no vest√≠bulo a que chamamos defer√™ncia, gratid√£o, dedica√ß√£o e a que misturamos tantas mentiras, s√£o est√©reis e cansativas. Al√©m disso, ‚ÄĒ desde as primeiras rela√ß√Ķes de simpatia, de admira√ß√£o, de reconhecimento, as primeiras palavras que escrevemos, tecem √† nossa volta os primeiros fios de uma teia de h√°bitos, de uma verdadeira maneira de ser, da qual j√° n√£o conseguimos desembara√ßar-nos nas amizades seguintes; sem contar que durante esse tempo as palavras excessivas que pronunci√°mos ficam como letras de c√Ęmbio que temos que pagar, ou que pagaremos mais caro ainda toda a nossa vida com os remorsos de as termos deixado protestar. Na leitura, a amizade √© subitamente reduzida √† sua primeira pureza.
Com os livros,

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Liberdade

Antes que a ideia de Deus esmagasse os homens, antes dos autos de f√©, das persegui√ß√Ķes religiosas da Inquisi√ß√£o e do fundamentalismo isl√Ęmico, o Mediterr√Ęneo inventou a arte de viver. Os homens viviam livres dos castigos de Deus e das amea√ßas dos Profetas: na barca da morte at√© √† outra vida, como acreditavam os eg√≠pcios. E os deuses eram, em vida dos homens, apenas a celebra√ß√£o de cada coisa: a ca√ßa, a pesca, o vinho, a agricultura, o amor. Os deuses encarnavam a festa e a alegria da vida e n√£o o terror da morte.

Antes da queda de Granada, antes das fogueiras da Inquisi√ß√£o, antes dos massacres da Arg√©lia, o Mediterr√Ęneo ergueu uma civiliza√ß√£o fundada na celebra√ß√£o da vida, na beleza de todas as coisas e na toler√Ęncia dos que sabem que, seja qual for o Deus que reclame a nossa vida morta, o resto √© nosso e pertence-nos ‚Äď por uma √ļnica, breve e intensa passagem. √Č a isso que chamamos liberdade ‚Äď a grande heran√ßa do mundo do Mediterr√Ęneo.

(…) Sabes, quem n√£o acredita em Deus, acredita nestas coisas, que tem como evidentes. Acredita na eternidade das pedras e n√£o na dos sentimentos;

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Liberdade e Eternidade

A liberdade que √†s vezes sentia n√£o vinha de reflex√Ķes n√≠tidas, mas de um estado como feito de percep√ß√Ķes por demais org√Ęnicas para serem formuladas em pensamentos. √Äs vezes no fundo da sensa√ß√£o tremulava uma ideia que lhe dava leve consci√™ncia de sua esp√©cie e de sua cor.

O estado para onde deslizava quando murmurava: eternidade. O pr√≥prio pensamento adquiria uma qualidade de eternidade. Aprofundava-se magicamente e alargava-se, sem propriamente um conte√ļdo e uma forma, mas sem dimens√Ķes tamb√©m. A impress√£o de que se conseguisse manter-se na sensa√ß√£o por mais uns instantes teria uma revela√ß√£o ‚ÄĒ facilmente, como enxergar o resto do mundo apenas inclinando-se da terra para o espa√ßo. Eternidade n√£o era s√≥ o tempo, mas algo como a certeza enraizadamente profunda de n√£o poder cont√™-lo no corpo por causa da morte; a impossibilidade de ultrapassar a eternidade era eternidade; e tamb√©m era eterno um sentimento em pureza absoluta, quase abstracto. Sobretudo dava ideia de eternidade a impossibilidade de saber quantos seres humanos se sucederiam ap√≥s seu corpo, que um dia estaria distante do presente com a velocidade de um b√≥lido.

Definia eternidade e as explica√ß√Ķes nasciam fatais como as pancadas do cora√ß√£o. Delas n√£o mudaria um termo sequer,

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