Interrogativas

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Interrogativas para ler e compartilhar. Conheça estes e outros temas em Poetris.

Arre, estou farto de semideuses! Onde é que há gente no mundo? Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?

Pode um «burro» ser trágico? – Sucumbir sob um fardo que não pode nem carregar nem sacudir?… É o caso do filósofo.

Como é que eu faço por estar bem disposto, encontrando-me na verdade tão triste e miserável como vocês todos? Há várias técnicas. A mais importante é a técnica do «proporcionamento». Consiste em atribuir a um dado problema pessoal a proporção que tem no mundo. Há tanta gente a sofrer de verdade, a morrer, de fome, de doenças, de terramotos, que o nosso sofrimento, quando é publicamente exibido, é pequenino e obsceno.

É um escravo. Mas talvez livre de espírito. É um escravo. Isso fará mal a ele? Aponta alguém que não o seja. Um é escravo do prazer, outro, da avareza, outro, da ambição, todos, do medo.

Reflete ainda nisso: supõe que esse homem volte à caverna e retome o seu antigo lugar. Desta vez, não seria pelas trevas que ele teria os olhos ofuscados, ao vir diretamente do Sol?

Quantas vezes não é através dos actos aparentemente mais inúteis ou supérfluos que o homem descobre a sua força?

Finos clarins que não ouvimos devem soar por dentro da terra, nesse mundo confidencial das raízes, ? e arautos sutis acordarão as cores e os perfumes e a alegria de nascer, no espírito das flores.

Sendo a moral o único esquema de interpretação que permite ao homem tolerar-se, não será ela então uma espécie de orgulho?