Cita√ß√Ķes sobre Ra√ßa

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Frases sobre ra√ßa, poemas sobre ra√ßa e outras cita√ß√Ķes sobre ra√ßa para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Soneto do amor difícil

A praia abandonada recomeça
logo que o mar se vai, a desej√°-lo:
é como o nosso amor, somente embalo
enquanto n√£o √© mais que uma promessa…

Mas se na praia a onda se espedaça,
h√° logo nostalgia duma flor
que ali devia estar para compor
a vaga em seu rumor de fim de raça.

Bruscos e doloridos, refulgimos
no silêncio de morte que nos tolhe,
como entre o mar e a praia um longo molhe
de s√ļbito surgido √† flor dos limos.

E deste amor difícil só nasceu
desencanto na curva do teu céu.

Eu encontrei um dia na escola um menino de tamanho m√©dio maltratando um menino menor. Eu o repreendi, mas respondeu: ‘ os grandes me bateram, assim como eu bati nos menores; para mim isso √© justo.’ Nestas palavras ele resumiu a hist√≥ria da ra√ßa humana.

Resgate

N√£o sou isto nem aquilo
√Č o meu modo de viver
√Č, √†s vezes, t√£o tranquilo
Que nem chega a dar prazer…
Todavia, onde apareço,
Logo a paz desaparece
E a guerra que não mereço
Dá princípio à minha prece.
√Čs alegre? V√™s-me triste?
Por que n√£o te vais embora?
Quem é triste é porque é triste.
E quem chora é porque chora.
Tenho tudo o que n√£o tens
Tenho a névoa por remate.
Sou da raça desses cães
Em que toda a gente bate.
Só a idade com o tempo
H√°-de vir tornar-me forte.
A uns, basta-lhes o vento…
Aos Poetas, basta a morte.

Toda a moral consiste na glorifica√ß√£o de si mesmo. H√° at√© uma esp√©cie de homens que se comprazem com o que s√£o e com a forma como vivem e chegam a afastar a influ√™ncia de homens de ¬ęra√ßa¬Ľ diferente, que sentem inferior √† deles.

Navegadores antigos tinham uma frase gloriosa:

Navegadores antigos tinham uma frase gloriosa:
“Navegar √© preciso; viver n√£o √© preciso”.

Quero para mim o espírito [d]esta frase,
transformada a forma para a casar como eu sou:

Viver não é necessário; o que é necessário é criar.
N√£o conto gozar a minha vida; nem em goz√°-la penso.
Só quero torná-la grande,
ainda que para isso tenha de ser o meu corpo e a (minha alma) a lenha desse fogo.

Só quero torná-la de toda a humanidade;
ainda que para isso tenha de a perder como minha.
Cada vez mais assim penso.

Cada vez mais ponho da essência anímica do meu sangue
o propósito impessoal de engrandecer a pátria e contribuir
para a evolução da humanidade.

√Č a forma que em mim tomou o misticismo da nossa Ra√ßa.

Uma Certa Quantidade

Uma certa quantidade de gente à procura
de gente à procura duma certa quantidade

Soma:
uma paisagem extremamente à procura
o problema da luz (adrede ligado ao problema da vergonha)
e o problema do quarto-atelier-avi√£o

Entretanto
e justamente quando
j√° n√£o eram precisos
apareceram os poetas à procura
e a querer multiplicar tudo por dez
má raça que eles têm
ou muito inteligentes ou muito est√ļpidos
pois uma e outra coisa eles s√£o
Jesus Aristóteles Platão
abrem o mapa:
dói aqui
dói acolá

E resulta que também estes andavam à procura
duma certa quantidade de gente
que saía à procura mas por outras bandas
bandas que por seu turno também procuravam imenso
um jeito certo de andar à procura deles
visto todos buscarem quem andasse
incautamente por ali a procurar

Que susto se de repente alguém a sério encontrasse
que certo se esse alguém fosse um adolescente
como se é uma nuvem um atelier um astro

As Profecias

(fragmentos)

I

depois de tudo
minha casa permanecer√° nos fundos

minguantes novos
cidades mortas
ruas desconhecidas

barcos de vento
perdidos sons

foi l√° que brinquei de longe
e perdi-me de mim
foi l√° a primeira tosquia
quando me tiraram tudo

nem o leque
para afugentar a maturação
nem a haste
para defender-me das feras
nem o silêncio
para vestir-me no esquecimento

depois de tudo
minha casa permanecer√° nos fundos

foi l√° que brinquei de longe
e me perdi de mim

II

A flor abre-se em terra
para o forte a ser nosso.

Perto estamos
dos rios coagulados
de mel colhido aos tempos.
Perto estamos
da nocturna fé de ser impuro
benvinda das lonjuras.

Perto estamos dos infantes campos
junto ao longe tranquilo de viver.
Ouvi, solit√°rias meninas, solit√°rios meninos:
o vento ch√£o que varre os prados
onde somos horizontais,
afinal.

III

Trago a palma na m√£o, aqui estou,

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A glória do império português está na maneira como soube preservar-se e misturar as raças, culturas e nacionalidades. No seu sentido mais profundo, significou respeitar a diferença, sem no entanto deixar que se tornasse sacrossanta.

Enquanto imperar a filosofia de que h√° uma ra√ßa inferior e outra superior o mundo estar√° permanentemente em guerra. √Č uma profecia mas todo mundo sabe que isso √© verdade

A Decadência do Espírito de Competição

O esp√≠rito de competi√ß√£o, considerado como a principal raz√£o da vida, √© demasiado inflex√≠vel, demasiado tenaz, demasiado composto de m√ļsculos tensos e de vontade decidida para servir de base poss√≠vel √† exist√™ncia durante mais de uma ou duas gera√ß√Ķes. Depois desse espa√ßo de tempo, deve produzir-se uma fadiga nervosa, v√°rios fen√≥menos de evas√£o, uma procura de prazeres, t√£o tensa e t√£o penosa como o trabalho (pois o afrouxamento tornou-se imposs√≠vel) e finalmente a desapari√ß√£o da ra√ßa devido √† esterilidade. N√£o somente o trabalho √© envenenado pela filosofia que exalta o esp√≠rito de competi√ß√£o mas os √≥cios s√£o-no na mesma medida.
O género de descanso que acalma e restaura os nervos chega a ser aborrecimento. Produz-se fatalmente uma aceleração contínua cujo fim normal são as drogas e a ruína. O remédio consiste na aceitação duma alegria sã e serena como elemento indispensável ao equilíbrio ideal da vida.

Liquidar os Defeitos Pouco a Pouco

Legislasse eu em Inglaterra e a minha obra seria completamente diferente. Dentro das ra√ßas, dentro das nacionalidades, h√° duas esp√©cies de defeitos: os defeitos naturais, que podem ser combatidos mas nunca extirpados violentamente, e que nos far√£o sempre distinguir um latino dum eslavo ou dum anglo-sax√£o, e os defeitos incrustados, os v√≠cios adquiridos, que s√£o v√≠cios, sobretudo, de educa√ß√£o, de mentalidade. Ora se √© quase in√ļtil fazer guerra aos primeiros, porque eles t√™m sempre a vit√≥ria, j√° n√£o √© t√£o ideal, t√£o imposs√≠vel, como se diz, desincrustar os √ļltimos, liquid√°-los pouco a pouco… Veja, por exemplo, como o Jap√£o se transformou no curto espa√ßo da vida dum homem…

Ela no meu Olhar

Os meus olhos s√£o √ćndias de segredos.
√Č Portugal seu Corpo esguio e brando.
E as cinco quinas, seus compridos dedos
Em suas m√£os, bandeiras tremulando.

Seus gestos lembram lan√ßas. E ela passa…
Seu perfil de princesa faz lembrar
Batalhas que travaram ao luar,
Epopeia-marfim da minha Raça.

O seu olhar é tão doente e triste
Que me parece bem que n√£o existe
Maior mistério do que o de prendê-lo.

Nos meus sentidos vive o seu sentir
E, √†s vezes, quando chora, p√Ķe-se a ouvir
Seu coração, velhinho do Restelo.

O Inseguro

A eterna can√ß√£o: Que fiz durante o ano, que deixei de fazer, por que perdi tanto tempo cuidando de aproveit√°-lo? Ah, se eu tivesse sido menos apressado! Se parasse meia hora por dia para n√£o fazer absolutamente nada ‚ÄĒ quer dizer, para sentir que n√£o estava fazendo coisas de programa, sem cor nem sabor. A√≠, a fantasia galopava, e eu me reencontraria como gostava de ser; como seria, se eu me deixasse…
Não culpo os outros. Os outros fazem comigo o que eu consinto que eles façam, dispersando-me. Aquilo que eu lhes peço para fazerem: não me deixarem ser eu-um. Nem foi preciso rogar-lhes de boca. Adivinharam. Claro que eu queria é sair com eles por aí, fugindo de mim como se foge de um chato. Mas não foi essa a dissipação maior. No trabalho é que me perdi completamente de mim, tornando-me meu próprio computador. Sem deixar faixa livre para nenhum ato gratuito. Na programação implacável, só omiti um dado: a vida.

Que sentimento tive da vida, este ano? Que escava√ß√£o tentei em suas jazidas? A que profundidade cheguei? Substitu√≠ a no√ß√£o de profundidade pela de altura. N√£o quis saber de minera√ß√Ķes. Cravei os olhos no espa√ßo,

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O Dever Para Nós Próprios

Influenciar uma pessoa √© dar-lhe a nossa pr√≥pria alma. O indiv√≠duo deixa de pensar com os seus pr√≥prios pensamentos ou de arder com as suas pr√≥prias paix√Ķes. As suas virtudes n√£o lhe s√£o naturais. Os seus pecados, se √© que existe tal coisa, s√£o tomados de empr√©stimo. Torna-se o eco de uma m√ļsica alheia, o actor de um papel que n√£o foi escrito para ele. O objectivo da vida √© o desenvolvimento pr√≥prio, a total percep√ß√£o da pr√≥pria natureza, √© para isso que cada um de n√≥s vem ao mundo. Hoje em dia as pessoas t√™m medo de si pr√≥prias. Esqueceram o maior de todos os deveres, o dever para consigo mesmos. √Č verdade que s√£o caridosas. Alimentam os esfomeados e vestem os pobres. Mas as suas pr√≥prias almas morrem de fome e est√£o nuas. A coragem desapareceu da nossa ra√ßa e se calhar nunca a tivemos realmente. O temor √† sociedade, que √© a base da moal, e o temor a Deus, que √© o segredo da religi√£o, s√£o as duas coisas que nos governam.

A Essência do Fanatismo

A ess√™ncia do fanatismo consiste em considerar determinado problema como t√£o importante que ultrapasse qualquer outro. Os bizantinos, nos dias que precederam a conquista turca, entendiam ser mais importante evitar o uso do p√£o √°zimo na comunh√£o do que salvar Constantinopla para a cristandade. Muitos habitantes da pen√≠nsula indiana est√£o dispostos a precipitar o seu pa√≠s na ru√≠na por divergirem numa quest√£o importante: saber se o pecado mais detest√°vel consiste em comer carne de porco ou de vaca. Os reaccion√°rios amercianos prefiririam perder a pr√≥xima guerra do que empregar nas investiga√ß√Ķes at√≥micas qualquer indiv√≠duo cujo primo em segundo grau tivesse encontrado um comunista nalguma regi√£o. Durante a Primeira Guerra Mundial, os escoceses sabat√°rios, a despeito da escassez de v√≠veres provocada pela actividade dos submarinos alem√£es, protestavam contra a planta√ß√£o de batatas ao domingo e diziam que a c√≥lera divina, devido a esse pecado, explicava os nossos malogros militares. Os que op√Ķem objec√ß√Ķes teol√≥gicas √† limita√ß√£o dos nascimentos, consentem que a fome, a mis√©ria e a guerra persistam at√© ao fim dos tempos porque n√£o podem esquecer um texto, mal interpretado, do G√©nese. Os partid√°rios entusiastas do comunismo, tal como os seus maiores inimigos, preferem ver a ra√ßa humana exterminada pela radioactividade do que chegar a um compromisso com o mal –

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O Livro Fechado

Quebrada a vara, fechei o livro
e n√£o ser√° por inc√ļria ou descuido
que algumas p√°ginas se reabram
e os mesmos fantasmas me visitem.
Fechei o livro, Senhor, fechei-o,

mas os mortos e a sua memória,
os vivos e sua presença podem mais
que o √°lcool de todos os esquecimentos.
Abjurado, recusei-o e cumpro,
na gangrena do corpo que me coube,

em lugar que lhe n√£o compete,
o dia a dia de um destino tolerado.
Na raça de estranhos em que mudei,
é entre estranhos da mesma raça
que, dissimulado e obediente, o sofro.

Aventureiro, ou n√£o, servidor apenas
de qualquer miss√£o remota ao sol poente,
em amanuense me tornei do horizonte
severo e restrito que me n√£o pertence,
lavrador vergado sobre solo alheio

onde n√£o cai, nem vinga, desmobilizada,
a sombra elíptica do guerreiro.
Fechei o livro, calei todas as vozes,
contas de longe cobradas em nada.
Fale, somente, o silêncio que lhes sucede.

Uma enorme massa de gente não está sobre a terra para mais do que dar à luz, após longos e misteriosos cruzamentos de raças, um homem que, entre mil, possua alguma independência.

N√£o Existe um Verdadeiro Sistema de Pensamentos

Enfaticamente, n√£o pode existir um verdadeiro sistema de pensamentos, pois nenhum sinal pode substituir a realidade. Pensadores profundos e honestos chegam sempre √† conclus√£o de que toda a cogni√ß√£o √© condicionada a priori pela sua pr√≥pria forma e nunca pode alcan√ßar aquela que as palavras significam… E este ignorabimus tamb√©m est√° em conformidade com a intui√ß√£o de todo o verdadeiro s√°bio: que os princ√≠pios abstractos da vida s√£o aceit√°veis somente como formas de express√£o, m√°ximas banais de uso quotidiano sob as quais a vida corre, como sempre correu, para a frente. Em √ļltima an√°lise, a ra√ßa √© mais forte do que as l√≠nguas, e √© assim que, debaixo de todos os grandes nomes, houve pensadores, que s√£o personalidades, e n√£o sistemas, que s√£o mut√°veis, que produziram efeito sobre a vida.