Passagens sobre Organização

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Frases sobre organiza√ß√£o, poemas sobre organiza√ß√£o e outras passagens sobre organiza√ß√£o para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

O Começo de Todas as Histórias

O come√ßo de todas as hist√≥rias √©, no princ√≠pio, rid√≠culo. Parece n√£o haver esperan√ßa de que esta coisa acabada de nascer, ainda incompleta e tenra em todas as suas articula√ß√Ķes, seja capaz de se manter viva na organiza√ß√£o completa do mundo, que, como todas as organiza√ß√Ķes completas, luta por se fechar. Contudo, n√£o podemos esquecer que a hist√≥ria, se tiver uma justifica√ß√£o para existir, tem dentro de si a sua pr√≥pria organiza√ß√£o completa at√© antes de estar completamente formada; por esta raz√£o n√£o h√° motivo para desesperar com o princ√≠pio de uma hist√≥ria; num caso semelhante, os pais teriam de desesperar com o beb√© porque n√£o tinham nenhuma inten√ß√£o de trazer para o mundo este ser rid√≠culo e pat√©tico.
√Č claro que nunca sabemos se h√° raz√£o ou n√£o para o desespero que sentimos. Mas reflectindo sobre isso podemos obter um certo apoio; sofri anteriormente da falta deste conhecimento.

A Profundidade do Ser

E de vez em quando descer √† gravidade de mim, √† profundidade do meu ser. E verificar ent√£o que tudo se transfigura. Que √© que significa este garatujar quase gratuito, este riso superficial, todo este modo de ser menor? A melancolia profunda, t√£o de dentro que ela se iguala √† alegria sem medida. Espa√ßo rarefeito de n√≥s, √© o lugar da grandeza do homem, do que √© nele fundamental, o lugar do aparecimento de Deus. Mas Deus n√£o me aparece – aparece apenas a inunda√ß√£o que me vem da infinita beatitude, da grandeza e do assombro. N√≥s vivemos habitualmente √† superf√≠cie de n√≥s, ligados ao que √© da vida imediata, enredados nas mil futilidades com que se nos enchem os dias. Mas de vez em quando, o abismo da natureza, um livro ou uma m√ļsica que dos abismos vem, abre-nos aos p√©s um precip√≠cio hiante e tudo se dilui num sentir que est√° antes e abaixo e mais longe que esse tudo. H√° uma harmonia que em n√≥s espera por um som, um acorde, uma palavra, para imediatamente se organizar e envolver-nos. E a√≠ somos verdade para a infinidade dos s√©culos.

Pensar n√£o tem mais transcend√™ncia em si pr√≥prio do que arrumar uma casa: trata-se de p√īr em ordem, de organizar um meio em que nos possamos mover, o que n√£o significa que o queiramos fixo para sempre, como nenhuma dona de casa sup√Ķe que a limpeza se far√° para todo o sempre.

Ora Até que Enfim

Ora at√© que enfim…, perfeitamente…
C√° est√° ela!
Tenho a loucura exatamente na cabeça.
Meu coração estourou como uma bomba de pataco,
E a minha cabe√ßa teve o sobressalto pela espinha acima…

Graças a Deus que estou doido!
Que tudo quanto dei me voltou em lixo,
E, como cuspo atirado ao vento,
Me dispersou pela cara livre!
Que tudo quanto fui se me atou aos pés,
Como a sarapilheira para embrulhar coisa nenhuma!
Que tudo quanto pensei me faz cócegas na garganta
E me quer fazer vomitar sem eu ter comido nada!

Graças a Deus, porque, como na bebedeira,
Isto é uma solução.
Arre, encontrei uma solu√ß√£o, e foi preciso o est√īmago!
Encontrei uma verdade, senti-a com os intestinos!

Poesia transcendental, já a fiz também!
Grandes raptos líricos, também já por cá passaram!
A organiza√ß√£o de poemas relativos √† vastid√£o de cada assunto resolvido em v√°rios ‚ÄĒ
Também não é novidade.
Tenho vontade de vomitar, e de me vomitar a mim…
Tenho uma n√°usea que, se pudesse comer o universo para o despejar na pia,

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A Má Consciência como Inibição dos Instintos

A m√° consci√™ncia √© para mim o estado m√≥rbido em que devia ter ca√≠do o homem quando sofreu a transforma√ß√£o mais radical que alguma vez houve, a que nele se produziu quando se viu acorrentado √† argola da sociedade e da paz. √Ä maneira dos peixes obrigados a adaptarem-se a viver em terra, estes semianimais, acostumados √† vida selvagem, √† guerra, √†s correrias e aventuras, viram-se obrigados de repente a renunciar a todos os seus nobres instintos. For√ßavam-nos a irem pelo seu p√©, a ¬ęlevarem-se a si mesmos¬Ľ, quando at√© ent√£o os havia levado a √°gua: esmagava-os um peso enorme. Sentiam-se inaptos para as fun√ß√Ķes mais simples; neste mundo novo e desconhecido n√£o tinham os seus antigos guias estes instintos reguladores, inconscientemente fal√≠veis; viam-se reduzidos a pensar, a deduzir, a calcular, a combinar causas e efeitos. Infelizes! Viam-se reduzidos √† sua ¬ęconsci√™ncia¬Ľ, ao seu √≥rg√£o mais fraco e mais coxo! Creio que nunca houve na terra desgra√ßa t√£o grande, mal-estar t√£o horr√≠vel!
Acrescente-se a isto que os antigos instintos n√£o haviam renunciado de vez √†s suas exig√™ncias. Mas era dif√≠cil e ami√ļde imposs√≠vel satisfaz√™-las; era preciso procurar satisfa√ß√Ķes novas e subterr√Ęneas. Os instintos sob a enorme for√ßa repressiva, volvem para dentro,

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H√° diversos padr√Ķes por onde avaliar a import√Ęncia de uma organiza√ß√£o. Um dos mais importantes √© o calibre da sua lideran√ßa.

As Mulheres S√£o Profundamente Diferentes dos Homens

S√£o profundamente diferentes, felizmente. At√© o c√©rebro tem uma outra organiza√ß√£o. A mulher √© extraordin√°ria… Gosto muito da est√°tua da V√©nus de Milo, a√≠ √© que est√° o sentido. N√£o h√° nada dela que eu tire para o sexo. O sexo √© um prazer, um v√≠cio, como fumar, tomar caf√©, beber uma droga. A V√©nus de Milo: a gente n√£o sabe a posi√ß√£o das m√£os, mas o seio √© muito bonito, nada provocativo, nem a cara, que √© muito serena, muito feminina; mas o ventre √© o que sobressai mais. E √© o ventre onde se gera a humanidade. A Agustina Bessa-Lu√≠s diz mesmo que Cristo, Deus, nasceu do ventre da mulher. Veja a import√Ęncia que tem e que se n√£o d√° √† mulher: a de criar humanidade. E essa est√°tua, por coincid√™ncia, √© a mais conhecida de todas as do mundo ocidental.

Por vezes, é absolutamente necessário que o líder actue independentemente, sem consultar ninguém, e apresente aquilo que fez à organização.

Os problemas económicos são os que mais nos preocupam: o custo de vida, o desemprego, o bem-estar das pessoas. E também a eficácia administrativa, a organização do Estado no sentido da ordem democrática.

Queixa das almas jovens censuradas

Dão-nos um lírio e um canivete
e uma alma para ir à escola
mais um letreiro que promete
raízes, hastes e corola

D√£o-nos um mapa imagin√°rio
que tem a forma de uma cidade
mais um relógio e um calendário
onde n√£o vem a nossa idade

D√£o-nos a honra de manequim
para dar corda à nossa ausência.
Dão-nos um prémio de ser assim
sem pecado e sem inocência

Dão-nos um barco e um chapéu
para tirarmos o retrato
Dão-nos bilhetes para o céu
levado à cena num teatro

Penteiam-nos os cr√Ęneos ermos
com as cabeleiras das avós
para jamais nos parecermos
connosco quando estamos sós

Dão-nos um bolo que é a história
da nossa historia sem enredo
e não nos soa na memória
outra palavra que o medo

Temos fantasmas t√£o educados
que adormecemos no seu ombro
somos vazios despovoados
de personagens de assombro

D√£o-nos a capa do evangelho
e um pacote de tabaco
d√£o-nos um pente e um espelho
pra pentearmos um macaco

Dão-nos um cravo preso à cabeça
e uma cabeça presa à cintura
para que o corpo não pareça
a forma da alma que o procura

D√£o-nos um esquife feito de ferro
com embutidos de diamante
para organizar j√° o enterro
do nosso corpo mais adiante

D√£o-nos um nome e um jornal
um avi√£o e um violino
mas n√£o nos d√£o o animal
que espeta os cornos no destino

D√£o-nos marujos de papel√£o
com carimbo no passaporte
por isso a nossa dimens√£o
não é a vida,

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Todas as tend√™ncias ego√≠stas que h√° nos homens, o culto de si pr√≥prios e o desprezo pelos outros, t√™m origem na organiza√ß√£o actual das rela√ß√Ķes entre os homens e as mulheres.

O Caminho da Verdade

Afirmo que a verdade é uma terra sem caminhos definidos, e que não a podemos abordar por qualquer caminho que seja, por nenhuma religião, por nenhum credo. Este é o meu ponto de vista, e adiro a este de forma absoluta e incondicional. A verdade, sendo ilimitada, incondicionada, inacessível por qualquer caminho que seja, não pode ser organizada; nem deve nenhuma organização ser formada para liderar ou coagir as pessoas para seguir um caminho em particular. Se entender isto, então compreenderá quanto impossível é organizar uma crença. Uma crença é uma questão puramente individual, e não é possível organizá-la. Se fizer isso, esta crença torna-se morta, cristaliza-se, tonar-se um credo, uma seita, uma religião, a ser imposta a outros.

A Insoci√°vel Sociabilidade dos Homens

O meio que a natureza utiliza para levar a bom termo o desenvolvimento de todas as suas disposi√ß√Ķes √© o seu antagonismo no interior da sociedade, na medida em que este √©, no entanto, no final de contas, a causa de uma organiza√ß√£o regular dessa sociedade. Entendo aqui por antagonismo a insoci√°vel sociabilidade dos homens, ou seja, a sua inclina√ß√£o para entrar em sociedade, inclina√ß√£o que √© contudo acompanhada de uma repulsa geral a entrar em sociedade, que amea√ßa constantemente desagreg√°-la.

A (Des)Vantagem do Casamento

A verdadeira desvantagem do casamento é que nos despoja do egoísmo. E as pessoas que não são egoístas são absolutamente desinteressantes. Falta-lhes individualidade. Contudo, há certos temperamentos que se tornam mais complexos com o casamento. Mantêm o egotismo e acrescentam-lhe muitos outros egos. São obrigados a ter mais que uma vida. Tornam-se mais eficientes na sua disciplina, e uma organização eficiente é, segundo creio, o objectivo da existência do homem. Além disso, toda a experiência é válida e, por mais que se fale contra o casamento, não deixa de ser uma experiência.

A Glorificação das Aparências

N√£o sei o que acontecer√° quando formos todos funcion√°rios aureolados pela organiza√ß√£o de apar√™ncias que acentua a satisfa√ß√£o dos privil√©gios. A apar√™ncia vai tomando conta at√© da vida privada das pessoas. N√£o importa ter uma exist√™ncia nula, desde que se tenha uma apar√™ncia de apropria√ß√£o dos bens de consumo mais altamente valorizados. H√° de facto um novo proletariado preparado para passar por emancipa√ß√£o e conquistas do s√©culo. As bestas de carga carregam agora com a verdade corrente que √© o humanismo em foco ‚ÄĒ a caricatura do humano e do seu significado.

Fui um Leitor Apaixonado

Eu fui um leitor apaixonado. N√£o havia livros em minha casa, mas costumava ler bastante nas biblioteca p√ļblicas, especialmente √† noite. Lia indiscriminadamente. Lembro-me de ler a tradu√ß√£o do ¬ęPara√≠so Perdido¬Ľ quando tinha 16 anos. N√£o havia ningu√©m que me dissesse o que experimentar a seguir. Por isso tive uma educa√ß√£o liter√°ria an√°rquica cheia de lacunas, mas com o tempo consegui organizar uma esp√©cie de vis√£o coerente da literatura, acima de tudo da literatura francesa.

O Lucro de Um é Prejuízo de Outro

O ateniense Dêmades condenou um homem da sua cidade que tinha por ofício vender as coisas necessárias para os enterros, sob a alegação de que exigia um lucro excessivo e esse lucro não lhe podia vir sem a morte de muitas pessoas. Tal julgamento parece estar mal pronunciado, na medida em que não se obtém benefício algum a não ser com prejuízo de outrem, e que dessa maneira seria preciso condenar toda a espécie de ganho.
O mercador s√≥ faz bem os seus neg√≥cios por causa da devassid√£o dos jovens; o lavrador, pela carestia dos cereais; o arquitecto, pela ru√≠na das casas; os oficiais de justi√ßa, pelos processos e contendas dos homens; mesmo as honras e a actividade dos ministros da religi√£o prov√™m da nossa morte e dos nossos v√≠cios. Nenhum m√©dico se alegra com a sa√ļde mesmo dos seus amigos, diz o antigo c√≥mico grego, nem o soldado com a paz da sua cidade; e assim sucessivamente. E o que √© pior: cada um sonde dentro de si mesmo, e descobrir√° que a maioria dos nossos desejos √≠ntimos nascem e alimentam-se √†s expensas de outrem.
Considerando isso, veio-me à mente que nisso a natureza não contradiz a sua organização geral,

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√Č indispens√°vel mostrar que a Causa Mon√°rquica est√° viva e que n√£o √© simplesmente uma rel√≠quia do passado. Podemos representar um grande papel, se a Causa se organizar: a ditadura militar que devemos continuar a apoiar, carece de uma for√ßa que n√£o tem, e que n√≥s, estando organizados, lhe podemos dar; a ditadura n√£o poder√° durar sempre, e ter√° de ser sucedida por qualquer coisa.

O Problema do Pacifismo

Regozijo-me por me haverem dado a oportunidade de proferir algumas palavras sobre o problema do pacifismo. A evolu√ß√£o dos √ļltimos anos mostrou novamente que n√£o √© eficaz deixar a luta contra o armamento e contra o esp√≠rito b√©lico nas m√£os dos governantes. Mas a forma√ß√£o de grandes organiza√ß√Ķes com muitos membros tamb√©m n√£o basta, por si s√≥, para atingirmos essa finalidade. A meu ver o meio mais eficaz √© o que j√° o sarc√°stico Arist√≥fanes, h√° quase tr√™s mil anos preconizava na sua famosa com√©dia sat√≠rica ¬ęLisistrata¬Ľ.
Poderíamos assim conseguir que o problema do pacifismo se tornasse uma questão vital da Humanidade, um verdadeiro combate a que seriam atraídos todos os homens de boa-vontade e personalidade vigorosa. A luta seria árdua, por ter de se travar no campo da ilegalidade, mas no fundo seria legítima, por se travar em nome do verdadeiro direito dos homens, contra dirigentes que, por interesses muitas vezes odiosos, exigem dos seus concidadãos um sacrifício de vida que redunda também num acto criminal por atentar contra um dos mandamentos da Lei de Deus.
Muitos que se consideram bons pacifistas não estarão dispostos a tomar parte num pacifismo tão radical, invocando motivos patrióticos. Com esses não se poderá contar na hora crítica.

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Os líderes sabem bem que a crítica construtiva no seio das estruturas da organização, por mais ferina que seja, é um dos métodos mais eficazes de resolver problemas internos.