Cita√ß√Ķes sobre Explica√ß√£o

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Frases sobre explica√ß√£o, poemas sobre explica√ß√£o e outras cita√ß√Ķes sobre explica√ß√£o para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

A Sede de Explica√ß√Ķes

T√£o irredut√≠vel quanto a necessidade de crer, a necessidade de explica√ß√Ķes acompanha o homem desde o ber√ßo at√© ao t√ļmulo. Ela contribuiu para criar os seus deuses e diariamente determina a g√©nese de numerosas opini√Ķes. Essa necessidade intensa facilmente se satisfaz. As respostas mais rudimentares s√£o suficientes. A facilidade com que √© contentada foi a origem de grande n√ļmero de erros. Sempre √°vido de certezas definitivas, o esp√≠rito humano guarda muito tempo as opini√Ķes falsas fundadas na necessidade de explica√ß√Ķes e considera como inimigos do seu repouso aqueles que as combatem.
O principal inconveniente das opini√Ķes baseadas em explica√ß√Ķes err√≥neas √© que, admitindo-as como definitivas, o homem n√£o procura outras. Supor que se conhece a raz√£o das coisas √© um meio seguro de n√£o a descobrir. A ignor√Ęncia da nossa ignor√Ęncia tem retardado de longos s√©culos os progressos das ci√™ncias e ainda, ali√°s, os restringe. A sede de explica√ß√Ķes √© tal que sempre foi achada alguma para os fen√≥menos menos compreens√≠veis. O esp√≠rito tem mais satisfa√ß√£o em admitir que J√ļpiter lan√ßa o raio do que em se confessar ignorante em rela√ß√£o √†s causas que o fazem rebentar. Para n√£o confessar a sua ignor√Ęncia em certos assuntos, a pr√≥pria ci√™ncia muitas vezes se contenta com explica√ß√Ķes an√°logas.

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Desconfiança da Virtude Formal

Desconfiança da virtude formal Рeis a explicação deste mundo. Os que sentiram uma vez esta desconfiança em relação a si próprios e passaram a tê-la em relação a todos os outros, ganharam uma susceptibilidade incessante relativamente a toda a virtude declarada. Daí a suspeitar da virtude em acto vai apenas um passo. Optaram pois por chamar virtude a quanto sirva ao advento da sociedade que eles desejam. O móbil profundo (esta desconfiança) é nobre. Mas estará o raciocínio certo, eis a questão.

Os homens s√£o uma parte pequena do mundo, e eu n√£o compreendo os homens. Sei o que fazem e as raz√Ķes imediatas do que fazem, mas saber isso √© saber o que est√° √† vista, √© n√£o saber nada. Penso: talvez os homens existam e sejam, e talvez para isso n√£o haja qualquer explica√ß√£o; talvez os homens sejam peda√ßos de caos sobre a desordem que encerram, e talvez seja isso que os explique.

Desistir de Querer Entender Tudo

H√° momentos em que todas as respostas e explica√ß√Ķes falham. Nesses casos, a vida deixa de fazer sentido. Ou, ent√£o, n√£o sabemos mais o que dizer ou fazer quando algu√©m em afli√ß√£o vem pedir-nos ajuda.
Ao aceitar completamente que n√£o se tem explica√ß√Ķes para tudo, desiste-se da luta para encontrar respostas atrav√©s da mente racional e limitada, e √© nessa altura que uma intelig√™ncia superior pode operar atrav√©s de n√≥s. Ent√£o, at√© mesmo a mente pode beneficiar com essa interven√ß√£o, uma vez que a intelig√™ncia superior aflui para o pensamento e inspira-o.
Por vezes, a entrega significa desistir de querer entender e aprender a conviver bem com o facto de n√£o se saber tudo.

Porque Te Devo Amar

Porque te devo amar,
perguntas,
e eu falo-te no barulho do vento na janela quando me apertas, a tua cabe√ßa no mist√©rio que fica entre os bra√ßos e os ombros, escondo os dedos no interior do teu cabelo e ou√ßo-te respirar, pessoas como n√≥s n√£o procuram explica√ß√Ķes mas sobreviv√™ncias,
Devíamos aprender a querer devagar,
arriscas,
mas entretanto já pousei os meus lábios nos teus, é insuportável o teu cheiro se não puder tocar-te, ficaríamos completos se apenas houvesse palavras, e o mais absurdo é que nem precisamos de falar, pessoas como nós não procuram a eternidade mas os sentidos,
Cada instante merece um orgasmo,
invento,
tento provar-te que os poemas s√£o feitos de carne, nunca de versos, estranhamente n√£o ripostas e deixas-te olhar, fico mais de uma hora s√≥ a ver-te e √© tudo, pe√ßo-te que te coloques nas mais diversas posi√ß√Ķes, h√°-de haver um √Ęngulo qualquer em que n√£o seja completamente teu e o teu sorriso o quase c√©u, mas n√£o o encontro, pessoas como n√≥s n√£o procuram a pele mas a faca,
H√° uma certa dignidade na maneira como nos abandonamos,
despeço-me,
visto-me com lentid√£o enquanto te amo finalmente,

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A Diferença entre Ficção e Crença

Não há nada mais livre do que a imaginação humana; embora não possa ultrapassar o stock primitivo de ideias fornecidas pelos sentidos externos e internos, ela tem poder ilimitado para misturar, combinar, separar e dividir estas ideias em todas as variedades da ficção e da fantasia imaginativa e novelesca. Ela pode inventar uma série de eventos com toda a aparência de realidade, pode atribuir-lhes um tempo e um lugar particulares, concebê-los como existentes e des­crevê-los com todos os pormenores que correspondem a um facto histórico, no qual ela acredita com a máxima certeza. Em que consiste, pois, a diferença entre tal ficção e a crença?
Ela não se localiza sim­plesmente numa ideia particular anexada a uma concepção que obtém o nosso assentimento, e que não se encontra em nenhuma ficção conhecida. Pois, como o espírito tem autoridade sobre todas as suas ideias, poderia voluntariamente anexar esta ideia particular a uma ficção e, por conseguinte, seria capaz de acreditar no que lhe agradasse, embora se opondo a tudo que encontramos na experiência diária. Po­demos, quando pensamos, juntar a cabeça de um homem ao corpo de um cavalo, mas não está em nosso poder acreditar que semelhante animal tenha alguma vez existido.

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O Nascimento do Prazer

O prazer nascendo d√≥i tanto no peito que se prefere sentir a habituada dor ao ins√≥lito prazer. A alegria verdadeira n√£o tem explica√ß√£o poss√≠vel, n√£o tem a possibilidade de ser compreendida ‚Äď e se parece com o in√≠cio de uma perdi√ß√£o irrecuper√°vel. Esse fundir-se total √© insuportavelmente bom ‚Äď como se a morte fosse o nosso bem maior e final, s√≥ que n√£o √© a morte, √© a vida incomensur√°vel que chega a se parecer com a grandeza da morte. Deve-se deixar inundar pela alegria aos poucos ‚Äď pois √© a vida nascendo. E quem n√£o tiver for√ßa, que antes cubra cada nervo com uma pel√≠cula protetora, com uma pel√≠cula de morte para poder tolerar a vida. Essa pel√≠cula pode consistir em qualquer ato formal protetor, em qualquer sil√™ncio ou em v√°rias palavras sem sentido. Pois o prazer n√£o √© de se brincar com ele. Ele √© n√≥s.

O Provincianismo Português (II)

Se fosse preciso usar de uma s√≥ palavra para com ela definir o estado presente da mentalidade portuguesa, a palavra seria “provincianismo”. Como todas as defini√ß√Ķes simples esta, que √© muito simples, precisa, depois de feita, de uma explica√ß√£o complexa. Darei essa explica√ß√£o em dois tempos: direi, primeiro, a que se aplica, isto √©, o que deveras se entende por mentalidade de qualquer pa√≠s, e portanto de Portugal; direi, depois, em que modo se aplica a essa mentalidade.
Por mentalidade de qualquer pa√≠s entende-se, sem d√ļvida, a mentalidade das tr√™s camadas, organicamente distintas, que constituem a sua vida mental ‚ÄĒ a camada baixa, a que √© uso chamar povo; a camada m√©dia, a que n√£o √© uso chamar nada, excepto, neste caso por engano, burguesia; e a camada alta, que vulgarmente se designa por escol, ou, traduzindo para estrangeiro, para melhor compreens√£o, por elite.
O que caracteriza a primeira camada mental é, aqui e em toda a parte, a incapacidade de reflectir. O povo, saiba ou não saiba ler, é incapaz de criticar o que lê ou lhe dizem. As suas ideias não são actos críticos, mas actos de fé ou de descrença, o que não implica, aliás,

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O Livro dos Amantes

I

Glorifiquei-te no eterno.
Eterno dentro de mim
fora de mim perecível.
Para que desses um sentido
a uma sede indefinível.

Para que desses um nome
à exactidão do instante
do fruto que cai na terra
sempre perpendicular
à humidade onde fica.

E o que acontece durante
na rapidez da descida
é a explicação da vida.

O Momento Mais Feliz da Vida

De facto ningu√©m reconhece o momento mais feliz das suas vidas na altura em que o est√° a viver. At√© pode ser que, num momento de alegria, se possa acreditar sinceramente que se est√° a viver o momento de ouro ¬ęagora¬Ľ, mesmo que se tenha vivido um momento desse tipo antes, mas, n√£o importa o que digam, num lugar do seu cora√ß√£o ele ainda acredita que um momento ainda mais feliz h√°-de chegar. Porque, como √© que algu√©m, e em particular algu√©m que ainda seja jovem, pode alguma vez acreditar que tudo apenas pode ficar pior: se a pessoa est√° suficientemente feliz para pensar que chegou ao momento mais feliz da sua vida, ele ter√° esperan√ßa suficiente para acreditar que o seu futuro continuar√° a ser t√£o radioso como esse momento, a explica√ß√£o ser√° algo como isto.

As can√ß√Ķes e os poemas ignoram tanto acerca do amor. Como se explica, por exemplo, que n√£o falem dos ser√Ķes a ver televis√£o no sof√°? N√£o h√° explica√ß√£o. O amor tamb√©m √© estar no sof√°, tapados pela mesma manta, a ver s√©ries m√°s ou filmes maus. Talvez chova l√° fora, talvez fa√ßa frio, n√£o importa. O sof√° √© quentinho e fica mesmo √† frente de um aparelho onde passam as s√©ries e os filmes mais parvos que j√° se fizeram. Daqui a pouco come√ßam as televendas, tamb√©m servem.

Antes de Vivermos, a Vida é Coisa Nenhuma

O homem come√ßa por existir, isto √©, o homem √© de in√≠cio o que se lan√ßa para um futuro e o que √© consciente de se projectar no futuro. O homem √© primeiro um projecto que se vive subjectivamente, em vez de ser musgo, podrid√£o ou couve-flor; nada existe previamente a esse projecto; nada existe no c√©u inintelig√≠vel, e o homem ser√° em primeiro lugar o que tiver projectado ser. N√£o o que tiver querido ser. Porque o que n√≥s entendemos ordinariamente por querer √© uma decis√£o consciente, e para a generalidade das pessoas posterior ao que se elaborou nelas. Posso querer aderir a um partido, escrever um livro, casar-me: tudo isto √© manifesta√ß√£o de uma escolha mais original mais espont√Ęnea do que se denomina por vontade.
(…) Escreveu Dostoievsky: ¬ęSe Deus n√£o existisse, tudo seria permitido.¬Ľ √Č esse o ponto de partida do existencialismo. Com efeito, tudo √© permitido se Deus n√£o existe, e, por conseguinte, o homem encontra-se abandonado, porque n√£o encontra em si, nem fora de si, a que agarrar-se. Ao come√ßo n√£o tem desculpa. Se, na verdade, a exist√™ncia precede a ess√™ncia, n√£o √© poss√≠vel explica√ß√£o por refer√™ncia a uma natureza humana dada e hirta;

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O Jogo de Forças

A beleza come√ßou por ser uma explica√ß√£o que a sexualidade deu a si-pr√≥pria de prefer√™ncias provavelmentente de origem magn√©tica. Tudo √© um jogo de for√ßas, e na obra de arte n√£o temos que procurar ¬ębeleza¬Ľ ou coisa que possa andar no gozo desse nome. Em toda a obra humana, ou n√£o humana, procuramos s√≥ duas coisas, for√ßa e equil√≠brio de for√ßa – energia e harmonia.

Temos de Ser Mais Humanos

Abram os olhos. Somos umas bestas. No mau sentido. Somos primitivos. Somos prim√°rios. Por nossa causa corre um oceano de sangue todos os dias. N√£o √© auscultando todos os nossos instintos ou encorajando a nossa natureza biol√≥gica a manifestar-se que conseguiremos afastar-nos da crueza da nossa condi√ß√£o. √Č lendo Plat√£o. E construindo pontes suspensas. √Č tendo ins√≥nias. √Č desenvolvendo paran√≥ias, conceitos filos√≥ficos, poemas, desequil√≠brios neuroqu√≠micos insan√°veis, frisos de portas, birras de amor, grafismos, sistemas pol√≠ticos, receitas de bacalhau, pormenores.

√Č engra√ßado como cada √©poca se foi considerando ¬ęde charneira¬Ľ ao longo da hist√≥ria. A pretens√£o de se ser definitivo, a arrog√Ęncia de ser ¬ęo √ļltimo¬Ľ, a vaidade de se ser futuro √©, h√° mil√©nios, a mesm√≠ssima cantiga.
Temos de ser mais humanos. Reconhecer que somos as bestas que somos e arrependermo-nos disso. Temos de nos reduzir à nossa miserável insensibilidade, à pobreza dos nossos meios de entendimento e explicação, à brutalidade imperdoável dos nossos actos. O nosso pé foge-nos para o chinelo porque ainda não se acostumou a prender-se aos troncos das árvores, quanto mais habituar-se a usar sapato.

A √ļnica atitude verdadeiramente civilizada √© a fraqueza, a curiosidade, o desespero, a experi√™ncia, o amor desinteressado,

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A Dor Evitada

√Č certo que a infelicidade n√£o depende apenas da dor, mas a alegria, essa, s√≥ devia depender da aus√™ncia de dor f√≠sica. Vinte s√©culos inteiros e completos n√£o inventaram uma explica√ß√£o do sofrimento; sofre-se em compara√ß√£o com o que √© n√£o sofrer, e nenhum homem saud√°vel quer ser educado previamente para aquilo que √© mau. J√° n√£o se treina a resist√™ncia √† dor: evita-se, sim, a mistura com essa ‘coisa’ repelente.

Gonçalo M.

O Dia Deu em Chuvoso

O dia deu em chuvoso.
A manh√£, contudo, esteve bastante azul.
O dia deu em chuvoso.
Desde manh√£ eu estava um pouco triste.

Antecipação! Tristeza? Coisa nenhuma?
N√£o sei: j√° ao acordar estava triste.
O dia deu em chuvoso.

Bem sei, a penumbra da chuva é elegante.
Bem sei: o sol oprime, por ser t√£o ordin√°rio, um elegante.
Bem sei: ser susceptível às mudanças de luz não é elegante.
Mas quem disse ao sol ou aos outros que eu quero ser elegante?
Dêem-me o céu azul e o sol visível.
N√©voa, chuvas, escuros ‚ÄĒ isso tenho eu em mim.

Hoje quero só sossego.
Até amaria o lar, desde que o não tivesse.
Chego a ter sono de vontade de ter sossego.
N√£o exageremos!
Tenho efetivamente sono, sem explicação.
O dia deu em chuvoso.

Carinhos? Afetos? S√£o mem√≥rias…
√Č preciso ser-se crian√ßa para os ter…
Minha madrugada perdida, meu céu azul verdadeiro!
O dia deu em chuvoso.

Boca bonita da filha do caseiro,
Polpa de fruta de um cora√ß√£o por comer…
Quando foi isso?

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Para o Sexo a Expirar

Para o sexo a expirar eu me volto, expirante,
raiz de minha vida, em ti me enredo e afundo.
Amor, amor, amor ‚ÄĒ o braseiro radiante
que me dá, pelo orgasmo, a explicação do mundo.

Pobre carne senil, vibrando insatisfeita,
a minha se rebela ante a morte anunciada.
Quero sempre invadir essa vereda estreita
onde o gozo maior me propicia a amada.

Amanh√£, nunca mais. Hoje mesmo quem sabe?
enregela-se o nervo, esvai-se-me o prazer
antes que, deliciosa, a exploração acabe.

Pois que o espasmo coroe o instante do meu termo,
e assim possa eu partir, em plenitude o ser,
de sémen aljofrando o irreparável ermo.

N√£o h√° pessoas simples, ningu√©m cabe dentro de uma explica√ß√£o f√°cil e r√°pida. Somos unidades vivas que se desenvolvem de forma progressiva. A nossa identidade √© um complexo equil√≠brio din√Ęmico entre perman√™ncia e mudan√ßa.