Passagens sobre Separação

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Frases sobre separa√ß√£o, poemas sobre separa√ß√£o e outras passagens sobre separa√ß√£o para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Para aqueles de nós que acreditam na física, esta separação entre passado, presente e futuro é somente uma ilusão.

Evitar o Sofrimento

Privamo-nos para mantermos a nossa integridade, poupamos a nossa sa√ļde, a nossa capacidade de gozar a vida, as nossas emo√ß√Ķes, guardamo-nos para alguma coisa sem sequer sabermos o que essa coisa √©. E este h√°bito de reprimirmos constantemente as nossas puls√Ķes naturais √© o que faz de n√≥s seres t√£o refinados. Porque √© que n√£o nos embriagamos? Porque a vergonha e os transtornos das dores de cabe√ßa fazem nascer um desprazer mais importante que o prazer da embriaguez. Porque √© que n√£o nos apaixonamos todos os meses de novo? Porque, por altura de cada separa√ß√£o, uma parte dos nossos cora√ß√Ķes fica desfeita. Assim, esfor√ßamo-nos mais por evitar o sofrimento do que na busca do prazer.

O Homem Não é o Indivíduo

¬ęN√£o √© a arranhar interminavelmente o indiv√≠duo que acabamos por encontrar o homem¬Ľ – diz algu√©m em certo livro do Malraux. Nada, de facto, mais √ļtil que a separa√ß√£o dos dois conceitos, que tanto tendem a confundir-se, mormente hoje, em que tal confus√£o parece agravar-se. Com efeito, o ¬ęhomem¬Ľ n√£o √© o ¬ęindiv√≠duo¬Ľ, porque √© s√≥ do indiv√≠duo aquela parte que pode universalizar-se. E √© desta ideia que temos de partir para que um equ√≠voco se n√£o consuma, o equ√≠voco de um individualismo, de um pessoalismo restrito que a arte e o pensamento modernos parecem √† primeira vista aceitar.
Que estranho ¬ęeu¬Ľ √© pois este que de algum modo dir-se-ia predominar na filosofia e na literatura de hoje? Porque √© evidente que uma forte tend√™ncia da arte de hoje, do homem actual, apela para a comunicabilidade, para uma fraternidade, e n√£o para um est√©ril isolamento. Mas acontece que nesse apelo muitas vezes se esquece o que h√° a√≠ de mec√Ęnico, de superficial, de rela√ß√Ķes externas, imediatas, provis√≥rias, que nos n√£o satisfaz inteiramente. O homem que a√≠ fala √© o que se ensurdece a si pr√≥prio, √†s suas vozes profundas, aos avisos que se anunciam desde o limiar da solid√£o.

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Os √önicos Casamentos Felizes

√Č evidente que os √ļnicos casamentos felizes s√£o os de conveni√™ncia, funcionam √†s mil maravilhas, sem conflitos, porque cada um sabe que a realiza√ß√£o das suas ambi√ß√Ķes depende da alian√ßa com o outro. D√° gosto ver como trabalham em equipa os casais que entenderam essa ideia (casamento = sociedade limitada). Desenvolvem-se como uma empresa, apoiando-se um ao outro sem hesitar, cada um deles especializado numa determinada atividade para obterem o m√°ximo rendimento do seu investimento, pois sabem que os ganhos de um beneficiar√£o os dois. As discuss√Ķes em p√ļblico, as desaven√ßas, os an√ļncios de separa√ß√£o fazem cair as a√ß√Ķes da bolsa social e prejudicam a economia dom√©stica, h√° que evitar toda essa merda que os jovens e alguns imbecis publicitam aos quatro ventos, sem se darem conta de que est√£o a desvalorizar-se. Acreditam no amor e no desamor, na trai√ß√£o e no ci√ļme, sem entenderem que, quando se mete de permeio isso a que os romances e as revistas cor-de-rosa chamam amor, est√° tudo fodido. √Č o fim da paz. Quando algu√©m te diz que te amar√° para sempre, a hist√≥ria j√° come√ßou a meter √°gua. O montanhista n√£o pode ficar eternamente parado no cume que conquistou. J√° alcan√ßou o topo.

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À Cama e à Mesa

Muitas coisas que √† mesa revelam mau gosto s√£o na cama um bom condimento. E vice-versa. A maior parte das uni√Ķes s√£o assim infelizes pela simples raz√£o de n√£o se proceder a esta separa√ß√£o entre cama e mesa.

Amamos as nossas mães quase sem o saber e só nos damos conta da profundidade das raízes desse amor no momento da derradeira separação.

N√£o!

Tenho-te muito amor,
E amas-me muito, creio:
Mas ouve-me, receio
Tomar-te desgraçada:
O homem, minha amada,
N√£o perde nada, goza;
Mas a mulher √© rosa…
Sim, a mulher é flor!

Ora e a flor, vê tu
No que ela se resume…
Faltando-lhe o perfume,
Que é a essência dela,
A mais viçosa e bela
V√™-a a gente e… basta.
Sê sempre, sempre, casta!
Ter√°s quanto possuo!

Ter√°s, enquanto a mim
Me alumiar teu rosto,
Uma alma toda gosto,
Enlevo, riso, encanto!
Depois ter√°s meu pranto
Nas praias solit√°rias…
Ondas tumultu√°rias
De l√°grimas sem fim!

À noite, que o pesar
Me arrebatar de cada,
Irei na campa rasa
Que resguardar teus ossos,
Ah! recordando os nossos
T√£o venturosos dias,
Fazer-te as cinzas frias
Ainda palpitar!

Mil beijos, doce bem,
Darei no pó sagrado,
Em que se houver tornado
Teu corpo t√£o galante!
Com pena, minha amante,
De n√£o ter a morte
Ca√≠do a mim em sorte…
Caído em mim também!

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As Decis√Ķes Nas Fam√≠lias

As decis√Ķes nas fam√≠lias ou se tomam no caso de um perfeito acordo entre os c√īnjuges ou, ent√£o, quando existe uma separa√ß√£o completa entre eles. Se as rela√ß√Ķes entre eles flutuam entre os dois extremos nada √© poss√≠vel decidir. Muitos casais levam anos e anos numa esp√©cie de ponto-morto, inc√≥modo para ambos, s√≥ porque n√£o existe entre eles nem acordo nem separa√ß√£o absoluta.

De repente, como um estampido naquele mundo de inconsciência feliz, chegou a notícia da volta de Gastón. Aureliano e Amaranta Úrsula abriram os olhos, sondaram as almas, se olharam na cara com a mão no coração e compreenderam que estavam tão identificados que preferiam a morte à separação.

Teoria e Pr√°tica

Toda a teoria deve ser feita para poder ser posta em pr√°tica, e toda a pr√°tica deve obedecer a uma teoria. S√≥ os esp√≠ritos superficiais desligam a teoria da pr√°tica, n√£o olhando a que a teoria n√£o √© sen√£o uma teoria da pr√°tica, e a pr√°tica n√£o √© sen√£o a pr√°tica de uma teoria. Quem n√£o sabe nada dum assunto, e consegue alguma coisa nele por sorte ou acaso, chama ¬ęte√≥rico¬Ľ a quem sabe mais, e, por igual acaso, consegue menos. Quem sabe, mas n√£o sabe aplicar – isto √©, quem afinal n√£o sabe, porque n√£o saber aplicar √© uma maneira de n√£o saber -, tem rancor a quem aplica por instinto, isto √©, sem saber que realmente sabe. Mas, em ambos os casos, para o homem s√£o de esp√≠rito e equilibrado de intelig√™ncia, h√° uma separa√ß√£o abusiva. Na vida superior a teoria e a pr√°tica completam-se. Foram feitas uma para a outra.

O Medo do Aborrecimento

O género de aborrecimento de que sofre a população das cidades modernas está intimamente ligado à sua separação da vida da Terra. Essa separação torna o seu viver ardente, poeirento e ansioso, tal como uma peregrinação no deserto. Nos que são suficientemente ricos para escolher o seu género de vida, o estigma peculiar de insuportável aborrecimento que os distingue é devido, por muito paradoxal que isso possa parecer, ao seu medo do aborrecimento. Ao fugirem do aborrecimento que é fecundo, são vítimas de outro de natureza pior. Uma vida feliz deve ser, em grande medida, uma vida tranquila, pois só numa atmosfera calma pode existir o verdadeiro prazer.

A separa√ß√£o (tempor√°ria) tem isto de bom – que p√Ķe em relevo e torna interessantes mil pequenas coisas da vida daqueles que amamos – que at√© a√≠, todos os dias vistas, quase se n√£o percebiam.

N√£o h√° Casamento com Lux√ļria

No casamento a revitaliza√ß√£o da lux√ļria s√≥ pode ser conseguida enfraquecendo e destruindo os seus la√ßos. Quero dizer, amantes. √Č por isso que a lux√ļria se torna um pecado, pois est√° destinada a morrer, e se ainda se acende isso s√≥ acontece por causa das mulheres fora do casamento. √Č assim que chegamos √† ideia original de pecado quando a lux√ļria √© a inimiga do amor. A c√≥pula entre marido e mulher n√£o √© pecaminosa porque √© feita sem lux√ļria. Todos os casos extraconjugais s√£o luxuriosos e por isso pecaminosos. Assim, todas as tentativas de reavivar a lux√ļria no casamento s√£o m√°s, incluindo o afastamento.
Porque reacender a lux√ļria por um curto per√≠odo amea√ßa um casamento, sujeitando a esposa √† tenta√ß√£o de adult√©rio na separa√ß√£o. O casamento foi criado para destruir a paix√£o embora a princ√≠pio atraia com paix√£o. Calcar a paix√£o com a paix√£o.
O casamento seduz com a legitimidade e com a disponibilidade da lux√ļria. Ao fazermos o juramento de fidelidade, n√£o suspeitamos que estamos tamb√©m a renunciar √† lux√ļria. O casamento foi criado para distrair as pessoas da lux√ļria com a ajuda da lux√ļria. Por isso, para bem de um casamento forte, tem se aguentar o seu desaparecimento.

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Sim, dormimos, e isto é confortante, pois o maior desejo de um coração inquieto é possuir interminavelmente o ser amado, ou, dada a separação, poder mergulhá-lo num sono sem sonhos que não termine antes do reencontro.

Dois prisioneiros cujas celas s√£o adjacentes comunicam-se entre si batendo na parede. A parede √© aquilo que os separa mas tamb√©m √© o meio de comunica√ß√£o. √Č a mesma coisa conosco e Deus. Cada separa√ß√£o √© um v√≠nculo.