Cita√ß√Ķes sobre Iniciais

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Frases sobre iniciais, poemas sobre iniciais e outras cita√ß√Ķes sobre iniciais para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

A Inconst√Ęncia no Amor e na Amizade

N√£o pretendo justificar aqui a inconst√Ęncia em geral, e menos ainda a que vem s√≥ da ligeireza; mas n√£o √© justo imputar-lhe todas as transforma√ß√Ķes do amor. H√° um encanto e uma vivacidade iniciais no amor que passa insensivelmente, como os frutos; n√£o √© culpa de ningu√©m, √© culpa exclusiva do tempo. No in√≠cio, a figura √© agrad√°vel, os sentimentos relacionam-se, procuramos a do√ßura e o prazer, queremos agradar porque nos agradam, e tentamos demonstrar que sabemos atribuir um valor infinito √†quilo que amamos; mas, com o passar do tempo, deixamos de sentir o que pens√°vamos sentir ainda, o fogo desaparece, o prazer da novidade apaga-se, a beleza, que desempenha um papel t√£o importante no amor, diminui ou deixa de provocar a mesma impress√£o; a designa√ß√£o de amor permanece, mas j√° n√£o se trata das mesmas pessoas nem dos mesmos sentimentos; mant√™m-se os compromissos por honra, por h√°bito e por n√£o termos a certeza da nossa pr√≥pria mudan√ßa.
Que pessoas teriam começado a amar-se, se se vissem como se vêem passados uns anos? E que pessoas se poderiam separar se voltassem a ver-se como se viram a primeira vez? O orgulho, que é quase sempre senhor dos nossos gostos,

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A Tua Import√Ęncia na Tua Vida

√Č fundamental reconheceres a tua import√Ęncia na tua vida. Por algum motivo nasceste, aprendeste a respirar e tiveste direito a um nome, nome esse que, em conjunto com as tuas caracter√≠sticas, te identificar√° eternamente como um ser individual, √ļnico e livre. Haver√° algo mais especial e precioso que isso? Estou em crer que n√£o; ainda assim, encontro muitas pessoas a quererem ser outras e outras ainda a querer acabar com elas pr√≥prias na esperan√ßa de, imediatamente, poderem vir a ser outro algu√©m. √Č o teu caso? Se for deve ser uma chatice, mas, tamb√©m, se n√£o te d√°s qualquer import√Ęncia, que import√Ęncia te darei eu? J√° calculaste o perigo em que incorres por pensar desta maneira? Em menos de nada, estar√°s sozinho ou rodeado de gente como tu, ausente e que meteu f√©rias no inferno para sempre. Bom, mas alegrem-se os cora√ß√Ķes porque acredito que n√£o lerias estas linhas iniciais se nada estivesse a borbulhar a√≠ dentro, se n√£o existisse, pelo menos, uma fugaz esperan√ßa e uma enorme vontade de mudar. Est√° atento, o passado s√≥ influencia o presente se mantiveres o mesmo comportamento, por isso liberta-te dessa dor por uns instantes e l√™ em voz alta a pr√≥xima frase tantas vezes quantas achares necess√°rio.

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E cada instante e diferente, e cada homem é diferente, e somos todos iguais. No mesmo ventre o escuro inicial, na mesma terra o silêncio global, mas não seja logo.

Uma Vida Maior

Estou querendo viver daquilo inicial e primordial que exactamente fez com que certas coisas chegassem ao ponto de aspirar a serem humanas. Estou querendo que eu viva da parte humana mais dif√≠cil: que eu viva do germe do amor neutro, pois foi dessa fonte que come√ßou a nascer aquilo que depois foi se distorcendo em sentimenta√ß√Ķes a tal ponto que o n√ļcleo ficou esmagado em n√≥s mesmos pela pata humana. √Č um amor muito maior que estou exigindo de mim ‚Äď √© uma vida t√£o maior que n√£o tem sequer beleza. Estou tendo essa coragem dura que me d√≥i como a carne que se transforma em parto.

.H.’

O Empolar dos Conflitos

A maior parte dos conflitos s√£o forjados, baseados em falsas suspei√ß√Ķes ou exageram coisas sem import√Ęncia. Umas vezes, a ira vem at√© n√≥s, outras somos n√≥s que vamos ao seu encontro. Nunca devemos invocar a ira e, mesmo quando ela surge, devemos afast√°-la. Ningu√©m diz para si mesmo: ¬ęJ√° fiz ou poderei vir a fazer o que me est√° agora a causar ira¬Ľ; ningu√©m tem em conta a inten√ß√£o do autor, mas apenas o acto em si. Ora, √© o autor que se deve ter em conta: teve ele inten√ß√£o de fazer o que fez ou f√™-lo sem querer, foi coagido ou estava enganado, seguiu o √≥dio ou procurou lucrar com o seu acto, f√™-lo por sua conta ou prestou um servi√ßo a algu√©m? A idade de quem errou e a sua situa√ß√£o devem ser ponderadas, para que saibamos se devemos suportar e perdoar a sua ofensa com benevol√™ncia ou com humildade.
Coloquemo-nos no lugar daquele que nos suscita ira: então, percebemos que o que nos torna iracundos é uma má avaliação de nós mesmos e não queremos sofrer algo que nós próprios queremos fazer. Ninguém faz uma pausa: ora, a pausa é o maior remédio para a ira,

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Dentes

Os dentes, porque s√£o dentes,
iniciais. Na espuma,
porque n√£o s√£o saliva
estas ondas
pouco mordentes; este
sal que sobe quase
doce; donde?

Numa espécie
de fogo: amor é fogo
que arde sem se ver;
porque não é
de facto fogo este frio aceso;
da saliva à lava
passa pela espuma.

Só os dentes.
Duros, √°cidos, concentram-se
tacteando a pele,
tatuando signos sempre
moventes
de f√ļria. Mordida
a pele cintila; espelho
dos dentes, do seu esmalte voraz;
suavemente.

Mater Dolorosa

Sozinha, olho para o teu corpo e sei como é dentro de mim que ele
existe;
desde que nasceste compreendi que podiam apenas os meus braços
acolher-te. Fico de novo presa
a este sofrimento. Sentia como chegava a sombra e com ela o que
seria apenas
o teu espírito, perdido como as primeiras imagens que se
desprendem agora
nesta manhã tranquila. Há-de a sua recordação ser talvez a mesma
que vinha com os sonhos ainda suspensos pelas m√£os que se
tomam
mais leves, iniciais. Poderia descer para mim este sangue; ele
pertencia-me
como se a luz viesse apenas recolhê-lo. O resto era o que se não
separava
da noite, dessas vestes que ficam caídas sobre o teu corpo
como se fossem a piedade; era t√£o pouco o que recebias. Ajudo-te
com o meu silêncio. Julgo que talvez nele chegue um pouco
de calor
a que sozinho te poderias acolher. Assim repousas junto de mim
e principio a olhar-te. Que idade era a tua quando se uniram
as m√£os? Espero h√° muito as palavras que traziam consigo
uma recordação que não podia existir na tua voz apagada;

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As Influências no Estado de Espírito

Agora estou disposto a fazer tudo, agora a nada fazer; o que me √© um prazer neste momento em alguma outra vez me ser√° um esfor√ßo. Acontecem em mim mil agita√ß√Ķes desarrazoadas e acidentais. Ou o humor melanc√≥lico me domina, ou o col√©rico; e, com a sua autoridade pessoal, neste momento a tristeza predomina em mim, neste momento a alegria. Quando pego em livros, terei captado em determinada passagem qualidades excelentes e que ter√£o tocado a minha alma; quando uma outra vez volto a deparar com ela, por mais que a vire e revire, por mais que a dobre e apalpe, √© para mim uma massa desconhecida e informe.
Mesmo nos meus escritos nem sempre reencontro o sentido do meu pensamento anterior: n√£o sei o que quis dizer, e ami√ļde me esfalfo corrigindo e dando-lhe um novo sentido, por haver perdido o primeiro, que valia mais. N√£o fa√ßo mais que ir e vir: o meu julgamento nem sempre caminha para a frente; ele flutua, vagueia, Como um barquinho fr√°gil surpreendido no vasto mar por uma tempestade violenta (Catulo).
Muitas vezes (como habitualmente me advém fazer), tendo tomado para defender, por exercício e por diversão, uma opinião contrária à minha,

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Onde a Sombra de Ti

Onde a sombra de ti, o meu perfil
√Č linha de certeza. A√≠ s√£o convergentes
As vagas circulares, no seu limite
O ponto rigoroso se propaga.
Aí se reproduz a voz inicial,
A palavra solar, o laço da raiz.
Nasce de nós o tempo, e, criadores,
Pela força do perfil coincidente,
Amanhecemos deuses de m√£os dadas.

Plano

Trabalho o poema sobre uma hipótese: o amor
que se despeja no copo da vida, até meio, como se
o pudéssemos beber de um trago. No fundo,
como o vinho turvo, deixa um gosto amargo na
boca. Pergunto onde está a transparência do
vidro, a pureza do líquido inicial, a energia
de quem procura esvaziar a garrafa; e a resposta
s√£o estes cacos, que nos cortam as m√£os, a mesa
da alma suja de restos, palavras espalhadas
num cansaço de sentidos. Volto, então, à primeira
hipótese. O amor. Mas sem o gastar de uma vez,
esperando que o tempo encha o copo até cima,
para que o possa erguer à luz do teu corpo
e veja, através dele, o teu rosto inteiro.

A orientação inicial que alguém recebe da educação também marca a sua conduta ulterior.

O Construtor

O construtor, antes de levantar a primeira pedra do dia, contempla e considera as suas feridas que enfraquecem a vontade de construir, com a sua pr√≥pria subst√Ęncia de cinzas e sangue petrificado, a habita√ß√£o em que a f√©nix poder√° renascer com todo o esplendor original de um astro. Nada mais lhe resta do que lan√ßar-se a um trabalho para o qual a disposi√ß√£o ainda n√£o surgiu, mas que poder√° despertar os impulsos da constru√ß√£o solar e abrir o horizonte luminoso e tranquilo de um rio em torno da morada. A constru√ß√£o est√° envolta numa espessa bruma e n√£o h√° nela sinais de figuras ou formas, porque essa n√©voa √© o pr√≥prio nada da confus√£o inicial e do fim de toda a constru√ß√£o como possibilidade de vida e de renovo. √Č do obscuro fundo da retina que surge um t√©nue raio cintilante que penetra na massa nebulosa da constru√ß√£o e a faz palpitar e estremecer. O construtor poder√° ent√£o discernir algumas linhas de for√ßa, algumas estruturas e bases numa crescente e sincopada clarifica√ß√£o. Haver√° um momento em que ele sentir√° que o edif√≠cio dan√ßa porque tudo se duplica e se reflecte e se anima. De algum modo, √© j√° a f√©nix que resplandece no fulgor da edifica√ß√£o e na plenitude do ser e do olhar na sua m√ļtua cria√ß√£o.

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O Amor em Visita

Dai-me uma jovem mulher com sua harpa de sombra
e seu arbusto de sangue. Com ela
encantarei a noite.
Dai-me uma folha viva de erva, uma mulher.
Seus ombros beijarei, a pedra pequena
do sorriso de um momento.
Mulher quase incriada, mas com a gravidade
de dois seios, com o peso l√ļbrico e triste
da boca. Seus ombros beijarei.

Cantar? Longamente cantar.
Uma mulher com quem beber e morrer.
Quando fora se abrir o instinto da noite e uma ave
o atravessar trespassada por um grito marítimo
e o p√£o for invadido pelas ondas –
seu corpo arder√° mansamente sob os meus olhos palpitantes.
Ele – imagem vertiginosa e alta de um certo pensamento
de alegria e de impudor.
Seu corpo arder√° para mim
sobre um lençol mordido por flores com água.

Em cada mulher existe uma morte silenciosa.
E enquanto o dorso imagina, sob os dedos,
os bord√Ķes da melodia,
a morte sobe pelos dedos, navega o sangue,
desfaz-se em embriaguez dentro do coração faminto.
– Oh cabra no vento e na urze,

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O Homem Primitivo Moderno

Reparai num homem civilizado, rico, inteligente e feliz; olhai-o bem; tirai-lhe o chapéu alto, o casaco, as botas de verniz; despi-o, enfim: vereis a miséria da carne tentando um feroz regresso às formas caricatas do orogotango inicial.
Ide mais longe; penetrai-lhe o esqueleto, atravessai-lhe as entranhas: vereis então a maior das pobrezas, a miséria absoluta, a ausência de alma.
Sim: conforme a alma vai desaparecendo, o corpo vai-se sumindo e, apagando nas indecisas, grosseiras formas originárias. Por cada sentimento que morre, o cóccix aumenta um elo.
As criaturas de que se comp√Ķe a parte dominante da sociedade, est√£o j√° mais pr√≥ximas do macaco do que do homem. As abas da casaca s√£o feitas para encobrir os primeiros movimentos comprometedores da cauda… a bota de verniz tenta apertar e reduzir o p√© que principia a prolongar-se assustadoramente. A luva realiza, nas m√£os, o mesmo papel hip√≥crita…
Continuai na vossa an√°lise do homem civilizado que parou agora, al√©m, em frente duma vitrine de ourives, atra√≠do, como os moscardos, pelo fulgor dos brilhantes, das esmeraldas, dos r√ļbis, dos top√°zios, de todas as pedras, enfim, que o homem n√£o pode atirar ao seu semelhante.
Olhai-o bem; a primeira coisa que nos fere é a hostilidade que se exala de toda a sua fisionomia.

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Sempre considerei esta antec√Ęmara do amor, este bem-estar incerto, os ind√≠cios de um sentimento rec√≠proco, o per√≠odo mais proveitoso das rela√ß√Ķes entre homem e mulher e a prova disso √© que, depois de quebrado o mist√©rio, quando as certezas do corpo se afirmam sobre as suspeitas do esp√≠rito, os amantes tentam sempre regressar a esse momento inicial da inoc√™ncia poss√≠vel.

Quando Eu For Pequeno

Quando eu for pequeno, m√£e,
quero ouvir de novo a tua voz
na camp√Ęnula de som dos meus dias
inquietos, apressados, fustigados pelo medo.
Subirás comigo as ruas íngremes
com a certeza dócil de que só o empedrado
e o cansaço da subida
me entregar√£o ao sossego do sono.

Quando eu for pequeno, m√£e,
os teus olhos voltar√£o a ver
nem que seja o fio do destino
desenhado por uma estrela cadente
no cetim azul das tardes
sobre a baía dos veleiros imaginados.

Quando eu for pequeno, m√£e,
nenhum de nós falará da morte,
a n√£o ser para confirmarmos
que ela só vem quando a chamamos
e que os animais fazem um círculo
para sabermos de antem√£o que vai chegar.

Quando eu for pequeno, m√£e,
trarei as papoilas e os b√ļzios
para a tua mesa de tricotar encontros,
e ent√£o ficaremos debaixo de um alpendre
a ouvir uma banda a tocar
enquanto o pai ao longe nos acena,
lenço branco na mão com as iniciais bordadas,
anunciando que vai voltar porque eu sou
[pequeno
e a orfandade até nos olhos deixa marcas.

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A √ļnica forma de desenvolvimento √© um esfor√ßo constante atrav√©s da medita√ß√£o. √Č claro que, no in√≠cio, isso n√£o √© f√°cil. Encontram-se dificuldades inesperadas, √†s vezes h√° perda de entusiasmo. Ou talvez o entusiasmo inicial seja excessivo e diminua progressivamente com o passar das semanas ou meses. √Č preciso elaborar uma abordagem persistente, constante, baseada em um compromisso de longo prazo.