Cita√ß√Ķes sobre Ditadura

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Sim o tempo reina; ele retomou sua brutal ditadura. E est√°-me empurrando, como se eu fosse um boi, com seu duplo aguilh√£o: Vai, anda, burrico! Vai, sua, escravo! Vai, vive, maldito!

O Autofagismo do Meio Urbano

O momento presente √© o momento do autofagismo do meio urbano. O rebentar das cidades sobre campos recobertos de ¬ęmassas informes de res√≠duos urbanos¬Ľ (Lewis Mumford) √©, de um modo imediato, presidido pelos imperativos do consumo. A ditadura do autom√≥vel, produto-piloto da primeira fase da abund√Ęncia mercantil, estabeleceu-se na terra com a prevalesc√™ncia da auto-estrada, que desloca os antigos centos e exige uma dispers√£o cada vez maior. Ao passo que os momentos de reorganiza√ß√£o incompleta do tecido urbano polarizam-se passageiramente em torno das ¬ęf√°bricas de distribui√ß√£o¬Ľ que s√£o os gigantescos supermercados, geralmente edificados em terreno aberto e cercados por um estacionamento; e estes templos de consumo precipitado est√£o, eles pr√≥prios, em fuga num movimento centr√≠fugo, que os repele √† medida que eles se tornam, por sua vez, centros secund√°rios sobrecarregados, porque trouxeram consigo uma recimposi√ß√£o parcial da aglomera√ß√£o. Mas a organiza√ß√£o t√©cnica do consumo n√£o √© outra coisa sen√£o o arqu√©tipo da dissolu√ß√£o geral que conduziu a cidade a consumir-se a si pr√≥pria.
A história económica, que se desenvolveu intensamente em torno da oposição cidade-campo, chegou a um tal grau de sucesso que anula ao mesmo tempo os dois termos. A paralisia actual do desenvolvimento histórico total, em proveito da exclusiva continuação do movimento independente da economia,

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A Nulidade como Ideal

A nulidade exige ordem. Tem necessidade de uma hierarquia, de meios de press√£o, de agentes e de uma finalidade que se confunda consigo pr√≥pria. Para manter o ser humano no seu n√≠vel mais baixo, onde n√£o corre o risco de fazer ondas, nada melhor que uma organiza√ß√£o estruturada com n√≠veis de poder e pe√Ķes disciplinados capazes de os exercer. Qualquer estrutura deste tipo aguenta-se de p√© devido √† convic√ß√£o geral de que n√£o √© necess√°rio explicar para se ser obedecido, nem compreender para obedecer. A verdade difunde-se por si s√≥ de cima para baixo pelo mero efeito do ascensor hier√°riquico. A efic√°cia √© proporcional ao grau de complexidade gra√ßas ao qual √© mantida a ilus√£o de uma certa liberdade em todos os n√≠veis de comando.
Quanto mais insignificantes s√£o as engrenagens humanas, mais f√°cil √© convenc√™-las da sua falsa autonomia. As nulidades fornecem as melhores engrenagens, associando o m√°ximo de in√©rcia intelectual ao m√°ximo de aplica√ß√£o no exerc√≠cio de uma ditadura sobre a pequena por√ß√£o de poder que lhes cabe. Essas estruturas, onde todos t√™m raz√£o quando est√£o acima e n√£o a t√™m quando est√£o abaixo, realizam uma esp√©cie de ideal humano feito de equil√≠brio entre arrog√Ęncia e humildade.

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A Censura Existe Em Todo o Lado

Eu acho que a censura existiu sempre e provavelmente vai existir sempre. Porque a censura para o ser n√£o necessita de ter claramente uma porta aberta com um letreiro, onde se diga que ali h√° pessoas que l√™em livros ou v√£o ver espect√°culos. N√£o! A censura existe de todas as maneiras, porque todas as pessoas, nos diferentes n√≠veis de interven√ß√£o em que se encontram, por boas ou m√°s raz√Ķes, seleccionam, escolhem, apagam, fazem sobressair. E isso s√£o actos de oculta√ß√£o ou de evidencia√ß√£o que, no fundo, em alguns casos, s√£o actos formais de censura.
(Quanto √† censura oficial dos tempos de ditadura) Aquilo que a censura demonstrou e demonstra, em qualquer caso, √© que felizmente os escritores, dependendo das situa√ß√Ķes em que se encontram, s√£o muito mais ricos de meios, de processos de fazer chegar aquilo que querem dizer aos outros, do que se imagina. Evidentemente, numa situa√ß√£o de censura, o escritor √© obrigado a usar a escrita para comunicar isto ou aquilo ou aqueloutro, de uma maneira disfra√ßada, subterr√Ęnea, oculta; mas o que √© importante n√£o √© que a censura o esteja a obrigar a fazer isso. O que √© importante √© que ele seja capaz de o fazer.

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A inocência é um estado clandestino na ditadura do mundo; tem se dar astuta, tem de recorrer a todas as torpezas para lutar e escapar.

Vivemos na ditadura do funcion√°rio, que n√£o defende a ideia mas sim o sal√°rio, o que sempre d√° maiores lucros.

As ditaduras fomentam a opressão, as ditaduras fomentam o servilismo, as ditaduras fomentam a crueldade; mas o mais abominável é que elas fomentam a idiotia.

Existem diversas formas de restri√ß√£o √† liberdade. As preocupa√ß√Ķes existenciais, os pensamentos antecipat√≥rios, a ditadura da est√©tica do corpo e a explora√ß√£o emocional das propagandas s√£o algumas delas.

A ditadura do proletariado constitui-se na transição para atingir uma sociedade sem classes.

Personalidades Potenciais

Trazemos connosco personalidades potenciais que acontecimentos ou acidentes podem potencializar. Assim, a Revolu√ß√£o fez surgir o g√©nio pol√≠tico ou militar nos jovens destinados a uma carreira med√≠ocre numa √©poca normal; a guerra provoca o advento de her√≥is e de carrascos; a ditadura totalit√°ria transformou seres p√°lidos em monstros. O exerc√≠cio incontrolado do poder pode ¬ętornar o s√°bio louco¬Ľ (Alain) mas pode tornar s√°bio o louco, e dar g√©nio ao med√≠ocre, como no caso de Hitler e Estaline. E tamb√©m as possibilidades de g√©nio ou de dem√™ncia, de crueldade ou de bondade, de santidade ou de monstruosidade, virtuais em todos os seres, podem desenvolver-se em circunst√Ęncias excepcionais.
Inversamente, estas possibilidades nunca chegar√£o √† luz do dia na chamada vida normal: nos nossos dias, C√©sar seria funcion√°rio da CEE, Alexandre teria escrito uma vida de Arist√≥teles para uma colec√ß√£o de divulga√ß√£o, Robespierre seria adjunto de Pierre Mauroy na C√Ęmara de Arras, e Bonaparte seria do s√©quito de Pascua.

O Mercado Pode Tornar-se uma Ditadura

A diferen√ßa (entre a ditadura e o capitalismo) √© que n√£o √© a ditadura como n√≥s conhecemos. √Č o que eu chamo de ¬ęcapitalismo autorit√°rio¬Ľ. A ditadura tinha cara, e n√≥s diz√≠amos √© aquela, ou aqueles militares, o Hitler, o Franco, o Pinochet, mas agora n√£o tem cara. E como n√£o tem cara n√£o sabemos contra quem lutar. N√£o h√° contra quem lutar. O mercado n√£o tem cara, s√≥ tem nome. Est√° em toda a parte e n√£o podemos identific√°-lo, dizer ¬ę√©s tu¬Ľ. Mesmo as pessoas que lutaram contra a ditadura, entrando na democracia acham que n√£o t√™m mais que lutar. E os problemas est√£o todos a√≠. O mercado pode tornar-se uma ditadura.

A transgress√£o po√©tica √© o √ļnico modo de escaparmos √† ditadura da realidade. Sabendo que a realidade √© uma esp√©cie de recinto prisional fechado com a chave da raz√£o e a porta do bom-senso.

O 25 de Abril foi, para todos nós, o fim da ditadura. Os heróicos militares que prepararam e executaram a revolta realizaram um acto de libertação de si mesmos, mas consigo mesmos quiseram libertar Portugal inteiro.