Cita√ß√Ķes sobre Dados

321 resultados
Frases sobre dados, poemas sobre dados e outras cita√ß√Ķes sobre dados para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Criador de anarquias sempre me pareceu o papel digno de um intelectual Рdado que a inteligência desintegra e a análise estiola.

Bem Invulgar

Um homem a quem √© dado possuir um bem invulgar n√£o pode considerar-se um homem vulgar. Cada um √© tal qual os bens que possui. Um cofre vale pelo que tem l√° dentro, melhor dizendo, o cofre √© um mero acess√≥rio do conte√ļdo. Imaginemos um saco cheio de dinheiro: que outro valor lhe atribuimos al√©m do valor das moedas nele contidas? O mesmo se verifica com os donos de grandes patrim√≥nios: n√£o passam de simples acess√≥rios, de suplementos. A raz√£o de o s√°bio ser grande est√° na grande alma que possui. Por conseguinte, √© verdade que tudo quanto est√° ao alcance do mais desprez√≠vel dos homens n√£o deve ser considerado um bem.

O Existencialista

Dostoievski escreveu: ¬ęSe Deus n√£o existisse, tudo seria permitido¬Ľ. A√≠ se situa o ponto de partida do existencialismo. Com efeito, tudo √© permitido se Deus n√£o existe , fica o homem, por conseguinte , abandonado, j√° que n√£o encontra em si, nem fora de si, uma possibilidade a que se apegue. Antes de mais nada, n√£o h√° desculpas para ele. Se, com efeito, a exist√™ncia precede a ess√™ncia, n√£o ser√° nunca poss√≠vel referir uma explica√ß√£o a uma natureza humana dada e imut√°vel; por outras palavras, n√£o h√° determinismo, o homem √© livre, o homem √© liberdade. Se, por outro lado, Deus n√£o existe, n√£o encontramos diante de n√≥s valores ou imposi√ß√Ķes que nos legitimem o comportamento. Assim, n√£o temos nem atr√°s de n√≥s, nem diante de n√≥s, no dom√≠nio luminoso dos valores, justifica√ß√Ķes ou desculpas. Estamos s√≥s e sem desculpas. √Č o que traduzirei dizendo que o homem est√° condenado a ser livre. Condenado, porque n√£o se criou a si pr√≥prio; e no entanto livre, porque uma vez lan√ßado ao mundo, √© respons√°vel por tudo quanto fizer. O existencialista n√£o cr√™ na for√ßa da paix√£o. N√£o pensar√° nunca que uma bela paix√£o √© uma torrente devastadora que conduz fatalmente o homem a certos actos e que por conseguinte,

Continue lendo…

Soneto VIII – O Tempo

Deus pede estrita conta de meu tempo,
√Č for√ßoso do tempo j√° dar conta;
Mas, como dar sem tempo tanta conta,
Eu que gastei sem conta tanto tempo?

Para ter minha conta feita a tempo
Dado me foi bem tempo e n√£o foi conta.
N√£o quis sobrando tempo fazer conta,
Quero hoje fazer conta e falta tempo.

Oh! vós que tendes tempo sem ter conta
N√£o gasteis esse tempo em passatempo:
Cuidai enquanto é tempo em fazer conta.

Mas, oh! se os que contam com seu tempo
Fizessem desse tempo alguma conta,
N√£o choravam como eu o n√£o ter tempo.

N√£o Podemos Ter a Certeza de Nada

Somos todos iguais na fragilidade com que percebemos que temos um corpo e ilus√Ķes. As ambi√ß√Ķes que demor√°mos anos a acreditar que alcan√ß√°vamos, a pouco e pouco, a pouco e pouco, n√£o s√£o nada quando vistas de uma perspectiva apenas ligeiramente diferente. Daqui, de onde estou, tudo me parece muito diferente da maneira como esse tudo √© visto da√≠, de onde est√°s. Depois, h√° os olhos que est√£o ainda mais longe dos teus e dos meus. Para esses olhos, esse tudo √© nada. Ou esse tudo √© ainda mais tudo. Ou esse tudo √© mil coisas vezes mil coisas que nos s√£o imposs√≠veis de compreender, apreender, porque s√≥ temos uma √ļnica vida.
‚ÄĒ Porqu√™, pai?
‚ÄĒ N√£o sei. Mas creio que √© assim. S√≥ temos uma √ļnica vida. E foi-nos dado um corpo sem respostas. E, para nos defendermos dessa indefini√ß√£o, transform√°mos as certezas que constru√≠mos na nossa pr√≥pria biologia. Fomos e somos capazes de acreditar que a nossa exist√™ncia dependia delas e que n√£o ser√≠amos capazes de continuar sem elas. Aquilo em que queremos acreditar corre no nosso sangue, √© o nosso sangue. Mas, em consci√™ncia absoluta, n√£o podemos ter a certeza de nada. Nem de nada de nada,

Continue lendo…

Existe um √≥dio √† mentira e √† simula√ß√£o nascido de um conceito irrit√°vel de honra; existe um √≥dio similar nascido da cobardia, dado que a mentira est√° ¬ęproibida¬Ľ por um mandamento divino. Demasiado cobardes para mentir…

O Paradoxo da Representação da Realidade

Farei, por√©m, um esfor√ßo para vos dar aquela realidade que voc√™s julgam ter, ou seja, esfor√ßar-me-ei por vos querer em mim como voc√™s se querem. J√° sabemos que n√£o √© poss√≠vel, dado que, por mais esfor√ßos que eu fa√ßa para vos representar √† vossa maneira, ser√° sempre ¬ę√† vossa maneira¬Ľ apenas para mim, n√£o ¬ę√† vossa maneira¬Ľ para voc√™s e para os outros.
Mas desculpem: se para voc√™s eu n√£o tenho outra realidade fora daquela que voc√™s me d√£o, e estou pronto a reconhecer e a admitir que essa n√£o √© menos verdadeira que a que eu poderei dar a mim mesmo, que essa, para voc√™s, √© a √ļnica verdadeira (e sabe Deus a realidade que voc√™s me d√£o!), v√£o lamentar-se agora da realidade que eu lhes darei, esfor√ßando-me, com toda a boa vontade, por vos representar √† vossa maneira tanto quanto me seja poss√≠vel?
N√£o presumo que voc√™s sejam como eu vos represento. J√° disse que voc√™s tamb√©m n√£o s√£o aquele um tal como o representam para voc√™s pr√≥prios, mas muitos ao mesmo tempo, segundo todas as vossas possibilidades de ser e os acasos, as rela√ß√Ķes e as circunst√Ęncias. Ent√£o, que mal √© que eu vos fiz?

Continue lendo…

√Č melhor confiar no apoio dado livremente pelas pessoas; de contr√°rio, esse apoio √© fraco e fugaz. A organiza√ß√£o deve ser um porto de abrigo, n√£o uma pris√£o.

As Janelas da Memória

A mem√≥ria humana n√£o √© lida globalmente, como a mem√≥ria dos computadores, mas por √°reas espec√≠ficas a que chamo de janelas. Atrav√©s das janelas vemos, reagimos, interpretamos… Quantas vezes tentamos lembrar-nos de algo que n√£o nos vem √† ideia? Nesse caso, a janela permaneceu fechada ou inacess√≠vel.

A janela da mem√≥ria √©, portanto, um territ√≥rio de leitura num determinado momento existencial. Em cada janela pode haver centenas ou milhares de informa√ß√Ķes e experi√™ncias. O maior desafio de uma mulher, e do ser humano em geral, √© abrir o m√°ximo de janelas em cada situa√ß√£o. Se ela abre diversas janelas, poder√° dar respostas inteligentes. Se as fecha, poder√° dar respostas inseguras, med√≠ocres, est√ļpidas, agressivas. Somos mais instintivos e animalescos quando fechamos as janelas, e mais racionais quando as abrimos.

O mundo dos sentimentos possui as chaves para abrir as janelas. O medo, a tens√£o, a ang√ļstia, o p√Ęnico, a raiva e a inveja podem fech√°-las. A tranquilidade, a serenidade, o prazer e a afetividade podem abri-las. A emo√ß√£o pode fazer os intelectuais reagirem como crian√ßas agressivas e as pessoas simples reagirem como elegantes seres humanos. Sob um foco de tens√£o, como perdas e contrariedades, uma mulher serena pode ficar irreconhec√≠vel.

Continue lendo…

Eu também sou razoavelmente virtuoso. Ainda assim, posso acusar a mim mesmo de tais coisas que talvez fosse melhor minha mãe não me ter dado à luz.

A Imaginação é a Base do Homem

De tal modo a imagina√ß√£o √© a base do homem ‚ÄĒ Joana de novo ‚ÄĒ que todo o mundo que ele tem constru√≠do encontra sua justificativa na beleza da cria√ß√£o e n√£o na sua utilidade, n√£o em ser o resultado de um plano de fins adequados √†s necessidades. Por isso √© que vemos multiplicarem-se os rem√©dios destinados a unir o homem √†s ideias e institui√ß√Ķes existentes ‚ÄĒ a educa√ß√£o, por exemplo, t√£o dif√≠cil ‚ÄĒ e vemo-lo continuar sempre fora do mundo que ele construiu. O homem levanta casas para olhar e n√£o para nelas morar. Porque tudo segue o caminho da inspira√ß√£o. O determinismo n√£o √© um determinismo de fins, mas um estreito determinismo de causas. Brincar, inventar, seguir a formiga at√© seu formigueiro, misturar √°gua com cal para ver o resultado, eis o que se faz quando se √© pequeno e quando se √© grande. √Č erro considerar que chegamos a um alto grau de pragmatismo e materialismo. Na verdade o pragmatismo ‚ÄĒ o plano orientado para um dado fim real ‚ÄĒ seria a compreens√£o, a estabilidade, a felicidade, a maior vit√≥ria de adapta√ß√£o que o homem conseguisse. No entanto fazer as coisas ¬ępara qu√™¬Ľ parece-me, perante a realidade,

Continue lendo…

Nos foram dadas duas pernas para andar, as duas mãos para segurar, dois ouvidos para ouvir, dois olhos para ver; mas por que só um coração? Porque o outro foi dado a alguém para nos encontrar.

Vimos do Tempo da Falta Mínima

Vimos do tempo da falta mínima
da casa construindo as folhas de quadrícula
(quando um traço mais que expressivo preenche
o vazio de uma folha)
nem beleza nem fim
nem n√ļmero ordenador como fantasma.

Todas as memórias partilhámos
a ruína compreende tudo.
Compreender quer dizer abraçar
(linhas e cruzamentos na procura da folha)
o mundo inteiro nos é dado.

Mais tarde (mais além
dois furos a passagem para o √ļtil)
as dunas dar√£o lugar a campos cultivados?
Quero dizer
não rejeito do movimento toda a impaciência
toda a dissolução.
(pouco a pouco) Até onde podemos ir?

S√≥ o primeiro passo √© que custa. Mas depois do primeiro passo dado, o segundo √© o primeiro depois desse. √Č bom reparar nisto e n√£o dar passo nenhum… Todos custam.

Escrever é Esquecer

Escrever √© esquecer. A literatura √© a maneira mais agrad√°vel de ignorar a vida. A m√ļsica embala, as artes visuais animam, as artes vivas (como a dan√ßa e o representar) entret√™m. A primeira, por√©m, afasta-se da vida por fazer dela um sono; as segundas, contudo, n√£o se afastam da vida – umas porque usam de f√≥rmulas vis√≠veis e portanto vitais, outras porque vivem da mesma vida humana.
Não é o caso da literatura. Essa simula a vida. Um romance é uma história do que nunca foi e um drama é um romance dado sem narrativa. Um poema é a expressão de ideias ou de sentimentos em linguagem que ninguém emprega, pois que ninguém fala em verso.

Originalidade Verdadeira e Originalidade Falseada

Em Arte, √© vivo tudo o que √© original. √Č original tudo o que prov√©m da parte mais virgem, mais verdadeira e mais √≠ntima duma personalidade art√≠stica. A primeira condi√ß√£o duma obra viva √© pois ter uma personalidade e obedecer-lhe. Ora como o que personaliza um artista √©, ao menos superficialmente, o que o diferencia dos demais, (artistas ou n√£o) certa sinon√≠mia nasceu entre o adjectivo original e muitos outros, ao menos superficialmente aparentados; por exemplo: o adjectivo exc√™ntrico, estranho, extravagante, bizarro… Eis como √© falsa toda a originalidade calculada e astuciosa.
Eis como tamb√©m pertence √† literatura morta aquela em que um autor pretende ser original sem personalidade pr√≥pria. A excentricidade, a extravag√Ęncia e a bizarria podem ser poderosas – mas s√≥ quando naturais a um dado temperamento art√≠stico. Sobre outras qualidades, o produto desses temperamentos ter√° o encanto do raro e do imprevisto. Afectadas, semelhantes qualidades n√£o passar√£o dum truque liter√°rio.

Ser Marginal

Ser marginal. N√£o ser fora-da-lei por desprezo da norma comum. Por amoralidade, miserabilismo, ou abjec√ß√£o. Ser apenas do lado da vida em que n√£o passa muita gente, se √© quase an√≥nimo, fora do alvo que √© visado pela notoriedade, curiosidade p√ļblica, grande reputa√ß√£o. Ser em humildade, na discri√ß√£o de n√≥s, na curta dimens√£o de n√≥s. N√£o √© por comodismo, orgulhosa mod√©stia, ressentimento. N√£o por nada disso ou outras coisas disso, mas s√≥ para nos n√£o perdermos de n√≥s, n√£o nos esbanjarmos na invas√£o da dissipa√ß√£o alheia. N√£o por nada disso mas s√≥ pela economia do pouco que nos pertence e mal d√° para abastecer uma vida. Ser marginal – s√™ marginal. Afecta a ti pr√≥prio o espa√ßo que √© para ti e para ti te foi dado. Na intimidade de ti, na reserva de ti, na pobreza de ti. O mais que viesse e te invadisse o teu espa√ßo, que √© que te dava? A amplia√ß√£o do teu rumor na amplifica√ß√£o alheia dele, seria alheio e n√£o teu. A tua voz √© breve, n√£o a amplies ao que n√£o √©. E o teu pensar, o teu sentir, o teu ser. N√£o os sejas mais do que √©s. E ent√£o verdadeiramente ser√°s.

Continue lendo…