Passagens sobre Nascentes

44 resultados
Frases sobre nascentes, poemas sobre nascentes e outras passagens sobre nascentes para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

A √°rvore nascente aguarda-te a bondade e a toler√Ęncia para que te possa ofertar os pr√≥prios frutos em tempo certo.

Poucos rios, surgem de grandes nascentes, mas muitos crescem recolhendo filetes de √°gua.

Adormecem os que triunfam. Adormecem ou são aniquilados pela bárbara irrupção dos que na sombra encarnam o vigor nascente e necessário para que o espírito do mundo se cumpra.

Do Outro Lado

Tamb√©m eu j√° me sentei algumas vezes √†s portas do crep√ļsculo, mas quero dizer-te que o meu com√©rcio n√£o √© o da alma, h√° igrejas de sobra e ningu√©m te impede de entrar. Morre se quiseres por um deus ou pela p√°tria, isso √© contigo; pode at√© acontecer que morras por qualquer coisa que te perten√ßa, pois sempre p√°trias e deuses foram propriedade apenas de alguns, mas n√£o me pe√ßas a mim, que s√≥ conhe√ßo os caminhos da sede, que te mostre a direc√ß√£o das nascentes.

A Inutilidade do Viajar

Que utilidade pode ter, para quem quer que seja, o simples facto de viajar? N√£o √© isso que modera os prazeres, que refreia os desejos, que reprime a ira, que quebra os excessos das paix√Ķes er√≥ticas, que, em suma, arranca os males que povoam a alma. N√£o faculta o discernimento nem dissipa o erro, apenas det√©m a aten√ß√£o momentaneamente pelo atractivo da novidade, como a uma crian√ßa que pasma perante algo que nunca viu! Al√©m disso, o cont√≠nuo movimento de um lado para o outro acentua a instabilidade (j√° de si consider√°vel!) do esp√≠rito, tornando-o ainda mais inconstante e incapaz de se fixar. Os viajantes abandonam ainda com mais vontade os lugares que tanto desejavam visitar; atravessam-nos voando como aves, v√£o-se ainda mais depressa do que vieram. Viajar d√°-nos a conhecer novas gentes, mostra-nos forma√ß√Ķes montanhosas desconhecidas, plan√≠cies habitualmente n√£o visitadas, ou vales irrigados por nascentes inesgot√°veis; proporciona-nos a observa√ß√£o de algum rio de caracter√≠sticas invulgares, como o Nilo extravasando com as cheias de Ver√£o, o Tigre, que desaparece √† nossa vista e faz debaixo de terra parte do seu curso, retomando mais longe o seu abundante caudal, ou ainda o Meandro, tema favorito das lucubra√ß√Ķes dos poetas, contorcendo-se em incont√°veis sinuosidades,

Continue lendo…

Em uma Tarde de Outono

Outono. Em frente ao mar. Escancaro as janelas
Sobre o jardim calado, e as √°guas miro, absorto.
Outono… Rodopiando, as folhas amarelas
Rolam, caem. Viuvez, velhice, desconforto…

Por que, belo navio, ao clar√£o das estrelas,
Visitaste este mar inabitado e morto,
Se logo, ao vir do vento, abriste ao vento as velas,
Se logo, ao vir da luz, abandonaste o porto?

A √°gua cantou. Rodeava, aos beijos, os teus flancos
A espuma, desmanchada em riso e flocos brancos…
Mas chegaste com a noite, e fugiste com o sol!

E eu olho o céu deserto, e vejo o oceano triste,
E contemplo o lugar por onde te sumiste,
Banhado no clar√£o nascente do arrebol…

O amor nascente é tão melindroso, pueril e tímido, que receia desagradar até com o pensamento ao ídolo da sua concentrada adoração.

Se há segredo que caracteriza os santos, é que são verdadeiramente felizes. Descobriram o segredo da felicidade autêntica, que habita o fundo da alma e tem a sua nascente no amor de Deus. Por isso chamamos beatos aos santos.

O mal é necessário. Da mesma forma que o bem, tem a sua nascente profunda na natureza, e um não poderia exaurir-se sem o outro.

Tende grande preocupação com a vida espiritual, que é a nascente da liberdade interior. Sem oração não há liberdade interior.

A Corros√£o da Exposi√ß√£o P√ļblica

A vida de todas as nascentes profundas decorre com vagar; t√™m de esperar muito tempo antes de saber o que caiu nas suas profundezas. Tudo o que √© grande foge da pra√ßa p√ļblica e da fama: √© longe da pra√ßa e da fama que sempre viveram os inventores de novos valores.
Foge, meu amigo, refugia-te na tua solid√£o! Vejo-te aguilhoado pelas moscas venenosas. Refugia-te onde sopre um vento rijo e forte!
Refugia-te na tua solidão! Viveste muito perto dos pequenos e dos miseráveis. Foge da sua vingança invisível! A teu respeito só têm um sentimento, o rancor.
Não levantes mais a mão contra eles! São inumeráveis; o teu destino não é ser enxota-moscas!
São inumeráveis, esses pequenos, esses miseráveis; e já se viram altivos edifícios reduzidos a escombros pela acção das gotas da chuva e das ervas daninhas.

Partida

Ao ver escoar-se a vida humanamente
Em suas √°guas certas, eu hesito,
E detenho-me às vezes na torrente
Das coisas geniais em que medito.

Afronta-me um desejo de fugir
Ao mistério que é meu e me seduz.
Mas logo me triunfo. A sua luz
N√£o h√° muitos que a saibam reflectir.

A minh’alma nost√°lgica de al√©m,
Cheia de orgulho, ensombra-se entretanto,
Aos meus olhos ungidos sobe um pranto
Que tenho a f√īr√ßa de sumir tamb√©m.

Porque eu reajo. A vida, a natureza,
Que s√£o para o artista? Coisa alguma.
O que devemos é saltar na bruma,
Correr no azul √° busca da beleza.

√Č subir, √© subir √†lem dos c√©us
Que as nossas almas só acumularam,
E prostrados resar, em sonho, ao Deus
Que as nossas mãos de auréola lá douraram.

√Č partir sem temor contra a montanha
Cingidos de quimera e d’irreal;
Brandir a espada fulva e medieval,
A cada hora acastelando em Espanha.

√Č suscitar c√īres endoidecidas,
Ser garra imperial enclavinhada,
E numa extrema-un√ß√£o d’alma ampliada,

Continue lendo…

Presos ao Passado

Num romance que estou escrevendo h√° uma personagem a quem perguntam: ¬ęE onde ir√°s ser sepultado?¬Ľ E ela responde: ¬ęA minha sepultura maior n√£o mora no futuro. A minha cova √© o meu passado.¬Ľ
De facto, cada um de n√≥s corre o risco de ficar sepultado no seu pr√≥prio passado. Todos temos de resistir para n√£o ficarmos aprisionados numa mem√≥ria simplificada que √© o retrato que outros fizeram de n√≥s. Todos trazemos escrito um livro e esse texto quer-se impor como nossa nascente e como nosso destino. Se existe uma guerra em cada um de n√≥s √© a de nos opormos a esse fado de estarmos condenados a uma √ļnica e previs√≠vel narrativa.

Deus não é um ser distante e anónimo:

√© o nosso ref√ļgio, a nascente da nossa serenidade e da nossa paz. Deus √© para n√≥s o grande amigo, o aliado, o Pai que nunca se esquece de n√≥s.

Que Importa?…

Eu era a desdenhosa, a indif’rente.
Nunca sentira em mim o coração
Bater em violências de paixão
Como bate no peito à outra gente.

Agora, olhas-me tu altivamente,
Sem sombra de Desejo ou de emoção,
Enquanto a asa loira da ilus√£o
Dentro em mim se desdobra a um sol nascente.

Minh’alma, a pedra, transformou-se em fonte;
Como nascida em carinhoso monte
Toda ela é riso, e é frescura, e graça!

Nela refresca a boca um s√≥ instante…
Que importa?… Se o cansado viandante
Bebe em todas as fontes… quando passa?…

A Manh√£

A rosada manh√£ serena desce
Sobre as asas do Zéfiro orvalhadas;
Um cristalino alj√īfar resplandece
Pelas serras de flores marchetadas;
Fugindo as lentas sombras dissipadas
V√£o em sutil vapor, que se converte
Em transparentes nuvens prateadas.
Sa√ļdam com sonora melodia
As doces aves na frondosa selva
O astro que benéfico alumia
Dos altos montes a florida relva;

Uma a cantiga exprime modulada
Com suave gorjeio, outra responde
Cos brandos silvos da garganta inflada,
Como os raios, partindo do horizonte,
Ferem, brilhando com diversas cores,
As claras √°guas de serena fonte.

Salve, benigna luz, que os resplandores,
Qual perene corrente cristalina,
Que de viçoso prado anima as flores,
Difundes da celeste azul campina,
Vivificando a lassa natureza,
Que no seio da noite tenebrosa
O moribundo sonho tinha presa.

Como alegre desperta e radiosa!
De encantos mil ornada se levanta,
Qual do festivo leito a nova esposa!
A mesma anosa, carcomida planta
Co matutino orvalho reverdece.
A √ļmida cabe√ßa ergue vi√ßosa
A flor, que rociada resplandece,
E risonha,

Continue lendo…

Natal

1

A voz clamava no Deserto.

E outra Voz mais suave,
Lírio a abrir, esvoaçar incerto,
Tímido e alvente, de ave
Que larga o ninho, melodia
Nascente, docemente,
Uma outra Voz se erguia…

A voz clamava no Deserto…

Anunciando
A outra Voz que vinha:
Balbuciar de fonte pequenina,
Dando
√Ä luz da Terra o seu primeiro beijo…
Inef√°vel an√ļncio, dealbando
Entre as estrelas moribundas.

2

Das entranhas profundas
Do Mundo, eco do Verbo, a profecia,
– √Ä dist√Ęncia de S√©culos, – dizia,
Pressentia
Fragor de sismos, o dum mundo ruindo,
Redimindo
Os c√°rceres do mundo…

A voz dura e ardente
Clamava no Deserto…

Natal de Primavera,
A nova Luz nascera.
Voz do céu, Luz radiante,
Mais humana e mais doce
E irm√£ dos Poetas
Que a voz trovejante
Dos profetas
Solit√°rios.

3

A divina alvorada
Trazia
Lírios no regaço
E rosas.
Natal. Primeiro passo
Da secular Jornada,
Era um canto de Amor
A anunciar Calv√°rios,

Continue lendo…

As Minhas M√£os

As minhas m√£os magritas, afiladas,
T√£o brancas como a √°gua da nascente,
Lembram p√°lidas rosas entornadas
Dum regaço de Infanta do Oriente.

M√£os de ninfa, de fada, de vidente,
Pobrezinhas em sedas enroladas,
Virgens mortas em luz amortalhadas
Pelas próprias mãos de oiro do sol-poente.

Magras e brancas… Foram assim feitas…
M√£os de enjeitada porque tu me enjeitas…
T√£o doces que elas s√£o! T√£o a meu gosto!

Pra que as quero eu – Deus! – Pra que as quero eu?!
√ď minhas m√£os, aonde est√° o c√©u?
…Aonde est√£o as linhas do teu rosto?