Cita√ß√Ķes sobre Nascentes

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Frases sobre nascentes, poemas sobre nascentes e outras cita√ß√Ķes sobre nascentes para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

A Manh√£

A rosada manh√£ serena desce
Sobre as asas do Zéfiro orvalhadas;
Um cristalino alj√īfar resplandece
Pelas serras de flores marchetadas;
Fugindo as lentas sombras dissipadas
V√£o em sutil vapor, que se converte
Em transparentes nuvens prateadas.
Sa√ļdam com sonora melodia
As doces aves na frondosa selva
O astro que benéfico alumia
Dos altos montes a florida relva;

Uma a cantiga exprime modulada
Com suave gorjeio, outra responde
Cos brandos silvos da garganta inflada,
Como os raios, partindo do horizonte,
Ferem, brilhando com diversas cores,
As claras √°guas de serena fonte.

Salve, benigna luz, que os resplandores,
Qual perene corrente cristalina,
Que de viçoso prado anima as flores,
Difundes da celeste azul campina,
Vivificando a lassa natureza,
Que no seio da noite tenebrosa
O moribundo sonho tinha presa.

Como alegre desperta e radiosa!
De encantos mil ornada se levanta,
Qual do festivo leito a nova esposa!
A mesma anosa, carcomida planta
Co matutino orvalho reverdece.
A √ļmida cabe√ßa ergue vi√ßosa
A flor, que rociada resplandece,
E risonha,

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Natal

1

A voz clamava no Deserto.

E outra Voz mais suave,
Lírio a abrir, esvoaçar incerto,
Tímido e alvente, de ave
Que larga o ninho, melodia
Nascente, docemente,
Uma outra Voz se erguia…

A voz clamava no Deserto…

Anunciando
A outra Voz que vinha:
Balbuciar de fonte pequenina,
Dando
√Ä luz da Terra o seu primeiro beijo…
Inef√°vel an√ļncio, dealbando
Entre as estrelas moribundas.

2

Das entranhas profundas
Do Mundo, eco do Verbo, a profecia,
– √Ä dist√Ęncia de S√©culos, – dizia,
Pressentia
Fragor de sismos, o dum mundo ruindo,
Redimindo
Os c√°rceres do mundo…

A voz dura e ardente
Clamava no Deserto…

Natal de Primavera,
A nova Luz nascera.
Voz do céu, Luz radiante,
Mais humana e mais doce
E irm√£ dos Poetas
Que a voz trovejante
Dos profetas
Solit√°rios.

3

A divina alvorada
Trazia
Lírios no regaço
E rosas.
Natal. Primeiro passo
Da secular Jornada,
Era um canto de Amor
A anunciar Calv√°rios,

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As Minhas M√£os

As minhas m√£os magritas, afiladas,
T√£o brancas como a √°gua da nascente,
Lembram p√°lidas rosas entornadas
Dum regaço de Infanta do Oriente.

M√£os de ninfa, de fada, de vidente,
Pobrezinhas em sedas enroladas,
Virgens mortas em luz amortalhadas
Pelas próprias mãos de oiro do sol-poente.

Magras e brancas… Foram assim feitas…
M√£os de enjeitada porque tu me enjeitas…
T√£o doces que elas s√£o! T√£o a meu gosto!

Pra que as quero eu – Deus! – Pra que as quero eu?!
√ď minhas m√£os, aonde est√° o c√©u?
…Aonde est√£o as linhas do teu rosto?

Sonhar é Preciso

Sem sonhos, as pedras do caminho tornam-se montanhas, os pequenos problemas s√£o insuper√°veis, as perdas s√£o insuport√°veis, as decep√ß√Ķes transformam-se em golpes fatais e os desafios em fonte de medo.
Voltaire disse que os sonhos e a esperan√ßa nos foram dados como compensa√ß√£o √†s dificuldades da vida. Mas precisamos de compreender que os sonhos n√£o s√£o desejos superficiais. Os sonhos s√£o b√ļssolas do cora√ß√£o, s√£o projectos de vida. Os desejos n√£o suportam o calor das dificuldades. Os sonhos resistem √†s mais altas temperaturas dos problemas. Renovam a esperan√ßa quando o mundo desaba sobre n√≥s.

John F. Kennedy disse que precisamos de seres humanos que sonhem o que nunca foram. Tem fundamento o seu pensamento, pois os sonhos abrem as janelas da mente, arejam a emoção e produzem um agradável romance com a vida.
Quem n√£o vive um romance com a sua vida ser√° um miser√°vel no territ√≥rio da emo√ß√£o, ainda que habite em mans√Ķes, tenha carros luxuosos, viaje em primeira classe nos avi√Ķes e seja aplaudido pelo mundo.

Precisamos de perseguir os nossos mais belos sonhos. Desistir é uma palavra que tem de ser eliminada do dicionário de quem sonha e deseja conquistar, ainda que nem todas as metas sejam atingidas.

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Viver!

Viver!… E o que √© a Vida?…
‚Äď Atento, escuto
A primitiva e alta profecia…
E a escut√°-la, a sonhar, vou resoluto,
Por caminhos de Amor, com alegria!
E vivo! E na minh’alma, a uma a uma,
Como num quebra mar de encantamentos,
Sinto as ondas bater, ‚Äď ondas de espuma,
…Evoca√ß√Ķes, memorias, sentimentos…

Amo! ‚Äď No meu Amor vivo a infinita,
A suprema Beleza, ‚Äď sou amado!…
E, pelo Sol que no meu peito habita,
Luto! Sinto o Futuro à nossa espera,
Vivo, na minha luta, o meu Amor!…
E sinto bem que a eterna Primavéra
A alcançaremos só por nossa Dor!
S√īfro! E no meu sofrer, nesta anciedade
Com que os meus olhos fitam o nascente,
Em devoção, em pranto, em claridade,
‚Äď Sonha o meu cora√ß√£o de combatente…

Sofrer, lutar, amar ‚Äď , vida completa,
Piedosa, humilde e s√≥ de Amor ungida ‚Äď
‚Äď Meu cora√ß√£o de amante e de Poeta
‚Äď Sente em si mesmo o cora√ß√£o da Vida!…
Sonho exaltado e puro, Amor t√£o grande,
Que me domina todo e me levanta
√Äs regi√Ķes em que o sentir se expande,

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A Curva dos Teus Olhos

A curva dos teus olhos d√° a volta ao meu peito
√Č uma dan√ßa de roda e de do√ßura.
Berço nocturno e auréola do tempo,
Se j√° n√£o sei tudo o que vivi
√Č que os teus olhos n√£o me viram sempre.

Folhas do dia e musgos do orvalho,
Hastes de brisas, sorrisos de perfume,
Asas de luz cobrindo o mundo inteiro,
Barcos de céu e barcos do mar,
Caçadores dos sons e nascentes das cores.

Perfume esparso de um manancial de auroras
Abandonado sobre a palha dos astros,
Como o dia depende da inocência
O mundo inteiro depende dos teus olhos
E todo o meu sangue corre no teu olhar.

Tradução de António Ramos Rosa

As Rosas

Rosas que desabrochais,
Como os primeiros amores,
Aos suaves resplendores
Matinais;

Em v√£o ostentais, em v√£o,
A vossa graça suprema;
De pouco vale; é o diadema
Da ilus√£o.

Em v√£o encheis de aroma o ar da tarde;
Em v√£o abris o seio √ļmido e fresco
Do sol nascente aos beijos amorosos;
Em vão ornais a fronte à meiga virgem;
Em v√£o, como penhor de puro afeto,
Como um elo das almas,
Passais do seio amante ao seio amante;
L√° bate a hora infausta
Em que é força morrer; as folhas lindas
Perdem o viço da manhã primeira,
As graças e o perfume.
Rosas que sois ent√£o? ‚Äď Restos perdidos,
Folhas mortas que o tempo esquece, e espalha
Brisa do inverno ou m√£o indiferente.

Tal é o vosso destino,
√ď filhas da natureza;
Em que vos pese à beleza,
Pereceis;
Mas, n√£o… Se a m√£o de um poeta
Vos cultiva agora, ó rosas,
Mais vivas, mais jubilosas,
Floresceis.

Nascente

Quando sinto de noite
o teu calor dormente
e devagar
para que n√£o despertes
digo: cedro azul,
terra vegetal,
ou só
amor, amor;
quando te acaricio
e devagar
para que n√£o despertes
tomo na m√£o direita
as duas fontes, iguais, da vida,
procuro a nascente
e adormeço
nela essa m√£o depositando.

A Ti

Como o sol nasce do monte
E todo o vale alumia,
Assim no meu horizonte
Nasceu teu olhar, um dia.

Nessa manh√£ cor-de-rosa,
Que dos teus olhos saía,
Tua voz melodiosa
Foi a voz da cotovia.

E logo na minha m√°goa,
Neste canteiro sem flor,
Brotou, qual nascente de √°gua,
O teu amor, meu Amor!

Ent√£o fez sol deslumbrante
Nos dias da minha vida:
J√° n√£o era a luz distante,
J√° n√£o a fonte escondida.

Nuvens, tormentas e dores,
Que enchiam meu coração,
Tudo se cobriu de flores,
A esse divino clar√£o!

E à luz que os teus olhos deram,
Como faróis redentores,
Mundos no mundo nasceram,
Do amor brotaram amores.

Três aves no nosso ninho
O enchem de um fulgor sagrado:
Já não és o sol sozinho,
Fizeste o céu estrelado!

Deus te proteja e te guarde,
Minha Mulher, minha Irm√£,
√ď minha Estrela da Tarde,
Minha Estrela da Manh√£!

Que Importa?…

Eu era a desdenhosa, a indif’rente.
Nunca sentira em mim o coração
Bater em violências de paixão
Como bate no peito à outra gente.

Agora, olhas-me tu altivamente,
Sem sombra de Desejo ou de emoção,
Enquanto a asa loira da ilus√£o
Dentro em mim se desdobra a um sol nascente.

Minh’alma, a pedra, transformou-se em fonte;
Como nascida em carinhoso monte
Toda ela é riso, e é frescura, e graça!

Nela refresca a boca um s√≥ instante…
Que importa?… Se o cansado viandante
Bebe em todas as fontes… quando passa?…

A Adoração dos Magos

Aquela noite a três
foi como desenhar a maçarico
numa chapa de ferro
um vento fóssil, um vítreo monograma,
o rasto ao exceder o voo de uma carriça
cativo flutua no vidro de uma jarra.
Suspensos percorriam na polpa da vertigem
léguas sobre o abismo.
Pendentes do zinco da manh√£
à espera do início
do seguinte espect√°culo
dispersaram o sémen
nas chaminés da noite leprosa.
Nos terraços da luta percorreram
as danças mais funestas da ternura.
Num combinar astuto de referências
abriram-se os portais
e despediram galopes penitentes
os animais libertos
das tecidas mans√Ķes.
O unic√≥rnio branco dep√īs sua cabe√ßa
nos braços da senhora,
compadecida dama,
e lhe tocou fiando suas l√£s
entre as unhas crivadas por metralha.
Sinto-lhes o assédio,
em cada joelho poisam
um queixo armadilhado,
a barba j√° cresceu desde o jantar.
¬ę√Č a adora√ß√£o dos magos¬Ľ – murmuras tu ‚Äď
fincando na ravina os dedos imanados
enquanto o tronco investe
a pele percorrida por venosas nascentes.
Olho por sobre um ombro
e surpreendo a treva
ofendida esgueirar-se
entre os dedos da porta.

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O Nascedouro do Espírito

Tudo o que aqui escrevo √© forjado no meu sil√™ncio e na penumbra. Vejo pouco, ou√ßo quase nada. Mergulho enfim em mim at√© o nascedouro do esp√≠rito que me habita. Minha nascente √© obscura. Estou escrevendo porque n√£o sei o que fazer de mim. Quer dizer: n√£o sei o que fazer com meu esp√≠rito. O corpo informa muito. Mas eu desconhe√ßo as leis do esp√≠rito: ele vagueia. Meu pensamento, com a enuncia√ß√£o das palavras mentalmente brotando, sem depois eu falar ou escrever ‚ÄĒ esse meu pensamento de palavras √© precedido por uma instant√Ęnea vis√£o, sem palavras, do pensamento ‚ÄĒ palavra que se seguir√°, quase imediatamente ‚ÄĒ diferen√ßa espacial de menos de um mil√≠metro. Antes de pensar, pois, eu j√° pensei.

Requiem para um Defunto Vulgar

Antoninho morreu. Seu corpo resignado
é como um rio incolor, regressando à nascente
num silêncio de espanto e mistério revelado.
Est√° ali – estando ausente.

Jaz de corpo inteiro e fato preto.
Ele, da cabeça aos pés,
trivial e completo,
estátua de proa e moço de convés.

Jaz como se dormisse (pelo menos
é o que dizem as velhas carpideiras).
Jaz imóvel, sem gestos, sem acenos.
Jaz morto de todas as maneiras.

Jaz morto de cansaço, de pobreza, de fome
(sobretudo, de fome). Jaz morto sem remédio.
√Č apenas, sobre um papel azul, um nome.
De ser mais qualquer coisa, a morte impede-o.

Jaz alheio a tudo à sua volta,
à grita dos parentes, companheiros,
como um cavalo à rédea solta
ou no mar largo, os r√°pidos veleiros.

Jaz in√ļtil, feio, pesado,
a colcha de crochet aconchega-o na cama.
Nunca esteve t√£o quente e animado.
Nunca foi t√£o menino de mama.

Os filhos olham-no e fazem contas cuidadosas:
padre, enterro, velório, certidão
de √≥bito… E discutem, com manhas de raposas,

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Estes Homens

estes homens
abrem as portas
do sol nascente

conhecem os íntimos latejos
da cal as soltas √°guas
os fermentos as uvas
os cílios discretos do pão

amam as urzes e as fontes
o suor dos fenos
a febre moira de um corpo
de mulher

estes homens
partem a pedra
com martelos de solid√£o
(os olhos abismados
nos goivos
da lonjura)

erguem as paredes
as janelas crepusculares
as asfaimadas antenas das cidades:
céu de cimento; baba remota
do cansaço

estes homens
tamisam cores: viajam nos navios
pescam no cisco das pérolas
do vidro
s√£o garimpeiros
de uma esponja
de coral

moldam nas forjas
as sílabas secretas
do ferro
afeiçoam os seixos e o linho
o bafo marítimo
das palavras

estes homens
dizem casa com dezembro
nas veias
ternura com a sede de uma seara
gr√°vida
assobiam comovidos contra as sombras
trazem na algibeira
o trevo rugoso das cantigas

estes homens:
guardadores de cabras
e de m√°goas
de espantos e revoltas
servos emigrantes
contrabandistas
soldados andarilhos do mar
carabineiros da m√° sorte
trepadores das sete colinas
oper√°rios
azeitoneiros
ratinhos
levantam por maio
os cantis do lume: voz de musgo
concha entreaberta
estes homens
(p√°tria viva;

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Soneto

Agora é tarde para novo rumo
Dar ao sequioso espírito; outra via
Não terei de mostrar-lhe e à fantasia
Além desta em que peno e me consumo.

Aí, de sol nascente a sol a prumo,
Deste ao declínio e ao desmaiar do dia,
Tenho ido empós do ideal que me alumia,
A lidar com o que é vão, é sonho, é fumo.

Aí me hei de ficar até cansado
Cair, inda abençoando o doce e amigo
Instrumento em que canto e a alma me encerra;

Abençoando-o por sempre andar comigo
E bem ou mal, aos versos me haver dado
Um raio do esplendor de minha terra.

Pai

Pai. A tarde dissolve-se sobre a terra, sobre a nossa casa. O c√©u desfia um sopro quieto nos rostos. Acende-se a lua. Transl√ļcida, adormece um sono c√°lido nos olhares. Anoitece devagar. Dizia nunca esquecerei, e lembro-me. Anoitecia devagar e, a esta hora, nesta altura do ano, desenrolavas a mangueira com todos os preceitos e, seguindo regras certas, regavas as √°rvores e as flores do quintal; e tudo isso me ensinavas, tudo isso me explicavas. Anda c√° ver, rapaz. E mostravas-me. Pai. Deixaste-te ficar em tudo. Sobrepostos na m√°goa indiferente deste mundo que finge continuar, os teus movimentos, o eclipse dos teus gestos. E tudo isto √© agora pouco para te conter. Agora, √©s o rio e as margens e a nascente; √©s o dia, e a tarde dentro do dia, e o sol dentro da tarde; √©s o mundo todo por seres a sua pele. Pai. Nunca envelheceste, e eu queria ver-te velho, velhinho aqui no nosso quintal, a regar as √°rvores, a regar as flores. Sinto tanta falta das tuas palavras. Orienta-te, rapaz. Sim. Eu oriento-me, pai. E fico. Estou. O entardecer, em vagas de luz, espraia-se na terra que te acolheu e conserva. Chora chove brilho alvura sobre mim.

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Retrato Ardente

Entre os teus l√°bios
é que a loucura acode
desce à garganta,
invade a √°gua.

No teu peito
é que o pólen do fogo
se junta à nascente,
alastra na sombra.

Nos teus flancos
é que a fonte começa
a ser rio de abelhas,
rumor de tigre.

Da cintura aos joelhos
é que a areia queima,
o sol é secreto,
cego o silêncio.

Deita-te comigo.
Ilumina meus vidros.
Entre l√°bios e l√°bios
toda a m√ļsica √© minha.

Ser Paulista

Ser paulista! é ser grande no passado
E inda maior nas glórias do presente!
√Č ser a imagem do Brasil sonhado,
E, ao mesmo tempo, do Brasil nascente.

Ser paulista! é morrer sacrificado
Por nossa terra e pela nossa gente!
√Č ter d√≥ das fraquezas do soldado
Tendo horror à filáucia do tenente.

Ser paulista! é rezar pelo Evangelho
De Rui Barbosa – o sacrossanto velho
Civilista imortal de nossa fé.

Ser paulistal em bras√£o e em pergaminho
√Č ser tra√≠do e pelejar sozinho,
√Č ser vencido, mas cair de p√©!