Cita√ß√Ķes sobre Humilha√ß√£o

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Frases sobre humilha√ß√£o, poemas sobre humilha√ß√£o e outras cita√ß√Ķes sobre humilha√ß√£o para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Abaixo el-rei Sebasti√£o

√Č preciso enterrar el-rei Sebasti√£o
é preciso dizer a toda a gente
que o Desejado j√° n√£o pode vir.
√Č preciso quebrar na ideia e na can√ß√£o
a guitarra fant√°stica e doente
que alguém trouxe de Alcácer Quibir.

Eu digo que est√° morto.
Deixai em paz el-rei Sebasti√£o
deixai-o no desastre e na loucura.
Sem precisarmos de sair o porto
temos aqui à mão
a terra da aventura.

Vós que trazeis por dentro
de cada gesto
uma cansada humilhação
deixai falar na vossa voz a voz do vento
cantai em tom de grito e de protesto
matai dentro de vós el-rei Sebastião.

Quem vai tocar a rebate
os sinos de Portugal?
Poeta: é tempo de um punhal
por dentro da canção.
Que é preciso bater em quem nos bate
é preciso enterrar el-rei Sebastião.

A inf√Ęncia n√£o se repete, nem na lembran√ßa, nem na imagina√ß√£o. Quando, muito, d√°-se outra inf√Ęncia. As cenas ing√©nuas, porque eram ing√©nuas, n√£o tinham consci√™ncia; e as humilha√ß√Ķes, de t√£o pungentes, n√£o h√° mem√≥ria que consinta na sua perfeita express√£o.

A honra pertence aos que não renunciam à verdade nem quando as coisas parecem negras e terríveis, aos que tentam repetidamente, que nunca se deixam desencorajar pelos insultos, pela humilhação e até pela derrota.

Opini√Ķes Influenciadas pelo Interesse

A maior parte das coisas pode ser considerada sob pontos de vista muito diferentes: interesse geral ou interesse particular, principalmente. A nossa aten√ß√£o, naturalmente concentrada sob o aspecto que nos √© proveitoso, impede que vejamos os outros. O interesse possui, como a paix√£o, o poder de transformar em verdade aquilo em que lhe √© √ļtil acreditar. Ele √©, pois, freq√ľentemente, mais √ļtil do que a raz√£o, mesmo em quest√Ķes em que esta deveria ser, aparentemente, o guia √ļnico. Em economia pol√≠tica, por exemplo, as convic√ß√Ķes s√£o de tal modo inspiradas pelo interesse pessoal que se pode, em geral, saber pr√©viamente, conforme a profiss√£o de um indiv√≠duo, se ele √© partid√°rio ou n√£o do livre c√Ęmbio.
As varia√ß√Ķes de opini√£o obedecem, naturalmente, √†s varia√ß√Ķes do interesse. Em mat√©ria pol√≠tica, o interesse pessoal constitui o principal factor. Um indiv√≠duo que, em certo momento, energicamente combateu o imposto sobre a renda, com a mesma energia o defender√° mais, se conta ser ministro. Os socialistas enriquecidos acabam, em geral, conservadores, e os descontentes de um partido qualquer se transformam facilmente em socialistas.
O interesse, sob todas as suas formas, n√£o √© somente gerador de opini√Ķes. Agu√ßado por necessidades muito intensas, ele enfraquece logo a moralidade.

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O que √© para um homem a vergonha abstracta de um pa√≠s quando comparada com a sua vergonha pessoal, as dores silenciosas da sua humilha√ß√£o? No grande plano da Hist√≥ria, o sofrimento √© sobrevalorizado pelo colectivo e dilu√≠do na multid√£o. No plano fechado do indiv√≠duo, as ang√ļstias t√™m de ser digeridas a frio, na solid√£o, sem que ningu√©m nos possa valer.

Dizer N√£o

Diz NÃO à liberdade que te oferecem, se ela é só a liberdade dos que ta querem oferecer. Porque a liberdade que é tua não passa pelo decreto arbitrário dos outros.

Diz NÃO à ordem das ruas, se ela é só a ordem do terror. Porque ela tem de nascer de ti, da paz da tua consciência, e não há ordem mais perfeita do que a ordem dos cemitérios.

Diz N√ÉO √† cultura com que queiram promover-te, se a cultura for apenas um prolongamento da pol√≠cia. Porque a cultura n√£o tem que ver com a ordem policial mas com a inteira liberdade de ti, n√£o √© um modo de se descer mas de se subir, n√£o √© um luxo de ¬ęelitismo¬Ľ, mas um modo de seres humano em toda a tua plenitude.

Diz N√ÉO at√© ao p√£o com que pretendem alimentar-te, se tiveres de pag√°-lo com a ren√ļncia de ti mesmo. Porque n√£o h√° uma s√≥ forma de to negarem negando-to, mas infligindo-te como pre√ßo a tua humilha√ß√£o.

Diz NÃO à justiça com que queiram redimir-te, se ela é apenas um modo de se redimir o redentor. Porque ela não passa nunca por um código,

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Retorno In√ļtil

Voltaste – e nos teus olhos novamente havia
aquela √ļmida luz que eu reconhe√ßo bem…
quiseste reavivar talvez minha agonia
e falaste em perd√£o… e choraste tamb√©m…

“N√£o voltes! que ter√°s na volta o meu desd√©m!”
falei-te… Mas sorriste do que eu te dizia…
Confiaste em meu amor e voltaste!: Pois bem
J√° n√£o h√° mais amor: – h√° indiferen√ßa fria…

In√ļtil, tua volta. O meu Ser j√° n√£o sente,
Retorna ao teu amor, aquele grande amor
de que um dia falavas orgulhosamente…

Retorna! Porque em mim j√° nada encontrar√°s!
Depois da humilhação, depois de tanta dor,
J√° n√£o sou mais o mesmo… e nem te quero mais!

Uma Constituição que faça entrar nos seus elementos a humilhação do soberano ou do povo, deve, precisamente, ser derrubada por um deles.

A Guerra é Deus

Pouco interessa o que os homens pensam da guerra, disse o juiz. A guerra perdura. √Č o mesmo que perguntar-lhes o que acham da pedra. A guerra sempre esteve presente. Antes de o homem existir, a guerra j√° estava √† espera dele. O of√≠cio supremo a aguardar o seu supremo art√≠fice. Sempre foi assim e sempre assim ser√°. Assim e n√£o de outra forma.
(…) Os homens nasceram para jogar. Nada mais. Todo o garoto sabe que a brincadeira √© uma ocupa√ß√£o mais nobre do que o trabalho. Sabe tamb√©m que a excel√™ncia ou m√©rito de um jogo n√£o √© inerente ao jogo em si, mas reside, isso sim, no valor daquilo que os jogadores arriscam. Os jogos de azar exigem que se fa√ßam apostas, sem o que n√£o fazem sequer sentido. Os desportos implicam medir a destreza e a for√ßa dos advers√°rios e a humilha√ß√£o da derrota e o orgulho da vit√≥ria constituem em si mesmos aposta suficiente, pois traduzem o valor dos contendores e definem-nos. Por√©m, quer se trate de contendas cuja sorte se decide pelo azar quer pelo m√©rito, todos os jogos anseiam elevar-se √† condi√ß√£o da guerra, pois nesta aquilo que se aposta devora tudo,

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O Teatro do Trabalho

A maior parte da humanidade, sobretudo na Europa Central, simula trabalho, faz ininterruptamente teatro com o trabalho e aperfei√ßoa at√© √† idade avan√ßada esse trabalho teatralizado, que tem t√£o pouco a ver com o verdadeiro trabalho como o verdadeiro e aut√™ntico teatro com a vida real e verdadeira. No entanto, dado que as pessoas preferem sempre ver a vida como teatro a ver a pr√≥pria vida, que, em √ļltima an√°lise, lhes parece demasiado penosa e seca, como uma insolente humilha√ß√£o, preferem fazer teatro a viver, fazer teatro a trabalhar. (…) Mas n√£o √© s√≥ nas chamadas classes mais altas que hoje o trabalho √© geralmente j√° mais fingido que realmente feito, tamb√©m entre as pessoas ditas mais simples esse teatro est√° bastante divulgado, as pessoas fingem trabalho por toda a parte, simulam actividade, quando, na realidade, apenas passam o tempo a mandriar e n√£o fazem absolutamente nada e, em geral, em vez de se tornarem √ļteis, causam ainda por cima o maior preju√≠zo.
A maior parte dos trabalhadores e oper√°rios julga hoje que basta vestir o fato-macado azul, sem fazer seja o que for, para j√° n√£o falar numa actividade √ļtil, e faz do trabalho um teatro, e o seu traje √© o fato-macaco azul que ostenta enfaticamente durante todo o dia,

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Humilde é a pessoa que não afasta de si a crença do Infinito, a realidade das suas pequenas pegadas na vida Рe não aquela que se desmerece, que insulta o seu corpo e a sua alma, que se enfurece contra si mesma. Aceitar a sua humilhação é consentir na humilhação do seu próprio Deus.

O C√ļmplice

Crucificam-me e eu tenho de ser a cruz e os pregos.
Estendem-me a taça e eu tenho de ser a cicuta.
Enganam-me e eu tenho de ser a mentira.
Incendeiam-me e eu tenho de ser o inferno.
Tenho de louvar e de agradecer cada instante do tempo.
O meu alimento é todas as coisas.
O peso exacto do universo, a humilha√ß√£o, o j√ļbilo.
Tenho de justificar o que me fere.
N√£o importa a minha felicidade ou infelicidade.
Sou o poeta.

Tradução de Fernando Pinto do Amaral

Querer é Poder

Querer alguém, ou alguma coisa, é muito fácil. Mesmo assim, olhar e sentirmo-nos querer, sem pensar no que estamos a fazer, é uma coisa mais bonita do que se diz. Antes de vermos a pessoa, ou a coisa, não sabíamos que estávamos tão insatisfeitos. Porque não estávamos. Mas, de repente, vemo-la e assalta-nos a falta enorme que ela nos faz. Para não falar naquela que nos fez e para sempre há-de fazer. Como foi possível viver sem ela? Foi uma obscenidade. Querer é descobrir faltas secretas, ou inventá-las na magia do momento. Não há surpresa maior.

O que √© bonito no querer √© sentirmo-nos subitamente incompletos sem a coisa que queremos. Quanto mais bela ela nos parece, mais feios nos sentimos. Parte da for√ßa da nossa vontade vem da for√ßa com que se sente que ela nunca poderia querer-nos como n√≥s a queremos. Querer √© sempre a humilha√ß√£o sublime de quem quer. Por que raz√£o n√£o nos sentimos inteiros quando queremos? √Č porque a outra pessoa, sem querer, levou a parte melhor que havia em n√≥s, aquela que nos faz mais falta. E a parte de n√≥s que olha por n√≥s e que nos reconcilia connosco. Quanto mais queremos outra pessoa,

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Taciturno

H√° Ouro marchetado em mim, a pedras raras,
Ouro sinistro em sons de bronzes medievais –
Joia profunda a minha Alma a luzes caras,
Cibório triangular de ritos infernais.

No meu mundo interior cerraram-se armaduras,
Capacetes de ferro esmagaram Princesas.
Toda uma estirpe rial de herois d’Outras bravuras
Em mim se despojou dos seus braz√Ķes e presas.

Heraldicas-luar sobre ímpetos de rubro,
Humilha√ß√Ķes a liz, desfor√ßos de brocado;
Bazilicas de tédio, arnezes de crispado,
Insignias de Ilus√£o, trof√©us de jaspe e Outubro…

A ponte levadiça e baça de Eu-ter-sido
Enferrujou – embalde a tentar√£o descer…
Sobre fossos de Vago, ameias de inda-querer –
Manh√£s de armas ainda em arraiais de olvido…

Percorro-me em sal√Ķes sem janelas nem portas,
Longas salas de tr√īno a espessas densidades,
Onde os p√Ęnos de Arr√°s s√£o esgar√ßadas saudades,
E os divans, em red√≥r, ansias lassas, absortas…

Ha r√īxos fins de Imperio em meu renunciar –
Caprichos de setim do meu desdem Astral…
Ha ex√©quias de herois na minha d√īr feudal –
E os meus remorsos s√£o terra√ßos sobre o Mar…

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A Mulher Inteligente

Sou doente pela mulher inteligente.

Sou fanático pela mulher inteligente. Sou viciado na inteligência da mulher inteligente. Preciso dela, exijo-a a toda a hora, persigo-a como um cão com fome persegue o osso. Sou obcecado pela mulher inteligente. A mulher inteligente é a criação suprema de Deus. A mulher inteligente é o próprio Deus. A mulher inteligente, suspeito, deve ser mesmo uma forma superior do próprio Deus. Até Deus tem inveja da mulher inteligente. Meu Deus.

A mulher inteligente despreza o que a mulher n√£o-inteligente ama.

A mulher inteligente não quer saber da conta bancária, não quer saber da marca do carro, da maquilhagem na cara. A mulher inteligente veste Prada a cada vez que fala, a cada vez que pensa. A mulher inteligente faz do que é um estilo, do que defende uma lei, do que parece uma moda. A mulher inteligente faz do tesão um estado de alma. A mulher inteligente dá-me tesão. Mmmm.

Partilhar a vida com uma mulher inteligente √© a √ļnica forma de partilha poss√≠vel.
S√≥ com ela consigo partilhar, s√≥ a ela consigo dizer tudo o que sinto, tudo o que sou. S√≥ ela saber√° como eu sei ‚Äď e depois de pensar um pouco saber√° muito melhor do que eu sei ‚Äď aquilo que eu quero dizer com aquilo que eu estou a dizer.

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Amar é Ser Desgraçado

Via-a de longe, evitava v√™-la de perto, como √© que lhe havia de falar? E era como se uma vergonha muito grande, um pecado ou coisa assim, ou uma inferioridade muito baixa e que vinha de uma superioridade muito alta em que eu via Sandra. Eu sentia-me esmagado de humilha√ß√£o, como √© que lhe havia de falar? Quem √© que disse que o amor aproxima n√£o sei qu√™? n√£o √© verdade. Sou um homem experimentado – n√£o √© verdade. Se eu amasse pouco Sandra, ou n√£o a amasse, era-me muito mais f√°cil falar com ela, lidar com ela e com a irm√£ e com quem quer que fosse dela, eu livre e independente. Amar √© p√īr ao alto e ao longe, treme-se como diante de um deus tresloucado. Amar muito √© ter pouco de n√≥s com que se possa ser gente. Amar √© ser desgra√ßado e eu era.

O Pudor é um Sentimento Masculino

O pudor √© um sentimento masculino. Quando uma mulher conhece outra, ao fim de dez minutos est√° j√° a explicar-lhe como √© que o marido trabalha na cama. Ao fim de dez anos ou de uma vida, um homem n√£o explica a outro como trabalha a mulher. √Č que o homem n√£o √© um novo-rico do sexo. Ou respeita a mulher por simples machismo?
Porque √© por machismo, por exemplo, que muitas vezes admira uma mulher que se distinguiu nas artes ou nas ci√™ncias. Implicitamente tem-se a ideia de que o normal seria n√£o se distinguir. Se portanto se distingue, √© isso t√£o extraordin√°rio como um trapezista de circo ou coisa assim. Admirando-se ent√£o a mulher, simultaneamente se humilha. Dessa humilha√ß√£o se fazem muitas admira√ß√Ķes.