Passagens sobre Férias

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Frases sobre f√©rias, poemas sobre f√©rias e outras passagens sobre f√©rias para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

As crianças, atentas ao presente, agora-agora, conseguem transformar tempo comum em férias. Eu, ao deixar de saber como fazê-lo, ganhei a capacidade de observá-lo.

O amor sabe ao começo das férias grandes, o calor a aparecer e possibilidades infinitas à frente, o dia acaba quando adormecemos, mas quando adormecemos adormecemos juntos, e então não acaba nada.

Que Pesa o Escr√ļpulo do Pensamento?

Azuis os montes que est√£o longe param.
De eles a mim o vário campo ao vento, à brisa,
Ou verde ou amarelo ou variegado,
Ondula incertamente.
Débil como uma haste de papoila
Me suporta o momento. Nada quero.
Que pesa o escr√ļpulo do pensamento
Na balança da vida?
Como os campos, e v√°rio, e como eles,
Exterior a mim, me entrego, filho
Ignorado do Caos e da Noite
Às férias em que existo.

Corpo e Espírito

A maior parte das pessoas tem um corpo que, ou √© desleixado, formado e deformado pelo acaso, e que parece quase n√£o ter rela√ß√£o com o seu esp√≠rito e o seu car√°cter, ou ent√£o √© recoberto pela m√°scara do desporto que lhe d√° o aspecto daquelas horas em que ele tirou f√©rias de si pr√≥prio. Essas s√£o aquelas horas em que um homem desfia o sonho diurno da sua boa figura, que foi buscar √†s revistas do grande mundo da eleg√Ęncia e da beleza. Todos esses jogadores de t√©nis, cavaleiros e corredores de autom√≥veis, bronzeados e musculosos, com ares de baterem todos os recordes, apesar de, em geral, dominarem apenas razoavelmente a sua especialidade, essas damas bem vestidas ou bem despidas, sonham sonhos diurnos, e s√≥ se distinguem do comum dos mortais que t√™m sonhos despertos porque o seu sonho n√£o permanece encerrado no c√©rebro, mas sai para o ar livre, como projec√ß√£o da alma das massas, configurada de forma corp√≥rea, dram√°tica, quase apetecia dizer, na linguagem de fen√≥menos ocultos mais que suspeitos, ideopl√°stica. Mas t√™m em comum com os vulgares construtores de fantasias uma certa banalidade dos seus sonhos, tanto no que se refere ao conte√ļdo como √† proximidade do estado de vig√≠lia.

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Eu e minha mulher ficamos na d√ļvida entre tirar f√©rias ou nos divorciarmos. Optamos pela segunda hip√≥tese. Duas semanas no Caribe podem ser divertidas, mas um div√≥rcio dura para sempre.

Estritamente falando, não há férias para a arte; a arte persegue-nos por toda a parte, e isso é perfeitamente aceite pelo artista.

Quem não tem namorado é alguém que tirou férias não remuneradas de si mesmo. Namorado é a mais difícil das conquistas. Difícil porque namorado de verdade é muito raro. Necessita de adivinhação, de pele, saliva, lágrima, nuvem, quindim, brisa ou filosofia.

√Č Tempo de Natal

√Č tempo de Natal. Exibe-se um pinheiro,
Com l√Ęmpadas de cor, sobre o balc√£o.
Tem, também, pendurados, a isca do dinheiro
E flocos finos de algod√£o.

Nas férias, foge a freguesia
Do final das manh√£s,
Com os seus kispos disformes, de inflada fantasia,
E o conforto das l√£s.

Bebem-se mais bebidas quentes.
O ch√£o, mais h√ļmido, incomoda.
E h√° apelos insistentes
Do cauteleiro que anda à roda.

Os embrulhos, nas mesas, nos regaços,
Com vistosos papéis,
Florescem de acetinados laços,
Lembram o oiro, o incenso, a mirra, em m√£os de reis.

Muitos adultos. Pouca criançada.
Muito cansaço. Pouca animação.
A vida (a cruz!) t√£o cara, t√£o pesada!
E d√£o-se as boas-festas sem se sentir que o s√£o.

Consigo mesa junto à vidraça.
E é em mim que procuro, ou é lá fora,
A estrela que n√£o luz, o pastor que n√£o passa,
O anjo que n√£o vem anunciar a hora?

S√£o tantos os que n√£o se esquecem do anivers√°rio de Cristo! S√£o t√£o poucos, os que n√£o se esquecem dos seus preceitos. √Č mais f√°cil manter as f√©rias do que os seus princ√≠pios.

O tempo do repouso, para quem levou a bom termo a sua miss√£o, √© necess√°rio, for√ßoso e deve ser vivido seriamente: no passar algum tempo com a fam√≠lia e no respeitar as f√©rias como momentos de recarga espiritual e f√≠sica; deve-se aprender o que diz o livro do Eclesiastes: ¬ęH√° um tempo para cada coisa¬Ľ(3,1).

Desengano

A pensionista p√°lida que gosta
(Fundada pretens√£o!) que a digam bela,
E do colégio, à tarde, na janela,
Para dar-me um sorriso se recosta;

Que me escreve nas férias, de Bemposta,
Aonde vai visitar a parentela,
Pedindo-me que não me esqueça dela
E dando-me uns beijinhos…, pela posta;

Essa ninfa gentil dos olhos pretos,
Essa beleza de anjo… oh, sorte varia;
Vergonha eterna para os meus bisnetos!

Com um pançudo burguês, uma alimária
Que n√£o a sabe amar, nem faz sonetos,
Vai casar-se amanh√£ na Candel√°ria.

No amor não há férias nem nada que se pareça. O amor deve viver-se plenamente, com o seu aborrecimento e com tudo.

A Tua Import√Ęncia na Tua Vida

√Č fundamental reconheceres a tua import√Ęncia na tua vida. Por algum motivo nasceste, aprendeste a respirar e tiveste direito a um nome, nome esse que, em conjunto com as tuas caracter√≠sticas, te identificar√° eternamente como um ser individual, √ļnico e livre. Haver√° algo mais especial e precioso que isso? Estou em crer que n√£o; ainda assim, encontro muitas pessoas a quererem ser outras e outras ainda a querer acabar com elas pr√≥prias na esperan√ßa de, imediatamente, poderem vir a ser outro algu√©m. √Č o teu caso? Se for deve ser uma chatice, mas, tamb√©m, se n√£o te d√°s qualquer import√Ęncia, que import√Ęncia te darei eu? J√° calculaste o perigo em que incorres por pensar desta maneira? Em menos de nada, estar√°s sozinho ou rodeado de gente como tu, ausente e que meteu f√©rias no inferno para sempre. Bom, mas alegrem-se os cora√ß√Ķes porque acredito que n√£o lerias estas linhas iniciais se nada estivesse a borbulhar a√≠ dentro, se n√£o existisse, pelo menos, uma fugaz esperan√ßa e uma enorme vontade de mudar. Est√° atento, o passado s√≥ influencia o presente se mantiveres o mesmo comportamento, por isso liberta-te dessa dor por uns instantes e l√™ em voz alta a pr√≥xima frase tantas vezes quantas achares necess√°rio.

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M√£e

I

Dantes, quando a deixava,
As férias já no fim,
Ela vinha à janela
Despedir-se de mim.

Depois, quando na estrada,
Olhava para tr√°s,
Deitava-me ainda a benção
Para que eu fosse em paz.

Dali n√£o se movia,
À vidraça encostada,
Até que eu me perdia
J√° na curva da estrada.

Hoje, se olho, calo-me
E baixo os olhos meus!
Já não vem à janela
Para dizer-me adeus!

II

Chove, e a chuva é fria.
Noite! Nos montes distantes
O Inverno principia.
Um Inverno como dantes.

Ao redor do lume aceso
Todos ficamos a olhar…
Todos n√£o, n√£o somos todos,
Porque h√° vazio um lugar.

Esse lugar era o dela,
Que ninguém mais preencheu.
Mesmo com vida, na terra,
Era uma estrela no céu.

A velhice n√£o se me afigura, de modo algum, (…) o melanc√≥lico vest√≠bulo da morte, mas antes como as verdadeiras f√©rias grandes, depois do esgotamento dos sentidos, do cora√ß√£o e do esp√≠rito que foi a vida.

Um Amigo √© uma Pessoa In√ļtil

Uma pessoa in√ļtil. Um amigo? Se tento recordar-me dos atributos que ele possui, o que resta, mesmo depois do veredicto mais favor√°vel, √© apenas a sua voz, um pouco mais profunda do que a minha. Se eu exclamar ¬ęsalvo¬Ľ, era como se eu fosse Robinson Cruso√© e exclamasse ¬ęsalvo!¬Ľ, ele fazia eco com a sua voz mais profunda. Se eu fosse Korah e exclamasse ¬ęperdido!¬Ľ, ele estaria ali prontamente para com a sua voz mais profunda repetir em eco. Eventualmente acabamos por nos cansar de levar para todo o lado um viol√£o. Ele pr√≥prio n√£o faz isto alegremente, sorve do meu eco s√≥ porque n√£o pode fazer outra coisa. Ocasionalmente, durante as f√©rias, quando acabo por ter tempo para prestar aten√ß√£o a isto, eu discuto com ele, talvez no jardim, para saber como me posso libertar dele.

Os Expectantes

Entre as defini√ß√Ķes da ilha planet√°ria em que nos encontramos desterrados, uma das mais apropriadas seria: uma grande sala de espera. Uma ter√ßa parte da vida √© anulada numa semimorte, outra gasta em fazer mal a n√≥s mesmos e aos outros e a √ļltima esboroa-se e consome-se na expectativa. Esperamos sempre alguma coisa ou algu√©m – que vem ou n√£o, que passa ou desilude, que satisfaz ou mata. Come√ßa-se, em crian√ßa, a esperar a juventude com impaci√™ncia quase alucinada; depois, quando adolescente, espera-se a independ√™ncia, a fortuna ou porventura apenas um emprego e uma esposa. Os filhos esperam a morte dos pais, os enfermos a cura, os soldados a passagem √† disponibilidade, os professores as f√©rias, os universit√°rios a formatura, as raparigas um marido, os velhos o fim. Quem entrar numa pris√£o verificar√° que todos os reclusos contam os dias que os separam da liberdade; numa escola, numa f√°brica ou num escrit√≥rio, s√≥ encontrar√° criaturas que esperam, contando as horas, o momento da sa√≠da e da fuga. E em toda a parte – nos parques p√ļblicos, nos caf√©s, nas salas – h√° o homem que espera uma mulher ou a mulher que espera um homem. Exames, concursos, noivados, lotarias, semin√°rios,

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