Cita√ß√Ķes sobre Gentileza

34 resultados
Frases sobre gentileza, poemas sobre gentileza e outras cita√ß√Ķes sobre gentileza para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

O Homem Amesquinhado

Apesar do quadro negro de uma c√ļpula pol√≠tica e intelectual desvairada e grossa e de um povo abandonado a seu pr√≥prio destino, ainda havia ali, no pa√≠s, naquele espantoso ver√£o de 1955, uma consider√°vel energia vital, uma exaltada alegria de viver, acentuada, em alguns lugares e num ou noutro indiv√≠duo, ainda mais possu√≠do do gozo pleno de um extraodin√°rio senso l√ļdico tropical. Est√°vamos, poder√≠amos nos considerar como estando, num dos √ļltimos redutos do ser humano. Depois disso viria o fim, n√£o, como todos pensavam, com um estrondo, mas com um solu√ßo. A densa nuvem desceria, n√£o, como todos pensavam, feita de mol√©culas radioativas, mas da grosseria de todos os dias, acumulada, aumentada, transmitida, potenciada. O homem se amesquinharia, v√≠tima da mesquinharia do seu semelhante, cada dia menos atento a um gesto de gentileza, a um ato de beleza, a um olhar de amor desinteressado, a uma palavra dita com uma precisa propriedade. E tudo come√ßou a ficar densamente escuro, porque tudo era terrivelmente patrocinado por enlatadores de banha, fabricantes de chouri√ßo e vendedores de desodorante, de modo que toda a pretensa gra√ßa da vida se dirigia apenas √† barriga dos gordos, √† tripa dos porcos, ou, no m√°ximo de finura e eleg√Ęncia,

Continue lendo…

Bela D’Amor

Pois essa luz cintilante
Que brilha no teu semblante
Donde lhe vem o ‚Äėsplendor?
N√£o sentes no peito a chama
Que aos meus suspiros se inflama
E toda reluz de amor?

Pois a celeste fragr√Ęncia
Que te sentes exalar,
Pois, dize, a ing√©nua eleg√Ęncia
Com que te vês ondular
Como se baloiça a flor
Na Primavera em verdor,
Dize, dize: a natureza
Pode dar tal gentileza?
Quem ta deu sen√£o amor?

Vê-te a esse espelho, querida,
Ai!, vê-te por tua vida,
E diz se há no céu estrela,
Diz-me se h√° no prado flor
Que Deus fizesse t√£o bela
Como te faz meu amor.

O Belo é Necessário

Neste mundo o lindo √© necess√°rio. H√° mui poucas fun√ß√Ķes t√£o importantes como esta de ser encantadora. Que desespero na floresta se n√£o houvesse o colibri! Exalar alegrias, irradiar venturas, possuir no meio das coisas sombrias uma transmuda√ß√£o de luz, ser o dourado do destino, a harmonia, a gentileza, a gra√ßa, √© favorecer-te. A beleza basta ser bela para fazer bem. H√° criatura que tem consigo a magia de fascinar tudo quanto a rodeia; √†s vezes nem ela mesmo o sabe, e √© quando o prest√≠gio √© mais poderoso; a sua presen√ßa ilumina, o seu contato aquece; se ela passa, ficas contente; se p√°ra, √©s feliz; contempl√°-la √© viver; √© a aurora com figura humana; n√£o faz nada, nada que n√£o seja estar presente, e √© quanto basta para edenizar o lar dom√©stico; de todos os poros sai-lhe um para√≠so; √© um √™xtase que ela distribui aos outros, sem mais trabalho que o de respirar ao p√© deles. Ter um sorriso que – ningu√©m sabe a raz√£o – diminui o peso da cadeia enorme arrastada em comum por todos os viventes, que queres que te diga? √© divino.

Quando, Senhora, Quis Amor Que Amasse

Quando, Senhora, quis Amor que amasse
essa grã perfeição e gentileza,
logo deu por sentença que a crueza
em vosso peito amor acrescentasse.

Determinou que nada me apartasse,
nem desfavor cruel, nem aspereza;
mas que em minha raríssima firmeza
vossa isenção cruel se executasse.

E, pois tendes aqui oferecida e
sta alma vossa a vosso sacrifício,
acabai de fartar vossa vontade.

N√£o lhe alargueis, Senhora, mais a vida;
acabar√° morrendo em seu oficio,
sua fé defendendo e lealdade.

Ainda que possas vencer, cede de vez em quando ao amigo;
Frequentemente as doces amizades s√£o conservadas pela gentileza.

Delicadeza

Essa delicadeza, cada vez mais difícil, pela qual se perde
a vida, como a entendo,
pratico.
Essa subtileza de pesadelo branco, como a sinto
extrema sempre,
às vezes.
Ingénua Рum animal discreto; sem dono
e sem direitos.
Por ela arrisco um aceitar alguém
que nunca foi
criança.
Um ler que me não prende mais a atenção, um ser gentil
para com uma pessoa ingrata
– um cultivar uma paix√£o isenta
“dos cardos do contacto”.
Um n√£o precisar esclarecer seja o que for,
pois tudo na vida é afinal
bem mais sério
do que parece.
√Č por essa gentileza
que se um grito me chega ao ouvido
prefiro escutar nele o cheiro de um corpo que se perdeu
do meu
e ainda assim dizer
Deus seja louvado,
oxal√° ele consiga agora ficar
silencioso qual rasto de leitura sem palavra.
Sim, é por essa gentileza, mulher poeta ou homem sensível
– n√£o me distingo nem de um nem do outro -,
que muito embora as minhas esperanças
se tenham desfeito h√° muito
me permito,

Continue lendo…

Como, Morte, Temer-te?

Como, morte, temer-te?
N√£o est√°s aqui comigo, a trabalhar?
N√£o te toco em meus olhos; n√£o me dizes
que não sabes de nada, que és vazia,
inconsciente e pacífica? Não gozas,
comigo, tudo: glória, solidão,
amor, até tuas entranhas?
N√£o me est√°s a sustentar,
morte, de pé, a vida?
N√£o te levo e trago, cego,
como teu guia? N√£o repetes
com tua boca passiva
o que quero que digas? N√£o suportas,
escrava, a gentileza com que te obrigo?

Tradução de José Bento

H√° os que fazem gentileza ao pr√≥ximo com satisfa√ß√£o se for por iniciativa deles pr√≥prios, mas que se rebelam quando solicitados a pratic√°-la. A gentileza dessas pessoas n√£o √© verdadeira por que ainda cont√©m ego. A gentileza s√≥ ser√° verdadeira quando a pessoa for capaz de pratic√°-la docilmente, sem manifestar o ego. A gentileza √© para vivificar o pr√≥ximo, e n√£o para vivificar o ego. Anulando-se o ego, vivifica-se o ‚ÄėEu verdadeiro‚Äô.

Mas antes ao Amor, em cuja m√£o
Os cora√ß√Ķes est√£o,
Por vossa gentileza t√£o fermosa
Lhe deveis amorosa condição.

Atenção ao Estilo Rebuscado e Cheio de Adornos

Quando vires algu√©m com um estilo rebuscado e cheio de adornos podes ter a certeza de que a sua alma apenas se ocupa igualmente de bagatelas. Uma alma verdadeiramente grande √© mais tranquila e senhora de si a falar, e em tudo quanto diz h√° mais firmeza do que preocupa√ß√£o estil√≠stica. Tu conheces bem os nossos jovens elegantes, com a barba e o cabelo todo aparado, que parecem acabadinhos de sair da f√°brica! De tais criaturas nada ter√°s a esperar de firme ou s√≥lido. O estilo √© o adorno da alma: se for demasiado penteado, maquilhado, artificial, em suma, s√≥ provar√° que a alma carece de sinceridade e tem em si algo que soa a falso. N√£o √© coisa digna de homens o cuidado extremo com o vestu√°rio! Se nos fosse dado observar “por dentro” a alma de um homem de bem ‚ÄĒ oh! que figura bela e vener√°vel, que fulgor de magnificente tranquilidade n√≥s contemplar√≠amos, que brilho n√£o emitiriam a justi√ßa, a coragem, a modera√ß√£o e a prud√™ncia! E n√£o s√≥ estas virtudes, mas ainda a frugalidade, o autodom√≠nio, a paci√™ncia, a liberalidade, a gentileza e essa virtude, incrivelmente rara no homem, que √© a humanidade ‚ÄĒ tamb√©m estas fariam jorrar sobre a alma o seu sublime esplendor!

Continue lendo…

Não Peças o que na Realidade não Pretendes Obter

“N√£o te ponhas a pedir o que n√£o pretendes obter!” √Č que sucede muitas vezes n√≥s pedirmos com empenho coisas que recusar√≠amos se algu√©m no-las oferecesse. Por ligeireza? Por excesso de gentileza? Seja qual for a raz√£o, apliquemos-lhe um castigo: acedamos largamente ao pedido. Muitas coisas n√≥s desejamos parecer querer quando de facto as n√£o queremos. Numa leitura p√ļblica, um autor levou uma vez uma obra hist√≥rica enorme, escrita em letra miudinha, num volume dens√≠ssimo, e, depois de ler a maior parte, disse: “Se querem, fico por aqui.” Ora os auditores, embora o seu √ļnico desejo fosse que o homem se calasse imediatamente, gritaram em coro: “Continua a leitura, continua!” Muitas vezes, tamb√©m, queremos uma coisa mas escolhemos outra, e nem sequer aos deuses confessamos a verdade; o que vale √© que os deuses ou n√£o nos atendem ou t√™m pena de n√≥s!

Aprendi sil√™ncio com os falantes, toler√Ęncia com os intolerantes, e gentileza com os rudes ; ainda, estranho, sou ingrato a esses professores.

A gentileza é a essência do ser humano. Quem não é suficientemente gentil não é suficientemente humano.

Esforço Grande, Igual Ao Pensamento;

Esforço grande, igual ao pensamento;
pensamentos em obras divulgados,
e n√£o em peito timido encerrados
e desfeitos despois em chuva e vento;

animo da cobiça baixa isento,
dino por isso só de altos estados,
fero açoute dos nunca bem domados
povos do Malabar sanguinolento;

gentileza de membros corporais,
ornados de pudica continência,
obra por certo rara de natura:

estas virtudes e outras muitas mais,
dinas todas da homérica eloquência,
jazem debaixo desta sepultura

Umas mulheres vence-as a gentileza, outras a valentia, outras o talento, outras o dinheiro, outras a estupidez, outras a bondade. Cecilia venceu-a o estilo.

A Ira

O que se irrita justificadamente nas situa√ß√Ķes em que se deve irritar ou com as pessoas com as quais se deve irritar, e ainda da maneira como deve ser, quando deve ser e durante o tempo em que deve ser, √© geralmente louvado. Quem assim for √© gentil, se √© que a gentileza √© uma disposi√ß√£o louvada. Porque o gentil quer permanecer imperturb√°vel e n√£o quer ser levado pela emo√ß√£o, e apenas o sentido orientador lhe poder√° prescrever as situa√ß√Ķes em que deve irritar-se e durante quanto tempo. Ou seja, o gentil parece pecar mais por defeito, porque n√£o √© do tipo vingativo mas mais do g√©nero que perdoa.
O defeito, seja uma certa fleuma seja o que for, √© repreendido. Os que n√£o se irritam quando t√™m motivo parecem parvos, o mesmo quando n√£o se irritam de modo correcto, nem quando devem, nem com aqueles que devem. Parece at√© que n√£o sentem a inj√ļria ou n√£o sofrem com ela. Mas se n√£o se irritarem n√£o conseguem defender-se, e aguentar um insulto ou tolerar os insultos feitos a terceiros √© uma caracter√≠stica de subservi√™ncia.
H√° excessos a respeito de todos os elementos circunstanciais envolvidos num acesso de ira (seja por se dirigir contra as pessoas indevidas,

Continue lendo…

LXXIII

Quem se fia de Amor, quem se assegura
Na fantástica fé de uma beleza,
Mostra bem, que não sabe, o que é firmeza,
Que protesta de amante a formosura.

Anexa a qualidade de perjura
Ao brilhante esplendor da gentileza,
Mudável é por lei da natureza,
A que por lei de Amor é menos dura.

Deste, ó Fábio, que vês, desordenado,
Ingrato proceder se é que examinas
A raz√£o, eu a tenho decifrado:

S√£o as setas de Amor t√£o peregrinas,
Que esconde no gentil o golpe irado;
Para lograr pacífico as ruínas.