Passagens sobre Respostas

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Frases sobre respostas, poemas sobre respostas e outras passagens sobre respostas para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Hei-de Trazer-te Aqui

Hei-de trazer-te aqui para te mostrar
os pequenos barcos brancos
que levam o Ver√£o desenhado nas velas
e trazem no bojo a alegria dos arquipélagos
onde se ama sem azedume nem pressa.
Aqui, temos a ilus√£o breve
de que os dias sabem a pólen
e esvoaçam nas asas das abelhas
como cartas eternamente sem resposta.

Quanto à psicanálise, eis a doutrina por excelência corruptora da sacralidade: o modo pior de fazer perguntas; são perguntas destinadas a obter respostas.

Consertar a Porta de um Coração

Pode um carpinteiro consertar a porta de um coração? Não é pergunta que se faça, sobretudo num texto que pretende fingir-se poema; mas é nele que poderia ser encontrada uma resposta para a perplexidade dos sentimentos, anteriormente tímidos e recolhidos, que olham agora o escancarado exterior e tentam reconhecer o espaço aberto, a vegetação luxuriante e solar no imo da qual ainda receiam aventurar-se.

Cartas

Vou correndo busc√°-las – s√£o t√£o leves!
mas trazem a minha alma um grande encanto,
– por que as cartas que escreves custam tanto?
– por que demora tanto o que me escreves?

N√£o deves torturar-me assim, n√£o deves!
– Do teu sil√™ncio muita vez me espanto…
Mando-te longas cartas – e entretanto
como tuas respostas s√£o t√£o breves!…

Recebes cartas minhas todo dia,
e elas n√£o dizem tudo o que eu queria
mas falam-te de amor… de coisas belas!

Tuas cartas… Mas dou-te o meu perd√£o,
– que me importa afinal ter raz√£o,
se gosto tanto de esperar por elas!

Saberei Conquistá-la Através de Todos os Sacrifícios

Perdoe-me se me apaixonei a este ponto de si. Mas n√£o passarei daqui, nem ningu√©m me ver√°! Fechado num quarto da pousada, espero a sua resposta. Esperarei seis horas por umas linhas suas e depois volto para Paris. J√° nem sei viver, vagueio por a√≠, ferido de morte. Prefiro cansar-me em longos passeios a cavalo, a consumir-me na solid√£o, ou no meio de pessoas que deixaram de me entender… Ordene-me que parta e n√£o tornar√° a ser atormentada por um homem a quem um m√™s bastou para perder a raz√£o.
Muito gostaria de surpreender o seu primeiro pensamento ao acordar; n√£o posso descrever-lhe o reconhecimento que me enche o cora√ß√£o, este cora√ß√£o que reclama apenas a sua amizade, que saber√° conquist√°-la atrav√©s de todos os sacrif√≠cios, que √© completamente vosso at√© ao seu √ļltimo alento.
N√£o me conformo com a ideia de ser abandonado. O seu interesse √©-me mil vezes mais preciso do que a pr√≥pria vida, mas saberei moderar a express√£o dos meus sentimentos e n√£o terei outras aspira√ß√Ķes do que as que me forem permitidas; tamb√©m saberei esconder-lhe os meus temores; respeitarei o seu repouso – mas v√™-la-ei, e nunca mais haver√° felicidade na minha vida se n√£o puder consagrar-lha inteiramente.

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A vida é um ponto de interrogação. Cada ser humano, seja ele um intelectual ou iletrado, é uma grande pergunta em busca de uma grande resposta.

Comparação de Obras de Arte

√Ä quest√£o de saber se se devem ou n√£o fazer compara√ß√Ķes quando se observam diferentes obras de arte gostar√≠amos de dar a resposta que se segue. O conhecedor que tem forma√ß√£o adequada deve comparar: a ideia paira √† sua frente, apreendeu o conceito relativo ao que pode e ao que deve ser produzido. O amador, que √© apanhado ainda no trajecto da sua forma√ß√£o, s√≥ tem a ganhar se n√£o fizer compara√ß√Ķes e se observar em separado cada realiza√ß√£o: √© assim que o seu gosto e o seu sentido do geral se ir√£o formando a pouco e pouco. Quanto √† compara√ß√£o levada a cabo pelo n√£o iniciado √© apenas uma solu√ß√£o de facilidade que dispensa qualquer ju√≠zo.

O Significado da Vida

Terá a vida algum significado, algum sentido ou valor? A pergunta é: a vida, viver, terá algum propósito? Será que viver nos fará chegar, um dia, a algum lado? Viver é um meio. A meta, o objetivo, esse lugar muito distante situado algures, é o fim. E é esse fim que lhe confere sentido. Se não houver um fim, a vida não terá, certamente, sentido, e será preciso criar um Deus para lhe dar sentido.
Primeiro, foi preciso separar os fins dos meios. Isto divide a nossa mente. A nossa mente est√° sempre a perguntar porqu√™? Para qu√™? E tudo o que n√£o consegue dar uma resposta √† pergunta ¬ęPara qu√™?¬Ľ vai perdendo lentamente valor para n√≥s. Foi assim que o amor se tornou algo sem valor. Que sentido faz o amor? Onde poder√° levar-nos? Que alcan√ßaremos com ele? Chegaremos a alguma utopia, a algum para√≠so? √Č evidente que, encarado dessa maneira, o amor n√£o faz nenhum sentido. √Č v√£o.

Que sentido tem a beleza? Contemplamos um p√īr do sol e ficamos deslumbrados com a sua grande beleza, mas qualquer idiota pode perguntar-nos, ¬ęQue significa um p√īr do sol?¬Ľ, e n√£o teremos uma resposta para lhe dar.

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Para Além do Hoje

Cada vez mais se vive o momento. Fugimos do passado e temos medo do futuro, o que implica que somos forçados a viver um presente demasiado pequeno.

Os tempos de descanso devem ser ocasião de trabalho interior. Mas, vai sendo cada vez mais raro encontrar gente com memória, assim com também é raro encontrar pessoas com discernimento suficiente para se comprometerem em projetos a longo prazo.

Navega-se √† vista… sem riscos, sem sucessos nem fracassos… sem sentido. Vamos dando as respostas m√≠nimas ao mundo e aos outros, em vez de sermos protagonistas dos nossos sonhos e her√≥is apesar das nossas derrotas.
O passado e o futuro não são mentira. São partes da verdade. Sou o que fui e o que serei. Uma identidade que vive no tempo, uma coerência que se constrói através diferentes espaços e tempos, amando o que há de eterno em cada momento. Elevando o espírito acima da realidade concreta do mundo.

Uma exist√™ncia aut√™ntica ‚Äď uma vida com valor ‚Äď constr√≥i-se com uma estrutura s√≥lida, equilibrada e aberta a horizontes mais long√≠nquos em termos temporais. Um presente maior, com mais passado e mais futuro. Sermos quem somos, de olhos abertos.

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Sou eu próprio uma questão colocada ao mundo e devo fornecer minha resposta; caso contrário, estarei reduzido à resposta que o mundo me der

Há uma pergunta que me parece dever ser formulada e para a qual não creio que haja resposta: que motivo teria Deus para fazer o universo? Só para que num planeta pequeníssimo de uma galáxia pudesse ter nascido um animal determinado que iria ter um processo evolutivo que chegou a isto?

Cadê Eu?

Cadê eu? perguntava-me. E quem respondia era uma estranha que me dizia fria e categoricamente: tu és tu mesma. Aos poucos, à medida que deixei de me procurar fiquei distraída e sem intenção alguma. Eu sou hábil em formar teoria. Eu, que empiricamente vivo. Eu dialogo comigo mesma: exponho e me pergunto sobre o que foi exposto, eu exponho e contesto, faço perguntas a uma audiência invisível e esta me anima com as respostas a prosseguir. Quando eu me olho de fora para dentro eu sou uma casca de árvore e não a árvore. Eu não sentia prazer. Depois que eu recuperei meu contato comigo é que me fecundei e o resultado foi o nascimento alvoroçado de um prazer todo diferente do que chamam prazer.

Você sabe o que é o encanto? é ouvir um sim como resposta sem ter perguntado nada.

Conta Comigo Sempre

Conta comigo sempre. Desde a s√≠laba inicial at√© √† √ļltima gota de sangue. Venho do sil√™ncio incerto do poema e sou, umas vezes constela√ß√£o e outras vezes √°rvore, tantas vezes equil√≠brio, outras tantas tempestade. A nossa mem√≥ria √© um mist√©rio, recordo-me de uma m√ļsica maravilhosa que nunca ouvi, na qual consigo distinguir com clareza as flautas, os violinos, o obo√©.
O sonho √©, e ser√° sempre e apenas, dos vivos, dos que mastigam o p√£o amadurecido da d√ļvida e a carne deslumbrada das pupilas. Estou entre vazios e plenitudes, encho as m√£os com uma fragilidade que √© um p√°ssaro s√°bio e distra√≠do que se aninha no cora√ß√£o e se alimenta de amor, esse amor acima do desejo, bem acima do sofrimento.
Conta comigo sempre. Piso as mesmas pedras que tu pisas, ergo-me da face da mesma moeda em que te reconheço, contigo quero festejar dias antigos e os dias que hão-de vir, contigo repartirei também a minha fome mas, e sobretudo, repartirei até o que é indivisível. Tu sabes onde estou.
Sabes como me chamo. Estarei presente quando já mais ninguém estiver contigo, quando chegar a hora decisiva e não encontrares mais esperança, quando a tua antiga coragem vacilar.

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A Pergunta Limita a Resposta

Quando se faz uma pergunta dissemos j√° que nos interessamos por uma determinada quest√£o, limitamos j√° o campo da resposta. Que eu te pergunte, disseste-me tu, ¬ęest√° frio?¬Ľ, e nada se poder√° dizer sen√£o referente ao frio. N√£o se poder√° responder por exemplo que a arte √© bela ou que a Terra √© redonda. √Č por isso que √© suspeito para um ateu que se pergunte se Deus existe; como seria ofensivo perguntar-se a algu√©m se a mulher o atrai√ßoa… Mesmo que a resposta dissesse ¬ęn√£o¬Ľ, a pergunta, s√≥ por si, j√° de algum modo tinha dito ¬ęsim¬Ľ.

A Distração e a Categorização da Vida

Mas tu, meu amgo, onde est√°s? Sobre a tua sorte, quanta coisa fascinante e absurda imagin√°mos! No entanto, tudo isso que imagin√°mos, v√™ tu, quantas vezes o n√£o foi tanto como resposta para as nossas interroga√ß√Ķes, como um motivo para nos distrairmos mais ainda… Porque a distrac√ß√£o √© a parte mais rebelde e a mais insidiosa da nossa condi√ß√£o. Ela infilta-se-nos n√£o apenas no nosso consentimento, nas tr√©guas que nos damos, mas at√© mesmo no que √© uma conquista da nossa rara grandeza.

A arte, o hero√≠smo, a pr√≥pria evid√™ncia da vertigem, do milagre, os sonhos da reden√ß√£o e da nobreza, tudo o que √© da nossa profunda unidade, um nada o reabsorve em solidez, em moeda de compra-e-venda para a transaccionarmos com os outros no mercado da vaidade, do passatempo, na grande feira da vida. H√° uma dist√Ęncia infinita entre a apari√ß√£o da verdade, a imediata evid√™ncia de seja o que for, e at√© mesmo o seu reconhecimento: quando olhamos a evid√™ncia pela segunda vez, j√° ela est√° alinhada, classificada, endurecida entre as coisas que nos cercam. Eis porque n√≥s ignoramos ou esquecemos depressa a face do que h√° de estranho nos factos mais banais: no da vida,

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√Č mais f√°cil avaliar do esp√≠rito de qualquer pessoa pelas suas perguntas do que pelas suas respostas.

Invenção de Respostas Fáceis

As coisas familiares, t√£o redut√≠veis e manuse√°veis, imediatamente regressam ao indiz√≠vel e insond√°vel, se as mantivermos sob o fogo do ¬ęporqu√™¬Ľ. √Č um porqu√™ inocente e por isso as crian√ßas o conhecem. √Č uma interroga√ß√£o elementar e por isso ela √© a primeira. E o que responde a esse questionar n√£o √© a resposta – que a n√£o h√° – mas as m√ļltiplas formas da tranquilidade que identificamos com a sensatez. Essa a nossa virtude de adultos e que as crian√ßas aprendem na aprendizagem de adultos. E uma das formas da sensatez √© a integra√ß√£o no mundo da positividade do mundo que se lhe furta. √Ä interroga√ß√£o a que se n√£o responde inventamos uma resposta, condensando a interroga√ß√£o em pergunta.