Passagens sobre Inf√Ęncia

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Frases sobre inf√Ęncia, poemas sobre inf√Ęncia e outras passagens sobre inf√Ęncia para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

O Menino Jesus recorda o la√ßo entre o Reino de Deus e o mist√©rio da inf√Ęncia espiritual. Ele fala dele no Evangelho: ¬ęQuem n√£o receber o Reino de Deus como um pequenino n√£o entrar√° nele¬Ľ (Marcos 10:15).

A Memória da Leitura

N√£o h√° talvez dias da nossa inf√Ęncia que tenhamos t√£o intensamente vivido como aqueles que julg√°mos passar sem t√™-los vivido, aqueles que pass√°mos com um livro preferido. Tudo quanto, ao que parecia, os enchia para os outros, e que afast√°vamos como um obst√°culo vulgar a um prazer divino: a brincadeira para a qual um amigo nos vinha buscar na passagem mais interessante, a abelha ou o raio de sol incomodativos que nos obrigavam a erguer os olhos da p√°gina ou a mudar de lugar, as provis√Ķes para o lanche que nos obrigavam a levar e que deix√°vamos ao nosso lado no banco, sem lhes tocar, enquanto, sobre a nossa cabe√ßa, o sol diminu√≠a de intensidade no c√©u azul, o jantar que motivara o regresso a casa e durante o qual s√≥ pens√°vamos em nos levantarmos da mesa para acabar, imediatamente a seguir, o cap√≠tulo interrompido, tudo isto, que a leitura nos devia ter impedido de perceber como algo mais do que a falta de oportunidade, ela pelo contr√°rio gravava em n√≥s uma recorda√ß√£o de tal modo doce (de tal modo mais preciosa no nosso entendimento actual do que o que l√≠amos ent√£o com amor) que, se ainda hoje nos acontece folhear esses livros de outrora,

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Adiamento

Depois de amanh√£, sim, s√≥ depois de amanh√£…
Levarei amanh√£ a pensar em depois de amanh√£,
E assim ser√° poss√≠vel; mas hoje n√£o…
N√£o, hoje nada; hoje n√£o posso.
A persistência confusa da minha subjetividade objetiva,
O sono da minha vida real, intercalado,
O cansaço antecipado e infinito,
Um cansa√ßo de mundos para apanhar um el√©trico…
Esta esp√©cie de alma…
S√≥ depois de amanh√£…
Hoje quero preparar-me,
Quero preparar-rne para pensar amanh√£ no dia seguinte…
Ele é que é decisivo.
Tenho j√° o plano tra√ßado; mas n√£o, hoje n√£o tra√ßo planos…
Amanhã é o dia dos planos.
Amanhã sentar-me-ei à secretária para conquistar o rnundo;
Mas s√≥ conquistarei o mundo depois de amanh√£…
Tenho vontade de chorar,
Tenho vontade de chorar muito de repente, de dentro…

Não, não queiram saber mais nada, é segredo, não digo.
S√≥ depois de amanh√£…
Quando era criança o circo de domingo divertia-rne toda a semana.
Hoje s√≥ me diverte o circo de domingo de toda a semana da minha inf√Ęncia…
Depois de amanh√£ serei outro,
A minha vida triunfar-se-√°,

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A humanidade, que deveria ter 6 mil anos de experi√™ncia, volta √† inf√Ęncia a cada gera√ß√£o.

Quanto me fazem pensar os trinta anos de vida oculta de Jesus! Da primeira inf√Ęncia e da adolesc√™ncia em Nazar√© numa fam√≠lia pobre e depois no deserto, em solid√£o e na esteira de grandes mestres como Jo√£o Batista, para jejuar, rezar, fazer sil√™ncio e preparar-se para a tarefa que o esperava, a miss√£o p√ļblica.

(dream)

Qualquer coisa de obscuro permanece
No centro do meu ser. Se me conheço,
√Č at√© onde, por fim mal, trope√ßo
No que de mim em mim de si se esquece.

Aranha absurda que uma teia tece
Feita de solidão e de começo
Fruste, meu ser anónimo confesso
Próprio e em mim mesmo a externa treva desce.

Mas, vinda dos vest√≠gios da dist√Ęncia
Ninguém trouxe ao meu pálio por ter gente
Sob ele, um rasgo de saudade ou √Ęnsia.

Remiu-se o pecador impenitente
√Ä sombra e cisma. Teve a eterna inf√Ęncia,
Em que comigo forma um mesmo ente.

Rumor dos Fogos

hoje à noite avistei sobre a folha de papel
o drag√£o em celul√≥ide da inf√Ęncia
escuro como o interior polposo das cerejas
antigo como a ins√≥nia dos meus trinta e cinco anos…

dantes eu conseguia esconder-me nas paisagens
podia beber a humidade aérea do musgo
derramar sangue nos dedos magoados
foi h√° muito tempo
quando corria pelas ruas sem saber ler nem escrever
o mundo reduzia-se a um berlinde
e as m√£os eram pequenas
desvendavam os nocturnos segredos dos pinhais

n√£o quero mais perceber as palavras nem os corpos
deixou de me pertencer o choro longínquo das pedras
prossigo caminho com estes ossos cor de malva
som a som o vegetal silêncio sílaba a sílaba o abandono
desta obra que fica por construir… o receio
de abrir os olhos e as rosas n√£o estarem onde as sonhei
e teu rosto ter desaparecido no fundo do mar

ficou-me esta m√£o com sua sombra de terra
sobre o papel branco… como √© louca esta m√£o
tentando aparar a tristeza antiga das l√°grimas

Pecado Original

Ah, quem escreverá a história do que poderia ter sido?
Será essa, se alguém a escrever,
A verdadeira história da humanidade.

O que há é só o mundo verdadeiro, não é nós, só o mundo;
O que não há somos nós, e a verdade está aí.

Sou quem falhei ser.
Somos todos quem nos supusemos.
A nossa realidade é o que não conseguimos nunca.

Que √© daquela nossa verdade ‚ÄĒ o sonho √† janela da inf√Ęncia?
Que √© daquela nossa certeza ‚ÄĒ o prop√≥sito a mesa de depois?

Medito, a cabeça curvada contra as mãos sobrepostas
Sobre o parapeito alto da janela de sacada,
Sentado de lado numa cadeira, depois de jantar.

Que é da minha realidade, que só tenho a vida?
Que é de mim, que sou só quem existo?

Quantos Césares fui!

Na alma, e com alguma verdade;
Na imaginação, e com alguma justiça;
Na intelig√™ncia, e com alguma raz√£o ‚ÄĒ
Meu Deus! meu Deus! meu Deus!
Quantos Césares fui!
Quantos Césares fui!
Quantos Césares fui!

A cidade n√£o √© um lugar. √Č a moldura de uma vida. A moldura √† procura de retrato, √© isso que eu vejo quando revisito o meu lugar de nascimento. N√£o s√£o ruas, n√£o s√£o casas. O que revejo √© um tempo, o que escuto √© a fala desse tempo. Um dialecto chamado mem√≥ria, numa na√ß√£o chamada inf√Ęncia.

A Velocidade do Tempo é Infinita

A velocidade do tempo √© infinita, e s√≥ quando olhamos para o passado, √© que temos consci√™ncia disso. O tempo ilude quem se aplica ao momento presente, de tal modo √© insens√≠vel a passagem do seu curso vertiginoso. Queres saber porqu√™? Porque todo o tempo passado se acumula num mesmo lugar; todo o passado √© contemplado em bloco, forma uma totalidade; todo ele se precipita no mesmo abismo. De resto, n√£o √© poss√≠vel delimitar grandes intervalos nesta nossa vida t√£o breve. A exist√™ncia humana √© um ponto, √© menos que um ponto. S√≥ por tro√ßa √© que a natureza deu a t√£o diminuta exist√™ncia a apar√™ncia de uma grande dura√ß√£o, dividindo-a em inf√Ęncia, em adolesc√™ncia, em juventude, em per√≠odo de transi√ß√£o da juventude √† velhice, finalmente em velhice. Tantos per√≠odos num t√£o ex√≠guo espa√ßo de tempo!
(…) Habitualmente n√£o me parecia t√£o veloz a passagem do tempo; agora, por√©m, parece-me incrivelmente r√°pida, talvez porque sinto aproximar-se o fim, talvez porque passei a dar-lhe aten√ß√£o e a avaliar o desgaste que em mim provoca.
Por isso mesmo me causa indignação ver como as pessoas gastam em futilidades a maior parte de uma vida que, mesmo dispendida com a maior parcimónia,

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A Influ√™ncia das Ilus√Ķes nas Nossas Vidas

Tra√ßar o papel das ilus√Ķes na g√©nese das opini√Ķes e das cren√ßas seria refazer a hist√≥ria da humanidade. Da inf√Ęncia √† morte, a ilus√£o envolve-nos. S√≥ vivemos por ela e s√≥ ela desejamos. Ilus√Ķes do amor, do √≥dio, da ambi√ß√£o, da gl√≥ria, todas essas v√°rias formas de uma felicidade incessantemente esperada, mant√™m a nossa actividade. Elas iludem-nos sobre os nossos sentimentos e sobre os sentimentos alheios, velando-nos a dureza do destino.
As ilus√Ķes intelectuais s√£o relativamente raras; as ilus√Ķes afectivas s√£o quotidianas. Crescem sempre porque persistimos em querer interpretar racionalmente sentimentos muitas vezes ainda envoltos nas trevas do inconsciente. A ilus√£o afectiva persuade, por vezes, que entes e coisas nos aprazem, quando, na realidade, nos s√£o indiferentes. Faz tamb√©m acreditar na perpetuidade de sentimentos que a evolu√ß√£o da nossa personalidade condena a desaparecer com a maior brevidade.
Todas essas ilus√Ķes fazem viver e aformoseiam a estrada que conduz ao eterno abismo. N√£o lamentemos que t√£o raramente sejam submetidas √† an√°lise. A raz√£o s√≥ consegue dissolv√™-las paralisando, ao mesmo tempo, importantes m√≥beis de ac√ß√£o. Para agir, cumpre n√£o saber demasiado. A vida √© repleta de ilus√Ķes necess√°rias.
Os motivos para n√£o querer multiplicam-se com as discuss√Ķes das coisas do querer.

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A inf√Ęncia √© a idade das interroga√ß√Ķes, a juventude a das afirma√ß√Ķes, a velhice a das nega√ß√Ķes.

A inf√Ęncia s√≥ √© bonita e feliz quando lembramos dela em retrospecto: para a crian√ßa √© cheia de tristezas cujo significado √© desconhecido.

A Essência de Nós não Está na Razão

“Que teria sido de mim, que teria sido da minha vida se n√£o fossem essas cren√ßas, se n√£o soubesse que √© preciso viver para Deus e n√£o para as minhas necessidades? Teria roubado, teria matado, teria mentido. Nenhuma das principais alegrias da minha vida teria podido existir para mim”. E por mais esfor√ßos mentais que fizesse, n√£o conseguia ver-se a si pr√≥prio como o ser bestial que teria sido, caso n√£o soubesse para que vivia. “Buscava resposta √† minha pergunta. Mas o pensamento n√£o me podia responder, pois o pensamento n√£o pode medir-se com a pergunta. A pr√≥pria vida se encarregou de me responder gra√ßas ao conhecimento do bem e do mal”.

“E esse conhecimento n√£o o adquiri atrav√©s de coisa alguma, foi-me outorgado, como a todos os demais, visto que o n√£o pude encontrar em parte alguma. De onde o soube? Porventura foi atrav√©s do racioc√≠nio que eu cheguei √† conclus√£o de que √© preciso amar o pr√≥ximo e n√£o lhe fazer mal? Disseram-me na inf√Ęncia e acreditei-o com alegria, pois trazia-o na alma. E quem o descobriu? A raz√£o, n√£o. A raz√£o descobriu a luta pela exist√™ncia e a lei, que exige que se eliminem todos quantos nos impedem de satisfazer os nossos desejos.

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Cen√°rio de Natal Sem o Natal

Nenhuma estrela luz, com mais brilho no céu.
Não oiço rumor d’asa ou de vagido
√Č meia-noite j√°. E ainda n√£o nasceu.
O que ter√° acontecido?

Eu, para aqui ajoelhado,
A mem√≥ria da inf√Ęncia a pedir-me alegria,
Todo o presépio armado
… E a mangedoira vazia!

O silêncio apavora:
Nem uma loa, nem o som de um sino.
Porquê tanta demora?
N√£o mais ir√° nascer o meu menino?

Nenhum sinal de sobrenatural
No cenário onde a fé não sublima nem arde.
Por isso, o meu Natal
Vai chegar tarde.

(Para sempre tarde?)

O Maior Triunfo do Homem

O maior triunfo do homem é quando se convence de que o ridículo é uma coisa sua que existe só para os outros, e, mesmo, sempre que outros queiram. Ele então deixa de importar-se com o ridículo, que, como não está em si, ele não pode matar.

Três coisas tem o homem superior que ensinar-se a esquecer para que possa gozar no perfeito silêncio a sua superioridade Рo ridículo, o trabalho e a dedicação.
Como não se dedica a ninguém, também nada exige da dedicação alheia. Sóbrio, casto, frugal, tocando o menos possível na vida, tanto para não se incomodar como para não aproximar as coisas de mais, a ponto de destruir nelas a capacidade de serem sonhadas, ele isola-se por conveniência do orgulho e da desilusão. Aprende a sentir tudo sem o sentir directamente; porque sentir directamente é submeter-se Рsubmeter-se à acção da coisa sentida.

Vive nas dores e nas alegrias alheias, Whitman ol√≠mpico, Proteu da compreens√£o, sem partilhar de viv√™-las realmente. Pode, a seu talante, embarcar ou ficar nas partidas de navios e pode ficar e embarcar ao mesmo tempo, porque n√£o embarca nem fica. Esteve com todos em todas as sensa√ß√Ķes de todas as horas da sua vida.

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Ficamos agora no momento decisivo entre duas eras. Atr√°s de n√≥s est√° um passado a que n√≥s nunca podemos retornar‚Ķ A vinda do foguete finalizou um milh√£o de anos de isolamento‚Ķ a inf√Ęncia de nossa ra√ßa era excedente e a hist√≥ria como n√≥s a sabemos come√ßou.