Cita√ß√Ķes sobre Dura√ß√£o

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As Coisas Efémeras são as Mais Necessárias

Das coisas tang√≠veis, as menos dur√°veis s√£o as necess√°rias ao pr√≥prio processo da vida. O seu consumo mal sobrevive ao acto da sua produ√ß√£o; no dizer de Locke, todas essas ¬ęboas coisas¬Ľ que s√£o ¬ęrealmente √ļteis √† vida do homem¬Ľ, √† ¬ęnecessidade de subsistir¬Ľ, s√£o ¬ęgeralmente de curta dura√ß√£o, de tal modo que – se n√£o forem consumidas pelo uso – se deteriorar√£o e perecer√£o por si mesmas¬Ľ.
Após breve permanência neste mundo, retomam ao processo natural que as produziu, seja através de absorção no processo vital do animal humano, seja através da decomposição; e, sob a forma que lhes dá o homem, através da qual adquirem um lugar efémero no mundo das coisas feitas pelas mãos do homem, desaparecem mais rapidamente que qualquer outra parcela do mundo.

A Vantagem do Entendimento

A carne considera os prazeres ilimitados e seria mister um tempo infinito para satisfaz√™-la. Mas o entendimento, que determina o fito e os limites da carne, e que nos livra do temor em face da eternidade, possibilita-nos uma vida perfeita, onde n√£o temos necessidade de dura√ß√£o infinita. Ele n√£o foge, contudo, ao prazer e, quando as circunst√Ęncias nos obrigam a deixar a vida, n√£o se cr√™ privado do que a vida oferecia de melhor.
Quem conhece perfeitamente bem os limites que a vida nos traça, sabe quão fácil é obter o que suprime a dor, causada pela necessidade, e faz a vida inteira perfeita, de sorte que não tem mais necessidade de coisas cuja aquisição exija esforço.
Todos os desejos que não provoquem dor quando permanecem insatisfeitos não são necessários, e poderão ser facilmente recalcados se nos parecerem difíceis de ser satisfeitos ou capazes de nos causar danos.

Portanto, hipocritamente os velhos invocam a morte,
e criticam a velhice e a longa duração da vida:
quando a morte se aproxima, ninguém quer
morrer, a velhice n√£o pesa mais.

A Memória

Quanto mais algo é inteligível, mais facilmente se retém, e, ao contrário, quanto menos, mais facilmente o esquecemos. Por exemplo, se eu transmitir a alguém uma porção de palavras soltas, muito mais dificilmente as reterá do que se apresentar as mesmas palavras em forma de narração. Reforçada também sem auxílio do intelecto, a saber, pela força mediante a qual a imaginação ou o sentido a que chamam comum é afectado por alguma coisa singular corpórea. Digo singular, pois a imaginação só é afectada por coisas singulares. Com efeito, se alguém ler, por exemplo, só uma novela de amor, retê-la-á muito bem enquanto não ler muitas outras desse género, porque então vigora sozinha na imaginação; mas, se são mais do género, imaginam-se todas juntas e facilmente são confundidas.
Digo também corpórea, pois a imaginação só é afectada por corpos. Como, portanto, a memória é fortalecida pelo intelecto e também sem ele, conclui-se que é algo diverso do intelecto e que não há nenhuma memória nem esquecimento a respeito do intelecto visto em si.
O que ser√°, pois, a mem√≥ria? Nada mais do que a sensa√ß√£o das impress√Ķes do c√©rebro junto com o pensamento de uma determinada dura√ß√£o da sensa√ß√£o;

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Estou a fazer filmes há uns bons anos e muito do que levo para o cinema nasce de uma reflexão generosa, de aprendiz, que faço da literatura. Tudo nesta vida que levamos tem uma duração estabelecida, um momento para acabar, incluindo os valores monetários, menos as histórias que contamos. As histórias que os livros nos contam duram para sempre e o mesmo espero das histórias trazidas pelo cinema.

O Tempo e o Espírito

O tempo, embora faça desabrochar e definhar animais e plantas com assombrosa pontualidade, não tem sobre a alma do homem efeitos tão simples. A alma do homem, aliás, age de forma igualmente estranha sobre o corpo do tempo. Uma hora, alojada no bizarro elemento do espírito humano, pode valer cinquenta ou cem vezes mais que a sua duração medida pelo relógio; em contrapartida, uma hora pode ser fielmente representada no mostrador do espírito por um segundo.

A Noite Abre Meus Olhos

Caminhei sempre para ti sobre o mar encrespado
na constelação onde os tremoceiros estendem
rondas de aço e charcos
no seu extremo azulado

Ferrugens cintilam no mundo,
atravessei a corrente
unicamente às escuras
construí minha casa na duração
de obscuras línguas de fogo, de lianas, de líquenes

A aurora para a qual todos se voltam
leva meu barco da porta entreaberta

o amor é uma noite a que se chega só

Inconst√Ęncia

√Č o meu destino: – hei de seguir assim
como um novo amor por sol, em cada dia…
– o que h√° pouco era tudo o que queria
j√° agora n√£o √© nada para mim…

Só vive, o que ainda é sonho e fantasia!
O que conquisto encontra logo um fim…
O amor que nasce cheio de alegria
hoje – morre amanh√£ cheio de esplim…

Inconstante e vol√ļvel, meus desejos
– tem a alma das bolhas de sab√£o
e a dura√ß√£o ef√™mera dos beijos…

O amor Рé a vida de um perfume no ar,
o encanto de um segundo de ilus√£o…
– a beleza da espuma sobre o mar!…

O tempo é uma ilusão produzida pelos nossos estados de consciência à medida em que caminhamos através da duração eterna.

Identidade

Matei a lua e o luar difuso.
Quero os versos de ferro e de cimento.
E em vez de rimas, uso
As conson√Ęncias que h√° no sofrimento.

Universal e aberto, o meu instinto acode
A todo o coração que se debate aflito.
E luta como sabe e como pode:
D√° beleza e sentido a cada grito.

Mas como as inscri√ß√Ķes nas penedias
Têm maior duração,
Gasto as horas e os dias
A endurecer a forma da emoção.

A medida da vida deveria ser proporcional à intensidade da experiência mais do que à sua duração.

Suprimir a dist√Ęncia √© aumentar a dura√ß√£o do tempo. A partir de agora, n√£o viveremos mais; viveremos apenas mais depressa.

O Obstáculo Invisível

As for√ßas do homem n√£o s√£o concebidas como uma orquestra. No homem √© necess√°rio que todos os instrumentos toquem constantemente com toda a sua for√ßa. N√£o foram destinados a ouvidos humanos e n√£o disp√Ķem da dura√ß√£o de uma noite de concerto durante a qual cada instrumento pode esperar para se fazer valer.
Por vezes parece que as coisas ser√£o assim: tu tens tal tarefa a cumprir, disp√Ķes de tantas for√ßas quantas s√£o necess√°rias para a levar a bom termo (nem muito, nem muito pouco, sem d√ļvida te √© necess√°rio concentrares-te, mas n√£o tens que estar ansioso), com bastante tempo teu e boa vontade para o trabalho, onde est√° o obst√°culo ao √™xito da imensa tarefa? N√£o percas tempo a procur√°-lo, talvez n√£o exista.