Passagens sobre Tendência

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Frases sobre tend√™ncia, poemas sobre tend√™ncia e outras passagens sobre tend√™ncia para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

A Aceitação da Fraude

Uma das li√ß√Ķes mais tristes da hist√≥ria √© a seguinte: Se formos enganados durante muito tempo, temos tend√™ncia a rejeitar qualquer prova de fraude. Deixamos de estar interessados em descobrir a verdade. A fraude apanhou-nos. √Č demasiado doloroso reconhecer, nem que seja para n√≥s mesmos , que fomos levados √† certa. Uma vez que damos a um charlat√£o poder sobre n√≥s mesmos, quase nunca o recuperamos. Por conseguinte, as velhas fraudes t√™m tend√™ncia a persistir, ao mesmo tempo que surgem outras novas.

√Č claro que o portugu√™s, com a sua tend√™ncia para ser tudo, for√ßosamente havia de ser nada de todas as maneiras poss√≠veis.

A Moral entre a Verdade e a Subjectividade

Um homem que busca a verdade torna-se s√°bio; um homem que pretende dar r√©dea solta √† sua subjectividade torna-se, talvez, escritor; e que far√° um homem que busca algo que se situa entre essas duas hip√≥teses? Mas tais exemplos, os de algo que est√° ¬ęentre¬Ľ, encontramo-los em qualquer senten√ßa moral, a come√ßar pela mais simples e mais conhecida: ¬ęn√£o matar√°s¬Ľ. V√™-se imediatamente que n√£o √© nem uma verdade nem uma experi√™ncia subjectiva. Sabe-se que, em muitos aspectos, nos conformamos estritamente a ela, mas que, por outro lado, se aceitam numerosas excep√ß√Ķes, ainda que perfeitamente delimitadas; no entanto, num grande n√ļmero de casos de um terceiro tipo – por exemplo na imagina√ß√£o, na esfera dos desejos, nas pe√ßas de teatro ou no prazer que experimentamos ao ler as not√≠cias dos jornais – deixamo-nos oscilar descontroladamente entre a avers√£o e a atrac√ß√£o.
Por vezes aquilo a que n√£o podemos chamar nem verdade nem experi√™ncia pessoal recebe o nome de imperativo. Tais imperativos foram associados aos dogmas da religi√£o ou da lei, concedendo-lhes assim o car√°cter de uma verdade derivada, mas os romancistas narram as excep√ß√Ķes, a come√ßar pelo sacrif√≠cio de Abra√£o e terminando na bela mulher jovem que matou o amante a tiro,

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√Č espantosa a tend√™ncia do portugu√™s para a promiscuidade! Chega a umas termas, senta-se, volta-se para o vizinho da direita e, sem dizer √°gua-vai, conta-lhe a vida.

O Homem Não é o Indivíduo

¬ęN√£o √© a arranhar interminavelmente o indiv√≠duo que acabamos por encontrar o homem¬Ľ – diz algu√©m em certo livro do Malraux. Nada, de facto, mais √ļtil que a separa√ß√£o dos dois conceitos, que tanto tendem a confundir-se, mormente hoje, em que tal confus√£o parece agravar-se. Com efeito, o ¬ęhomem¬Ľ n√£o √© o ¬ęindiv√≠duo¬Ľ, porque √© s√≥ do indiv√≠duo aquela parte que pode universalizar-se. E √© desta ideia que temos de partir para que um equ√≠voco se n√£o consuma, o equ√≠voco de um individualismo, de um pessoalismo restrito que a arte e o pensamento modernos parecem √† primeira vista aceitar.
Que estranho ¬ęeu¬Ľ √© pois este que de algum modo dir-se-ia predominar na filosofia e na literatura de hoje? Porque √© evidente que uma forte tend√™ncia da arte de hoje, do homem actual, apela para a comunicabilidade, para uma fraternidade, e n√£o para um est√©ril isolamento. Mas acontece que nesse apelo muitas vezes se esquece o que h√° a√≠ de mec√Ęnico, de superficial, de rela√ß√Ķes externas, imediatas, provis√≥rias, que nos n√£o satisfaz inteiramente. O homem que a√≠ fala √© o que se ensurdece a si pr√≥prio, √†s suas vozes profundas, aos avisos que se anunciam desde o limiar da solid√£o.

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Vive Plenamente

Vê se consegues apanhar-te a lamentar-te, quer por palavras quer por pensamentos, por causa de determinada situação em que te encontres, do que as outras pessoas fazem ou dizem, do teu meio envolvente, da situação da tua vida, ou até mesmo por causa do tempo. Uma lamentação é sempre uma não aceitação daquilo que é. E traz invariavelmente consigo uma carga negativa inconsciente. Quando te lamentas, tu próprio te fazes de vítima. Quando elevas a voz, estás no teu poder. Por isso muda a situação tomando providências, levantando a voz se for necessário ou possível; deixa a situação ou aceita-a. Tudo o mais é loucura.

De certa forma, a inconsci√™ncia ordin√°ria est√° sempre ligada √† recusa do Agora. O Agora, evidentemente, tamb√©m significa o aqui. Est√°s a resistir ao teu aqui e agora? H√° pessoas que s√≥ est√£o bem onde n√£o est√£o. O seu “aqui” nunca √© suficientemente bom. Atrav√©s da auto-observa√ß√£o, v√™ se √© esse o teu caso. Estejas onde estiveres, est√° l√° plenamente. Se achares que o teu aqui e agora √© intoler√°vel e te deixa infeliz, tens tr√™s op√ß√Ķes √† escolha: ou te retiras da situa√ß√£o, ou a mudas, ou a aceitas totalmente. Se quiseres tomar a responsabilidade pela tua vida,

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Nada há tão perigoso como ser excessivamente moderno. Existe a tendência para ficar fora de moda sem se dar por isso.

Idealmente, a miss√£o da cr√≠tica seria ajudar a ler. Em teoria, o cr√≠tico ser√° um leitor mais atento do que os outros. N√£o tem necessariamente que emitir ju√≠zos de valor. Temos tend√™ncia a gostar s√≥ dos que s√£o da nossa fam√≠lia, as ideias confundem-se com as nossas paix√Ķes.

O Bem e o Mal

Quando os acontecimentos nos colocam em oposi√ß√£o ao meio envolvente, todos desenvolvemos as for√ßas de que dispomos, ao passo que nas situa√ß√Ķes em que apenas fazemos o nosso dever nos comportamos, compreensivelmente, como quem paga os seus impostos. Daqui se conclui que tudo o que √© mau se pratica com mais ou menos imagina√ß√£o e paix√£o, enquanto o bem se caracteriza por uma inconfund√≠vel pobreza de afecto e mesquinhez.
(…) Se abstrairmos daquela grande fatia central do mundo e da vida ocupada por pessoas em cujo pensamento as palavras bem e mal deixaram de ter lugar desde que largaram as saias da m√£e, ent√£o as margens, onde ainda h√° prop√≥sitos morais deliberados, ficam hoje reservadas √†quelas pessoas boas-m√°s ou m√°s-boas, das quais algumas nunca viram o bem voar nem o ouviram cantar e por isso exigem de todas as outras que se extasiem com elas diante de uma natureza da moral com p√°ssaros empalhados pousados em √°rvores mortas; o segundo grupo, por seu lado, os mortais maus-bons, espica√ßados pelos seus rivais, manifestam, pelo menos em pensamento, uma tend√™ncia para o mal, como se estivessem convencidos de que √© apenas nas m√°s ac√ß√Ķes, menos desgastadas do que as boas, que ainda pulsa alguma vida moral.

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A Diferença Entre o Génio e a Inteligência Normal

A diferen√ßa entre o g√©nio e a intelig√™ncia normal √©, na verdade, apenas quantitativa, na medida em que √© apenas uma diferen√ßa de grau: no entanto, as pessoas t√™m tend√™ncia para a considerar qualitativa, quando se observa como os homens normais, apesar da sua diversidade individual, pensam todos segundo certas linhas comuns, de modo que est√£o frequentemente em acordo un√Ęnime acerca de julgamentos que, na realidade, s√£o falsos. Isto chega ao ponto de terem certas opini√Ķes b√°sicas que s√£o mantidas em todas as eras e continuamente reiteradas, embora as grandes mentes de todas as eras tenham, aberta ou secretamente, oposto a essas opini√Ķes.

O portugu√™s tem uma tend√™ncia rid√≠cula e cobarde para estar bem com todos. Em mais nenhuma parte do mundo existem tantos amigos de tanta gente. Por muito que se maldigam e traiam, seja em particular ou em p√ļblico, dois portugueses, quando se encontram, desfazem-se em desculpas, ¬ęAquilo foi um desentendimento… eu gosto muito de si, sabe?¬Ľ.

Ao convidar-nos a descobrir a beleza da vocação humana para o amor, exorto-vos a rebelar-vos contra a tendência generalizada de banalizar o amor, sobretudo quando se procura reduzi-lo apenas ao aspeto sexual, desvinculando-o assim das suas características essenciais de beleza, comunhão, fidelidade e responsabilidade.

O Amor Busca para que o Entendimento Encontre

N√£o basta a agudeza intelectual para descobrir uma coisa nova. Faz falta entusiasmo, amor pr√©vio por essa coisa. O entendimento √© uma lanterna que necessita de ir dirigida por uma m√£o, e a m√£o necessita de ir mobilizada por um anseio pr√©-existente para este ou outro tipo de poss√≠veis coisas. Em definitivo, somente se encontra o que se busca e o entendimento encontra porque o amor busca. Por isso todas as ci√™ncias come√ßaram por ser entusiasmos de amadores. A pedanteria contempor√Ęnea desprestigiou esta palavra; mas amador √© o mais que se pode ser com respeito a alguma coisa, pelo menos √© o germe todo. E o mesmo dir√≠amos do dilettante – que significa o amante. O amor busca para que o entendimento encontre. Grande tema para uma longa e f√©rtil conversa, este que consistiria em demonstrar como o ser que busca √© a pr√≥pria ess√™ncia do amor! Pensaram voc√™s na surpreendente contextura do buscar? O que busca n√£o tem, n√£o conhece ainda aquilo que busca e, por outra parte, buscar √© j√° ter de antem√£o e conjecturar o que se busca.
Buscar é antecipar uma realidade ainda inexistente, preparar o seu aparecimento, a sua apresentação. Não compreende o que é o amor quem,

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Saber Resolver Problemas

Há pessoas que têm dificuldade em identificar os seus problemas. Usando de uma grande capacidade de adaptação, vão-se habituando a que as coisas lhes estejam a correr menos bem, sem conseguirem perceber exactamente qual o ou os problemas que os apoquentam.
Mas também existe quem tenha tendência para pensar que o problema não é seu. Percebem que ele existe, identificam-no, mas comportam-se com alguma indiferença, como se o problema fosse dos outros, não assumindo a sua responsabilidade.
H√° ainda quem fique √† espera que os problemas se resolvam por si, ou que algu√©m lhos resolva. Embora consigam identific√°-los e reconhec√™-los como seus, parecem considerar que compete a outros ‚ÄĒ familiares, amigos, colegas ‚ÄĒ ou √† sociedade em geral resolv√™-los.
Assim como existe quem, em vez de se dedicar a procurar solução para os seus problemas, concentrando neles a sua atenção e canalizando para a sua resolução a energia possível, prefira desenvolver práticas místicas, pretendendo que uma ou várias entidades mais ou menos divinas façam o que afinal lhes compete a eles próprios fazer.

Um problema √© uma coisa dif√≠cil de compreender, explicar ou resolver. √Č tudo aquilo que resiste √† penetra√ß√£o da intelig√™ncia, constituindo uma inc√≥gnita ou dificuldade a resolver.

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As Desvantagens das Nossas Paix√Ķes

Quanto mais um homem se emaranha numa paix√£o, tanto mais os acontecimentos, em si indiferentes, se traduzem para ele em dor, enganando justamente, pela sua indiferen√ßa, a avidez tensa em que esse homem se encontra. Um ambicioso sofrer√° porque uma pessoa c√©lebre n√£o lhe reconheceu import√Ęncia; essa mesma pessoa c√©lebre tentar√° insuflar escr√ļpulos de tenta√ß√£o a algum evang√©lico de quem procurar√° a conversa√ß√£o; escr√ļpulos que, por sua vez, irritar√£o um individualista, que ser√° atingido por eles, malgrado seu. A inveja, ambi√ß√£o ruminada, est√° na base de todas as ang√ļstias que sofremos. N√£o toleramos que uma coisa aconte√ßa indiferentemente, por acaso, escapando √† nossa chancela.
Qualquer género de fervor acarreta consigo a tendência para sentir uma lei preestabelecida na vida, uma lei que castiga os que abusam ou descuram esse mesmo fervor. Um estado de paixão Рmesmo que fosse a embriaguez da absoluta autodeterminação Рorganiza e anima de tal forma o Universo que toda a desgraça, parece, depois, provocada por uma ruptura do equilíbrio vital dessa paixão difusa, que, assim, se defende como um corpo vivo. E, segundo o temperamento de cada um, teremos a sensação de que abusámos, ou de que fomos inferiores; de qualquer forma, sentir-nos-emos organicamente punidos pela própria lei da paixão e do Universo.

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Não, eu nunca preguei qualquer doutrina de tendência para o mal, e o que ensinei com os meus lábios agora selo com o meu sangue!

O Tipo de Homem que Eu Sou

Agora é necessário que eu deva dizer que tipo de homem sou. O meu nome não importa, nem qualquer outro pormenor exterior particular acerca de mim. Do meu carácter alguma coisa deve ser dita.

Toda a constitui√ß√£o do meu esp√≠rito √© de hesita√ß√£o e d√ļvida. Nada √© ou pode ser positivo para mim, todas as coisas oscilam em torno de mim, e eu com elas, uma incerteza para mim pr√≥prio. Tudo para mim √© incoer√™ncia e mudan√ßa. Tudo √© mist√©rio e tudo √© significado. Todas as coisas s√£o ¬ędesconhecidos¬Ľ simb√≥licos do Desconhecido. Consequentemente horror, mist√©rio, medo supra-inteligente.

Pelas minhas próprias tendências naturais, pelo enquadramento da minha juventude, pela influência dos estudos realizados sob o impulso delas (dessas mesmas tendências), por tudo isso eu sou das espécies internas de caráter, auto-centrado, mudo, não auto-suficiente mas auto-perdido. Toda a minha vida tem sido de passividade e sonho. Todo o meu carácter consiste no ódio, no horror de, na incapacidade que permeia tudo o que me é, fisicamente e mentalmente, por actos decisivos, por pensamentos definidos. Eu nunca tive uma resolução nascida de uma auto-determinação, nunca uma traição externa de uma vontade consciente. Nenhum dos meus escritos foi terminado;

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