Cita√ß√Ķes sobre Impot√™ncia

40 resultados
Frases sobre impot√™ncia, poemas sobre impot√™ncia e outras cita√ß√Ķes sobre impot√™ncia para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

A impot√™ncia de hoje paralisa as nossas m√£os. Mas saibamos tornar a nossa ang√ļstia √ļtil √† gera√ß√£o que nos vai substituir. Seremos a pedra com a qual os nossos filhos far√£o um pilar da casa futura.

Do irreal resulta a impotência; o que não somos capazes de conceber não podemos dominar.

O Segredo de Salvar-me Pelo Amor

Quem há aí que possa o cálix
De meus l√°bios apartar?
Quem, nesta vida de penas,
Poder√° mudar as cenas
Que ningu√©m p√īde mudar ?

Quem possui na alma o segredo
De salvar-me pelo amor?
Quem me dar√° gota de √°gua
Nesta angustiosa fr√°gua
De um deserto abrasador?

Se alguém existe na terra
Que tanto possa, és tu só!
Tu só, mulher, que eu adoro,
Quando a Deus piedade imploro,
E a ti peço amor e dó.

Se soubesses que tristeza
Enluta meu coração,
Terias nobre vaidade
Em me dar felicidade,
Que eu busquei no mundo em v√£o.

Busquei-a em tudo na terra,
Tudo na terra mentiu!
Essa estrela carinhosa
Que luz √† inf√Ęncia ditosa
Para mim nunca luziu.

Infeliz desde criança
Nem me foi risonha a fé;
Quando a terra nos maltrata,
Caprichosa, acerba e ingrata,
Céu e esperança nada é.

Pois a ventura busquei-a
No vivo anseio do amor,
Era ardente a minha alma;
Conquistei mais de uma palma
À custa de muita dor.

Continue lendo…

√Č verdade que, por vezes, os militares, exagerando da impot√™ncia relativa da intelig√™ncia, descuram servir-se dela.

Nós devemos banir das nossas fileiras toda a ideologia feita de fraqueza e impotência. São errados todos os pontos de vista que valorizam a força do inimigo e subestimam a força do povo.

A Fidelidade

As pessoas realmente frívolas são as que só amam uma vez na vida. O que elas chamam lealdade ou fidelidade, chamo eu letargia do hábito ou falta de imaginação. A fidelidade representa na vida emocional o mesmo que a coerência na vida do intelecto, apenas uma confissão de impotência. A fidelidade! Tenho de a analisar um destes dias. Está intimamente associada à paixão da propriedade. Há muitas coisas que atiraríamos fora se não receássemos que outros as apanhassem.

O Provincianismo Português (II)

Se fosse preciso usar de uma s√≥ palavra para com ela definir o estado presente da mentalidade portuguesa, a palavra seria “provincianismo”. Como todas as defini√ß√Ķes simples esta, que √© muito simples, precisa, depois de feita, de uma explica√ß√£o complexa. Darei essa explica√ß√£o em dois tempos: direi, primeiro, a que se aplica, isto √©, o que deveras se entende por mentalidade de qualquer pa√≠s, e portanto de Portugal; direi, depois, em que modo se aplica a essa mentalidade.
Por mentalidade de qualquer pa√≠s entende-se, sem d√ļvida, a mentalidade das tr√™s camadas, organicamente distintas, que constituem a sua vida mental ‚ÄĒ a camada baixa, a que √© uso chamar povo; a camada m√©dia, a que n√£o √© uso chamar nada, excepto, neste caso por engano, burguesia; e a camada alta, que vulgarmente se designa por escol, ou, traduzindo para estrangeiro, para melhor compreens√£o, por elite.
O que caracteriza a primeira camada mental é, aqui e em toda a parte, a incapacidade de reflectir. O povo, saiba ou não saiba ler, é incapaz de criticar o que lê ou lhe dizem. As suas ideias não são actos críticos, mas actos de fé ou de descrença, o que não implica, aliás,

Continue lendo…

As Pequenas Injustiças

Não me conformo com as pequenas injustiças. Aceito as grandes, porque são inevitáveis, como as catástrofes, e atestam a impotência dos deuses.
Aquela criança, descalça, apenas precisava de uns sapatos. Se tivesse nascido sem pés, não era tão grande a minha revolta.

Tiremos das nossas miser√°veis virtudes o que devemos ao temperamento, √† honra, √† opini√£o, ao orgulho, √† impot√™ncia e √°s circunst√Ęncias: que ficar√°? Pouqu√≠ssima coisa.

Filosofia e Amor são completamente Antagónicos

Entre a filosofia e o amor não há possibilidade de convivência. A filosofia exila a mulher e a mulher exclui a filosofia. Os filósofos são todos cérebro sem coração nem testículos. Aqueles que tiveram mulheres e filhos são filósofos menores, em segunda mão. Os maiores são todos misóginos.
A filosofia tem relação com a castidade: quem se aproxima da mulher não pode alcançar o absoluto. Os filósofos foram eunucos, como Orígenes e Abelardo; ou virgens por eleição, como São Tomás e São Boaventura; ou eternos celibatários, como Platão, Espinosa, Kant, Schopenhauer, Nietzsche, como todos os maiores. Quem teve mulher, como Sócrates, considerou-a empecilho e tortura.
São antes sodomitas, como Séneca e Bacon, ou onanistas, como Rousseau, Kierkegaard e Leopardi Рem todos os casos, antifemininos. A mulher é a vida e a filosofia uma espécie de morte; a dona é o primado do sentimento e a filosofia quer ser racionalismo puro; a mulher é capricho e novidade e a filosofia ordem e sistema.
No entanto, a filosofia n√£o se pode vangloriar de vencer, com a sua for√ßa, a tenta√ß√£o de Eros – √© verdade, ao inv√©s, que a frigidez e a impot√™ncia predisp√Ķem para a filosofia. Se virem um fil√≥sofo marido e pai feliz,

Continue lendo…

Temos de Ser Mais Humanos

Abram os olhos. Somos umas bestas. No mau sentido. Somos primitivos. Somos prim√°rios. Por nossa causa corre um oceano de sangue todos os dias. N√£o √© auscultando todos os nossos instintos ou encorajando a nossa natureza biol√≥gica a manifestar-se que conseguiremos afastar-nos da crueza da nossa condi√ß√£o. √Č lendo Plat√£o. E construindo pontes suspensas. √Č tendo ins√≥nias. √Č desenvolvendo paran√≥ias, conceitos filos√≥ficos, poemas, desequil√≠brios neuroqu√≠micos insan√°veis, frisos de portas, birras de amor, grafismos, sistemas pol√≠ticos, receitas de bacalhau, pormenores.

√Č engra√ßado como cada √©poca se foi considerando ¬ęde charneira¬Ľ ao longo da hist√≥ria. A pretens√£o de se ser definitivo, a arrog√Ęncia de ser ¬ęo √ļltimo¬Ľ, a vaidade de se ser futuro √©, h√° mil√©nios, a mesm√≠ssima cantiga.
Temos de ser mais humanos. Reconhecer que somos as bestas que somos e arrependermo-nos disso. Temos de nos reduzir à nossa miserável insensibilidade, à pobreza dos nossos meios de entendimento e explicação, à brutalidade imperdoável dos nossos actos. O nosso pé foge-nos para o chinelo porque ainda não se acostumou a prender-se aos troncos das árvores, quanto mais habituar-se a usar sapato.

A √ļnica atitude verdadeiramente civilizada √© a fraqueza, a curiosidade, o desespero, a experi√™ncia, o amor desinteressado,

Continue lendo…

Controlar a Vida a 360 Graus

Vivemos numa sociedade dominada cada vez mais pelo mito do controlo. E o seu postulado dogm√°tico √© este: a receita para uma vida realizada √© a capacidade de control√°-la a 360 graus. N√£o percebemos at√© que ponto uma mentalidade assim representa a nega√ß√£o do princ√≠pio de realidade. Isto para dizer como somos pouco ajudados a lidar com a irrup√ß√£o do inesperado que hoje o sofrimento representa. Sentimos a dor como uma tempestade estranha que se abate sobre n√≥s, tir√Ęnica e inexplic√°vel. Quando ela chega, s√≥ conseguimos sentir-nos capturados por ela, e os nossos sentidos tornam-se como persianas que, mesmo inconscientemente, baixamos. A luz j√° n√£o nos √© t√£o grata, as cores deixam de levar-nos consigo na sua ligeireza, os odores atormentam-nos, ignoramos o prazer, evitamos a melodia das coisas. Damos por n√≥s ausentes nessa combust√£o silenciosa e fechada onde parece que o interesse sensorial pela vida arde. ¬ęA dor √© t√£o grande, a dor sufoca, j√° n√£o tem ar. A dor precisa de espa√ßo¬Ľ, escreve Marguerite Duras nas p√°ginas autobiogr√°ficas do volume a que chamou ¬ęA Dor¬Ľ. E descobrimo-nos mais s√≥s do que pens√°vamos no meio desse inc√™ndio √≠ntimo que cresce. Nas etapas de sofrimento a impot√™ncia parece aprisionar enigmaticamente todas as nossas possibilidades.

Continue lendo…

Quantas Loucuras h√° num Homem!

H√° tantos amores na vida de um homem! Aos quatro anos, ama-se os cavalos, o sol, as flores, as armas que brilham, os uniformes de soldado; aos dez, ama-se a menina que brinca connosco.; aos treze, ama-se uma mulher de colo t√ļrgido, porque me lembro de que o que os adolescentes amam loucamente √© um colo de mulher, branco e mate, e como diz Marot:

Tetin refaict plus blanc qu’un oeuf
Tetin de satin blanc tout neuf.

Quase me senti mal quando vi pela primeira vez os seis desnudados de uma mulher. Por fim, aos catorze ou quinze anos, ama-se uma jovem que vem a nossa casa, e que √© um pouco mais que uma irm√£, menos que uma amante; depois, aos dezasseis anos, ama-se uma outra mulher, at√© aos vinte e cinco; depois, talvez se ame a mulher com quem casamos. Cinco anos mais tarde, ama-se a dan√ßarina que faz saltar o seu vestido sobre as suas coxas carnudas; por fim, aos trinta e seis, ama-se a deputa√ß√£o, a especula√ß√£o, as honrarias; aos cinquenta, ama-se o jantar do ministro ou do presidente da c√Ęmara; aos sessenta, ama-se a prostituta que nos chama atrav√©s dos vidros e a quem se lan√ßa um olhar de impot√™ncia,

Continue lendo…

O remorso √© uma impot√™ncia, ele voltar√° a cometer o mesmo pecado. Apenas o arrependimento √© uma for√ßa que p√Ķe termo a tudo.

O Poder e o Conhecimento

Entre o conhecimento e o poder existe n√£o s√≥ a rela√ß√£o de servilismo, mas tamb√©m de verdade. Muitos conhecimentos, embora formalmente verdadeiros, s√£o nulos fora de toda a propor√ß√£o com a reparti√ß√£o de poderes. Quando o m√©dico expatriado diz- “Para mim, Adolf Hitler √© um caso patol√≥gico” – o resultado cl√≠nico acabar√° talvez por confirmar o seu ju√≠zo, mas a despropor√ß√£o deste com a desgra√ßa objectiva que, em nome do paran√≥ico, se espalha pelo mundo faz de tal diagn√≥stico, com que se incha o diagnosticador, algo rid√≠culo. Talvez Hitler seja “em si” um caso patol√≥gico, mas certamente n√£o “para ele”. A vaidade e a pobreza de muitas manifesta√ß√Ķes do ex√≠lio contra o fascismo ligam-se a este facto. Os que expressam os seus pensamentos na forma de ju√≠zo livre, distanciado e desinteressado s√£o os que n√£o foram capazes de assumir nessa forma a experi√™ncia da viol√™ncia, o que torna in√ļtil tal pensamento. O problema, quase insol√ļvel, consiste aqui em n√£o se deixar imbecilizar nem pelo poder dos outros nem pela impot√™ncia pr√≥pria.

O Teu Céu

√Č em vida que tens o teu c√©u. Mas n√£o √© um c√©u prometido. Um c√©u prometido √© um c√©u precavido, um c√©u prevenido ‚Äď um c√©u invertido. O que j√° sabes que vai ser c√©u √© um mart√≠rio. Se sabes que vai ser c√©u: ent√£o √© porque n√£o √© c√©u. √Čs tu que, todos os dias, tens de agarrar nas tuas perninhas e no monte de ant√≠teses de que √©s feito. √Čs tu que tens de rezar pelo teu c√©u. Mas rezar n√£o √© de joelhos. Rezar nem sequer √© cruzar os dedos e olhar para o c√©u √† espera de que de l√° caia alguma coisa. O mais inusitado que podes esperar que caia do c√©u s√£o perdigotos de quem, como tu, pensa que rezar √© dizer meia d√ļzia de palavras com os joelhos dobrados e as m√£os unidas em forma de impot√™ncia. Mas rezar n√£o √© nada disso. Vou-te explicar o que √© rezar. Oremos, irm√£o.

Rezar não é ajoelhar nem é falar nem é esperar. Rezar é lutar. Não é por acaso que depois de morrer alguém de quem se gosta se faz o luto. Luto. Ouve bem, lê bem: sente bem. Luto. Luto.

Continue lendo…

Amor

Aqueles olhos aproximam-se e passam.
Perplexos, cheios de funda luz,
doces e acerados, dominam-me.
Quem os diria t√£o ousados?
T√£o humildes e t√£o imperiosos,
t√£o obstinados!

Como estão próximos os nossos ombros!
Defrontam-se e furtam-se,
negam toda a sua coragem.
De vez em quando,
esta minha m√£o,
que é uma espada e não defende nada,
move-se na órbita daqueles olhos,
fere-lhes a rota curta,
Poderosa e pl√°cida.

Amor, t√£o ch√£o de Amor,
que sens√≠vel √©s…
Sensível e violento, apaixonado.
T√£o carregado de desejos!

Acalmas e redobras
e de ti renasces a toda a hora.
Cordeiro que se encabrita e enfurece
e logo recai na branda impotência.

Canseira eterna!
Ou desespero, ou medo.
Fuga doida à posse, à dádiva.
Tanto bater de asas frementes,
tanto grito e pena perdida…
E as tréguas, amor cobarde?
Cada vez mais longe,
mais longe e apetecidas.
√ď amor, amor,
que faremos nós de ti
e tu de nós?

Se tivéssemos uma verdadeira vida não teríamos necessidade de arte. A arte começa precisamente onde cessa a vida real, onde não há mais nada à nossa frente. Será que a arte não é mais do que uma confissão da nossa impotência?