Cita√ß√Ķes sobre Inf√Ęncia

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Frases sobre inf√Ęncia, poemas sobre inf√Ęncia e outras cita√ß√Ķes sobre inf√Ęncia para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

E a gente canta, a gente dan√ßa, a gente n√£o se cansa de ser crian√ßa; a gente brinca na nossa velha inf√Ęncia…

Realidade

Por causa de um livro
vieste ao meu encontro.
Era Ver√£o, n√£o sabias de nada
nem isso interessava. Palavras
amavam-se fora de ti,
no atropelo das emo√ß√Ķes.
L√° chegaria a primeira vez,
o encontro apressado num lugar
p√ļblico. Desfeito o erro
ao toque da pele, n√£o sei
se havia medo, a paix√£o queria-me
no lugar exacto do teu coração.
Palavras enrolam-se na sombra
da vida a dor do sentimento.

Atingido o espírito, o tempo
da inf√Ęncia, a realidade. Em ti
a solid√£o que o prazer
n√£o mata. Quero a beleza
dos versos revelada.
Alguns anos passaram sobre
a nossa história que não acabou.
A tarde envelhece e escrevo isto
sem saber porquê.

A minha inf√Ęncia de menina sozinha de-me duas coisas que parecem negativas, e, foram sempre positivas para mim:sil√™ncio e solid√£o.

Ruínas

Cobrem plantas sem flor crestados muros;
Range a porta anci√£; o ch√£o de pedra
Gemer parece aos pés do inquieto vate.
Ruína é tudo: a casa, a escada, o horto,
S√≠tios caros da inf√Ęncia.
Austera moça
Junto ao velho port√£o o vate aguarda;
Pendem-lhe as tranças soltas
Por sobre as roxas vestes.
Risos n√£o tem, e em seu magoado gesto
Transluz n√£o sei que dor oculta aos olhos;
‚ÄĒ Dor que √† face n√£o vem, ‚ÄĒ medrosa e casta,
√ćntima e funda; ‚ÄĒ e dos cerrados c√≠lios
Se uma discreta muda
L√°grima cai, n√£o murcha a flor do rosto;
Melancolia t√°cita e serena,
Que os ecos n√£o acorda em seus queixumes,
Respira aquele rosto. A m√£o lhe estende
O abatido poeta. Ei-los percorrem
Com tardo passo os relembrados sítios,
Ermos depois que a m√£o da fria morte
Tantas almas colhera. Desmaiavam,
Nos serros do poente,
As rosas do crep√ļsculo.
“Quem és? pergunta o vate; o sol que foge
No teu l√Ęnguido olhar um raio deixa;
‚ÄĒ Raio quebrado e frio; ‚ÄĒ o vento agita
Tímido e frouxo as tuas longas tranças.

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Todos os jardins da nossa inf√Ęncia s√£o o jardim do para√≠so. A pele suave desses tempos em que se corria com as pernas arqueadas soltando uma esp√©cie de luz pela respira√ß√£o. R√≠amos a correr para os bra√ßos dos adultos numa entrega absoluta. Eles, os adultos, atiravam-nos ao ar e apanhavam-nos com m√£os √°speras, e, talvez por isso, quando crescemos nunca mais deixamos de, esporadicamente, sonhar que voamos. E de sonhar com gigantes e an√Ķes, pois eram essas as nossas propor√ß√Ķes.

Feliz, feliz Natal, a que faz que nos lembremos das ilus√Ķes de nossa inf√Ęncia, recorde-lhe ao av√ī as alegrias de sua juventude, e lhe transporte ao viajante a sua chamin√© e a seu doce lar!

Ela estava a aprender, j√° muito tarde, aquilo que muitas pessoas √† sua volta aparentavam j√° saber desde a inf√Ęncia ‚Äď que a vida pode ser perfeitamente satisfat√≥ria mesmo sem grandes conquistas.

Lamentação dos Filhos

Do infinito nascemos
para um termo preciso.
De infindas, as penas,
de vago, o aviso.

Nados mornos, fr√°geis,
de entre dois gemidos.
Quando a morte, a eterna?
Quando o Conhecido?

Que isto j√° nos cansa,
a nós, os malformados,
desde a distante inf√Ęncia
frutos destinados.

Somos os que a vida
fez limite amargo.
De infindas, só as penas,
de vago, o aviso vago.

Sou os Sonhos que n√£o Realizei

A tristeza de n√£o ser mais do que aquilo que deixei de ser. De n√£o fazer mais do que aquilo que deixei por fazer. Sou os sonhos que n√£o realizei, os passos que n√£o dei. Sou a vida, sim, que n√£o vivi. E √© assim que vivo, entre pensamentos de que sou e a lucidez, sempre tempor√°ria mas sempre triste, de que n√£o sou. De que n√£o consigo ser. Os dias, lentos e parcimoniosos, s√£o leves brisas de tempo, folhas que o vento, sem esfor√ßo, carrega para o destino final. Escrevo porque s√≥ sei escrever. Escrevo porque nada sei fazer. E aguardo que, letra a letra, se v√°, imagem a imagem, o sonho prometido. E aguardo que, sonho a sonho, se v√°, promessa a promessa, o destino ansiado. Sou, mais do que o que sou, o que n√£o sou: o que n√£o fui capaz de ser. Fiquei a meio, sempre a meio, do que desejei finalizar. Meio escritor, meio humano, meio poeta e meio insano, meio senhor, meio crian√ßa, meio sorriso na meia inf√Ęncia. Fiquei a meio, sempre a meio, do que desejei finalizar. Fui o quase g√©nio, o quase artista, o quase pedinte, o quase louco. Fui quase feliz,

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√Āfrica vive numa situa√ß√£o quase √ļnica: as gera√ß√Ķes vivas s√£o contempor√Ęneas da constru√ß√£o dos alicerces das na√ß√Ķes. O que √© o mesmo que dizer os alicerces das suas pr√≥prias identidades. √Č como se tudo se passasse no presente, como se todas as na√ß√Ķes se entrecruzassem no mesmo texto. Cada na√ß√£o √© assunto de todos, uma inadi√°vel urg√™ncia a que ningu√©m se pode alhear. Todos s√£o c√ļmplices dessa inf√Ęncia, todos deixam marcas num retrato que est√° em gesta√ß√£o.

Enlevo

Da doçura da Noite, da doçura
De um tenro coração que vem sorrindo,
Seus segredos rec√īnditos abrindo
Pela primeira vez, a luz mais pura.

Da doçura celeste, da ternura
De um Bem consolador que vai fugindo
Pelos extremos do horizonte infindo,
Deixando-nos somente a Desventura.

Da doçura inocente, imaculada
De uma car√≠cia virginal da Inf√Ęncia,
Nessa de rosas fresca madrugada.

Era assim tua c√Ęndida fragr√Ęncia,
Arcanjo ideal de auréola delicada,
Vis√£o consoladora da Dist√Ęncia…

Pais Aprisionados

As crian√ßas tornaram-se uma arma de arremesso √† medida de quase tudo. Justificam as discuss√Ķes entre marido e mulher, justificam a falta de generosidade para com o pr√≥ximo, justificam a indisponibilidade e a inac√ß√£o em geral – e no fim, em muitos casos (…), ainda nos absolvem pelo fracasso a que, pulverizados os sonhos da inf√Ęncia, os objectivos da juventude e as agendas da primeira idade adulta, nos vemos a certa altura obrigados a resumir o balan√ßo das nossas vidas. E talvez haja, afinal, uma certa racionalidade no cosmos. Talvez haja uma raz√£o para nunca, at√© hoje, n√≥s n√£o termos tido filhos, eu e outros como eu. Talvez nenhum de n√≥s esteja ainda pronto para resistir √† inevit√°vel tenta√ß√£o de transformar os filhos num desmentido oficial para a nossa frustra√ß√£o. Talvez, no dia em que os tivermos, estejamos j√° preparados para conter o impulso de culp√°-los por essa frustra√ß√£o. E talvez sejamos n√≥s, enfim, os primeiros a fugir √† inclina√ß√£o para considerar que a nossa vida apenas come√ßou no dia em que come√ßou a vida dos nossos filhos. At√© porque, disto tenho eu a certeza, filhos de pais cuja mem√≥ria alcan√ßa para al√©m do dia do primeiro parto resultam sempre em adultos mais saud√°veis,

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Memória Consentida

Neste lugar sem tempo nem memória,
nesta luz absoluta ou absurda,
ou só escuridão total, relances há
em que creio, ou se me afigura,
ter tido, alguma vez, passado

com biografia, onde se misturam
datas, nomes, caras, paisagens
que, de t√£o r√°pidas, me deixam
apenas a lembrança agoniada
de n√£o mais poder lembr√°-las.

Sobra, por vezes, um estilhaço
ou fragmento, como o latido
de um c√£o na tarde dolente
e comprida de uma remota inf√Ęncia.
Ou o indistinto murm√ļrio de vozes

junto de um rio que, como as vozes,
n√£o existe j√° quando para ele
volvo, surpreso, o olhar cansado.
Insidiosas, rangem t√°buas no soalho,
ou é o sussurro brando do vento

no zinco ondulado, na fronde umbrosa
dos eucaliptos de perfil no horizonte,
com o mar ao fundo. Que soalho,
de que casa, que vento em que paragens,
onde o mar ao longe que, entrevistos,

os n√£o vejo j√° ou, sequer, recordo
na brevidade do instante cruel?
De que sonho, ou vida, ou espaço de outrem
provêm tais sombras melancólicas,

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O Meu Primeiro Poema

T√™m-me perguntado muitas vezes quando escrevi o primeiro poema, quando nasceu a minha poesia. Tentarei record√°-lo. Muito para tr√°s, na minha inf√Ęncia, mal sabendo ainda escrever, senti uma vez uma intensa como√ß√£o e rabisquei umas quantas palavras semi-rimadas, mas estranhas para mim, diferentes da linguagem quotidiana. Passei-as a limpo num papel, dominado por uma ansiedade profunda, um sentimento at√© ent√£o desconhecido, misto de ang√ļstia e de tristeza. Era um poema dedicado √† minha m√£e, ou seja, √†quela que conheci como tal, a ang√©lica madrasta cuja sombra suave me protegeu toda a inf√Ęncia. Completamente incapaz de julgar a minha primeira produ√ß√£o, levei-a aos meus pais. Eles estavam na sala de jantar, afundados numa daquelas conversas em voz baixa que dividem mais que um rio o mundo das crian√ßas e o dos adultos. Estendi-lhes o papel com as linhas, tremente ainda da primeira visita da inspira√ß√£o. O meu pai, distraidamente, tomou-o nas m√£os, leu-o distraidamente, devolveu-mo distraidamente, dizendo-me:
‚ÄĒ Donde o copiaste?

E continuou a falar em voz baixa com a minha mãe dos seus importantes e remotos assuntos. Julgo recordar que nasceu assim o meu primeiro poema e que assim tive a primeira amostra distraída de crítica literária.

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Soneto da Chuva

Quantas vezes chorou no teu regaço
a minha inf√Ęncia, terra que eu pisei:
aqueles versos de √°gua onde os direi,
cansado como vou do teu cansaço?

Virá abril de novo, até a tua
memória se fartar das mesmas flores
numa √ļltima √≥rbita em que fores
carregada de cinza como a lua.

Porque bebes as dores que me s√£o dadas,
desfeito é já no vosso próprio frio
meu cora√ß√£o, vis√Ķes abandonadas.

Deixem chover as l√°grimas que eu crio:
menos que chuva e lama nas estradas
és tu, poesia, meu amargo rio.

Talvez o Vento Saiba

Talvez o vento saiba dos meus passos,
das sendas que os meus pés já não abordam,
das ondas cujas cristas n√£o transbordam
senão o sal que escorre dos meus braços.

As sereias que ouvi n√£o mais acordam
à cálida pressão dos meus abraços,
e o que a inf√Ęncia teceu entre sarga√ßos
as agulhas do tempo j√° n√£o bordam.

Só vejo sobre a areia vagos traços
de tudo o que meus olhos mal recordam
e os dentes, por in√ļteis, n√£o concordam

sequer em mastigar como bagaços.
Talvez se lembre o vento desses laços
que a dura mão de Deus fez em pedaços.

A inf√Ęncia n√£o se repete, nem na lembran√ßa, nem na imagina√ß√£o. Quando, muito, d√°-se outra inf√Ęncia. As cenas ing√©nuas, porque eram ing√©nuas, n√£o tinham consci√™ncia; e as humilha√ß√Ķes, de t√£o pungentes, n√£o h√° mem√≥ria que consinta na sua perfeita express√£o.

A gra√ßa √© o esplendor da beleza, √© a beleza em movimento e mo√ßa, √© o sorriso da inf√Ęncia, √© a bondade da for√ßa, √© o perfume do fruto saboroso, √© a eleg√Ęncia da palmeira que se curva, ondeando, √†s car√≠cias do vento; a gra√ßa √© a poesia da beleza.