Cita√ß√Ķes sobre Conveni√™ncia

41 resultados
Frases sobre conveni√™ncia, poemas sobre conveni√™ncia e outras cita√ß√Ķes sobre conveni√™ncia para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Venda da Alma e Venda do Corpo

N√£o s√≥ as mulheres que casam sem amor, mas apenas por conveni√™ncia; n√£o s√≥ as esposas que continuam a comer o p√£o daquele que j√° n√£o amam e enganam; n√£o s√≥ as mulheres se prostituem. √Č prostituto o escritor que coloca a pena ao servi√ßo das ideias em que n√£o cr√™; o advogado que defende causas que reconhece injustas; quem finge a ades√£o aos mitos e interesses dos poderosos para obter recompensas materiais e morais; o actor e o bobo que se exp√Ķem diante dos idiotas pagantes para arrecadar aplausos e dinheiro; o poeta que abre aos estranhos os segredos da sua alma, amores e melancolias, para obter em compensa√ß√£o um pouco de fama, de dinheiro ou de compaix√£o; e, acima de tudo, √© prostituto o pol√≠tico, o demagogo, o tribuno que todos devem acariciar, seduzir, a todos promete favores e felicidade e a todos se entrega por amor √† popularidade – justamente chamado homem p√ļblico, quase irm√£o de toda a mulher p√ļblica.
Mas quem de entre n√≥s, pelo menos um dia da sua vida, n√£o simulou um sentimento que n√£o tinha e um entusiasmo que n√£o sentia e repetiu uma opini√£o falsa para obter compensa√ß√Ķes, cumplicidades, sorrisos ou benef√≠cios?

Continue lendo…

E que me restar√°… se me desprezar a mim mesmo? Fui ambicioso e n√£o quero absolutamente censurar-me por isso; agi, ent√£o segundo as conveni√™ncias da √©poca. Agora vivo o dia-a-dia. Mas √† vista do mundo, eu me sentiria muito infeliz, se ca√≠sse em alguma covardia.

O Conceito de Nós Próprios

Cada homem, desde que sai da nebulose da inf√Ęncia e da adolesc√™ncia, √© em grande parte um produto do seu conceito de si mesmo. Pode dizer-se sem exagero mais que verbal, que temos duas esp√©cies de pais: os nossos pais, propriamente ditos, a quem devemos o ser f√≠sico e a base heredit√°ria do nosso temperamento; e, depois, o meio em que vivemos, e o conceito que formamos de n√≥s pr√≥prios – m√£e e pai, por assim dizer, do nosso ser mental definitivo.
Se um homem criar o h√°bito de se julgar inteligente, n√£o obter√° com isso, √© certo, um grau de intelig√™ncia que n√£o tem; mas far√° mais da intelig√™ncia que tem do que se julgar est√ļpido. E isto, que se d√° num caso intelectual, mais marcadamente se d√° num caso moral, pois a plasticidade das nossas qualidades morais √© muito mais acentuada que a das faculdades da nossa mente.
Ora, ordinariamente, o que é verdade da psicologia individual Рabstraindo daqueles fenómenos que são exclusivamente individuais Рé também verdade da psicologia colectiva. Uma nação que habitualmente pense mal de si mesma acabará por merecer o conceito de si que anteformou. Envenena-se mentalmente.
O primeiro passo passou para uma regeneração,

Continue lendo…

Os Supermercados

Os supermercados s√£o os pal√°cios dos pobres. N√£o s√£o s√≥ os azarentos e os mal alojados, os que ao longo das gera√ß√Ķes foram reduzindo os gastos da imagina√ß√£o, que frequentam e, de certo modo, vivem o supermercado, as chamadas grandes superf√≠cies. As grandes superf√≠cies com a sua √°rea iluminada e sempre em festa; a concentra√ß√£o dos prazeres correntes, como a alimenta√ß√£o e a imagem oferecida pelo cinema, satisfazem as pequenas ambi√ß√Ķes do quotidiano. N√£o h√° euforia mas h√° um sentimento de parentesco face √†s limita√ß√Ķes de cada um. A chuva e o calor s√£o poupados aos passeantes; a comida ligeira confina com a dieta dos adolescentes; h√° uma emo√ß√£o pr√≥pria que paira nas naves das grandes superf√≠cies. S√£o as catedrais da conveni√™ncia, d√£o a ilus√£o de que o sol quando nasce √© para todos e que a cultura e a seguran√ßa est√£o ao alcance das pequenas bolsas. N√£o h√° pol√≠cia, h√° uma paz de transeunte que a cidade j√° n√£o oferece.

A Força Criadora

O maior m√©rito do homem consiste sem d√ļvida em determinar tanto quanto poss√≠vel as circunst√Ęncias e em deixar-se determinar por elas t√£o pouco quanto poss√≠vel. Todo o universo est√° perante n√≥s como uma grande pedreira perante o arquitecto, o qual s√≥ merece esse nome se com a maior economia, conveni√™ncia e solidez constituir, a partir dessas massas acidentalmente acumuladas pela Natureza, o prot√≥tipo nascido no seu esp√≠rito. Fora de n√≥s, tudo √© apenas elemento. Sim, at√© posso dizer: tudo o que h√° em n√≥s tamb√©m. Mas no fundo de n√≥s pr√≥prios encontra-se essa for√ßa criadora que nos permite produzir aquilo que tem de ser e que n√£o nos deixa descansar, nem repousar, enquanto n√£o o tivermos realizado, de uma maneira ou de outra, fora de n√≥s ou em n√≥s.

Há mulheres vaidosas Рdeixem-me assim dizer Рda fidalguia do seu sofrer. Risonhas para o mundo, é muito sublime aquela angustia represada que só pode extravasar os sobejos do seu fel em uma carta anónima. Lagrimosas para si, e fechadas no círculo estreito, que a sociedade lhes traça com o compasso inexorável das conveniências, essas sim, são duas vezes anjos despenhados.

A Amizade como Auxiliar da Virtude

A maioria dos homens, na sua injusti√ßa, para n√£o dizer na sua imprud√™ncia, quer possuir amigos tais como eles pr√≥prios n√£o seriam. Exigem o que n√£o t√™m. O que √© justo √© que, primeiro, sejamos homens de bem e em seguida procuremos o que nos pare√ßa s√™-lo. S√≥ entre homens virtuosos se pode estabelecer esta conveni√™ncia em amizade, sobre a qual insisto h√° muito tempo. Unidos pela benevol√™ncia, guiar-se-√£o nas paix√Ķes a que se escravizam os outros homens. Amar√£o a justi√ßa e a equidade. Estar√£o sempre prontos a tudo empreender uns pelos outros, e n√£o se exigir√£o reciprocamente nada que n√£o seja honesto e leg√≠timo. Enfim, ter√£o uns para os outros, n√£o somente defer√™ncias e ternuras, mas, tamb√©m, respeito. Eliminar o respeito da amizade √© podar-lhe o seu mais belo ornamento.
√Č pois erro funesto crer que a amizade abre via livre √†s paix√Ķes e a todos os g√©neros de desordens. A natureza deu-nos a amizade, n√£o como cumplice do v√≠cio, mas como auxiliar da virtude.
A fim de que a virtude, que, sozinha, não poderia chegar ao ápice, pudesse atingi-lo com o auxílio e o apoio de tal companhia. Aqueles para quem esta aliança existe, existiu ou existirá,

Continue lendo…

O Provincianismo Português (II)

Se fosse preciso usar de uma s√≥ palavra para com ela definir o estado presente da mentalidade portuguesa, a palavra seria “provincianismo”. Como todas as defini√ß√Ķes simples esta, que √© muito simples, precisa, depois de feita, de uma explica√ß√£o complexa. Darei essa explica√ß√£o em dois tempos: direi, primeiro, a que se aplica, isto √©, o que deveras se entende por mentalidade de qualquer pa√≠s, e portanto de Portugal; direi, depois, em que modo se aplica a essa mentalidade.
Por mentalidade de qualquer pa√≠s entende-se, sem d√ļvida, a mentalidade das tr√™s camadas, organicamente distintas, que constituem a sua vida mental ‚ÄĒ a camada baixa, a que √© uso chamar povo; a camada m√©dia, a que n√£o √© uso chamar nada, excepto, neste caso por engano, burguesia; e a camada alta, que vulgarmente se designa por escol, ou, traduzindo para estrangeiro, para melhor compreens√£o, por elite.
O que caracteriza a primeira camada mental é, aqui e em toda a parte, a incapacidade de reflectir. O povo, saiba ou não saiba ler, é incapaz de criticar o que lê ou lhe dizem. As suas ideias não são actos críticos, mas actos de fé ou de descrença, o que não implica, aliás,

Continue lendo…

√Č a Conformidade que Torna a Conviv√™ncia Agrad√°vel

Aqueles que se contentam em recitar os antigos n√£o tornam a sociedade mais √°gil. Mas, quando se busca e se diz uma quantidade de coisas que n√£o prov√©m de quem quer que seja, √© poss√≠vel ao menos encontrar alguma que a sociedade n√£o sabia. Pois √© um grande erro imaginar que n√£o se pode dizer nada que n√£o tenha sido dito. (…) Estraga-se frequentemente aquilo que se deseja muito polir e muito embelezar. O meio de evitar esse inconveniente, tanto para bem escrever como para bem falar, √© ter ainda mais cuidado com a simplicidade do que com a perfei√ß√£o das coisas.
O ar nobre e natural √© o principal atractivo da eloqu√™ncia, e entre a gente da sociedade, o que prov√©m do estudo √© quase sempre mal acolhido. Deve-se at√© mesmo conter o esp√≠rito em muitas ocasi√Ķes, e evitar o que se sabe de maior valor. Admiramos facilmente as coisas que est√£o acima de n√≥s, e que perdemos de vista; mas apenas as amamos raramente, e isso √© o que importa. Os animais buscam apenas os animais da sua esp√©cie, e n√£o seguem os mais perfeitos. √Č a conformidade que torna a conviv√™ncia agrad√°vel, e que faz amar com uma afei√ß√£o rec√≠proca.

Continue lendo…

O Homem Superior

O maior triunfo do homem é quando se convence de que o ridículo é uma cousa sua que existe só para os outros, e, mesmo, sempre que outros queiram. Ele então deixa de importar-se com o ridículo, que, como não está em si, ele não pode matar.
Tr√™s cousas tem o homem superior que ensinar-se a esquecer para que possa gozar no perfeito silencio a sua superioridade ‚ÄĒ o ridiculo, o trabalho e a dedica√ß√£o.
Como n√£o se dedica a ningu√©m, tamb√©m nada exige da dedica√ß√£o alheia. S√≥brio, casto, frugal, tocando o menos poss√≠vel na vida, tanto para n√£o se incomodar como para n√£o approximar as cousas de mais, a ponto de destruir nelas a capacidade de serem sonhadas, ele isola-se por conveni√™ncia do orgulho e da desillus√£o. Aprende a sentir tudo sem o sentir directamente; porque sentir directamente √© submeter-se ‚ÄĒ submeter-se √† ac√ß√£o da cousa sentida.
Vive nas dores e nas alegrias alheias, Whitman ol√≠mpico, Proteu da compreens√£o, sem partilhar de viv√™-las realmente. Pode, a seu talante, embarcar ou ficar nas partidas de navios ‚ÄĒ e pode ficar e embarcar ao mesmo tempo, porque n√£o embarca nem fica. Esteve com todos em todas as sensa√ß√Ķes de todas as horas da sua vida.

Continue lendo…

Tudo quanto utilizais além das necessidades e das conveniências do vosso estado é uma desumanidade e um roubo que cometeis contra os pobres.

Formar Conceito

Formar conceito, e mais do que mais importa. Por não pensarem perdem-se todos os néscios: nunca concebem nas coisas nem a metade; e, como não percebem o dano nem a conveniência, tampouco aplicam a diligência. Alguns fazem muito caso do que pouco importa, e pouco caso do que importa muito, ponderando sempre às avessas. Muitos, por serem faltos de senso, não o perdem. Coisas há que se deveriam observar com todo o empenho, e conservar na profundidade da mente. O sábio forma conceito de tudo, ainda que, discernindo, cave onde haja fundo e reparo, pensando às vezes que haja mais do que pensa; de tal sorte que a reflexão chega aonde não chegou a apreensão.

Para aqueles que n√£o s√£o capazes de crer, existem os ritos; para aqueles que n√£o s√£o capazes de inspirar respeito por si mesmos, existe a etiqueta; para aqueles que n√£o se sabem vestir, existe a moda; para aqueles que n√£o sabem criar, existem as conven√ß√Ķes e os clich√©s. √Č por isso que os burocratas amam os cerimoniais; os padres, os ritos; os pequeno-burgueses, as conveni√™ncias sociais; os galanteadores, a moda; e os actores, as conven√ß√Ķes teatrais, os estere√≥tipos e um inteiro ritual de ac√ß√Ķes c√©nicas.

Respeitar tratados e convênios não é questão de direito, é questão de conveniência.

Não há Sabedoria sem Esforço

Certos v√≠cios, temos o h√°bito de atribu√≠-los aos condicionalismos do lugar e do tempo, mas o certo √© que, para onde quer que vamos, esses v√≠cios nos acompanham. (…) Para qu√™ iludirmo-nos? O nosso mal n√£o vem do exterior, est√° dentro de n√≥s, enraizado nas nossas v√≠sceras, e, como ignoramos o mal de que sofremos, s√≥ com dificuldade recuperamos a sa√ļde. E mesmo que j√° tenhamos iniciado o tratamento, quando nos ser√° poss√≠vel levar de vencida a enorme virul√™ncia de t√£o numerosas enfermidades? Nem sequer solicitamos a presen√ßa do m√©dico, quando afinal √© mais f√°cil tratar uma doen√ßa ainda no in√≠cio. Almas ainda frescas e inexperientes obedecem sem tardar a quem lhes indique o justo caminho. S√≥ √© dif√≠cil reconduzir √† via da natureza quem deliberadamente dela se apartou. Parece que temos vergonha de aprender a sabedoria! Pelos deuses, se acharmos que √© vergonhoso buscar um mestre, ent√£o podemos perder a esperan√ßa de obter as vantagens da sabedoria por obra do acaso. A sabedoria s√≥ se obt√©m pelo esfor√ßo.
Para dizer a verdade, nem sequer é necessário grande esforço se, como disse, começarmos a formar e a corrigir a nossa alma antes que as más tendências cristalizem. Mas mesmo já empedernidas,

Continue lendo…

Alma e Realidade, Duas Paisagens Sobrepostas

1 РEm todo o momento de actividade mental acontece em nós um duplo fenómeno de percepção: ao mesmo tempo que tempos consciência de um estado de alma, temos diante de nós, impressionando-nos os sentidos que estão virados para o exterior, uma paisagem qualquer, entendendo por paisagem, para conveniência de frases, tudo o que forma o mundo exterior num determinado momento da nossa percepção.
2 – Todo o estado de alma √© uma passagem. Isto √©, todo o estado de alma √© n√£o s√≥ represent√°vel por uma paisagem, mas verdadeiramente uma paisagem. H√° em n√≥s um espa√ßo interior onde a mat√©ria da nossa vida f√≠sica se agita. Assim uma tristeza √© um lago morto dentro de n√≥s, uma alegria um dia de sol no nosso esp√≠rito. E – mesmo que se n√£o queira admitir que todo o estado de alma √© uma paisagem – pode ao menos admitir-se que todo o estado de alma se pode representar por uma paisagem. Se eu disser “H√° sol nos meus pensamentos”, ningu√©m compreender√° que os meus pensamentos s√£o tristes.
3 РAssim, tendo nós, ao mesmo tempo, consciência do exterior e do nosso espírito, e sendo o nosso espírito uma paisagem,

Continue lendo…