Passagens sobre Marchas

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Frases sobre marchas, poemas sobre marchas e outras passagens sobre marchas para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

A Melhor Maneira de Viajar é Sentir

Afinal, a melhor maneira de viajar é sentir.
Sentir tudo de todas as maneiras.
Sentir tudo excessivamente,
Porque todas as coisas s√£o, em verdade, excessivas
E toda a realidade é um excesso, uma violência,
Uma alucinação extraordinariamente nítida
Que vivemos todos em comum com a f√ļria das almas,
O centro para onde tendem as estranhas forças centrífugas
Que s√£o as psiques humanas no seu acordo de sentidos.

Quanto mais eu sinta, quanto mais eu sinta como v√°rias pessoas,
Quanto mais personalidade eu tiver,
Quanto mais intensamente, estridentemente as tiver,
Quanto mais simultaneamente sentir com todas elas,
Quanto mais unificadamente diverso, dispersadamente atento,
Estiver, sentir, viver, for,
Mais possuirei a existência total do universo,
Mais completo serei pelo espaço inteiro fora.
Mais an√°logo serei a Deus, seja ele quem for,
Porque, seja ele quem for, com certeza que é Tudo,
E fora d’Ele h√° s√≥ Ele, e Tudo para Ele √© pouco.

Cada alma é uma escada para Deus,
Cada alma é um corredor-Universo para Deus,
Cada alma é um rio correndo por margens de Externo
Para Deus e em Deus com um sussurro soturno.

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A Verdadeira Divis√£o Humana

Sois v√≥s um daqueles a quem se chama feliz? Pois bem, v√≥s estais tristes todos os dias. Cada dia tem uma grande amargura e um pequeno cuidado. Ontem trem√≠eis pela sa√ļde de algu√©m que vos √© caro, hoje receais pela vossa; amanh√£ ser√° uma inquitea√ß√£o de dinheiro, depois a diatribe de um caluniador ou a infelicidade de um amigo, mais tarde o mau tempo que faz, qualquer coisa que se quebrou ou se perdeu, uma vez um prazer que a vossa consci√™ncia e a coluna vertebral reprovam, outra vez a marcha dos neg√≥cios p√ļblicos. Isto sem contar as penas de cora√ß√£o. E assim sucessivamente. Uma nuvem que se dissipa e outra que se forma logo. Apenas um dia em cem de plena felicidade e cheio de sol. E sois desse pequeno n√ļmero que √© feliz! Quanto aos outros homens, envolve-os a noite estagnante.
Os espíritos reflectidos usam pouco desta locução: os felizes e os infelizes. Neste mundo, evidentemente vestíbulo de outro, não há felizes.
A verdadeira divisão humana é esta: os iluminados e os tenebrosos.
Diminuir o n√ļmero dos tenebrosos e aumentar o dos iluminados, eis o fim. √Č por isso que n√≥s gritamos: ensino, ci√™ncia! Aprender a ler,

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As Escolas Filosóficas

Não seria mau que se tornassem a mostrar as almas e que a filosofia deixasse de ser apenas uma disciplina ensinável para voltar a constituir um engrandecimento e uma razão de vida; correria talvez melhor o mundo se escolas de existência filosófica agissem como um fermento, fossem a guarda da pura ideia, dessem um exemplo de ascetismo, de tenacidade na calma recusa da boa posição, de alegria na pobreza, de sempre desperta actividade no ataque de todas as atitudes e doutrinas que significassem diminuição do espírito, ao mesmo tempo se recusando a exercer todo o domínio que não viesse da adesão. Velas incapazes de se deixarem arrastar por ventos de acaso, seguiriam sempre, indicariam aos outros o rumo ascensional da vida, não deixando que jamais se quebrasse o ténue fio que através de todos os labirintos a Humanidade tem seguido na sua marcha para Deus. Seriam poucos, sofreriam ataques dos próprios que simpatizassem com a atitude tomada, quase só encontrariam no caminho incompreensão e maldade; mas deles seria a vitória final; já hoje mesmo provocariam o respeito.

Dignidade Perdida

A medita√ß√£o perdeu toda a sua dignidade exterior; ridicularizou-se o cerimonial e a atitude solene daquele que reflecte; j√° n√£o se poderia continuar a suportar um sages da velha escola. Pensamos demasiado depressa, e pelo caminho, em plena marcha, no meio de neg√≥cios de toda a esp√©cie, mesmo quando se trate das coisas mais graves; temos apenas necessidade de pouca prepara√ß√£o, e at√© de pouco sil√™ncio: tudo se passa como se tiv√©ssemos na cabe√ßa uma m√°quina que girasse incessantemente e que prosseguisse o seu trabalho, mesmo nas piores circunst√Ęncias. Outrora, quando algu√©m se queria p√īr a pensar – era uma coisa excepcional! – era coisa que se notava imediatamente ; notava-se que queria tornar-se mais s√°bio e que se preparava para uma ideia: o seu rosto ganhava uma express√£o como em ora√ß√£o; o homem detinha-se na sua marcha; ficava at√© im√≥vel durante horas na rua, apoiado numa perna ou nas duas, quando a ideia lhe ¬ęsurgia¬Ľ. A coisa ¬ęvalia¬Ľ ent√£o ¬ęesse trabalho¬Ľ.

Vida Incipiente

O facto real da vida √© que estamos de novo todos juntos sem se saber como nem porqu√™, √© o imponder√°vel que liga os seres e os deixa andar √° deriva como peda√ßo de corti√ßa em praia batida pelo norte – o resto, se se quiser analisar, √© uma babugem de rela√ß√Ķes sem eira nem beira ao deslizar da corrente que tanto vem dos outros lados do Atl√Ęntico como da disposi√ß√£o em cada um de n√≥s. Os dias foram andando dentro de cada um de n√≥s e na marcha de pormenores dom√©sticos gast√°mos horas preciosas de n√≥s mesmos. Acerca de com√©dias fizemos considera√ß√Ķes pessoais e quando se tratava de analisar uma trag√©dia usufru√≠amos um gozo espiritual de dever cumprido sexualmente.
Passaram-se anos, também não sei quantos. Houve uns que casaram, outros que ficaram para ornamento ímpar de jantares familiares e ainda outros que se ambulanteiam pelas esquinas do vício à procura de óleo para uma máquina donde se desprendeu já a mola real do entendimento.
Afinal também não importa que o ritmo das coisas tenha sido o mesmo, se todas as coisas existem para um ritmo que lhes é íntimo à sua própria expressão de coisas. Houve sábados e domingos sextas e quintas segundas e terças e sempre uma quarta-feira a comandar no equilíbrio do princípio e do fim.

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Para o que ama a Verdade não há descanso nem termo, porque a vê no próprio caminhar, a surpreende no esforço contínuo da marcha; o amor da Verdade não é um desejo de chegar, mas o anseio de superar. Não me importa o resultado, mas o método.

Era um desses sentimentos puros que não embaraçam a marcha da vida, que se conservam porque são raros, cuja perda ocasionaria dor maior que o regozijo da posse.

O Passado como Base para o Presente

O tempo, na sua marcha, utiliza e destrói o que é temporal. Também nele existe mais eternidade no passado que no presente. Valor da história efectivamente cumprida, semelhante à da recordação em Proust. Deste modo, o passado apresenta-nos qualquer coisa que é, simultaneamente, real e melhor que nós, e que pode empurrar-nos para cima, coisa que o futuro nunca faz.

Os que ignoram as condi√ß√Ķes geogr√°ficas – montanhas e florestas – desfiladeiros perigosos, p√Ęntanos e lama√ßais – n√£o podem conduzir a marcha de um ex√©rcito.

Romance

Fruto de solid√£o
preso à fronde do vento,
lua, tu nos d√°s
a medida do eterno,
essa altura que jogas
contra o espaço celeste
em nós refere a terra,
que em nossa √Ęnsia integras.
E ao nosso amor integras
tudo o que n√£o sofremos,
tudo o que n√£o tivemos
e apenas pressentimos,
em tua marcha sentimos
tudo o que n√£o teremos
e tudo o que j√° viveram
cora√ß√Ķes noutros tempos.
Flanco de solid√£o,
maçã casta e sensual
presa ao ramo oscilante
entre a alma e o carnal,
em ti, suprema altura,
os olhos v√£o reunindo
as trilhas do abandono
e alguns ecos da inf√Ęncia.

Pata branca de touro
extraviada no azul.

Destino

Aquela voz era intranq√ľila. Trago-a
No ouvido ainda ininterruptamente:
Voz de alma que sofreu, voz de vivente,
Desoladora e trêmula de mágoa.

Era o rio da Vida; a √°gua paciente
Que, arrastando calhaus, de fr√°gua em fr√°gua
Ora beijava a sombra na corrente,
Ora abraçava o Sol com os braços de água.

Deus te leve, √°gua pura e fresca!… A treva
Não te interrompa a marcha transitória,
Porque o Destino ingrato que te leva

Para o vale florido ou o amplo deserto,
√Č o mesmo que me arrasta o passo incerto
Para o despenhadeiro ou para a Glória.

O Talento na Juventude e na Velhice

Nada menos exacto do que supor que o talento constitui privilégio da mocidade. Não. Nem da mocidade, nem da velhice. Não se é talentoso por se ser moço, nem genial por se ser velho. A certidão de idade não confere superioridade de espírito a ninguém. Nunca compreendi a hostilidade tradicional entre velhos e moços (que aliás enche a história das literaturas); e não percebo a razão por que os homens se lançam tantas vezes recíprocamente em rosto, como um agravo, a sua velhice ou a sua juventude.
Ser idoso não quer dizer que se seja necessáriamente intolerante e retrógado; e engana-se quem supuser que a mocidade, por si só, constitui garantia de progresso ou de renovação mental. As grandes descobertas que ilustram a história da ciência e contribuiram para o progresso humano são, em geral, obra dos velhos sábios; e a mocidade literária, negando embora sistemáticamente o passado, é nele que se inspira, até que o escritor adquire (quando adquire) personalidade própria.
(…) A mocidade, em geral, n√£o cria; utiliza, transformando-o, o legado que recebeu. Juventude e velhice n√£o se op√Ķem; completam-se na harmonia universal dos seres e das coisas. A vida n√£o √© s√≥ o entusiasmo dos mo√ßos;

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A vida dos cristãos adormecidos é uma vida triste, não é uma vida feliz. O cristão acordado está vigilante, está sempre em marcha. Só assim pode ser feliz.

O Constante Desejo de Mudança Cega o Progresso

Penso, baseando-me em todos os dados que de h√° um ano para c√° nos saltam aos olhos, que se pode afirmar que qualquer progresso deve acarretar necessariamente n√£o um avan√ßo ainda maior mas, ao fim e ao cabo, a nega√ß√£o do progresso e o retorno ao ponto de partida. A hist√≥ria do g√©nero humano prova-o. No entanto, a confian√ßa cega desta gera√ß√£o, e da que a precedeu, nas ideias modernas, no advento de n√£o sei que era da humanidade que deveria marcar uma profunda transforma√ß√£o – mas que, no meu entender, para influenciar o destino de cada um deveria antes de mais afect√°-lo na pr√≥pria natureza do homem -, esta confian√ßa no futuro, que nada nos s√©culos que nos precederam justifica, constitui seguramente a √ļnica garantia desses bens futuros, dessas revolu√ß√Ķes t√£o desejadas pela vontade dos homens.
N√£o ser√° evidente que o progresso, ou seja a marcha progressiva das coisas – tanto para o bem como para o mal -, acabou, hoje, por conduzir a sociedade √† beira de um abismo, onde ela poder√° facilmente vir a cair para dar lugar √† mais completa barb√°rie? E a raz√£o disso, a √ļnica raz√£o para que isso suceda, n√£o residir√° nessa lei que neste mundo imp√Ķe a todas as outras: isto √©,

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Aspectos do Poder

Penso que é sempre necessário colocar em algum lugar um poder social superior a todos os outros, mas acredito que a liberdade corre perigo quando esse poder não encontra diante de si nenhum obstáculo que possa conter a sua marcha e dar-lhe tempo de se moderar a si mesmo. A omnipotência parece-me em si uma coisa ruim e perigosa.
(…) Todas as vezes que um poder qualquer for capaz de fazer todo um povo contribuir para um √ļnico empreendimento, com pouca ci√™ncia e muito tempo conseguir√° extrair do concurso de t√£o grandes esfor√ßos algo de imenso, sem que com isso seja necess√°rio concluir que o povo √© muito feliz, muito esclarecido ou mesmo muito forte.

Humilha√ß√Ķes

Esta aborrece quem é pobre. Eu, quase Jó,
Aceito os seus desdéns, seus ódios idolatro-os;
E espero-a nos sal√Ķes dos principais teatros,
Todas as noites, ignorado e só.

L√° cansa-me o ranger da seda, a orquestra, o g√°s;
As damas, ao chegar, gemem nos espartilhos,
E enquanto v√£o passando as cortes√£s e os brilhos,
Eu analiso as peças no cartaz.

Na representação dum drama de Feuillet,
Eu aguardava, junto à porta, na penumbra,
Quando a mulher nervosa e v√£ que me deslumbra
Saltou soberba o estribo do coupé.

Como ela marcha! Lembra um magnetizador.
Ro√ßavam no veludo as guarni√ß√Ķes das rendas;
E, muito embora tu, burguês, me não entendas,
Fiquei batendo os dentes de terror.

Sim! Porque n√£o podia abandon√°-la em paz!
√ď minha pobre bolsa, amortalhou-se a id√©ia
De vê-la aproximar, sentado na platéia,
De tê-la num binóculo mordaz!

Eu ocultava o fraque usado nos bot√Ķes;
Cada contratador dizia em voz rouquenha:
‚ÄĒ Quem compra algum bilhete ou vende alguma senha?
E ouviam-se c√° fora as ova√ß√Ķes.

Que desvanecimento!

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