Passagens sobre Gentileza

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Frases sobre gentileza, poemas sobre gentileza e outras passagens sobre gentileza para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Três coisas agradam a todo o mundo: gentileza, frugalidade e humildade

Três coisas agradam a todo o mundo: gentileza, frugalidade e humildade. Pois os gentis podem ser corajosos, os frugais podem ser liberais e os humildes podem ser condutores de homens.

Um Segredo de um Casamento Feliz

Desde que a Maria João e eu fizemos dez anos de casados que estou para escrever sobre o casamento. Depois caí na asneira de ler uns livros profissionais sobre o casamento e percebi que eu não percebo nada sobre o casamento.

Confesso que a minha ambição era a mais louca de todas: revelar os segredos de um casamento feliz. Tendo descoberto que são desaconselháveis os conselhos que ia dar, sou forçado a avisar que, quase de certeza, só funcionam no nosso casamento.

Mas vou dá-los à mesma, porque nunca se sabe e porque todos nós somos muito mais parecidos do que gostamos de pensar.

O casamento feliz n√£o √© nem um contrato nem uma rela√ß√£o. Rela√ß√Ķes temos n√≥s com toda a gente. √Č uma cria√ß√£o. √Č criado por duas pessoas que se amam.

O nosso casamento √© um filho. √Č um filho inteiramente dependente de n√≥s. Se n√≥s nos separarmos, ele morre. Mas n√£o deixa de ser uma terceira entidade.

Quando esse filho é amado por ambos os casados Рque cuidam dele como se cuida de um filho que vai crescendo -, o casamento é feliz. Não basta que os casados se amem um ao outro.

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A Facilidade é Aborrecida em Tudo

O estimarem-se as coisas que n√£o t√™m valor, √© o mesmo que faz√™-las estim√°veis: o que se busca com √Ęnsia, n√£o √© o que se d√°, mas o que se nega; o que se permite aborrece, o que se recusa, atrai: o amor n√£o tem seta mais aguda, que aquela que se armou de proibi√ß√£o; no tomar, parece que h√° mais gentileza, que no aceitar; a dificuldade incita: muitas coisas n√£o t√™m outro merecimento, que o serem dificultosas; a resist√™ncia √© o que move a vontade; tudo o que se concede, √© sem sabor; a impugna√ß√£o faz a coisa consider√°vel, porque lhe d√° um ar de empresa, e de vit√≥ria: os mais altos montes s√£o os que se admiram, s√≥ porque custam a subir; a facilidade √© aborrecida em tudo; o lustre do argumento vem da contradi√ß√£o.

O Homem Amesquinhado

Apesar do quadro negro de uma c√ļpula pol√≠tica e intelectual desvairada e grossa e de um povo abandonado a seu pr√≥prio destino, ainda havia ali, no pa√≠s, naquele espantoso ver√£o de 1955, uma consider√°vel energia vital, uma exaltada alegria de viver, acentuada, em alguns lugares e num ou noutro indiv√≠duo, ainda mais possu√≠do do gozo pleno de um extraodin√°rio senso l√ļdico tropical. Est√°vamos, poder√≠amos nos considerar como estando, num dos √ļltimos redutos do ser humano. Depois disso viria o fim, n√£o, como todos pensavam, com um estrondo, mas com um solu√ßo. A densa nuvem desceria, n√£o, como todos pensavam, feita de mol√©culas radioativas, mas da grosseria de todos os dias, acumulada, aumentada, transmitida, potenciada. O homem se amesquinharia, v√≠tima da mesquinharia do seu semelhante, cada dia menos atento a um gesto de gentileza, a um ato de beleza, a um olhar de amor desinteressado, a uma palavra dita com uma precisa propriedade. E tudo come√ßou a ficar densamente escuro, porque tudo era terrivelmente patrocinado por enlatadores de banha, fabricantes de chouri√ßo e vendedores de desodorante, de modo que toda a pretensa gra√ßa da vida se dirigia apenas √† barriga dos gordos, √† tripa dos porcos, ou, no m√°ximo de finura e eleg√Ęncia,

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Bela D’Amor

Pois essa luz cintilante
Que brilha no teu semblante
Donde lhe vem o ‚Äėsplendor?
N√£o sentes no peito a chama
Que aos meus suspiros se inflama
E toda reluz de amor?

Pois a celeste fragr√Ęncia
Que te sentes exalar,
Pois, dize, a ing√©nua eleg√Ęncia
Com que te vês ondular
Como se baloiça a flor
Na Primavera em verdor,
Dize, dize: a natureza
Pode dar tal gentileza?
Quem ta deu sen√£o amor?

Vê-te a esse espelho, querida,
Ai!, vê-te por tua vida,
E diz se há no céu estrela,
Diz-me se h√° no prado flor
Que Deus fizesse t√£o bela
Como te faz meu amor.

O Belo é Necessário

Neste mundo o lindo √© necess√°rio. H√° mui poucas fun√ß√Ķes t√£o importantes como esta de ser encantadora. Que desespero na floresta se n√£o houvesse o colibri! Exalar alegrias, irradiar venturas, possuir no meio das coisas sombrias uma transmuda√ß√£o de luz, ser o dourado do destino, a harmonia, a gentileza, a gra√ßa, √© favorecer-te. A beleza basta ser bela para fazer bem. H√° criatura que tem consigo a magia de fascinar tudo quanto a rodeia; √†s vezes nem ela mesmo o sabe, e √© quando o prest√≠gio √© mais poderoso; a sua presen√ßa ilumina, o seu contato aquece; se ela passa, ficas contente; se p√°ra, √©s feliz; contempl√°-la √© viver; √© a aurora com figura humana; n√£o faz nada, nada que n√£o seja estar presente, e √© quanto basta para edenizar o lar dom√©stico; de todos os poros sai-lhe um para√≠so; √© um √™xtase que ela distribui aos outros, sem mais trabalho que o de respirar ao p√© deles. Ter um sorriso que – ningu√©m sabe a raz√£o – diminui o peso da cadeia enorme arrastada em comum por todos os viventes, que queres que te diga? √© divino.

Quando, Senhora, Quis Amor Que Amasse

Quando, Senhora, quis Amor que amasse
essa grã perfeição e gentileza,
logo deu por sentença que a crueza
em vosso peito amor acrescentasse.

Determinou que nada me apartasse,
nem desfavor cruel, nem aspereza;
mas que em minha raríssima firmeza
vossa isenção cruel se executasse.

E, pois tendes aqui oferecida e
sta alma vossa a vosso sacrifício,
acabai de fartar vossa vontade.

N√£o lhe alargueis, Senhora, mais a vida;
acabar√° morrendo em seu oficio,
sua fé defendendo e lealdade.

Ainda que possas vencer, cede de vez em quando ao amigo;
Frequentemente as doces amizades s√£o conservadas pela gentileza.

Delicadeza

Essa delicadeza, cada vez mais difícil, pela qual se perde
a vida, como a entendo,
pratico.
Essa subtileza de pesadelo branco, como a sinto
extrema sempre,
às vezes.
Ingénua Рum animal discreto; sem dono
e sem direitos.
Por ela arrisco um aceitar alguém
que nunca foi
criança.
Um ler que me não prende mais a atenção, um ser gentil
para com uma pessoa ingrata
– um cultivar uma paix√£o isenta
“dos cardos do contacto”.
Um n√£o precisar esclarecer seja o que for,
pois tudo na vida é afinal
bem mais sério
do que parece.
√Č por essa gentileza
que se um grito me chega ao ouvido
prefiro escutar nele o cheiro de um corpo que se perdeu
do meu
e ainda assim dizer
Deus seja louvado,
oxal√° ele consiga agora ficar
silencioso qual rasto de leitura sem palavra.
Sim, é por essa gentileza, mulher poeta ou homem sensível
– n√£o me distingo nem de um nem do outro -,
que muito embora as minhas esperanças
se tenham desfeito h√° muito
me permito,

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Como, Morte, Temer-te?

Como, morte, temer-te?
N√£o est√°s aqui comigo, a trabalhar?
N√£o te toco em meus olhos; n√£o me dizes
que não sabes de nada, que és vazia,
inconsciente e pacífica? Não gozas,
comigo, tudo: glória, solidão,
amor, até tuas entranhas?
N√£o me est√°s a sustentar,
morte, de pé, a vida?
N√£o te levo e trago, cego,
como teu guia? N√£o repetes
com tua boca passiva
o que quero que digas? N√£o suportas,
escrava, a gentileza com que te obrigo?

Tradução de José Bento

H√° os que fazem gentileza ao pr√≥ximo com satisfa√ß√£o se for por iniciativa deles pr√≥prios, mas que se rebelam quando solicitados a pratic√°-la. A gentileza dessas pessoas n√£o √© verdadeira por que ainda cont√©m ego. A gentileza s√≥ ser√° verdadeira quando a pessoa for capaz de pratic√°-la docilmente, sem manifestar o ego. A gentileza √© para vivificar o pr√≥ximo, e n√£o para vivificar o ego. Anulando-se o ego, vivifica-se o ‚ÄėEu verdadeiro‚Äô.

Mas antes ao Amor, em cuja m√£o
Os cora√ß√Ķes est√£o,
Por vossa gentileza t√£o fermosa
Lhe deveis amorosa condição.

Atenção ao Estilo Rebuscado e Cheio de Adornos

Quando vires algu√©m com um estilo rebuscado e cheio de adornos podes ter a certeza de que a sua alma apenas se ocupa igualmente de bagatelas. Uma alma verdadeiramente grande √© mais tranquila e senhora de si a falar, e em tudo quanto diz h√° mais firmeza do que preocupa√ß√£o estil√≠stica. Tu conheces bem os nossos jovens elegantes, com a barba e o cabelo todo aparado, que parecem acabadinhos de sair da f√°brica! De tais criaturas nada ter√°s a esperar de firme ou s√≥lido. O estilo √© o adorno da alma: se for demasiado penteado, maquilhado, artificial, em suma, s√≥ provar√° que a alma carece de sinceridade e tem em si algo que soa a falso. N√£o √© coisa digna de homens o cuidado extremo com o vestu√°rio! Se nos fosse dado observar “por dentro” a alma de um homem de bem ‚ÄĒ oh! que figura bela e vener√°vel, que fulgor de magnificente tranquilidade n√≥s contemplar√≠amos, que brilho n√£o emitiriam a justi√ßa, a coragem, a modera√ß√£o e a prud√™ncia! E n√£o s√≥ estas virtudes, mas ainda a frugalidade, o autodom√≠nio, a paci√™ncia, a liberalidade, a gentileza e essa virtude, incrivelmente rara no homem, que √© a humanidade ‚ÄĒ tamb√©m estas fariam jorrar sobre a alma o seu sublime esplendor!

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