Citação de

A Felicidade Est√° Fora da Nossa Realidade

O amoroso apaixonado j√° n√£o vive em si, mas no que ama; quanto mais se afasta de si para se fundir no seu amor, mais feliz se sente. Assim, quando a alma sonha em fugir do corpo e renuncia a servir-se normalmente dos seus org√£os, podeis dizer com raz√£o que ele enlouquece. As express√Ķes correntes n√£o querem dizer outra coisa: ¬ęN√£o est√° em si… Volta a ti… Ele voltou a si.¬Ľ E quanto mais perfeito √© o amor, maior a loucura e mais feliz.
Quem ser√°, pois, essa vida no C√©u, √† qual aspiram t√£o ardentemente as almas piedosas? O esp√≠rito, mais forte e vitorioso, absorver√° o corpo; isto ser√° tanto mais f√°cil quanto mais purificado e extenuado tiver sido o corpo durante a vida. Por sua vez, o esp√≠rito ser√° absorvido pela suprema Intelig√™ncia, cujos poderes s√£o infinitos. Assim se encontrar√° fora de si mesmo o homem inteiro e a √ļnica raz√£o da sua felicidade ser√° de n√£o mais se pertencer, mas de submeter-se a este soberano inef√°vel, que tudo atrai a si.
Uma tal felicidade, √© certo, s√≥ poder√° ser perfeita no momento em que as almas, dotadas de imortalidade, retomem os antigos corpos. Mas, como a vida dos piedosos n√£o √© mais do que a medita√ß√£o sobre a eternidade e como que a sombra dela, conseguem saborear e antegozar o perfume de tal vida. Isto n√£o √© mais do que uma gotinha em compara√ß√£o com a fonte infind√°vel da felicidade. Por√©m, √© prefe√≠rvel a todos os prazeres da Terra, mesmo que se fundissem num s√≥, de tal modo o esp√≠rito supera a mat√©ria e o invis√≠vel o vis√≠vel! Esta √© a promessa do Profeta: ¬ęOs olhos n√£o viram, os ouvidos n√£o ouviram, o cora√ß√£o n√£o sentiu as del√≠cias que Deus prepara para os que o amam.¬Ľ Tal √© esta loucura que n√£o acaba, mas que se aperfei√ßoa com a passagem para a outra vida.
Aqueles que tiveram o privilégio tão raro de tais sentimentos, experimentam uma espécie de demência: falam sem coerência, pronunciam palavras sem sentido e a cada instante mudam a expressão do rosto. Ora tristes, ora alegres, riem, choram, suspiram. Em resumo, estão fora de si. Quando voltam a si, não sabem dizer onde estiveram, se estavam ou não no seu corpo, despertos ou adormecidos, que ouviram, disseram ou fizeram. Só se recordam como que através de um sonho ou de uma nuvem. Sabem somente que foram felizes durante tal loucura. Lamentam ter regressado à razão e sonham poder viver eternamente nesta loucura.