Passagens sobre Raça

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Frases sobre ra√ßa, poemas sobre ra√ßa e outras passagens sobre ra√ßa para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Diferente

Buscando o v√£o Ideal que me seduz,
Sem que o atinja me disperso e gasto,
E ansiosamente aos braços duma cruz
Ergo o perfil de iluminado e casto.

J√° tristemente desdenhoso afasto
O manto de burel dos ombros nus;
E a noite pisa a forma do meu rasto,
Se deixo atr√°s de mim passos de luz.

Na minha tez suave e nazarena,
Transparecem vislumbres dessa pena
Que Deus pelos estranhos h√† sentido…

E frio e calmo, a divergir da Raça,
Mal poiso os lábios no cristal da taça
Por onde as outras almas têm bebido!

Se Portugal teve valor na história do mundo, não foi no esforço da uniformização, igual a tantos outros. Não foi na imposição de uma língua, de uma religião, de uma raça. A glória do império português não foi o facto de ter sido português contra as nacionalidades que subjugou. Foi ter sido capaz de ser português sem deixar de ser outras coisas. No máximo, foi ter sido português por ter sido tudo menos português. Ou quase tudo.

A espécie humana, de acordo com a melhor teoria, é composta por duas raças distintas: os homens que emprestam e os homens que pedem emprestado.

Luz Da Natureza

Luz que eu adoro, grande Luz que eu amo,
Movimento vital da Natureza,
Ensina-me os segredos da Beleza
E de todas as vozes por quem chamo.

Mostra-me a Raça, o peregrino Ramo
Dos Fortes e dos Justos da Grandeza,
Ilumina e suaviza esta rudeza
Da vida humana, onde combato e clamo.

Desta minh’alma a solid√£o de prantos
Cerca com os teus le√Ķes de brava cren√ßa,
Defende com so teus gl√°dios sacrossantos.

D√°-me enlevos, deslumbra-me, da imensa
Porta esferal, dos constelados mantos
Onde a Fé do meu Sonho se condensa!

Português Vulgar

O meu gato deixa-se ficar
em casa, arejando o prato
e o caixote das areias. J√° n√£o vai
de cauda erguida contestar o domínio
dos pedantes de raça, pelos
quintais que restam. O meu gato
é um português vulgar, um tigre
doméstico dos que sabem caçar ratos e
arreganhar dentes a ordens despóticas. Mas
desistiu de tudo, desde os comícios nocturnos
das traseiras até ao soberano desprezo
pela ração enlatada, pelo mercantilismo
veterinário ou pela subserviência dos cães
vizinhos. J√° falei deste gato
noutro poema e da sua genealogia
marinheira, embarcada nas antigas
naus. Se o quiserem descobrir, leiam
esse poema, num livro certamente difícil
de encontrar. E quem procura hoje
livros de poemas? Eu ainda procuro,
nos olhos do meu gato, os
dias maiores de Abril.

O Meu Retrato

Sou magro, sou comprido, sou bizarro,
Tendo muito de orgulho e de altivez.
Trago a pender dos l√°bios um cigarro,
Misto de fumo turco e fumo inglês.

Tenho a cara raspada e cor de barro.
Sou talvez meio excêntrico, talvez.
De quando em quando da memória varro
A saudade de alguém que assim me fez.

Amo os c√£es, amo os p√°ssaros e as flores.
Cultivo a tradição da minha raça
Golpeada de aventuras e de amores.

E assim vivo, desatinado e a esmo.
As poucas sensa√ß√Ķes da vida escassa
S√£o sensa√ß√Ķes que nascem de mim mesmo.

O Camarim

A luz do sol afaga docemente
As bordadas cortinas de escumilha;
Penetrantes aromas de baunilha
Ondulam pelo tépido ambiente.

Sobre a estante do piano reluzente
Repousa a Norma, e ao lado uma quadrilha;
E do leito francês nas colchas brilha
De um cão de raça o olhar inteligente.

Ao pé das longas vestes, descuidadas
Dormem nos arabescos do tapete
Duas leves botinas delicadas.

Sobre a mesa emurchece um ramalhete,
E entre um leque e umas luvas perfumadas
Cintila um caprichoso bracelete.

Memento por um coração que ladra

O
c√£o
que
mais
ganir
é
francês,
eco
nost√°lgico
de
uma
Bretanha
em f√ļria,
uvas
sangrentas,
espelho
ratado
pelo
sítio
do umbigo.
Um
bicho
que
gane
merece
os
ardis
todos
e
sulf√ļricas
desgraças.
D√°-se
ao
animal
o
que
vier
do
medo
(rebuçado
com
buço
de
sapo)
e
as
m√°scaras
do
L√°cio
passam.
Ent√£o
ser
voada
flor
em chaga
ou
simples
c√£o
j√°
n√£o
atrapalha
nem
é trapaça.
Um
coração
que
ladra
tem
sempre
boa
raça.

Uma Nova Etapa na Vida a partir da Leitura de um Livro

Somos subeducados, atrasados e analfabetos; e neste particular confesso que n√£o fa√ßo grande distin√ß√£o entre a ignor√Ęncia do meu concidad√£o que n√£o sabe absolutamente ler nada, e a ignor√Ęncia do que apenas aprendeu a ler o que se destina a crian√ßas e intelig√™ncias med√≠ocres. Dever√≠amos estar √† altura dos grandes da Antiguidade, mas em parte por saber primacialmente qu√£o grandes eles foram. Somos uma ra√ßa de homens-passarinhos; nos nossos voos intelectuais mal nos al√ßamos um pouco acima das colunas do jornal.
Nem todos os livros s√£o t√£o ins√≠pidos como os seus leitores. √Č prov√°vel que haja palavras endere√ßadas exactamente √† nossa condi√ß√£o, as quais, se de facto pud√©ssemos ouvi-las e entend√™-las, seriam mais salutares √†s nossas vidas que a pr√≥pria manh√£ ou a Primavera, revelando-nos talvez uma face in√©dita das coisas.
Quantos homens não inauguraram uma nova etapa na vida a partir da leitura de um livro! Deve existir para nós o livro capaz de explicar os nossos mistérios e de revelar outros insuspeitados. As coisas que ora nos parecem inexprimíveis, podemos encontrá-las expressas algures.
As mesmas quest√Ķes que nos inquietam, intrigam e confundem, foram postas por sua vez a todos os homens s√°bios; nenhuma foi omitida,

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Dizemos que somos tolerantes com as diferen√ßas. Mas ser-se tolerante √© ainda insuficiente. √Č preciso aceitar que a maior parte das diferen√ßas foi inventada e que o Outro (o outro sexo, a outra ra√ßa, a outra etnia) existe sempre dentro de n√≥s.

Memória Curta

A vida dos povos prova a necessidade de repeti√ß√Ķes que impressionem. Acumula√ß√Ķes de ru√≠nas e torrentes de sangue s√£o, por vezes, necess√°rias para que a alma de uma ra√ßa assimile certas verdades experimentais.
Muitas vezes ela n√£o se aproveita disso durante muito tempo porquanto, em virtude da diminuta dura√ß√£o da mem√≥ria afectiva, as aquisi√ß√Ķes experimentais de uma gera√ß√£o servem pouco para outra.
Todas as na√ß√Ķes verificam, desde as origens do mundo, que a anarquia termina pela ditadura. Mas dessa eterna li√ß√£o elas n√£o tiram qualquer proveito. Repetidos factos mostram que as precau√ß√Ķes s√£o o melhor meio de favorecer a extens√£o de uma cren√ßa religiosa, mas isso n√£o impede que, sem tr√©guas, essas persegui√ß√Ķes continuem. A experi√™ncia ensina ainda que ceder perpetuamente a amea√ßas populares √© condenar-se a tornar imposs√≠vel qualquer governo. Vemos, no entanto, que os pol√≠ticos diariamente olvidam essa evid√™ncia.

Duas Espécies de Génio

H√° duas esp√©cies de g√©nio: um que, antes de mais, fecunda e quer fecundar outros, e outro que prefere ser fecundado e parir. E da mesma maneira h√° entre os povos geniais aqueles a quem coube o problema feminino da gravidez e a miss√£o secreta de formar, amadurecer e aperfei√ßoar – os gregos, por exemplo, foram um povo desta esp√©cie, assim como os franceses – ; e outros que t√™m de fecundar e ser a causa de novas ordens de vida, – como os judeus, os romanos e talvez, perguntando-se com toda a mod√©stia, os alem√£es? – povos atormentados e extasiados com febres desconhecidas e irresistivelmente impelidos para fora de si pr√≥prios, apaixonados e √°vidos de ra√ßas estranhas (aqueles que se ¬ędeixam fecundar¬Ľ -) e, com tudo isso, √°vidos de dom√≠nio, como tudo o que se sabe cheio de for√ßa geradora e, por conseguinte, escolhido ¬ępela gra√ßa de Deus¬Ľ. Estas duas esp√©cies procuram-se como o homem e a mulher; mas tamb√©m se d√£o mal mutuamente, – como o homem e a mulher.

Crueldade e Sofrimento

A crueldade √© constitutiva do universo, √© o pre√ßo a pagar pela grande solidariedade da biosfera, √© inelimin√°vel da vida humana. Nascemos na crueldade do mundo e da vida, a que acrescent√°mos a crueldade do ser humano e a crueldade da sociedade humana. Os rec√©m-nascidos nascem com gritos de dor. Os animais dotados de sistemas nervosos sofrem, talvez os vegetais tamb√©m, mas foram os humanos que adquiriram as maiores aptid√Ķes para o sofrimento ao adquirirem as maiores aptid√Ķes para a frui√ß√£o. A crueldade do mundo √© sentida mais vivamente e mais violentamente pelas criaturas de carne, alma e esp√≠rito, que podem sofrer ao mesmo tempo com o sofrimento carnal, com o sofrimento da alma e com o sofrimento do esp√≠rito, e que, pelo esp√≠rito, podem conceber a crueldade do mundo e horrorizar-se com ela.
A crueldade entre homens, indiv√≠duos, grupos, etnias, religi√Ķes, ra√ßas √© aterradora. O ser humano cont√©m em si um ru√≠do de monstros que liberta em todas as ocasi√Ķes favor√°veis. O √≥dio desencadeia-se por um pequeno nada, por um esquecimento, pela sorte de outrem, por um favor que se julga perdido. O √≥dio abstracto por uma ideia ou uma religi√£o transforma-se em √≥dio concreto por um indiv√≠duo ou um grupo;

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O Poder que Alterna entre o Dinheiro e o Sangue

Um poder s√≥ pode ser derrubado por outro poder, e n√£o por um princ√≠pio, e nenhum poder capaz de defrontar o dinheiro resta, a n√£o ser este.O dinheiro s√≥ √© derrubado e abolido pelo sangue. A vida √© alfa e √≥mega, o cont√≠nuo fluxo c√≥smico em forma microc√≥smica. √Č o facto de factos no mundo-como-hist√≥ria… Na Hist√≥ria √© a vida e s√≥ a vida – qualidade r√°cica, o triunfo da vontade-de-poder – e n√£o a vit√≥ria de verdades, descobertas ou dinheiro que importa. A hist√≥ria do mundo √© o tribunal do mundo, e decidiu sempre a favor da vida mais forte, mais completa e mais confiante em si – decretou-lhe, nomeadamente, o direito de existir, sem querer saber se os seus direitos resistiriam perante um tribunal de consci√™ncia despertada. Sacrificou sempre a vontade e a justi√ßa ao poder e √† ra√ßa e lavrou senten√ßa de morte a homens e povos para os quais a verdade valia, mais do que os feitos e a justi√ßa, mais que a for√ßa. E assim o drama de uma alta Cultura – esse maravilhoso mundo de divindades, artes, pensamentos, batalhas e cidades – termina com o regresso dos factos pr√≠stinos do eterno sangue que √© uma e a mesma coisa que o sempre-envolvente fluxo c√≥smico…

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Até que a filosofia que mantém uma raça superior, e outra inferior, esteja finalmente e permanentemente desacreditada e abandonada, em todo lugar haverá guerra.