Passagens sobre Nobreza

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A Distração e a Categorização da Vida

Mas tu, meu amgo, onde est√°s? Sobre a tua sorte, quanta coisa fascinante e absurda imagin√°mos! No entanto, tudo isso que imagin√°mos, v√™ tu, quantas vezes o n√£o foi tanto como resposta para as nossas interroga√ß√Ķes, como um motivo para nos distrairmos mais ainda… Porque a distrac√ß√£o √© a parte mais rebelde e a mais insidiosa da nossa condi√ß√£o. Ela infilta-se-nos n√£o apenas no nosso consentimento, nas tr√©guas que nos damos, mas at√© mesmo no que √© uma conquista da nossa rara grandeza.

A arte, o hero√≠smo, a pr√≥pria evid√™ncia da vertigem, do milagre, os sonhos da reden√ß√£o e da nobreza, tudo o que √© da nossa profunda unidade, um nada o reabsorve em solidez, em moeda de compra-e-venda para a transaccionarmos com os outros no mercado da vaidade, do passatempo, na grande feira da vida. H√° uma dist√Ęncia infinita entre a apari√ß√£o da verdade, a imediata evid√™ncia de seja o que for, e at√© mesmo o seu reconhecimento: quando olhamos a evid√™ncia pela segunda vez, j√° ela est√° alinhada, classificada, endurecida entre as coisas que nos cercam. Eis porque n√≥s ignoramos ou esquecemos depressa a face do que h√° de estranho nos factos mais banais: no da vida,

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Os Eternos Descontentes

‘Para que serve viver? Tudo √© v√£o! Viver √© trilhar palha. Viver, √© consumir-se sem se aquecer.’
Estas cantilenas gastas passam ainda por sabedoria; quanto mais velha mais cheira a bafio, mais honrada é. A podridão é também um título de nobreza.
Para as crianças é que é bom falar assim! Receiam o lume porque nele se queimaram. Há muita infantilidade nos antigos livros da sabedoria!
E o que trilha eternamentente palha, com que direito tro√ßa de quantos manejam o mangal? Seria preciso amorda√ßar tais loucos, – os que se sentam √† mesa sem levar nada, nem sequer um bom apetite, e que blasfemam em seguida: ‘Tudo √© v√£o’.
Mas comer bem e beber bem, ó meus irmãos, é uma arte que não tem nada de vão.

S√£o sempre os que eu recordo que me esquecem… Mas digo para mim: ¬ęn√£o me merecem¬Ľ. E j√° n√£o fico t√£o abandonada! Sinto que valho mais, mais pobrezinha: que tamb√©m √© orgulho ser sozinha, e tamb√©m √© nobreza n√£o ter nada!

Existe uma classe de pessoas que d√° provas e atribui-se o m√©rito de ser ilustre h√° muitas gera√ß√Ķes, embora permane√ßa ociosa e in√ļtil. Intitula-se nobreza; e, n√£o menos do que a classe dos sacerdotes, deve ser considerada como um dos maiores obst√°culos √† vida livre e um dos mais ferozes e permanentes pilares da tirania.

Não há nada que demonstre tão bem a grandeza e a potência do intelecto humano, nem a superioridade e a nobreza do homem, como o facto de ele poder conhecer, compreender por completo e sentir fortemente a sua exiguidade.

Uma nação não nasce de uma ideia nobre, embora esteja preparada para provar a sua nobreza em qualquer conjectura adversa aos seus direitos de justiça.

A Arte é Indivíduo, não Colectividade

Arte √© esp√≠rito, e o esp√≠rito n√£o precisa, em absoluto, de se sentir obrigado a servir a sociedade, a colectividade. A meu ver, n√£o tem direito a faz√™-lo, devido √† sua liberdade e √† sua nobreza. Uma arte que ¬ęse mete com o povo¬Ľ, fazendo suas as necessidades das massas, do z√©-povinho, dos ignorant√Ķes, cai na mis√©ria. Prescrever-lhe isso como um dever, admitindo-se, talvez, por raz√Ķes pol√≠ticas, unicamente uma arte que a gentinha possa compreender, √© mesmo o c√ļmulo da grosseria e equivale a assassinar o esp√≠rito. Este – eis a minha firme convic√ß√£o – pode empreender os mais audaciosos, os mais incontidos avan√ßos, as tentativas e pesquisas menos acess√≠veis √†s multid√Ķes, e todavia ter a certeza de servir, de um modo elevado, indirectamente o homem, e √† la longue at√© os homens.

Eu, porém, não tenho nobreza estilística. Dói-me a cabeça porque me dói a cabeça. Dói-me o universo porque me dói a cabeça.

A Força da Vontade

Tudo vence uma vontade obstinada, todos os obst√°culos abate o homem que integrou na sua vida o fim a atingir e que est√° disposto a todos os sacrif√≠cios para cumprir a miss√£o que a si pr√≥prio se imp√īs. Atento ao mundo exterior, para que n√£o falte nenhuma oportunidade de p√īr em pr√°tica o pensamento que o anima, n√£o deixa que ele o distraia da tens√£o interna que lhe h√°-de dar a vit√≥ria; tem os dotes do pol√≠tico e os dotes do artista, quer modelar o mundo segundo o esquema que ideou. N√£o se trata, claro, de um triunfo pessoal; em hist√≥ria da cultura n√£o h√° triunfos pessoais; ou a vontade √© pura e generosa, nitidamente orientada ao bem geral, ou mais cedo, mais tarde, se h√°-de quebrar contra vontades de progresso mais fortes que ela. Que o querer tenha sua origem e seu apoio em cora√ß√£o aberto √† nobreza, √† beleza e √† justi√ßa; de outro modo √© apenas gume fino e duro de faca; por isso mesmo fr√°gil, na sua aparente penetra√ß√£o e resist√™ncia. Vontade inteligente, e n√£o manhosa, altru√≠sta, e n√£o virada ao sujeito, pedag√≥gica, e n√£o sedenta de dom√≠nio; a esta pertencem os s√©culos por vir: √© a voz a que surgem;

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A estirpe não transforma os indivíduos em nobres, mas os indivíduos dão nobreza à estirpe.

O respeito pelo passado Рeis o traço que distingue a instrução da barbárie; as tribos nómadas não possuem nem história, nem nobreza.

Ser humilde com os superiores é um dever; com os iguais, é uma cortesia; com os inferiores, é nobreza; e com todos, segurança!

Porque o Povo Diz Verdades

Porque o povo diz verdades,
Tremem de medo os tiranos,
Pressentindo a derrocada
Da grande pris√£o sem grades
Onde h√° j√° milhares de anos
A raz√£o vive enjaulada.

Vem perto o fim do capricho
Dessa nobreza postiça,
Irmã gémea da preguiça,
Mais asquerosa que o lixo.

J√° o escravo se convence
A lutar por sua prol
J√° sabe que lhe pertence
No mundo um lugar ao sol.

Do céu não se quer lembrar,
J√° n√£o se deixa roubar,
Por medo ao tal satan√°s,
J√° n√£o adora bonecos
Que, se os fazem em canecos,
Nem d√£o estrume capaz.

Mostra-lhe o saber moderno
Que levou a vida inteira
Preso àquela ratoeira
Que há entre o céu e o inferno.

Um Vento de Ambi√ß√Ķes Econ√≥micas em Todos os Graus

Elementos subversivos fermentam, de mistura com interesses econ√≥micos √† vista, em povos n√£o preparados para a emancipa√ß√£o, que √© hoje a f√≥rmula aliciante das novas servid√Ķes. Independ√™ncias alicer√ßadas em √≥dios pol√≠ticos ou r√°cicos constituem-se em unidades nacionais desprovidas de apoio econ√≥mico e t√©cnico, capaz de valoriz√°-las e faz√™-las progredir. Nacionalismos imprudentes e excessivos cavam a ru√≠na de povos que s√≥ a coopera√ß√£o amig√°vel podia salvar. A miragem do aumento indefinido das riquezas traz as imagina√ß√Ķes em alvoro√ßo: confiantes numa t√©cnica que se afirma de possibilidades ilimitadas, somos batidos por um vento de ambi√ß√Ķes econ√≥micas em todos os graus ‚ÄĒ nos indiv√≠duos, nos povos, no g√©nero humano. E no entanto os homens por toda a parte se mostram desalentados, ansiosos, inquietos, como se a riqueza e as divers√Ķes n√£o trouxessem √†s almas consola√ß√£o nem paz. Os t√£o reclamados direitos da pessoa humana (que muitos julgam ter descoberto agora) parece visarem preferentemente a massa confusa, desumanizada, despersonalizada, e n√£o o homem na integridade e plenitude do seu ser, da sua nobreza e valor infinito.

Cegos como as Peças de Ouro Reluzentes

A Fama, a Glória, as Armas, a Nobreza,
A Ciência, o Poder e tudo quanto
Em honra e distinção, de canto a canto,
Encerra deste mundo a v√£ Grandeza,

A Pluto, cego deus, com vil baixeza
Adoram de joelhos, como a santo:
Pois só o deus do reino atroz do espanto
Pode ser rei e Numen da riqueza.

Do dossel do seu trono est√£o pendentes
C’roas, mitras, laur√©is, braz√Ķes, tiaras,
Que o cego deus reparte às cegas gentes.

Tudo of’rendar-lhe vai nas torpes aras,
Cegos co’as pe√ßas de ouro reluzentes,
A Honra, a Liberdade, as vidas caras.

Opini√Ķes Influenciadas pelo Interesse

A maior parte das coisas pode ser considerada sob pontos de vista muito diferentes: interesse geral ou interesse particular, principalmente. A nossa aten√ß√£o, naturalmente concentrada sob o aspecto que nos √© proveitoso, impede que vejamos os outros. O interesse possui, como a paix√£o, o poder de transformar em verdade aquilo em que lhe √© √ļtil acreditar. Ele √©, pois, freq√ľentemente, mais √ļtil do que a raz√£o, mesmo em quest√Ķes em que esta deveria ser, aparentemente, o guia √ļnico. Em economia pol√≠tica, por exemplo, as convic√ß√Ķes s√£o de tal modo inspiradas pelo interesse pessoal que se pode, em geral, saber pr√©viamente, conforme a profiss√£o de um indiv√≠duo, se ele √© partid√°rio ou n√£o do livre c√Ęmbio.
As varia√ß√Ķes de opini√£o obedecem, naturalmente, √†s varia√ß√Ķes do interesse. Em mat√©ria pol√≠tica, o interesse pessoal constitui o principal factor. Um indiv√≠duo que, em certo momento, energicamente combateu o imposto sobre a renda, com a mesma energia o defender√° mais, se conta ser ministro. Os socialistas enriquecidos acabam, em geral, conservadores, e os descontentes de um partido qualquer se transformam facilmente em socialistas.
O interesse, sob todas as suas formas, n√£o √© somente gerador de opini√Ķes. Agu√ßado por necessidades muito intensas, ele enfraquece logo a moralidade.

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