Cita√ß√Ķes sobre Prisioneiros

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Frases sobre prisioneiros, poemas sobre prisioneiros e outras cita√ß√Ķes sobre prisioneiros para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Como um fabricante de armadilhas desajeitado que acaba sempre prisioneiro das engrenagens que produz, também nós inventamos o tempo e nunca temos tempo. Os nossos relógios nunca dormem. Quantas vezes o tempo é a nossa desculpa para desinvestir da vida, para perpetuar o desencontro que mantemos com ela?

Lisboa perto e longe

Lisboa chora dentro de Lisboa
Lisboa tem pal√°cios sentinelas.
E fecham-se janelas quando voa
nas praças de Lisboa Рbranca e rota
a blusa de seu povo – essa gaivota.

Lisboa tem casernas catedrais
museus cadeias donos muito velhos
palavras de joelhos tribunais.
Parada sobre o cais olhando as √°guas
Lisboa é triste assim cheia de mágoas.

Lisboa tem o sol crucificado
nas armas que em Lisboa est√£o voltadas
contra as m√£os desarmadas – povo armado
de vento revoltado violas astros
Рmeu povo que ninguém verá de rastos.

Lisboa tem o Tejo tem veleiros
e dentro das pris√Ķes tem velas rios
dentro das m√£os navios prisioneiros
ai olhos marinheiros – mar aberto
– com Lisboa t√£o longe em Lisboa t√£o perto.

Lisba é uma palavra dolorosa
Lisboa s√£o seis letras proibidas
seis gaivotas feridas rosa a rosa
Lisboa a desditosa desfolhada
palavra por palavra espada a espada.

Lisboa tem um cravo em cada m√£o
tem camisas que abril desabotoa
mas em maio Lisboa é uma canção
onde h√° versos que s√£o cravos vermelhos
Lisboa que ninguem ver√° de joelhos.

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Os Amantes com Casa

Andavam pela casa amando-se
no ch√£o e contra as paredes.
Respiravam exaustos como se tivessem
nascido da terra
de dentro das sementeiras.
Beijavam-se magoados
até se magoarem mais.
Um no outro eram prisioneiros um do outro
e livres libertavam-se
para a vida e para o amor.
Vivendo a própria morte
voltavam a andar pela casa amando-se
no ch√£o e contra as paredes.
Ent√£o era a m√ļsica, como se
cada corpo atravessasse o outro corpo
e recebesse dele nova presença, agora
serena e mais pobre mas avidamente rica
por essa pobreza.
A nudez corria-lhes pelas m√£os
e chegava aonde tudo é branco e firme.
Aquele fogo de carne
era a carne do amor,
era o fogo do amor,
o fogo de arder amando-se e por toda a casa,
contra as paredes, no ch√£o.
Se mais n√£o pressentissem bastaria
aquela linguagem de falar tocando-se
como dormem as aves.
E os olhos gastos
por amor de olhar,
por olhar o amor.
E no ch√£o
contra as paredes se amaram e
pela casa andavam como
se dentro das sementeiras respirassem.

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A necessidade de ter determinada coisa – √†s vezes algo pequeno e in√ļtil – faz com que terminemos prisioneiros dela.

An√ļncio no Ar

Céus, nuvens, ondas, ventos,
dai-me notícias do meu amor norueguês.

Elementos da natureza gastos por tantos versos,
ferralha rom√Ęntica, brilhai de novo
e trazei-me notícias do meu amor norueguês.

Aquela que eu amei um ver√£o na praia
Рpérola cuja ostra era um barco de carvão,
matrícula de Bergen, essa mesma, elementos!,
notícias, notícias do meu amor norueguês.

A que veio dos fiordes e vivia num barco
encostado ao cais, junto de um guindaste;
a que me acendeu a manh√£ do amor,
a que abriu a porta às tempestades,
a que me deu a chave da inven√ß√£o…
Existe? Fugiu à ocupação? Morreu prisioneira?

Notícias, notícias do seu rosto que mal lembro,
do seu corpo de caule adolescente…
Notícias do seixo branco que trocámos
com palavras de amor em inglês mal decorado.

Notícias da que foi espiga mal madura,
notícias do meu amor norueguês.

Recado aos Amigos Distantes

Meus companheiros amados,
n√£o vos espero nem chamo:
porque vou para outros lados.
Mas é certo que vos amo.

Nem sempre os que est√£o mais perto
fazem melhor companhia.
Mesmo com sol encoberto,
todos sabem quando é dia.

Pelo vosso campo imenso,
vou cortando meus atalhos.
Por vosso amor é que penso
e me dou tantos trabalhos.

N√£o condeneis, por enquanto,
minha rebelde maneira.
Para libertar-me tanto,
fico vossa prisioneira.

Por mais que longe pareça,
ides na minha lembrança,
ides na minha cabeça,
valeis a minha Esperança.

Dois prisioneiros cujas celas s√£o adjacentes comunicam-se entre si batendo na parede. A parede √© aquilo que os separa mas tamb√©m √© o meio de comunica√ß√£o. √Č a mesma coisa conosco e Deus. Cada separa√ß√£o √© um v√≠nculo.

Do Livre Arbítrio

A ideia de livre arb√≠trio, na minha opini√£o, tem o seu princ√≠pio na aplica√ß√£o ao mundo moral da ideia primitiva e natural de liberdade f√≠sica. Esta aplica√ß√£o, esta analogia √© inconsciente; e √© tamb√©m falsa. √Č, repito, um daqueles erros inconscientes que n√≥s cometemos; um daqueles falsos racioc√≠nios nos quais tantas vezes e t√£o naturalmente ca√≠mos. Schopenhauer mostrou que a primitiva no√ß√£o de liberdade √© a “aus√™ncia de obst√°culos”, uma no√ß√£o puramente f√≠sica. E na nossa concep√ß√£o humana de liberdade a no√ß√£o persiste. Ningu√©m toma um idiota, ou louco por respons√°vel. Porqu√™? Porque ele concebe uma coisa no c√©rebro como um obst√°culo a um verdadeiro ju√≠zo.
A ideia de liberdade é uma ideia puramente metafísica.
A ideia prim√°ria √© a ideia de responsabilidade que √© somente a aplica√ß√£o da ideia de causa, pela refer√™ncia de um efeito √† sua Causa. “Uma pessoa bate-me; eu bato √†quela em defesa.” A primeira atingiu a segunda e matou-a. Eu vi tudo. Essa pessoa √© a Causa da morte da outra.” Tudo isto √© inteiramente verdade.
Assim se vê que a ideia de livre arbítrio não é de modo algum primitiva; essa responsabilidade, fundada numa legítima mas ignorante aplicação do princípio de Causalidade é a ideia realmente primitiva.

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Escravo de Si Mesmo

A suposi√ß√£o de que a identidade de uma pessoa transcende, em grandeza e import√Ęncia, tudo o que ela possa fazer ou produzir √© um elemento indispens√°vel da dignidade humana. (…) S√≥ os vulgares consentir√£o em atribuir a sua dignidade ao que fizeram; em virtude dessa condescend√™ncia ser√£o ¬ęescravos e prisioneiros¬Ľ das suas pr√≥prias faculdades e descobrir√£o, caso lhes reste algo mais que mera vaidade estulta, que ser escravo e prisioneiro de si mesmo √© t√£o ou mais amargo e humilhante que ser escravo de outrem.

Ser Livre

Eu n√£o nasci com fome de ser livre. Eu nasci livre – livre em todos os aspectos que conhecia. Livre de correr pelos campos perto da palhota da minha m√£e, livre de nadar num regato transparente que atravessava a minha aldeia, livre de assar ma√ßarocas sob as estrelas e montar os largos dorsos de bois vagarosos. Contanto que obedecesse ao meu pai e observasse os costumes da minha tribo, eu n√£o era incomodado pelas leis do homem nem de Deus. (…) S√≥ quando comecei a aprender que a minha liberdade de menino era uma ilus√£o, quando descobri, em jovem, que a minha liberdade j√° me fora roubada, √© que comecei a sentir fome dela. (…) Calcorreei esse longo caminho para a liberdade. Tentei n√£o vacilar; dei maus passos durante o percurso. Mas descobri o segredo: depois de subir uma alta montanha apenas se encontram outras montanhas para subir. Parei aqui um momento para descansar, para gozar a vista da gloriosa paisagem que me rodeia, para voltar os olhos para a dist√Ęncia percorrida. Mas s√≥ posso descansar um momento, porque, com a liberdade, vem a responsabilidade, e n√£o me atrevo a demorar, pois a minha caminhada ainda n√£o terminou. (…) Ser livre n√£o √© apenas livrar-se das pr√≥prias grilhetas,

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Um prisioneiro de guerra é um homem que tentou matá-lo, não conseguiu e agora implora para que você não o mate.

O Início do Conhecimento

Um primeiro sinal do in√≠cio do conhecimento √© o desejo de morrer. Esta vida parece insuport√°vel, a outra, intang√≠vel. A pessoa j√° n√£o se envergonha mais de querer morrer, pede para ser levada da velha cela que ela odeia para uma nova, que s√≥ ent√£o aprender√° a odiar. Persiste um res√≠duo de f√© durante a transfer√™ncia se o senhor do lugar casualmente passar pelo corredor, avistar o prisioneiro e disser: ¬ęEste homem voc√™s n√£o podem prender outra vez. Ele vai para a minha casa¬Ľ.

Preciso de Ti

O amor é bem capaz de ser a melhor maneira de nos encontrarmos connosco.
Preciso de ti para saber de mim.
Sei-o sempre que por minutos parece que vou perder-te, numa discussão das que vamos tendo. Discutir é abrir a válvula do amor, deixá-lo respirar, sangrá-lo para poder regressar à estrada. Nenhum amor aguenta sem sangrar.
Preciso de ti para pensar em mim.
Sei-o porque quando parece que vais eu vou também, deixo de saber quem sou, como sou. Para onde vou.
Preciso de ti para precisar de mim.
E os que não me entendem que vão para o raio que os parta. Os que dizem que isto não é nada recomendável, que isto não devia ser assim, que eu devia ser capaz de ser o que sou sem precisar de ti. Infelizes.
Preciso de ti para cuidar de mim.
O amor é bem capaz de ser precisar do outro para cuidarmos de nós.
E eu cuido-me. Quero estar viva para te poder amar. Conheces melhor motivo do que esse? √Č claro que amo os meus pais, a minha fam√≠lia toda, os meus gatos, aquilo que a vida me tem dado.

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Façam a Barba, Meus Senhores!

A barba, por ser quase uma máscara, deveria ser proibida pela polícia. Além disso, enquanto distintivo do sexo no meio do rosto, ela é obscena: por isso é apreciada pelas mulheres.
Dizem que a barba √© natural ao homem: n√£o h√° d√ļvida, e por isso ela √© perfeitamente adequada ao homem no estado natural; do mesmo modo, por√©m, no estado civilizado √© natural ao homem fazer a barba, uma vez que assim ele demonstra que a brutal viol√™ncia animalesca – cujo emblema, percebido imediatamente por todos, √© aquela excresc√™ncia de p√™los, caracter√≠stica do sexo masculino – teve de ceder √† lei, √† ordem e √† civiliza√ß√£o.
A barba aumenta a parte animalesca do rosto e ressalta-a. Por essa raz√£o, confere-lhe um aspecto brutal t√£o evidente. Basta observar um homem barbudo de perfil enquanto ele come! Este pretende que a barba seja um ornamento. No entanto, h√° duzentos anos era comum ver esse ornamento apenas em judeus, cossacos, capuchinhos, prisioneiros e ladr√Ķes. A ferocidade e a atrocidade que a barba confere √† fisionomia dependem do facto de que uma massa respectivamente sem vida ocupa metade do rosto, e justamente aquela que expressa a moral. Al√©m disso, todo o tipo de p√™lo √© animalesco.

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Seja qual for o país, capitalista ou socialista, o homem foi em todo o lado arrasado pela tecnologia, alienado do seu próprio trabalho, feito prisioneiro, forçado a um estado de estupidez.

Vencedor

Toma as espadas r√ļtilas, guerreiro,
E √° rutil√Ęncia das espadas, toma
A adaga de aço, o gládio de aço, e doma
Meu coração Рestranho carniceiro!

N√£o podes?! Chama ent√£o presto o primeiro
E o mais possante gladiador de Roma.
E qual mais pronto, e qual mais presto assoma,
Nenhum pode domar o prisioneiro.

Meu coração triunfava nas arenas.
Veio depois de um domador de hienas
E outro mais, e, por fim, veio um atleta,

Vieram todos, por fim; ao todo, uns cem…
E não pude domá-lo, enfim, ninguém,
Que ninguém doma um coração de poeta!

Sem Medo nem Esperança

Li no nosso Hecat√£o que p√īr termo aos desejos √© proveitoso como rem√©dio aos nossos temores. Diz ele: ¬ędeixar√°s de ter medo quando deixares de ter esperan√ßa¬Ľ. Perguntar√°s tu como √© poss√≠vel conciliar duas coisas t√£o diversas. Mas √© assim mesmo, amigo Luc√≠lio: embora pare√ßam dissociadas, elas est√£o interligadas. Assim como uma mesma cadeia acorrenta o guarda e o prisioneiro, assim aquelas, embora parecendo dissemelhantes, caminham lado a lado: √† esperan√ßa segue-se sempre o medo. Nem √© de admirar que assim seja: ambos caracterizam um esp√≠rito hesitante, preocupado na expectativa do futuro.
A causa principal de ambos é que não nos ligamos ao momento presente antes dirigimos o nosso pensamento para um momento distante e assim é que a capacidade de prever, o melhor bem da condição humana, se vem a transformar num mal. As feras fogem aos perigos que vêem mas assim que fugiram recobram a segurança. Nós tanto nos torturamos com o futuro como com o passado. Muitos dos nossos bens acabam por ser nocivos: a memória reactualiza a tortura do medo, a previsão antecipa-a; apenas com o presente ninguém pode ser infeliz!

Sonetos Para Maria Helena

Tu que por crenças vãs a Vida arrasas
e ante o espelho não queres ver que és,
que imagina viver abrindo as asas
e te esqueces de andar com os pr√≥prios p√©s…

Que transforma o Sonho num revés
mesmo a acender o fogo em que abrasas,
e te algema as m√£os, – as m√£os escravas
como as do prisioneiro das galés.

Tu que te enganas a falar de alturas
com as palavras mais belas e mais puras
e te imolas num gesto superior,

n√£o percebes nessa √Ęnsia de suicida
que nada h√° enfim mais alto do que a Vida
quando a erguemos num brinde Рébrios de amor!