Passagens sobre √Čpoca

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Frases sobre √©poca, poemas sobre √©poca e outras passagens sobre √©poca para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

A religião é o suspiro da criança acabrunhada, o coração de um mundo sem coração, assim como também o espírito de uma época sem espírito. Ela é o ópio do povo.

O Significado dos Sonhos

Os meu sonhos eram de muitas esp√©cies mas representavam manifesta√ß√Ķes de um √ļnico estado de alma. Ora sonhava ser um Cristo, a sacrificar-me para redimir a humanidade, ora um Lutero, a quebrar com todas as conven√ß√Ķes estabelecidas, ora um Nero, mergulhado em sangue e na lux√ļria da carne. Ora me via numa alucina√ß√£o o amado das multid√Ķes, aplaudido, desfilando ao longo (…), ora o amado das mulheres, atraindo-as arrebatadoramente para fora das suas casas, dos seus lares, ora o desprezado por todos embora o eleito do bem, por todos a sacrificar-me. Tudo o que lia, tudo o que ouvia, tudo o que via ‚ÄĒ cada ideia vinda de fora, cada (…), cada acontecimento era o ponto de partida de um sonho. Vinha de um circo e ficava em casa ousando imaginar-me um palha√ßo, com luzes em arco √† minha volta. Via soldados passarem na minha mente a falarem com uma vis√£o de mim pr√≥prio, tratando-me por capit√£o, chefiando, ordenando, vitorioso. Quando lia algo acerca de aventureiros imediatamente me convertia neles, por completo. Quando lia algo acerca de criminosos, morria por cometer crimes at√© me apavorar com o meu desarranjo mental. Conforme as coisas que via, ou ouvia, ou lia, vivia em todas as classes sociais,

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Ode ao Destino

Destino: desisti, regresso, aqui me tens.

Em vão tentei quebrar o círculo mágico
das tuas coincidências, dos teus sinais, das ameaças,
do recolher felino das tuas unhas retracteis
Рah então, no silêncio tranquilo, eu me encolhia ansioso
esperando já sentir o próximo golpe inesperado.

Em v√£o tentei n√£o conhecer-te, n√£o notar
como tudo se ordenava, como as pessoas e as coisas chegavam
que eu, de soslaio, e disfarçando, observava                               [em bandos,
pura conter as palavras, as minhas e as dos outros,
para dominar a tempo um gesto de amizade inoportuna.

Eu sabia, sabia, e procurei esconder-te,
afogar-te em sistemas, em esperanças, em audácias;
descendo à fé só em mim próprio, até busquei
sentir-te imenso, exacto, magn√Ęnimo,
√ļnico mist√©rio de um mundo cujo mist√©rio eras tu.

Lei universal que a sem-razão constrói,
de um Deus ínvio caminho, capricho dos Deuses,
soberana essência do real anterior a tudo,
Providência, Acaso, falta de vontade minha,
superstição, metafísica barata, medo infantil, loucura,
complexos variados mais ou menos freudianos,
contradição ridícula não superada pelo menino burguês,
educação falhada,

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O trágico na vida de grandes homens está, frequentemente, não no seu conflito com a época e a baixeza de seus semelhantes, mas na sua incapacidade de adiar por um ou dois anos a sua obra.

A Inquietação Moderna

Em direc√ß√£o a oeste, a movimenta√ß√£o moderna torna-se cada vez maior, de modo que, para os Americanos, os habitantes da Europa na sua totalidade se apresentam como seres que gostam do sossego e dele usufruem, quando estes mesmos, no entanto, voam em confus√£o como abelhas e vespas. Esta movimenta√ß√£o torna-se t√£o grande que a cultura superior j√° n√£o pode madurar os seus frutos; √© como se as esta√ß√Ķes do ano se seguissem umas √†s outras demasiado depressa. Por falta de sossego, a nossa civiliza√ß√£o vai dar a uma nova barb√°rie. Em nenhuma √©poca, os activos, ou seja, os irrequietos, foram t√£o considerados. Refor√ßar em grande medida o elemento contemplativo faz parte, por conseguinte, das necess√°rias correc√ß√Ķes que se tem de efectuar no car√°cter da humanidade. No entanto, desde j√°, cada indiv√≠duo, que seja calmo e constante de cora√ß√£o e de cabe√ßa, tem o direito de crer que possui n√£o s√≥ um bom temperamento, mas tamb√©m uma virtude de utilidade geral e que, ao conservar essa atitude, at√© cumpre uma miss√£o superior.

A Vulgaridade Intelectual

Hoje, (…) o homem m√©dio tem as ¬ęideias¬Ľ mais taxativas sobre quanto acontece e deve acontecer no universo. Por isso perdeu o uso da audi√ß√£o. Para qu√™ ouvir, se j√° tem dentro de si o que necessita? J√° n√£o √© √©poca de ouvir, mas, pelo contr√°rio, de julgar, de sentenciar, de decidir. N√£o h√° quest√£o de vida p√ļblica em que n√£o intervenha, cego e surdo como √©, impondo as suas ¬ęopini√Ķes¬Ľ.
Mas n√£o √© isto uma vantagem? N√£o representa um progresso enorme que as massas tenham ¬ęideias¬Ľ, quer dizer, que sejam cultas? De maneira alguma. As ¬ęideias¬Ľ deste homem m√©dio n√£o s√£o autenticamente ideias, nem a sua posse √© cultura. A ideia √© um xeque-mate √† verdade. Quem queira ter ideias necessita antes de dispor-se a querer a verdade, e aceitar as regras do jogo que ela imponha. N√£o vale falar de ideias ou opini√Ķes onde n√£o se admite uma inst√Ęncia que as regula, uma s√©rie de normas √†s quais na discuss√£o cabe apelar. Estas normas s√£o os princ√≠pios da cultura. N√£o me importa quais s√£o. O que digo √© que n√£o h√° cultura onde n√£o h√° normas. A que os nossos pr√≥ximos possam recorrer.
Não há cultura onde não há princípios de legalidade civil a que apelar.

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Par√Ęmetro

Uma tarde amarela noroeste
modo nosso de amar lembrando a estrada,
que passa sempre a leste
de urna tarde espantada,

de urna tarde amarela soterrada
numa caixa de pêssegos, madura,
uma janela madura de bandeiras abortas
para o mar, e frias;

encarcerada pelo verdoenga de pêssegos
e a√ß√ļcar cristalizado sobre a polpa
dos verdes apanhados na ch√°cara. Setembro.
Ah, setembro, setembro

essa menina e teus jardins sobre a cabeça
castanha e cacheada, numa tarde amarela
de vapores entrando a barra, de sinos
batendo, que reconheço de outra época,

do espanto de outras torres, de outra tarde espantada,
que amarravas no inverno embora outubro:
esse rapaz que atravessa o corporal de pêssegos
de urna tarde amarela,
como se fincasse a cisma de uma lança
no rosto da palavra genial
e seu ramo de rosas, sua neblina.

A crença de ser a juventude a época mais feliz da vida é baseada numa falácia. A pessoa mais feliz é aquela que tem os pensamentos mais interessantes. Assim, podemos tornarmo-nos mais felizes na medida em que nos tornamos mais velhos.

Se eu pudesse descrever a beleza dos teus olhos e enumerar teus atributos em √©pocas vindouras… diriam: o poeta mente! A Terra jamais foi acariciada por tal toque divino.

Eu Acredito na História

Eu acredito na História. Por isso, espero que ela escarre um dia sobre esta época, agoniada de nojo. Será tarde, evidentemente, para que os tartufos de agora sintam o cilindro da justiça a brunir-lhes a grandeza, e para que os humilhados tenham ainda em vida a desforra que merecem. Mas o homem dura pouco demais para poder assistir ao espectáculo inteiro da comédia de que também é comparsa. Tem de nomear representantes até para comerem os frutos das próprias árvores que planta. De maneira que eu delego na História um vómito azedo sobre isto.

Aos Meus Filhos

Na intermitência da vital canseira,
Sois v√≥s que sustentais ( For√ßa Alta exige-o … )
Com o vosso catalítico prestígio,
Meu fantasma de carne passageira!

Vulcão da bioquímica fogueira
Destruiu-me todo o org√Ęnico fast√≠gio …
Dai-me asas, pois, para o √ļltimo rem√≠gio,
Dai-me alma, pois, para a hora derradeira!

Culmin√Ęncias humanas ainda obscuras,
Express√Ķes do universo radioativo,
Ions emanados do meu próprio ideal,

Benditos vós, que, em épocas futuras,
Haveis de ser no mundo subjetivo,
Minha continuidade emocional!

O Homem de Génio (I)

Em arte tudo é lícito, desde que seja superior. Não é permitido ao homem vulgar ser antipatriota, porque não tem mentalidade acima da espécie, e a não pode ter pois acima da espécie imediata, que é a nação a que pertence. Ao génio é permitido. Sucede, por ironia, que os grandes génios são em geral conformes com os sentimentos normais: Shakespeare era intensamente, até excessivamente, patriota. Um génio antipatriota é um fenómeno, não direi vulgar, mas aceitável. Um operário antipatriota é simplesmente uma besta.
O homem da esp√©cie n√£o pode ter opini√Ķes, porque a opini√£o √© do indiv√≠duo, e desde que um homem perten√ßa organicamente a uma fam√≠lia, a uma classe, a qualquer coisa que constitua ambiente imediato e vivo, deixa de ser um indiv√≠duo para ser uma c√©lula qualquer. S√≥ a na√ß√£o, por ser um ambiente abstracto, visto que tem parte no passado e parte no futuro, n√£o estorva a alma individual.
O problema da proteção aos artistas, ou qualquer problema parecido, não existe em relação ao homem de génio, cuja vida mental é uma coisa à parte e que passa, em geral, incompreendido na sua época, ou, pelo menos, incompreendido naquilo mesmo que é nele génio.

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Direito não é Lógica

A vida do direito n√£o tem sido a l√≥gica; tem sido a experi√™ncia. As necessidades sentidas em cada √©poca, a moral e as teorias pol√≠ticas dominantes, as intui√ß√Ķes da pol√≠tica p√ļblica expressas ou inconscientes, mesmo os preconceitos que os ju√≠zes partilham com os seus concidad√£os t√™m contado mais do que o silogismo na determina√ß√£o das leis pelas quais os homens devem ser regidos. O direito incorpora a hist√≥ria do desenvolvimento duma na√ß√£o ao longo de muitos s√©culos e n√£o pode ser tratado como se contivesse apenas os axiomas e as regras dum livro de matem√°tica. Para sabermos o que ele √© temos de saber o que ele foi e o que ele tem tend√™ncia a ser no futuro.

A Charrua do Mal

Foram os esp√≠ritos fortes e os esp√≠ritos malignos, os mais fortes e os mais malignos, que obrigaram a natureza a fazer mais progressos: reacenderam constantemente as paix√Ķes que adormecidas – todas as sociedades policiadas as adormecem -, despertaram constantemente o esp√≠rito de compara√ß√£o e de contradi√ß√£o, o gosto pelo novo, pelo arriscado, pelo inexperimentado; obrigaram o homem a opor incessantemente as opini√Ķes √†s opini√Ķes, os ideais aos ideais.
As mais das vezes pelas armas, derrubando os marcos fronteiri√ßos, violando as cren√ßas, mas fundando tamb√©m novas religi√Ķes, criando novas morais! Esta ¬ęmaldade¬Ľ que se encontra em todos os professores do novo, em todos os pregadores de coisas novas, √© a mesma ¬ęmaldade¬Ľ que desacredita o conquistador, se bem que ela se exprime mais subtilmente e n√£o mobilize imediatamente o m√ļsculo; – o que faz de resto com que desacredite com menos for√ßa! – O novo, de qualquer maneira, √© o mal, pois √© aquilo que quer conquistar, derrubar os marcos fronteiri√ßos, abater as antigas cren√ßas; s√≥ o antigo √© o bem! Os homens de bem em todas as √©pocas, s√£o aqueles que implantam profundamente as velhas ideias para lhes dar fruto, s√£o os cultivadores do esp√≠rito. Mas todos os terrenos acabam por se esgotar,

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Essas tabuinhas nos mostram ainda que, desde aquela época, ler sempre foi interpretar, porque era necessário decidir, segundo o contexto como uma imagem deve estar relacionada no seu significado e em que direção prosseguir a leitura.

A literatura de outras eras n√£o pode suprir a literatura dos nossos dias. Cada gera√ß√£o quer exprimir o seu pr√≥prio pensamento, e nunca duas √©pocas diversas, nem sequer duas gera√ß√Ķes sucessivas, tiveram os mesmos √Ęngulos intelectuais de vis√£o.

Vol√ļvel do Homem Foi Sempre a Vontade

Sobre as asas do Tempo, que n√£o cansa,
Nossos gostos se v√£o, nossas paix√Ķes
Os projectos, sistemas e opini√Ķes
Cos tempos que se mudam tem mudança.

Não pode haver no mundo segurança
Entre o v√°rio mont√£o de inclina√ß√Ķes,
Pois sujeita a Vontade a mil bald√Ķes
No vari√°vel moto n√£o descansa.

Nas nossas quatro épocas da idade
Temos mudanças mil: nossa fraqueza
Sujeita está, do Tempo, à variedade.

Na inconst√Ęncia jamais houve firmeza:
Vol√ļvel do homem foi sempre a vontade,
Por defeito comum da Natureza.