Passagens sobre Egoísta

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Frases sobre ego√≠sta, poemas sobre ego√≠sta e outras passagens sobre ego√≠sta para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Pequenos Poemas Mentais

Mental: nada, ou quase nada sentimental.

I

Quem n√£o sai de sua casa,
n√£o atravessa montes nem vales,
não vê eiras
nem mulheres de infusa,
nem homens de mangual em riste, suados,
quem vive como a aranha no seu redondel
cria mil olhos para nada.
Mil olhos!
Implac√°veis.
E hoje diz: odeio.
Ontem diria: amo.
Mas odeia, odeia com ind√īmitos √≥dios.
E se se aplaca, como acha o tempo pobre!
E a liberdade in√ļtil,
in√ļtil e v√£,
riqueza de miser√°veis.

II

Como sempres, h√°-de-chegar, desde os tempos!
Vozes, cumprimentos, ofegantes entradas.
Mas que vos reunir√°, pensamentos?
Chegais a existir, pensamentos?
√Č prov√°vel, mas desconfiados e inv√°lidos,
Rosnando est√ļpidos, com c√£es.

√ď in√ļteis, aquietai-vos!
Voltai como os c√£es das quintas
ao ponto da partida, decepcionados.
E enrolai-vos tristonhos, rabugentos, desinteressados.

III

Esse gesto…
Esse des√Ęnimo e essa vaidade…
A vaidade ferida comove-me,
comove-me o ser ferido!

A vaidade não é generosa, é egoísta,
Mas chega a ser bela,

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Nestas Democracias industriais e materialistas, furiosamente empenhadas na luta pelo pão egoísta, as almas cada dia se tornam mais secas e menos capazes de piedade.

A Grande Diferença da Vida é o Entusiasmo

A grande diferen√ßa da vida √© o entusiasmo. √Č a for√ßa do vento. O entusiasmo √© o nome feio que chamam √†s pessoas que acham gra√ßa a tudo o que existe na vida.

A vida √© a √ļnica volta que damos. Todos os nossos projectos – de sermos melhores ou mais ego√≠stas, mais corajosos ou comedidos – v√£o contra o facto de n√£o termos tempo para corresponder √†s nossas expectativas.

Somos como somos. Mais vale dizermos como somos, com as palavras que temos, do que morrermos à espera de nos exprimirmos mais bem. Não há nenhuma pessoa viva que possa viver mais do que nós. Existem apenas aquelas pessoas práticas e abusadoras que aproveitam as vidas para fazer avançar tudo o que esperam da vida.

A igualdade n√£o √© uma conquista: √© um facto. Exprimirmo-nos √© mais justo quanto menos jeito tivermos para isso. Falar em p√ļblico n√£o √© um desafio: √© uma prova de proximidade.

O entusiasmo é uma vontade de perder tempo. Nada se aprende sem se querer Рdesejar avidamente Рperder tempo. O entusiasmo é uma coisa dos ventos e os ventos vêm de onde quiserem, quando menos se esperam.

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N√£o Creio nesse Deus

I

Não sei se és parvo se és inteligente
‚ÄĒ Ao disfrutares vida de nababo
Louvando um Deus, do qual te dizes crente,
Que te livre das garras do diabo
E te faça feliz eternamente.

II

N√£o v√™s que o teu bem-estar faz d’outra gente
A dor, o sofrimento, a fome e a guerra?
E tu n√£o queres p’ra ti o c√©u e a terra..
‚ÄĒ N√£o te achas ego√≠sta ou exigente?

III

N√£o creio nesse Deus que, na igreja,
Escuta, dos beatos, confiss√Ķes;
N√£o posso crer num Deus que se maneja,
Em troca de promessas e ora√ß√Ķes,
P’ra o homem conseguir o que deseja.

IV

Se Deus quer que vivamos irm√£mente,
Quem cumpre esse dever por que receia
As iras do divino padre eterno?…
P’ra esses √© o c√©u; porque o inferno
√Č p’ra quem vive a vida √† custa alheia!

Os √önicos Casamentos Felizes

√Č evidente que os √ļnicos casamentos felizes s√£o os de conveni√™ncia, funcionam √†s mil maravilhas, sem conflitos, porque cada um sabe que a realiza√ß√£o das suas ambi√ß√Ķes depende da alian√ßa com o outro. D√° gosto ver como trabalham em equipa os casais que entenderam essa ideia (casamento = sociedade limitada). Desenvolvem-se como uma empresa, apoiando-se um ao outro sem hesitar, cada um deles especializado numa determinada atividade para obterem o m√°ximo rendimento do seu investimento, pois sabem que os ganhos de um beneficiar√£o os dois. As discuss√Ķes em p√ļblico, as desaven√ßas, os an√ļncios de separa√ß√£o fazem cair as a√ß√Ķes da bolsa social e prejudicam a economia dom√©stica, h√° que evitar toda essa merda que os jovens e alguns imbecis publicitam aos quatro ventos, sem se darem conta de que est√£o a desvalorizar-se. Acreditam no amor e no desamor, na trai√ß√£o e no ci√ļme, sem entenderem que, quando se mete de permeio isso a que os romances e as revistas cor-de-rosa chamam amor, est√° tudo fodido. √Č o fim da paz. Quando algu√©m te diz que te amar√° para sempre, a hist√≥ria j√° come√ßou a meter √°gua. O montanhista n√£o pode ficar eternamente parado no cume que conquistou. J√° alcan√ßou o topo.

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Os beb√©s s√£o malcriados, pregui√ßosos e ego√≠stas e ¬ęsafam-se¬Ľ. √Č evidente. N√£o √© justo, mas √© evidente. Safam-se porque s√£o lindos de morrer. Quando forem crescidos, v√£o ter de escrever sonetos, passar exames, comprar flores, escolher vinhos, esfor√ßar-se.

Os Amigos Nunca S√£o para as Ocasi√Ķes

Os amigos nunca s√£o para as ocasi√Ķes. S√£o para sempre. A ideia utilit√°ria da amizade, como entreajuda, pronto-socorro m√ļtuo, troca de favores, dep√≥sito de confian√ßa, sociedade de desabafos, mete nojo. A amizade √© puro prazer. N√£o se pode contaminar com favores e ajudas, leia-se d√≠vidas. Pede-se, d√°-se, recebe-se, esquece-se e n√£o se fala mais nisso.

A decad√™ncia da amizade entre n√≥s deve-se √† instrumentaliza√ß√£o que tem vindo a sofrer. Transformou-se numa esp√©cie de ma√ßonaria, uma central de cunhas, palavrinhas, cumplicidades e compadrios. √Č por isso que as amizades se fazem e desfazem como se fossem la√ßos pol√≠ticos ou comerciais. Se algu√©m ¬ęfalta¬Ľ ou ¬ęn√£o corresponde¬Ľ, se n√£o cumpre as obriga√ß√Ķes contratuais, √© logo condenado como ¬ęmau¬Ľ amigo e sumariamente proscrito. Est√° tudo doido. S√≥ uma mis√©ria destas obriga a dizer o √≥bvio: os amigos s√£o as pessoas de que n√≥s gostamos e com quem estamos de vez em quando. Podemos nem sequer darmo-nos muito, ou bem, com elas. Ou gostar mais delas do que elas de n√≥s. N√£o interessa. A amizade √© um gosto ego√≠sta, ou inevitabilidade, o caminho de um cora√ß√£o em roda-livre.

Os amigos t√™m de ser in√ļteis. Isto √©, bastarem s√≥ por existir e,

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N√£o seja ego√≠sta, encha-se de si pr√≥prio ‚Äď e estas s√£o duas coisas diferentes. N√£o seja como Narciso, n√£o fique obcecado por si pr√≥prio ‚Äď mas um amor natural por si pr√≥prio √© uma necessidade.

O Castigo do Egoísta

Quem não sabe viver com caridade e abraçar a dor dos outros, tem como castigo sentir com violência intolerável a dor própria. A dor só pode suportar-se tornando-a comum e compartilhando-a com os outros que sofrem. O castigo do egoísta está em só disso se aperceber sob a férula (castigo), tentando em vão aprender a caridade, por interesse.

Viver pelo Outro

Melhor do que qualquer outro animal sociável, o homem tende cada vez mais a uma unidade realmente altruísta, menos fácil de realizar do que a unidade egoísta, embora muito superior em plenitude e em estabilidade.
(…) Toda a educa√ß√£o humana deve preparar todos para viverem pelo outro a fim de reviverem no outro.
(…) O ser deve-se subordinar a uma exist√™ncia exterior a fim de nela encontrar a origem da sua pr√≥pria estabilidade. Ora, essa condi√ß√£o s√≥ se pode realizar satisfatoriamente sob o dom√≠nio das inclina√ß√Ķes que disp√Ķem cada um a viver sobretudo pelo outro.

Ser est√ļpido, ego√≠sta e ter boa sa√ļde, eis as condi√ß√Ķes ideais para se ser feliz. Mas se a primeira vos falta, tudo est√° perdido.

O Talento na Juventude e na Velhice

Nada menos exacto do que supor que o talento constitui privilégio da mocidade. Não. Nem da mocidade, nem da velhice. Não se é talentoso por se ser moço, nem genial por se ser velho. A certidão de idade não confere superioridade de espírito a ninguém. Nunca compreendi a hostilidade tradicional entre velhos e moços (que aliás enche a história das literaturas); e não percebo a razão por que os homens se lançam tantas vezes recíprocamente em rosto, como um agravo, a sua velhice ou a sua juventude.
Ser idoso não quer dizer que se seja necessáriamente intolerante e retrógado; e engana-se quem supuser que a mocidade, por si só, constitui garantia de progresso ou de renovação mental. As grandes descobertas que ilustram a história da ciência e contribuiram para o progresso humano são, em geral, obra dos velhos sábios; e a mocidade literária, negando embora sistemáticamente o passado, é nele que se inspira, até que o escritor adquire (quando adquire) personalidade própria.
(…) A mocidade, em geral, n√£o cria; utiliza, transformando-o, o legado que recebeu. Juventude e velhice n√£o se op√Ķem; completam-se na harmonia universal dos seres e das coisas. A vida n√£o √© s√≥ o entusiasmo dos mo√ßos;

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A fome no mundo não é uma coisa natural, não é um dado óbvio; o facto de hoje, em pleno século XXI, muitas pessoas padecerem deste flagelo é devido a uma distribuição egoísta e perversa dos recursos, a uma mercantilização dos alimentos.

A Moral não é um Assunto Divino

Dificilmente se encontrar√° um esp√≠rito cient√≠fico, profundamente mergulhado na ci√™ncia, que n√£o se caracterize por uma religiosidade invulgar. Essa religiosidade distingue-se, no entanto, da religiosidade do homem simples. Para este, Deus √© um ser cuja solicitude se espera, cujo castigo se teme ‚ÄĒ um sentimento sublimado, como o que existe nas rela√ß√Ķes entre filho e pai ‚ÄĒ um ser, com o qual se mant√©m uma certa familiaridade, mesmo respeitosa que seja.
O investigador, contudo, est√° imbu√≠do do sentimento da causalidade de tudo o que acontece. O futuro n√£o √©, para ele, menos necess√°rio e determinado que o passado. A moral n√£o √© um assunto divino mas sim puramente humano. A sua religiosidade reside no √™xtase perante a harmonia das leis que regem a natureza, na qual se manifesta uma raz√£o t√£o superior que em compara√ß√£o com ela todas as ideias criadoras do homem e as suas disposi√ß√Ķes, s√£o apenas um lampejo insignificante. Este sentimento √© o princ√≠pio condutor (Leitmotiv) da sua vida e dos seus esfor√ßos, adentro dos limites em que o homem pode elevar-se acima da escravid√£o imposta pelos seus desejos ego√≠stas. E tal sentimento √©, sem d√ļvida, muito pr√≥ximo do que, atrav√©s todos os tempos, animou os esp√≠ritos criadores no dom√≠nio da religi√£o.

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Egoísmo Relativo

Por mim, o meu ego√≠smo √© a superf√≠cie da minha dedica√ß√£o. O meu esp√≠rito vive constantemente no estudo e no cuidado da Verdade, e no escr√ļpulo de deixar, quando eu despir a veste que me liga a este mundo, uma obra que sirva o progresso e o bem da Humanidade.
Reconhe√ßo que o sentido intelectual que esse Servi√ßo da Humanidade toma em mim, em virtude do meu temperamento, me afasta, muitas vezes, das pequenas manifesta√ß√Ķes que em geral revelam o esp√≠rito humanit√°rio. Os actos de caridade, a dedica√ß√£o por assim dizer quotidiana s√£o cousas que raras vezes aparecem em mim, embora nada haja em mim que represente a nega√ß√£o delas.
Em todo o caso, reconheço, em justiça para comigo próprio, que não sou mais egoísta que a maioria dos indivíduos, e muito menos o sou que a maioria dos meus colegas nas artes e nas letras. Pareço egoísta àqueles que, por um egoísmo absorvente, exigem a dedicação dos outros como um tributo.

A Ordem das Coisas

Natura deficit, fortuna mutatur, deus omnia cernit. A natureza trai-nos, a sorte muda, um deus v√™ do alto todas estas coisas. Apertava ao dedo a mesa de um anel onde, num dia de amargura, mandava gravar estas palavras tristes; ia mais longe no desengano, talvez na blasf√©mia; acabava por achar natural, sen√£o justo, que dev√≠amos perecer. As nossas letras esgotam-se; as nossas artes adormecem; P√Ęncrates n√£o √© Homero; Arriano n√£o √© Xenofonte; quando tentei imortalizar na pedra a forma de Ant√≠noo n√£o encontrei Prax√≠teles. Depois de Arist√≥teles e de Arquimedes, as nossas ci√™ncias n√£o progridem; os nossos progressos t√©cnicos n√£o resistiriam ao desgaste de uma longa guerra; mesmo os nossos voluptuosos desgostam-se da felicidade. O abrandamento dos costumes, o avan√ßo das ideias no decorrer do √ļltimo s√©culo √© obra de uma infima minoria de bons esp√≠ritos; a massa continua ignara, feroz, quando pode, de qualquer forma ego√≠sta e limitada, e h√° raz√Ķes para apostar que ficar√° sempre assim. Procuradores a mais, publicanos √°vidos, demasiados senadores desconfiados, demasiados centuri√Ķes brutais comprometeram adiantadamente a nossa obra; e os imp√©rios, como os homens, j√° n√£o t√™m tempo para se instru√≠rem √† custa das suas faltas. Onde quer que um tecel√£o remendar o seu pano,

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Todos os homens fecundos da natureza se desenvolvem de uma maneira egoísta; o altruísmo humano, que não é egoísta, é estéril.